Pedro era pescador. Quando Jesus o chama, não o convida apenas a segui-Lo, mas também a uma mudança de mentalidade (cf. Lc 5).
Simão Pedro era um homem com família, trabalho, projetos e uma vida comum. Quando Jesus o chamou, não deixou de ser humano; Jesus o conhecia. Não se tornou perfeito, nem deixou de ter defeitos. Pelo contrário, o Evangelho nos apresenta constantemente a humanidade de Pedro.
Talvez por isso Pedro me seja tão próximo.
Com frequência pensamos nele como a rocha, o primeiro Papa, o grande apóstolo. Mas, antes de tudo isso, existiu um homem impulsivo, apaixonado, frágil e muitas vezes contraditório.
Pedro fala antes de pensar. É impulsivo. Promete mais do que pode cumprir. Quer caminhar sobre as águas e acaba afundando (cf. Mt 14,30). Jura fidelidade até a morte e termina negando Jesus três vezes (cf. Lc 22,57-60).
No entanto, Jesus não se enganou ao escolhê-lo. Isso me impressiona. Porque Pedro não foi escolhido por ser perfeito. Foi escolhido sendo Pedro.
Essa também é uma realidade para nós. Jesus chamou-me, chamou-te, não porque sejamos perfeitos, mas porque assim Ele quis.
A escola da humildade
Creio que uma das maiores formações de Pedro consistiu em descobrir quem ele realmente era.
Enquanto se sentia forte, continuava confiando demais em si mesmo.
Enquanto acreditava ser capaz de seguir Jesus até o fim, ainda não havia encontrado o limite das suas forças.
A negação foi dolorosa, mas também foi uma graça.
Pedro descobriu algo que todos nós precisamos aprender: sem Deus somos pobres.
Quando o galo cantou e Jesus o olhou (cf. Lc 22,61), Pedro encontrou a verdade sobre si mesmo.
E a verdade sempre nos conduz à humildade.
Não à humilhação. Não à vergonha. À verdade.
Pedro já não podia apoiar-se na imagem que tinha de si mesmo. Precisava apoiar-se unicamente na misericórdia.
Um homem apaixonado
Algo que me chama a atenção é que Pedro nunca foi indiferente.
Errou muitas vezes. Foi impulsivo. Foi exagerado. Foi fraco. Mas nunca foi morno.
Amou profundamente Jesus. Mesmo quando caiu, continuou amando-O. Talvez por isso tenha conseguido levantar-se.
A graça encontra espaço nos corações que permanecem abertos.
O olhar de Jesus
O que transforma Pedro não é o seu esforço. Não é a sua inteligência. Não é a sua capacidade. É o olhar de Jesus.
Um olhar que conhece toda a sua fragilidade e, ainda assim, continua confiando nele.
Depois da Ressurreição, Jesus não lhe pergunta por que caiu. Não lhe recorda os seus erros. Pergunta-lhe apenas:
“Tu me amas?” (Jo 21,15)
Como se quisesse dizer-lhe que o amor é maior do que o fracasso.
Pedro descobre então que a sua história não está definida pelas suas quedas, mas pela misericórdia que recebeu.
A autoridade que nasce do perdão
Pedro torna-se pastor porque experimentou o perdão. A sua autoridade não nasce da perfeição. Nasce de uma profunda experiência da graça.
Por isso pode compreender a fragilidade dos outros. Por isso pode confirmar os seus irmãos. Por isso pode guiar a Igreja.
Pedro aprendeu que Deus não procura homens extraordinários para realizar a Sua obra. Deus toma homens comuns e realiza neles coisas extraordinárias.
Pedro recorda-me que Deus pode agir em meio aos meus limites. Recorda-me que a fragilidade não é um obstáculo para a graça. Recorda-me que a humildade nasce quando deixamos de defender uma imagem ideal de nós mesmos.
Pedro não chegou à santidade porque era forte. Chegou à santidade porque permitiu que Jesus agisse na sua fraqueza.
E talvez essa seja uma das maiores esperanças que ele nos deixa: que a graça de Deus é capaz de realizar grandes coisas numa vida simples, quando encontra um coração disposto a deixar-se amar.
Por Noor Gonzalez
Shalom, Comunidade vida – Missão Panamá
