Quando o entusiasmo passa, a fidelidade começa.
Jesus não espera apenas o meu sim. Ele deseja um sim convicto, livre e alegre; um sim não apoiado nas minhas seguranças humanas, mas na certeza de que caminhar com Ele é suficiente.
Ele espera um sim que, mesmo quando o coração tremer, mesmo quando o caminho se tornar difícil, permaneça.
Um sim provado e comprovado, como o povo chamado a rasgar o coração e não as vestes (cf. Jl 2,13). Um sim que atravesse a cruz e não fuja dela.
“Ainda que eu atravesse o vale escuro, nenhum mal temerei, pois estais comigo” (Sl 23,4).
Não se trata de um sim superficial, nem sustentado apenas pela emoção. É um sim carregado de história, de memória e das pequenas fidelidades vividas ao longo do tempo.
Um sim alegre. Não ingênuo, mas consciente
Jesus não deseja um sim movido pelo medo. Não espera uma adesão trêmula que, diante da prova, recue ou procure atalhos. Ele deseja um coração que reconheça Sua presença também quando Ele não faz barulho, quando não consola sensivelmente, quando parece permanecer em silêncio.
“Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a força se manifesta” (2Cor 12,9).
Esse sim é tecido no silêncio
Carrega perguntas sem resposta, sentimentos ainda não resolvidos e uma fé que não precisa compreender tudo para continuar confiando.
É um sim carregado de amor. Não do amor passageiro que depende das circunstâncias, mas daquele amor profundo que permanece quando tudo o mais parece desmoronar.
Como ensina São João da Cruz:
“No entardecer da vida, seremos julgados pelo amor.”
É um sim que não apenas me confirma, mas me descentra
Não me coloca no centro, mas me entrega nas mãos de Outro.
Como Maria, que não compreendeu todos os caminhos de Deus, mas confiou:
“Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).
Esse sim não é ruído.
Não é espetáculo.
Não busca aplausos.
É fidelidade silenciosa.
E talvez seja justamente esse o sim que Deus mais ama: o sim provado, ferido, purificado pelo tempo, alegre apesar das lutas e fiel mesmo quando ninguém vê.
Porque é esse sim que permanece.
Por Noor Gonzalez
Shalom, Comunidade vida – Missão Panamá