Não é por acaso que a Igreja nos conduz ao deserto nesses quarenta dias. O deserto revela. Revela o que está escondido, o que evitamos olhar, aquilo que ainda precisa ser transformado dentro de nós.
Muitas pessoas vivem a fé sinceramente. Rezam, participam da missa, desejam amar a Deus… No entanto, ao mesmo tempo, carregam dentro de si feridas que continuam influenciando suas escolhas, suas relações e até sua maneira de amar.
E é justamente por isso que a Quaresma é um tempo tão precioso.
O deserto revela aquilo que ainda precisa ser curado
No Evangelho, vemos Jesus sendo conduzido pelo Espírito ao deserto (cf. Mt 4,1). O deserto não é um lugar de fuga.
É um lugar de verdade.
Ali caem as distrações, as máscaras e as justificativas. Ali aparece aquilo que realmente habita o coração. Na nossa vida espiritual acontece algo semelhante. Às vezes pensamos que o problema é a nossa fé. Mas muitas vezes não é.
O problema é que algumas feridas do passado ainda governam nossas reações.
Feridas que geram:
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medo de se entregar
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necessidade de controle
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culpa constante
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relações desordenadas
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dificuldade de confiar em Deus
E então entramos num ciclo doloroso: tentamos amar, erramos, nos culpamos… e tudo parece continuar igual.
A Quaresma nos recorda que Deus não quer apenas corrigir comportamentos. Ele deseja curar o coração.
A Ressurreição começa no coração ferido
A caminhada da Quaresma não termina na cruz. Ela termina na Ressurreição.
Mas a Ressurreição não é apenas um acontecimento histórico celebrado na liturgia.
Ela é também uma experiência espiritual concreta que Deus deseja realizar em cada pessoa.
Cristo ressuscitado entra justamente nos lugares da nossa história que ainda carregam dor. Ele não ignora nossas feridas. Ele as toca. Como fez com Tomé, mostrando as chagas gloriosas (cf. Jo 20,27).
A verdadeira conversão acontece quando permitimos que Deus alcance a raiz do que nos desorganiza interiormente.
Toda travessia precisa de um caminho
Cura interior não acontece apenas por esforço pessoal. É um caminho. Um processo onde aprendemos a:
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olhar para a própria história à luz de Deus
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compreender como as feridas influenciam nossas decisões
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ordenar nossos afetos
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transformar escolhas concretas
Por isso muitas pessoas desejam a cura, mas não sabem por onde começar. Pensando nisso nasceu uma proposta específica para este tempo de Quaresma.
Um retiro online para viver essa travessia
Nos dias 27 e 28 de março acontecerá o retiro online e gratuito:
Do Deserto à Ressurreição — O teu caminho para a cura.
Um retiro de Quaresma voltado especialmente para quem:
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vive a fé
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ama a Deus
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mas percebe que ainda existem feridas do passado influenciando suas escolhas.
Durante dois dias, os participantes serão conduzidos por um caminho espiritual estruturado baseado no método Ordo Amoris, que integra: cura da história, ordenação dos afetos e conversão concreta. Não se trata apenas de um momento de autoconhecimento, mas uma experiência espiritual para atravessar o deserto com direção.
O retiro será conduzido por Emmir Nogueira, cofundadora da Comunidade Católica Shalom e idealizadora do Caminho Ordo Amoris, juntamente com Amabile Koester e missionários da Comunidade.
Serão momentos de:
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pregação
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oração de cura
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reflexão sobre a própria história
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passos concretos para ordenar inteligência, vontade e afetos.
A Quaresma ainda não acabou
Talvez você pense que já passou tempo demais da Quaresma para começar algo novo. as a verdade é simples: a Quaresma ainda não acabou.
Sempre é tempo de permitir que Deus faça algo novo dentro de nós. Se você sente que Deus está te chamando para olhar com mais verdade para o seu coração, esse pode ser um passo importante nessa travessia.
