extraordinário (sn.):
1.que foge do usual ou do previsto; que não é ordinário; fora do comum.
O que os santos, os super-heróis e cantar “parabéns pra você” para alguém em situação de rua tem a ver? Tudo!
Não entendeu? Te explico.
Em dado momento deste dia percebi que histórias extraordinárias iniciam com uma experiência: um acontecimento inesperado, uma voz que chama, o ataque de uma aranha (sim!), a resposta para um anseio pessoal e profundo…
A partir daí, nada mais é a mesma coisa. Muda-se o interior, a forma de ver o mundo, de entender e de agir. Ousaria dizer até que, em todas as situações acima citadas, um sintoma comum é encontrado: vê-se (em si mesmo e nos outros) o que não é comum.
É a capacidade de enxergar além.
Exatamente assim, por este motivo, é extraordinário.
Fora das telas, dos efeitos especiais, edições de imagem, e da vida irreal de Peter Parker, a verdade é que podemos perceber que em tudo nas nossas vidas, há algo cheio de realidade: a possibilidade de tornar incomum o que é ordinário.
Quando o Seu Jessé, que mora na rua, entrou em nossa casa hoje, não imaginávamos que poderíamos, por uns poucos segundos, comemorar juntos o seu aniversário. Ouvimos o mesmo afirmar, ao responder sobre sua data de nascimento: “vinte e oito de maio de mil novecentos e alguma coisa”. Despertos que fomos por aquela experiência inicial, não poderíamos perder a oportunidade de transformar algo que aparentemente seria corriqueiro em um alegre imprevisto. Bolo, palmas, sorrisos e um seu Jessé um tanto tímido: desse jeito, simples assim, é o extraordinário.
Algo em nós deseja os tais efeitos especiais, é verdade. Que criança nunca amarrou um lençol no pescoço para simular uma capa voadora? No entanto, a resposta para estes anseios está mais perto do que podemos imaginar.
Perto, perto… Perto!
Tão perto que partilha conosco o Seu olhar, na medida em que permitimos. E não somente: seu tocar, seu falar, seu pensar. Tão perto que, à sua mínima inflexão, todo o mais é transformado. Ele deseja nos fazer tocar em Sua vida e só assim poderemos tocar os que estão ao nosso redor. Ele está em nós! Não há mais morno. Tudo, nEle, paradoxalmente e com a maior simplicidade, pode ser elevado pela força da Sua vida santa. Da fidelidade à rotina de estudante ao escolher silenciar em meio a uma discussão; ajudar um idoso atravessar a rua ou dividir a comida com um irmão:
É a santidade do dia a dia que a tudo dá caráter de eternidade. É escolher em tudo o amor e em tudo o amar.
É se decidir pela bondade, pela beleza, pela verdade.
Voar, ficar invisível, possuir uma enorme força ou saltar por entre os prédios pendurado por uma teia? Não…
É entender que o melhor “superpoder” é a santidade.
“Inflamados por este imenso amor os santos caminharam, os mártires entregaram suas vidas e também nós desejamos prosseguir”.
Maria Luísa França*
*Maria Luísa é Missionária da Comunidade de Vida, atualmente voluntária no Projeto Amigos os Pobres em Fortaleza-CE e tem partilhado com o comshalom.org as suas experiências nesse projeto através de crônicas.
Quintal Missionário: O Sol não deixou de brilhar só porque a terra escureceu
