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Sábado Santo: no silêncio, Deus continua agindo

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Retiro de Semana Santa em Curitiba/PR – Foto: Comunicação Shalom Curitiba

No segundo dia do Retiro de Semana Santa promovido pela Comunidade Católica Shalom em Curitiba, os participantes são convidados a mergulhar no mistério do Sábado Santo. A pregação conduzida pelo Pe. João Wilkes aconteceu à luz da reflexão de Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI), no livro Introdução ao Cristianismo. Marcado pelo silêncio e pela espera, este dia contempla a descida de Cristo à mansão dos mortos, ou ainda às profundezas da existência humana. 

Depois da dor da cruz e do impacto da morte de Jesus, a Igreja entra no dia mais silencioso de todo o ano. É o tempo do recolhimento e de um mistério que desafia a fé: o silêncio de Deus. Como aponta Ratzinger, “há uma noite em cuja solidão nenhuma palavra penetra”, e é nesse lugar que Cristo entra.

O mistério do silêncio

Diferente da Sexta-feira Santa, marcada pela dor visível da cruz, o Sábado Santo é o dia do invisível. É o silêncio que fala e a ausência que provoca. Deus entra no silêncio da morte e assume até mesmo aquilo que parece ser a ausência total de sentido, “a maior dor que um ser humano pode sentir é da solidão e abandono completo”, enfatiza Padre João Wilkes, pregador no Retiro. 

Esse dia ilumina e enfatiza duas características latentes no homem contemporâneo: 

  1. O homem muitas vezes vive como se Deus estivesse distante. 
  2. O homem está envolvido por uma solidão absoluta, estando ou não rodeado por pessoas, ou “seguidores”. Ele se sente só, sem sentido, depressivo. 

A solidão habitada por Deus

A “descida à mansão dos mortos”, professada no Credo, dá continuidade ao caminho vivido no Tríduo Pascal, agora tudo parece suspenso, Aquele que foi crucificado agora está no sepulcro. Mas, esse não é um tempo vazio, é o momento em que Cristo desce ao mais profundo da existência humana, a solidão absoluta. O Sábado Santo revela que Jesus não apenas morreu, mas foi ao encontro do homem onde ninguém mais pode chegar.

Ao descer ao mais profundo da solidão humana, Jesus inaugura uma nova realidade: “já não existe mais nenhuma solidão que não seja habitada por Deus”. O que antes era ausência total torna-se lugar de presença. O que era escuridão absoluta passa a carregar, ainda que escondida, uma esperança.

O silêncio não é o fim

Mais do que compreender, este é um dia para permanecer. Permanecer quando não há respostas, quando não há sinais, quando tudo parece suspenso. É nesse espaço que a fé amadurece e que o coração se prepara para acolher a Ressurreição.

Esse dia não encerra a história. Ele revela que Deus age também no oculto, no invisível, no tempo em que tudo parece parado. O Sábado Santo não é um silêncio, não é vazio, mas a plenitude escondida. 

É justamente desse silêncio que nasce a maior de todas as certezas: nunca mais o homem estará sozinho, nesse sentido padre João Wilkes, traz um questionamento aos participantes, permeado pela esperança de que os sofrimentos e a até mesmo a morte não tem a palavra final na nossa vida: Quais são as “mansões dos mortos” da nossa vida das quais Ele já nos resgatou?

Vivendo o segundo dia do retiro

O segundo dia de Retiro de Semana Santa finalizou com um momento de oração motivada pelo significado desse dia em que Cristo, a própria Vida, se encontra com o homem na mansão dos mortos.

A  falta de sentido, solidão e mesquinhez, muitas vezes presentes no coração do homem são transformadas, dignificadas e preenchidas de um novo sentido, valor e presença  “desde ontem tem sido muito forte, mas hoje posso dizer que tive a experiência de que essa vida não merece ser vivida de qualquer jeito”, relata João Luiggy Moura, participante do retiro.

Por: Marcia Elizandra Faustino 

Shalom Curitiba


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