As previsões para um possível Super El Niño nos próximos meses colocam novamente o clima no centro das atenções. O fenômeno natural, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.
Para além dos dados meteorológicos, porém, o cenário também pode despertar uma reflexão sobre a relação do ser humano com a criação. Afinal, quando mudanças no clima afetam a produção de alimentos, a disponibilidade de água e as condições de vida, a questão ambiental também passa a ser uma questão humana.
Na encíclica Laudato si’, publicada em 2015, o Papa Francisco chama atenção para a dimensão social dos problemas ambientais. Segundo ele, as mudanças climáticas possuem implicações ambientais, sociais e econômicas e seus impactos tendem a atingir de maneira mais grave as populações vulneráveis.
“A ecologia integral é inseparável da noção de bem comum.” — Laudato Si’, n. 156.
É nesse contexto que aparece o conceito de ecologia integral: a compreensão de que não é possível separar o cuidado com a natureza do cuidado com as pessoas. As escolhas relacionadas ao consumo, à produção e ao uso dos recursos naturais também repercutem sobre a sociedade e sobre as próximas gerações.
Um chamado que passa pela fé
O cristão não precisa interpretar o El Niño como castigo ou mensagem sobrenatural. O fenômeno possui uma explicação científica. A fé pode, porém, iluminar uma outra pergunta: diante dos impactos que atingem a vida humana, qual é a nossa responsabilidade? A reflexão ganha força durante o Tempo da Criação, celebrado pela Igreja entre 1º de setembro e 4 de outubro, no dia de São Francisco de Assis.
Em 1º de setembro, ao celebrar a Santa Missa pelo Cuidado da Criação, o Papa Leão XIV afirmou que a contemplação do mundo criado deve conduzir também à consciência da responsabilidade pessoal e coletiva por sua preservação.
Na mensagem para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação deste ano, o Pontífice também destacou que as crises ambientais e os sofrimentos humanos estão relacionados e constituem um chamado à cura e à paz.
“Ainda não é tarde demais, e o Tempo da Criação convida-nos a uma profunda conversão: o que tem sido utilizado para a destruição pode ser redirecionado para a vida, para o cuidado dos pobres, para a alimentação dos famintos e para a salvaguarda da criação.” – Papa Leão XIV
Assim, a ciência ajuda a compreender o fenômeno, enquanto a fé pode ajudar a discernir como responder a ele. O Super El Niño vai passar, mas permanece o desafio de construir uma relação mais responsável com o mundo que recebemos.
À luz da Laudato si’, cuidar da criação não é apenas uma preocupação ambiental. É também uma forma concreta de cuidar da vida e do próximo.
Veja na íntegra a Santa Missa pelo Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação: