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Santa Rita de Cássia, a Santa das causas impossíveis

Foi esposa, mãe, viúva e consagrada. Celebrada no dia 22 de maio, se tornou um exemplo para os cristãos de uma vida de santidade na família, na vida consagrada e diante do sofrimento.

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Você já viveu a experiência de precisar muito, muito mesmo de algo? Se sim, você sabe como é desesperador e frustrante, apesar dos esforços, pedidos e suplicas por ajuda, constatar ou ouvir no final: “Infelizmente, não será possível atender o seu pedido”.

Quanto maior for a necessidade, maior a frustração e o desamparo, diante dos anseios não supridos. Nesse dia 22 de maio, a Igreja celebra com amor e gratidão, a vida e o testemunho de uma grande Serva de Deus, Santa Rita de Cássia. Essa alma esposa, recebeu um título curioso: “A Santa das causas impossíveis”. Por que será? De onde surgiu essa bendita fama? Vamos conhecer então, um pouco de sua vida e história e assim mergulharmos no mistério de sua missão pessoal na Igreja, de seu perfil singular de santidade.

Essa abençoada era conhecida por todos como Rita Lotti e nasceu em maio de 1381, numa na pequena aldeia Italiana. Recebeu o sacramento do batismo na Igreja Santa Maria dos Pobres, em Cássia, pois sua cidade natal não possuía ainda os recursos litúrgicos para a realização do rito batismal. Passou sua infância entre florestas e montanhas próximas da cidade de Assis. Seus pais (Antônio Mancini e Amanta Ferri), eram um casal cheio de virtudes, admirados por toda a comunidade, com fama de serem pacificadores entres os conflitos da vizinhança.

Nascimento com sinais da graça

O nascimento de Rita, por si só, já dava sinais de que se tratava de uma alma abençoada, destinada pela graça a ser ministra, diante de Deus, de intenções e causas impossíveis aos homens. Dizem os relatos bibliográficos que sua mãe Amanta tinha idade avançada, 62 anos, no entanto, nunca deixou de acreditar que ainda poderia ser mãe. Pasmem! Não obstante a idade, concebeu, assim como Isabel, a Mãe do grande João Batista (cf. Lc 1,5-25).

Ainda pequenina, Rita gostava de acompanhar seus pais nos afazeres agrícolas da fazenda que cuidavam. Empoleirava nas árvores e ali contemplava a natureza, o céu e os pássaros. Dizem que numa certa ocasião, ela se viu subitamente cercada por um enxame de abelhas as quais derramavam mel em sua boca sem picá-la. A pequena simplesmente não se assustou, pelo contrário, demonstrava alegria e serenidade. Consta também em sua biografia que nesse evento das abelhas, um lavrador voltava do trabalho para casa. Na ocasião o mesmo tinha suas mãos feridas, devido a um acidente de trabalho, porém, temendo que a pequena sofresse ataques dos insetos, tentou afastá-los com as mãos. Imediatamente seus ferimentos ficaram curados. Rita de Cássia, era analfabeta, porém, já pequena sabia narrar vários episódios da vida de Jesus e de sua mãe Maria.

Exemplo de mãe e esposa de fé

Sonhava em ser religiosa, porém, submeteu-se à vontade dos pais casando-se com Paolo Ferdinando, tornando-se esposa piedosa e virtuosa. Por longos 18 anos de matrimônio, sofreu nas mãos de seu companheiro, esse além de alcoólatra, era infiel e violento. O comportamento dócil dessa serva de Deus, fiel e perseverante, amenizou a natureza grosseira e impulsiva de seu esposo. Tanto que depois, ela não perdia a oportunidade de animar e dar seu testemunho para outros casais que atravessavam tribulações conjugais.

Santa Rita foi exemplo de esposa, mas também de mãe. Em seu compromisso e dedicação aos filhos, tinha como meta educá-los para o amor e o serviço a Deus. Teve dois filhos, que inclusive eram gêmeos. Sua dor, porém, parecia não ter fim, infelizmente, os frutos de suas entranhas maternas pareciam terem herdado consigo o mesmo caráter agressivo do pai.

Essa serva, porém, não diminuía em nada sua fé e confiança em Deus. Orava constantemente pelos seus filhos. Após vinte anos de vida em comum, seu esposo se converteu e rogou seu perdão, transformando sua forma de proceder. Ele caminhou ao lado da esposa numa busca fiel de amor e serviço a Deus, até ser assassinado por inimigos antigos, herança assombrosa de sua vida anterior.

Seus filhos, inconformados com o assassinato do pai, ansiavam por vingança. Essa mãe, porém, disse a Deus em oração, certamente envolvida em grandes dores, que “Preferia vê-los mortos a vê-los assassinos”. Algum tempo depois, os dois filhos partiram, vítimas de uma doença sem cura, após perdoarem os criminosos que tanto odiavam. Aqui vemos a atuação de uma mãe de fé e grande intercessora.

Uma entrega total a Deus

Viúva e sem os filhos, optou por entrar em um convento, porém, encontrou inúmeros obstáculos devido à sua trajetória de vida. Para os responsáveis das instituições procuradas por ela, parecia um tipo de fuga, devido a seu histórico de vida. Ela, entretanto, intensificou suas orações, tanto que numa noite teve um sonho onde encontrava-se com Santo Agostinho, São Nicolau de Tolentino e São João Batista. Ali foi misteriosamente transportada, introduzida para o interior do mosteiro de Santa Maria Madalena, em Cássia, mesmo estando todas as portas seladas.

As religiosas e superioras do mosteiro ficaram tão impressionadas diante desse acontecimento, que não mais puderam rejeitar seu ingresso na ordem. Dizem que, já entre as irmãs, Rita cultivou nos jardins do mosteiro uma planta que floresce anualmente, somente no período de inverno rigoroso da Europa. Seu consolo e alegria se realizou em 1417, ano em que foi acolhida no mosteiro, e ali ofertou sua vida a Deus por quarenta anos, até sua união definitiva com Ele.

Seus últimos anos foram muito difíceis, pois ela ficou imobilizada em seu leito, prostrada, envolvida por terríveis sofrimentos. Uma doença muito séria a envolveu. Rita partiu no dia 22 de maio de 1457, aos 76 anos. Seu corpo estava envolvido por várias feridas, porém, de modo misterioso, após a morte, as chagas cicatrizaram-se e um aroma perfumado emanava delas.

Essa alma esposa de Deus foi beatificada em 1627 e canonizada em 1900. Hoje recebe do povo de Deus o título de fiel intercessora das causas impossíveis.

Santa Rita de Cássia, rogai por nós.

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