No Advento, fazemos memória do Deus que vem, elevamos os olhos para o céu, esperando aquele dia feliz da sua vinda gloriosa, mas ao mesmo tempo os fixamos na pobreza do presépio. José e Maria bateram às portas das casas e hospedarias de Belém, mas não havia lugar para eles (cf. Lc 2,7), a porta que se abriu foi a de um estábulo, uma gruta. Na Sagrada Escritura, a gruta é o lugar da presença misteriosa de Deus, é o lugar do nascimento e da ressurreição de Cristo.
Belém agora é o nosso coração, isto diz uma canção de Natal em nossa Comunidade: “Belém é aqui, sua manjedoura é o coração”. Neste Tempo, às vésperas do Natal, o Senhor vem bater à nossa porta. Ele bate à nossa porta como um mendigo, que encontra no mundo uma profunda indiferença, mas que deseja encontrar em nós ternura, acolhimento, louvor. Esse Menino Divino Mendigo está de braços abertos esperando o nosso amor.
Teresinha teve sua vida profundamente marcada pelo mistério do Natal do Senhor. Seu nome de religiosa, Irmã Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face, é um anúncio completo do mistério da redenção.
O Natal de 1886
A noite de Natal de 1886, talvez a mais importante de todas elas, foi tão decisiva para a sua vocação, que a própria Teresa a chama de “a noite da minha conversão”. Naquela noite ela recebe a graça do Natal, sai da infância e desde então, disse ela, fui feliz. Tendo recebido o Deus Forte e Poderoso, na Eucaristia, Teresinha entende que nesta Noite Santa, “Foi preciso Deus fazer um pequeno milagre para eu crescer de repente, e esse milagre se deu num dia inesquecível de Natal, nessa noite luminosa que ilumina as delícias da Santíssima Trindade. Jesus, a doce criancinha recém-nascida, transformou a noite da minha alma em torrentes de luz… nessa noite em que se fez fraco e sofrido pelo meu amor, fez-me forte e corajosa, equipou-me com suas armas e, desde essa noite abençoada, não saí vencida em nenhum combate.”

O Natal de 1887
O último natal de Teresinha em Les Buissonnets, é carregado de significado, em lágrimas pois gostaria de já celebrar esta festa atrás das grades do Carmelo, a Thérèse, encontra no abandono o seu consolo. Após a missa da meia-noite, recebe um presente de Celina: “Encontrei no meu quarto, dentro de uma bela bacia, um barquinho carregando o menino Jesus dormindo com uma pequena bola ao lado Dele. Na vela branca, Celina escrevera as seguintes palavras: “Durmo, mas meu coração vela”, e, sobre o barquinho, apenas essa palavra: “Abandono!” Ah! se Jesus ainda não falava com sua noivinha, se seus divinos olhos continuavam sempre fechados, pelo menos Ele se revelava a ela por meio de almas que compreendiam todas as delicadezas e o amor do seu coração” Ela compreende que nas mãos do Menino Jesus sua vida estava segura e poderia caminhar e esperar cegamente, naquele que estava no barco de sua vida.
De alguns natais de Teresinha, não sabemos muito, já dentro do Carmelo ela compôs para as celebrações natalinas algumas recreações piedosas, pequenas peças teatrais para serem encenadas pelas irmãs em momentos de recreação. Esses textos têm caráter religioso e didático, Teresinha se empenhava junto com as irmãs na cenografia e também na dramaturgia. Podemos dizer que especialmente para as festas de Natal, havia uma dedicação especial da nossa querida Teresinha.
O Natal sempre deixou marcas em sua vida e por isso ela fazia questão de celebrá-lo bem. E você que marcas têm do Natal em sua vida? Eu recordo que aos sete anos ganhei minha primeira imagem do Menino Jesus, depois de levar na ceia de Natal da minha família, um “Menino Jesus” improvisado, (um soldadinho amarelo, bem pequeno, deitado num algodão). A partir dalí, celebrar o Nascimento e Jesus sempre foi muito importante para mim.

O Natal de 1895
Santa Teresinha escreveu uma Recreação Piedosa, para o Natal de 1895, que tem o título de “O Divino Pequeno Mendigo do Natal pedindo esmola às Carmelitas”. Nela, Teresinha retrata Jesus como um Deus mendigo, que deseja apenas o amor dos homens. Jesus não deseja obras ou méritos, mas nossos corações, o nosso ser por inteiro, para nos comunicar a sua Vida Divina.
Alguns estudiosos consideram que esta Recreação Piedosa é uma espécie de “paraliturgia”, para a qual Teresa planejou a cerimônia em detalhes. A imagem do Menino Jesus usada é de cera, com olhos de vidro azul celeste, os cabelos dessa imagem eram os de Teresa, quando criança. Um presente dado ao Carmelo pela família Guérin. “Foi a própria Teresinha quem a envolveu nos panos.”
A comunidade se reuniu diante de um presépio Cada irmã se apresentou “em ordem de religião”, começando pela priora. Ajoelhando-se diante do Menino Jesus, ela retirou aleatoriamente um pedaço de papel de uma cesta e o entregou a um “anjo” que cantou o verso. Cada carmelita recebe, assim, na presença de todos, uma palavra pessoal que pode marcá-la espiritualmente, tocar sua vida e nutrir sua oração. Longe de ser uma brincadeira, é uma verdadeira celebração íntima e contemplativa. Teresinha sorteou a estrofe 9: “um cacho de uvas”. Esse símbolo deve tê-la atraído, pois ela o usará diversas vezes mais tarde, inclusive na sua doença ela oferecerá várias vezes um cacho de uvas ao Menino Jesus.
Um Cacho de Uva
Gostaria de uma fruta saborosa,
Um cacho todo dourado
Para refrescar, do Rei dos Céus,
Os pequenos lábios adorados…
Minha Irmã, quão doce é vossa sortel!
Sois vós o cacho escolhido.
Jesus vos espremerá bem forte
Em sua mãozinha querida.
O doce Amado
É bem pequenino
Para comer do próprio cacho.
O mosto açucarado,
Por ele dourado,
É só disso que ele gosta!
No Natal, exatamente por causa dos presentes entregues ao Menino Jesus pelos sábios do oriente, se iniciou a tradição de dar e trocar presentes. Mas qual seria o presente que poderíamos dar ao Menino? Alguns presépios regionais que têm as cenas da natividade acrescidas com personagens da própria cultura, colocam em suas mãos dons que na piedade popular, também são oferecidos a Jesus Menino. Santa Teresinha nessa Recreação Piedosa, nos convida a contemplar o Senhor, envolto em faixas e necessitado, convidando-nos a ofertar tudo, ardendo de amor diante desse mistério comovente.
Esta é sem dúvida uma ótima opção para as celebrações da Noite do Natal em nossas famílias e nossas casas. Cada um sendo escolhido pelo próprio Menino para lhe oferecer um dom, um sorriso, o coração. Sendo para Ele uma melodia suave, exalando o odor da santidade, fazendo qualquer coisa para vê-lo sorrir. É certo que este pequenino nos agradecerá e se o soubermos contentar, mesmo sendo pequenos passarinhos, Ele nos dará aquelas asas da águia que não teme voar e fitar o sol amor.
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