Formação

O Triplo Advento

É um mistério simples e triplo: simples porque é o mesmo Jesus Cristo, Filho de Deus que vem, triplo porque ele vem de três maneiras e em três ocasiões diferentes.

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Presépio do Vaticano em 2021. Foto: Reprodução Vatican News PT

O Advento é um caminho, uma estrada que trilhamos para encontrar o Senhor Jesus. É um mistério simples e triplo: simples porque é o mesmo Jesus Cristo, Filho de Deus que vem, triplo porque ele vem de três maneiras e em três ocasiões diferentes. Com Maria e José somos peregrinos até Belém, esperando o seu Natal. Com toda a Igreja esperamos aquele grande e poderoso dia, do qual a data e a hora são ocultos, em que ele virá sobre as nuvens com grande poder e glória. “Agora e em todos os tempos, ele vem ao nosso encontro, presente em cada pessoa humana, para que o acolhamos na fé e o testemunhemos na caridade, enquanto esperamos a feliz realização do seu Reino.”

São Bernardo diz que “na primeira vinda, portanto, ele veio na fraqueza da carne, neste momento que ele vem no poder do Espírito, no último ele virá na majestade da glória.” A vinda intermediária segundo o Santo Abade é o que une a primeira à última vinda. Esta vinda do Senhor no hoje, no agora da vida enche a Igreja, sua Esposa, de desejo por aquela outra vinda, na qual a Igreja se unirá de forma definitiva ao Esposo

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Esta vinda intermediária é a estrada na qual caminhamos e onde Cristo ao longo da nossa vida manifesta a sua presença amorosa. “Jesus é aquele que vem, é aquele que chega, não é aquele que chegou é aquele que está a chegar, que está chegando a cada instante da nossa vida.” Essa certeza da vinda de Jesus no Natal, a cada instante e no fim dos tempos, muda a nossa vida e nos faz enxergar tudo por uma perspectiva nova. Além disso, somos colocados numa atitude de vigilância reconhecendo o tempo como uma grande oportunidade de encontro e relação com Deus. Ele passa na nossa vida, escreve a nossa história conosco e nós acolhemos o seu mistério. Vamos entrando no ritmo de Deus, num compasso divino, pois o tempo é santificado pela presença do eterno. Vamos vivendo as Quaresmas e Páscoas, os Adventos, os Natais e o ordinário do Tempo, em uma cadência muito harmônica, mas nada é uma repetição enfadonha. Não! Tudo é graça, é o mistério que acontece na minha e na sua vida e por isso eu somos capazes de dizer sim ao seu plano de amor. 

O Advento encontra seu mais profundo significado quando se entende que o Redentor vem não apenas à humanidade como um todo, mas principalmente a cada pessoa, oferecendo sempre uma nova oportunidade. É a liturgia do tempo, nela nós somos inseridos e pela ação da Graça Divina, podemos acolher a sua presença. 

Santo Agostinho dizia:

“Tenho medo do Cristo que passa e não volta mais.”

Durante os dias do Advento, o Senhor bate à porta de cada alma, às vezes, de maneira sutil, às vezes, de forma mais ou menos discreta. Ele vem perguntar se há lugar para que ele possa nascer dentro delas. É preciso abrir a porta da vida, para acolhê-lo em sua nova vinda, pois ele retorna com ternura e deseja renovar todas as coisas (cf. Ap 21,5). Este tempo nos diz que não podemos deixar passar Cristo sem que lhe abramos a porta e ele entre (cf. Ap 3,20).

É no Advento que os corações de todos são preenchidos por uma ternura e uma comoção tão grande por esse Menino, Rei dos céus que que desce das estrelas, e baixa em uma gruta em meio ao frio e ao gelo para dizer ao homem: “Olha o que fiz por amor a ti!”

Mas durante esse tempo parece emergir na sociedade uma espécie de “operação Natal”, muitas luzes, presentes, anjos que não tem rosto… tudo isso fala de uma “magia”, um “encanto” do Natal. Porém mais do que uma magia ou encantamento o Advento e o Natal nos trazem a verdade do abaixamento do Verbo de Deus, pois ele em sua generosidade “sendo rico, por vós se tornou pobre, para vos enriquecer com sua pobreza” (2Cor 8,9). Misteriosamente todo esse frenesi que acolhe o “espírito de Natal”, mas não deixa lugar para o Menino-Deus por quem o Natal é celebrado, recorda o que aconteceu naquela Noite Santa, não havia lugar para eles na hospedaria (cf. Lc 2,7), “Ele veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1,11).

Abra espaço para esta Criança celestial, que deseja nascer em ti. O tempo está próximo, e os nossos corações precisam estar vigilantes, para que ele não nos encontre dormindo ao passar. Há feridas que só Ele pode curar e trevas que somente Ele poderá dissipar, pois Ele é a luz que resplandece mais forte que o sol. Se nossos corações estão presos aos grilhões do passado, se o presente nos causou feridas na alma, vem Aquele que quebrará o jugo que pesava, o bastão sobre os ombros e a vara do opressor (cf. Is 9,3).

Antífonas do Ó

Ó Sabedoria,
que, saindo da boca do Altíssimo,
atinges o universo de uma extremidade a outra
e dispões, ao mesmo tempo com força e suavidade, todas as coisas:
vem ensinar-nos o caminho da prudência.

Ó Adonai,
Chefe da casa de Israel,
que apareceste a Moisés na sarça em fogo
e deste-lhe no Sinai a lei:
vem resgatar-nos com o teu braço poderoso.

Ó Raiz de Jessé,
que te ergues como um estandarte para os povos,
diante de quem se calarão os reis,
e a quem as nações pedirão clemência:
vem libertar-nos, não tardes.

Ó Chave de Davi,
e Cetro da Casa de Israel,
que abres e ninguém fecha, fechas e ninguém abre;
vem e tira do cárcere o agrilhoado,
que está nas trevas e na sombra da morte.

Ó Sol nascente,
esplendor da luz eterna e Sol de justiça;
vem e ilumina os que jazem nas trevas e na sombra da morte.

Ó Rei das nações e Desejado delas,
Pedra angular, que unificas os dois povos;
vem, e salva o homem que formaste do limo da terra.

Ó Emanuel,
nosso Rei e Legislador,
esperança das nações e seu Salvador;
vem salvar-nos, Senhor, nosso Deus.

 

Um Santo e Feliz Advento!


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