Neste mês de janeiro, a Igreja Católica ganhou um novo doutor. O anúncio foi feito pelo Papa Francisco e diz respeito a Santo Irineu de Lião, ou Lyon, que por meio de suas obras promoveu a unidade entre as Igreja e o Bispo de Roma em sua época. Essa percepção de Santo Irineu como doutor da unidade se dá ainda porque ele foi um dos grandes teólogos dos séculos II e III.
Irineu nasceu em Esmirna e por razões desconhecidas, mudou-se para Lyon, na Gália. Tornou-se discípulo de São Policarpo, bispo desta cidade. No ano de 177, passou a ser presbítero em Lião (França) e, pouco depois, foi nomeado bispo da mesma cidade. Ele escreveu diversas obras para defender a fé católica contra os erros dos gnósticos. Segundo a tradição, ele recebeu a coroa do martírio no dia 28 de junho do ano 202, em Lyon. A festa litúrgica dele ocorre nesta data.
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Discípulo de São Policarpo
Em uma carta enviada para o sacerdote Florino de Roma, Irineu falou sobre seus aprendizados com São Policarpo, bispo e mártir do século I, em Esmirna. Ele esteve ligado ao santo desde a sua infância e juventude, sendo, inclusive, seu discípulo. Por sua vez, vale ressaltar que São Policarpo foi seguidor do apóstolo São João.
“Efetivamente, os conhecimentos na infância progridem com a alma e com ela se identificam, de sorte que posso dizer até o lugar onde se sentava o bem-aventurado Policarpo para falar, como ele entrava e saia, seu modo de viver, seu aspecto físico, as prelações à multidão, como referia suas relações com João e com os outros que haviam visto o Senhor, como relembrava suas palavras e o que ouvira dizer a respeito do Senhor, seus milagres, suas doutrinas: como Policarpo, após ter recebido tudo isso de testemunhas oculares da vida do Verbo (1Jo 1,1-2), anunciava conforme as Escrituras” (Cfr. Eusébio de Cesaréia, História Eclesiástica, V, 20,3. Paulus, SP, 2000, pg. 264 – 265)
Santo Irineu, novo doutor da Igreja
Doutor é um título que, na Igreja, o Papa atribui aos escritores ilustres por santidade de vida, pelo testemunho de seu amor a Deus, ao próximo como a si mesmo, sobretudo pela sua ciência em relação às coisas sagrada. Além disso, leva-se em consideração a ortodoxia, a pureza de fé e a crença certa. Santo Irineu está enquadrado em todas essas qualidades que a Igreja elenca para pessoas que seguiram a Cristo e à sua Igreja.
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“As mãos do Pai”
De acordo com estudos realizados sobre os escritos de Santo Irineu, um dos pontos que pode ser ressaltado é a expressão as ‘mãos do Pai’, que seriam o Filho e o Espírito Santo em relação à Trindade:
“Adão nunca fugiu das mãos de Deus às quais o Pai dizia: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança (Gn 1,26)´. E eis por que no fim, ‘não pela vontade da carne nem pela vontade do homem, mas pela vontade do Pai’ (Jo 1,13), as suas mãos tornaram o homem vivente, de forma que Adão se tornasse à imagem e semelhança de Deus”.
O religioso realçou que o mistério do Deus Uno e Trino é eterno, existindo antes mesmo da criação do mundo.
As obras de Santo Irineu, novo doutor
Segundo Vatican News, Santo Ireneu escreveu muitas obras, mas somente algumas chegaram até os nossos dias. A primeira foi Adversus haereses, “Contra as Heresias”, que está em português, ele deteve-se na compreensão da heresia gnóstica, colocando também os principais autores, como Simão Mago, Basílides, Marcião entre outros e também desmascarou o sistema gnóstico através da doutrina evangélica e apostólica que vinha dos sucessores dos apóstolos, dos apóstolos e de Jesus Cristo.
Ainda de acordo com o site do Vaticano, outra obra dele é: Demonstração da pregação apostólica, também está em português, colocou a regra da fé, como ponto importante na vida eclesial e dos seguidores do Senhor. O autor tratou do mistério de Deus Uno e Trino, da criação, da caída do ser humano, da encarnação e da redenção. Ele tinha presente nesta obra às profecias até Jesus Cristo, o Filho de Davi e o Messias.
Por fim, de acordo também com o Vatican News, ele escreveu outras obras, mas chegaram até nós em fragmentos ou mesmo os títulos. Ele também elaborou muitas cartas e as enviava para as Igrejas vizinhas para confirmá-las na fé cristã, ou mesmo para advertir certos irmãos para seguir a verdade em Jesus Cristo.