A santidade nasce em casa. O testemunho de São Luís e Santa Zélia Martin, pais de Santa Teresinha do Menino Jesus, foi abordado na pregação de Francis Farias, consagrado da Comunidade Católica Shalom, durante o programa “Paz a Vós” desta segunda-feira, 6 de outubro. A reflexão mostrou como o casal Martin — canonizado em 2015 — viveu o Evangelho de forma concreta, transformando a vida familiar em caminho de santidade.
O programa Paz a Vós é transmitido de segunda a sexta-feira, às 6h20, pelos canais YouTube @comshalom, TV União, TV Evangelizar e também pela Rádio Shalom.
Uma família consagrada a Deus
Antes de se casarem, Luís Martin e Zélia Guérin sonhavam com a vida religiosa. Ele pretendia ingressar no mosteiro dos cônegos de São Bernardo; ela, nas Irmãs da Caridade de São Vicente de Paulo. No entanto, a Providência os conduziu por outro caminho.
“Era um jovem de nobre fisionomia, semblante reservado e modos dignos”, escreveu Santa Zélia ao recordar o dia em que conheceu Luís na Ponte de São Leonardo. Poucos meses depois, em junho de 1858, eles se casaram.
Da união entre o relojoeiro e a rendeira nasceu uma família que transformou o desejo de santidade em vida concreta. Dos nove filhos, cinco tornaram-se religiosas, entre elas a pequena Teresa, que se tornaria doutora da Igreja.
Amor conjugal e vida espiritual
O matrimônio dos santos Martin foi marcado por ternura, fé e profunda confiança em Deus.
“Sua esposa que te ama mais do que a sua vida, te abraço tanto quanto eu te amo”, escreveu Zélia ao marido.
Viviam o amor como um dom, no espírito do que São Paulo ensina: “Maridos, amai as vossas esposas como Cristo amou a Igreja” (Ef 5,25).Para eles, amar era oferecer o melhor de si, colocar o outro em primeiro lugar e transformar o sacrifício em oração.
A vida espiritual da família girava em torno da Eucaristia. A Missa dominical era indispensável, e a oração diária unia pais e filhos. Santa Teresinha recordava com ternura: “Bastava olhar para o papai para saber como rezam os santos”.
REZE CONOSCO | Novena de São Luís e Santa Zélia Martin
A fé nas provações
A família Martin também enfrentou a dor. Zélia lutou contra um câncer de mama e morreu aos 45 anos. Em meio à doença, manteve a esperança:
“Se o Senhor me chamar, é porque serei mais útil no Céu do que na terra.”
Luís, viúvo, criou as cinco filhas com delicadeza e fé. No fim da vida, enfrentou uma doença psíquica que lhe tirou gradualmente as forças, mas jamais a confiança em Deus.
A fé do casal se tornou escola de santidade. Em 2015, o Papa Francisco canonizou São Luís e Santa Zélia Martin, reconhecendo neles um modelo de santidade conjugal.
O legado espiritual da família Martin
Segundo Francis Farias, “a santidade é a vida de Deus em nós, que nos atrai às coisas do Céu”. A família Martin ensina que a santidade não é ausência de sofrimento, mas presença de Deus nas alegrias e dores do cotidiano.
“A dor não pode nos destruir; ela deve purificar o nosso amor, para que possamos ver o essencial: o Céu”, afirmou Francis durante o Paz a Vós.
Como viver a santidade em família hoje
Ainda segundo o pregador, a vida de São Luís e Santa Zélia mostra caminhos práticos para quem deseja santificar o lar:
- Colocar Deus em primeiro lugar: a oração e a Eucaristia eram o centro da casa dos Martin.
- Amar como decisão: o amor conjugal é escolha diária de perdão, serviço e ternura.
- Educar na fé: os filhos aprendem mais pelo testemunho dos pais do que pelas palavras.
- Transformar o sofrimento em oferta: como Zélia e Luís, unir as dores a Cristo gera frutos eternos.
- Fazer pequenos gestos de amor: “Onde não há amor, ponha amor e colherá amor”. “De maneira prática, prepara um prato que a outra pessoa goste. Pense nos momentos de lazer que distensione o ambiente. Alguém vai precisar começar a colocar amor e amor é mais forte”, aconselhou Francis.