A cada ano, no mês de setembro, a Organização Mundial da Saúde promove a campanha de prevenção ao suicídio. Os números assustam: segundo a OMS, mais de 700 mil pessoas tiram a própria vida anualmente. Também de acordo com a OMS (2021), o suicídio é a terceira causa de morte dos jovens.
Entre as possíveis razões que levam um jovem a cometer suicídio, pode-se citar: depressão, traumas emocionais, diagnóstico de doenças, entre outras que levam ao desespero e perda do sentido de vida.
Mas, em meio a essa realidade dolorosa, a Igreja nos apresenta faróis que iluminam o futuro da juventude da nossa geração. No último 7 de setembro, foram canonizados São Carlo Acutis e São Pier Giorgio Frassati: dois jovens que, mesmo em meio a sofrimentos, encontraram na fé o verdadeiro sentido da existência.
Acutis: a esperança pelo céu
São Carlo Acutis, falecido aos 15 anos, costumava repetir: “A felicidade é olhar para Deus, a tristeza é olhar para si mesmo”. Marcado pela esperança no céu, encarou a leucemia terminal sem desespero.
“Carlo vivia muito o presente. Vivia cada momento presente no sentido cristão, não de um jeito largado, mas voltado para a eternidade” revelou sua mãe Antonia Salzano no documentário “O céu não pode esperar” da Kolbe Arte.
Em seu último vídeo, ele disse: “Eu estou destinado a morrer“. Sem lágrimas, sem tristeza, mas com um olhar profundo. Um rosto que falava de morte, mas que comunicava a esperança, porque sabia que “o céu era a sua pátria”.
Frassati: para além das tristezas da vida
Já São Pier Giorgio Frassati faleceu aos 24 anos em decorrência de uma poliomielite fulminante. Ele também deixou um legado de ensinamentos, dizia: “Na oração, a alma se eleva acima da tristeza da vida”. Mesmo debilitado em seus últimos dias, fez dos momentos finais um gesto de amor: do leito de enfermidade, enviou a um amigo doente o remédio de que precisava. Viveu até o fim o seu lema: “Para o Alto”.
Provavelmente, tanto Acutis quanto Frassati tinham sonhos e planos que foram interrompidos pelas suas enfermidades. Os dois santos não foram poupados de angústias, mas souberam transformá-las em esperança. E nos ensinam que a saída para as dores da vida não está no isolamento ou na desistência, mas no encontro com Cristo (através da Palavra), na força dos sacramentos (sobretudo da Eucaristia) e no dom de si aos irmãos.
Neste setembro amarelo, diante das estatísticas que nos assustam, somos convidados a olhar para Carlo e Frassati. Eles recordam à juventude – e a todos nós – que o sentido da vida não está em acumular muitas “realizações” seguindo os estereótipos, mas em ser originais; não em fugir das dores, mas em vivê-las na confiança de que existe um céu que nos espera.
Que esses jovens santos inspirem nossa geração a escolher a vida, a esperança e o amor que não passam.