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Ser mãe é testemunhar a ressurreição todos os dias na missão

A seguir, Gabriela Viana, consagrada da Comunidade de Vida, partilha algumas das suas experiências como mãe e missionária na Comunidade Católica Shalom.

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Gabriela Viana, Diego Macedo (esposo) e Miguel José (filho) / Foto: Arquivo Pessoal

Ser mãe é um bela e inspiradora missão para muitas mulheres. Por isso, é até comum que elas busquem, nos livros, nos artigos, nos vídeos e em tantos outros recursos, informações sobre como viver bem essa experiência de amor. Gabriela Viana, missionária da Comunidade de Vida e mãe do pequeno Miguel José, entendeu que a missão da maternidade consiste em aprender, com o próprio Deus, a amar mais e mais, a cada novo dia. A seguir, ela partilha algumas das suas experiências como mãe e missionária na Comunidade Católica Shalom.

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De início, Gabriela destaca que uma das grandes graças da missão da maternidade diz respeito a uma amor que, até antes de ser mãe, ela não compreendia muito bem, por não ter vivenciado. Apesar de já ter ouvido falar sobre essa experiência de amor tão particular da maternidade, ela só pode, de fato, tocar a partir do momento em que uma vida começou a ser gerada em seu ventre. “Você consegue tocar no amor que vem do Amor, pois gerar uma vida tira de nós aquilo que nós não conseguimos e nem imaginamos sermos capazes de dar”, ressalta.

Uma mãe que testemunha a ressurreição

Para a missionária, hoje, é muito concreta a experiência do amor divino e humano na maternidade. Essa experiência é ainda tão intensa que os limites, os pecados e as fraquezas são todos ultrapassados pela graça. Gabriela explica ainda que ser mãe a faz transbordar o amor de Deus que tem experimentado em sua vida neste tempo. E esse transbordar acontece tanto no ser mãe como no ser missionária. Uma dimensão não se contrapõe a outra. Pelo contrário, ambas se completam, fazendo-a uma mulher capaz de se doar mais, testemunhando a ressurreição.

“Uma mulher que é capaz de transbordar mais, porque todos os dias aprende a se doar mais e a doação é fundamental para missão, a experiência da maternidade me faz enxergar a missão assim: como todos os dias eu vou aprendendo a amar e a transbordar, por meio da maternidade, eu vou também transbordando e me doando na missão”, explica.

E, segundo a consagrada da Comunidade de Vida, essa doação na vinha se torna testemunho fecundo para muitos que passam a ver a maternidade não como um peso, mas como uma via de alegria.

Ser mãe na Comunidade de Vida

A família de Gabriela Viana, composta por seu esposo e seu pequeno filho, que recentemente completou um ano, está inserida na Comunidade de Vida da Comunidade Católica Shalom. Ou seja, ela e o esposo são missionários, têm a sua família, mas têm também muitos irmãos. E, entre esses irmãos, há sacerdotes, celibatários, outras famílias e também pessoas solteiras. Esse contexto comunitário e fraterno, segundo a consagrada, é um dos maiores bens que ela pode oferecer para seu filho.

“A vida comunitária é uma das grandes graças de ser mãe na Comunidade. Eu acho que é um dos maiores bens que eu posso deixar para os meus filhos. Um sacerdote que todos os dias dá a bênção final da Santa Missa em nossa casa comunitária com o Miguel nos braços. Algo que já se tornou hábito, pois, após a comunhão, o Miguel já está acostumado a ir até o padre, não teve um dia até hoje que ele não foi… E ali ele vai para dar a bênção junto com o sacerdote, diante da assembleia, nem preciso falar do benefício que esse momento tem na vida dele… Outra experiência é a dos irmãos celibatários que podem viver a maternidade e a paternidade com o pequeno Miguel. Já os irmãos solteiros fazem a experiência de trilhar o caminho de discernimento do seu Estado de Vida por meio desse contato com a criança que vai gerando cada vez mais fraternidade entre nós”, relata Gabriela.

O amparo de Nossa Senhora

Já no parto do Miguel José, Gabriela conta que sentiu o amparo da Virgem Maria. Desde então, é Nossa Senhora quem a ajuda a tornar, cada vez mais, a experiência da maternidade real e concreta em sua vida e, ao mesmo tempo, transcendente. “Em Maria, eu vou buscando sabedoria. Não consigo ver esse caminho da maternidade sem ela”. A missionária partilha também que Nossa Senhora a ensina a viver cada momento dessa santa aventura que é ser mãe de primeira viagem.

Além do auxílio de Nossa Senhora, um testemunho de uma mãe ajudou Gabriela a acolher os desafios próprios da maternidade. Esse testemunho foi o da jovem Rebecca Athayde, mãe do pequeno Mateus que hoje está no céu junto do Pai. A missionária conta que, ao se deparar com os primeiros desafios no cuidado do pequeno Miguel, se viu tão angustiada e preocupada, porém, ao conhecer a história de Rebecca, percebeu que o que ela estava passando era algo pequeno diante das dores que aquela mãe estava vivendo com seu filho. E foi a forma como Rebecca acolheu a cruz, cheia de fé e esperança, que fez com que Gabriela compreendesse ainda mais a beleza da missão de ser mãe.

A missão de ser mãe gera ressurreição

Gabriela ainda partilha que a maternidade gerou ressurreição em sua vida. E essa experiência fez brotar do seu coração uma oração simples que expressa o desejo de ofertar a Deus tudo por amor, deixando que Ele mesmo a faça viver sua missão de ser mãe a partir das renúncias e das alegrias de cada dia.

Oração: o amor que o Amor me pede

Muitas e muitas vezes, fui como Tiago e João, arvorava-me de que seria, sim, capaz de beber o Teu cálice, Jesus.

Fui como Pedro, pois achava que estava pronta para dar a vida por Ti, mas, quando a vida adulta da maternidade apresentou-se a mim, neguei a Ti, Cristo, três vezes, e se não O tiver traído em meu coração!

Pensei inúmeras vezes que não ia conseguir e, no momento profundo de dor, corri, como fez a maioria dos discípulos!

Corri da dor! Não queria acolher o fato de que não teria mais noite de sono sossegada, que não conseguiria realizar tantas tarefas simples, que não seria capaz de beber do cálice de Jesus, pois ele era muito amargo e doloroso…

Dentro de mim, ouvi uma voz dizendo que Jesus havia ressuscitado. Primeiramente, não pude acreditar, porque imersa estava em minhas dores e traições a Jesus, olhando minha total incapacidade de ser AQUELA mãe que meus pensamentos projetaram, não podia crer.

Como assim ressuscitou? E todos esses sentimentos que continuam ecoando dentro de mim? E a voz continuava gritando: Jesus Ressuscitou! Ele vive! Eu o vi!

Quero vê-lo! E logo brotou em mim uma certeza inquestionável daquele amor que olhou em meus olhos e me amou. O grito ressuscitou esse profundo amor que se encontrava dentro de mim!

Esta vida de sacrifício é minha! Eu a quero! Eu a desejo!

Mesmo que doa em meus ossos, eu a quero! Mesmo que ao fim do dia, eu nada consiga realizar, não sou “eu” mais, e, sim, a vida que gera de minhas imperfeições e negações!

Não sou mais eu, mas Tu neste pequeno bebê, não são mais noites de lamentações, mas noites de louvor por poder ofertar tão pouco Àquele que tudo me deu, tudo nos deu.

Quero ressuscitar acolhendo tudo de amor que o Amor me pede!

Faz do meu pobre nada vida capaz de gerar muitas almas, as que Teu coração deseja, Senhor!

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