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Shalom: Um Caminho de Paz para os Sacerdotes

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dia do padre 2

O Caminho da Paz, proposto pela Comunidade, leva a uma profunda experiência renovada com o Ressuscitado que passou pela Cruz. Com isso, o padre entra em uma obra interior constante da ação da graça de Deus por meio de uma vida de oração profunda

A Igreja tem recebido uma onda de graças vindas do Espírito Santo que são os novos Carismas que surgiram depois do Concílio Vaticano II. Os papas têm dado o seu reconhecimento explícito a esse Kayrós. João Paulo II chamava os Novos Movimentos Eclesiais e as Novas Comunidades de “Primavera da Igreja”[1]. Papa Bento XVI confirmou essa visão papal no Pentecostes de 2006. No mês de junho deste ano foi a vez do Papado de Francisco dar mais uma palavra de ânimo e reconhecimento a essas novas realidades eclesiais.

De fato, foi no último mês de junho que, por meio da Congregação da Doutrina da Fé, o papa encaminhou a todo o povo de Deus o Documento Iuvenescit ecclesia (Rejuvenesce Igreja). Por ocasião da publicação, acontecia em Roma a assembleia plenária do Pontifício Conselho para os Leigos, que é o dicastério da Santa Sé que cuida dos Novos Movimentos e das Novas Comunidades e que trata de custodiar e aprovar esses novos carismas. Que a publicação tenha coincidido com essa assembleia é mais um sinal de que esse apoio e reenvio do papa a essas realidades eclesiais fosse como que entregue em mãos aos seus dirigentes.

Igreja em perfeita harmonia com os leigos

Para a dimensão formativa da Comunidade Católica Shalom que trabalha com a formação dos sacerdotes foi gratificante ver como esse novo documento ressalta o benefício que essas novas realidades sacerdotais têm trazido para os padres. Podemos ler, então, no parágrafo 22, letra B do documento:

“Também os ministros ordenados, na participação numa realidade carismática, poderão encontrar, tanto um apelo ao sentido do próprio Baptismo, com o qual se tornaram filhos de Deus, quer à sua vocação e missão específica. Um fiel ordenado poderá encontrar, numa determinada agregação eclesial, força e ajuda para viver a fundo o que lhe é pedido pelo seu ministério específico, quer perante todo o Povo de Deus, e em particular a porção que lhe está confiada, quer no que diz respeito à obediência sincera devida ao próprio Ordinário[102].” (FRANCISCO, 2016, P.18).

Como Comunidade Shalom, temos podido testemunhar que o transbordamento desse tempo de graça na Igreja para a vida dos sacerdotes tem sido bem real. Esse texto do documento que, para o leitor distraído, poderia soar somente como palavras de incentivo, traz conceitos importantes.

De fato, por meio desses carismas os sacerdotes têm redescoberto uma forma concreta de ser Igreja em perfeita harmonia com os leigos. O conceito de fundo para essa vida harmônica está na redescoberta do batismo, conforme citado no trecho, como o sacramento que inaugura o ser Igreja. Não por coincidência, mas dentro dessa leitura correta acerca dos sacramentos, o papa Francisco usava as seguintes palavras no seu encontro com os participantes da Assembleia do Pontifício Conselho para os Leigos: “Na igreja se entra pelo batismo, não pela ordenação sacerdotal ou episcopal, se entra pelo Batismo. E todos entramos através dessa porta. ”

A revalorização dessa origem comum de todos os membros da Igreja inaugura para o leigo um novo protagonismo missionário e para o padre um tempo em que ele não tem mais que estar só na missão nem precisa mais se sentir apartado do resto da Igreja. De fato, foi o clericalismo que isolou o padre em um púlpito. Deu a este líder uma postura autoritarista que o isolou do corpo eclesial e o deixou só na sua vida missionária, na dimensão comunitária da vida cristã e na sua espiritualidade.

Irmãos entre os irmãos

Já o concílio Vaticano II convidava o clero a uma nova postura que os livrava desse isolamento. O Documento Presbyterorum Ordinis convidava os sacerdotes a viverem como “irmãos entre os irmãos”:

“9. Embora os sacerdotes do Novo Testamento, em virtude do sacramento da Ordem, exerçam no Povo e para o Povo de Deus o múnus de pais e mestres, contudo, juntamente com os fiéis, são discípulos do Senhor, feitos participantes do seu reino pela graça de Deus que nos chama (50), Regenerados com todos na fonte do Baptismo, os presbíteros são irmãos entre os irmãos (51), membros dum só e mesmo corpo de Cristo cuja edificação a todos pertence (52)”.[2] (PAULO VI, 1965, p. 4).

Esse convite do Concílio o vemos encarnado de forma concreta nos Movimentos Eclesiais e nas Novas Comunidades. Podemos testemunhar que na Comunidade Católica Shalom os sacerdotes experimentam a grande alegria de viverem uma vida comunitária junto com os leigos. No nosso meio, também o apostolado do sacerdote não é apartado da ação missionária do leigo, mas juntos, cada qual com a sua contribuição específica segundo o seu estado de vida, pode contribuir de forma concreta para o anúncio do Reino. Na Comunidade Shalom o sacerdote também não vive uma espiritualidade separada, mas participa do mesmo Carisma que une a todos em uma só graça de oração.

Diante da graça desse Carisma Shalom que une em uma só família todos os estados de vida da Igreja e a partir desse testemunho de comunhão, muitos sacerdotes têm se aproximado da comunidade para participar desse Carisma por meio da Obra Shalom[3]. Como descrito na citação acima da Iuvenescit Ecclecia, 22b, esses sacerdotes têm encontrado “força e ajuda para viver a fundo o que lhe é pedido pelo seu ministério específico”.

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Temos tido a experiência concreta, então, de proporcionarmos para a vida sacerdotal da Igreja, seja com os presbíteros de dentro da comunidade, seja com os que se aproximam da Obra Shalom, uma via concreta de ser Igreja. Nesse caminho eclesial, os padres encontram uma família espiritual de maneira que eles não são segregados de todo o povo de Deus por serem padres, pois vivem como irmãos, entre os irmãos.

Esses padres encontram nesse carisma uma via espiritual profunda. De fato, o Caminho da Paz, proposto pela Comunidade, leva a uma profunda experiência renovada com o Ressuscitado que passou pela Cruz. Com isso, o padre entra em uma obra interior constante de ação da graça de Deus por meio de uma vida de oração profunda.

Por fim, partindo da fonte que é a contemplação, vivendo essa vida de unidade com os irmãos, os sacerdotes sentem-se reenviados para a evangelização. Esse renovado envio missionário, próprio do carisma Shalom, gera sacerdotes cheios de entusiasmo pela missão que, no poder do Espírito, vão em busca da ovelha perdida e realizam o ideal de uma Igreja em Saída.

Referências:

[1]Experimentamos o clima do Pentecostes, que tornou quase visível a fecundidade inexaurível do Espírito na Igreja. Movimentos e novas Comunidades, expressões providenciais da nova primavera suscitada pelo Espírito com o Concílio Vaticano II, constituem um anúncio do poder do amor de Deus que, superando divisões e barreiras de todo o género, renova a face da terra, para construir nela a civilização do amor.” – Trecho da Homilia de São João Paulo II na solenidade de Pentecostes de 1998.

[2] Cf. VI,PAULO. Presbyterorum Ordinis. Decreto sobre o ministério e a vida dos sacerdotes. Vaticano, 1965, p.4.

[3] Obra Shalom é a porção do Povo de Deus que se identifica com esse Carisma e cresce em sua vida cristã missionária apoiando-se nessa graça específica do Espírito. Quem é parte dessa Obra, pode ou não ser membro consagrado da Comunidade Católica Shalom.

 

Padre Denys Lima

missionário da Comunidade de Vida Shalom / responsável pelo Setor de Sacerdotes e Seminaristas da Comunidade Shalom


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