Eu jamais me esqueço da frase que ouvi certa vez na Célula de um irmão muito querido: “O nome do amor na vida consagrada é permanecer”. Ele explicava que, semelhante a um relacionamento amoroso, onde no início tudo é belo e apaixonante no outro, onde há muitas descobertas, é fácil ficar ao lado do outro, mas chega um momento, que muitos falam ser de um determinado tempo no matrimônio, que já não se tem mais tantas surpresas, o relacionamento entra na rotina, “não tem mais nada de novo“.
Também é assim com o matrimônio espiritual. Acabaram-se as novidades, o ordinário vai cansando mais do que o normal, porque o nosso corpo e as responsabilidades da vida já não são como de cinco ou dez anos atrás. Mas o carisma permanece o mesmo, só que a nossa resposta precisa ser diferente de anos anteriores.
Para cada tempo o amor nos pede uma postura, muitas vezes é de partir, é de fazer grandes provas. Em outros, é uma resposta de decisão, de escolher ficar quando não se tem tantos prazeres, gostos (como diz nossa amiga Santa Teresa). Quando os frutos não parecem chegar ou não são tão saborosos como em outros tempos, o que irá deixar o amor “vivo” é a permanência.
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Ainda vivendo as núpcias das minhas promessas definitivas, eu me peguei durante um dia comum de Célula comunitária pensando: “Meu Deus, eu vou viver pra sempre assim! Até ficar velha, já com filhos e depois talvez com netos”. Toda semana vindo rezar com meus irmãos, ouvir formações, servir no apostolado, ouvir mais formações, partilhar, rezar mais e por aí vai… Por fora parece que há uma rotina travada. Mas por dentro, aaa por dentro é sabedoria de Deus pra minha vida que permanece ao longo de todas as estações.
Permanecer não é se estagnar, nem ficar na vocação de qualquer jeito, mas é permanecer com tudo aquilo que o Senhor espera de mim: inteireza, amor, humildade.
Nas lágrimas, nas alegrias, com dores, nos prazeres, com muitos ao meu redor ou com apenas o Senhor diante meus olhos, no hoje, com um compromisso de amar para sempre, eu escolho: PERMANECER!
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