O cansaço e a vida cotidiana

Chega-se cansado em casa. O cansaço é legítimo. O mau humor, não. Convém lembrar que o homem cansado é propenso ao mau gênio, já que tem as defesas baixas e os nervos destemperados. O cansado tende ao hermetismo. Não é comunicativo. É preciso dar ao cansado um tempo para decantar as fadigas e preocupações de um dia de trabalho. Deve-se permitir ao guerreiro deixar suas armas, desmontar e recompor-se. Procura desfazer-se o quanto antes de sua mercadoria. Interrompe quando não deve, tem mais pressa quanto mais deve esperar. É a hora heróica dos pais. O carinho dos filhos vale mais que o esgotamento. Ao chegar em casa, nenhum pai pode abrir a porta e dizer: “Missão cumprida”. Se ele acha que a casa é o lugar das compensações egoístas, um pai de família se perdeu. A recompensa verdadeira é a de ver-se rodeado por afeto. O carinho dos filhos não é um carinho abstrato, teórico. É tangível. Percebe-se. Toca-se. Os olhos das crianças estão dizendo: “Seja meu pai. Tu és forte, mais forte que o cansaço”. Isolar-se dos filhos ao chegar em casa é dizer-lhes: “Vocês não me interessam”. Um pai sempre cansado ou que pede que o tratem como um homem cansado, é um pai enfermo. A casa não é uma clínica de repouso, onde se cuida religiosamente do silêncio para não atrapalhar os pacientes. O lugar onde descansa o papai não é “zona de hospital”, como tampouco a sala de estar deve ter o cartaz de “crianças jogando”. Quando os filhos são pequenos são como brinquedos do pai. Quando se está de bom humor, lhes dá corda. Quando o jogo cansa ou aborrece, lhes guarda ou lhes arquiva. Em muitos casos, a televisão serve, lamentavelmente, de arquivo. Se os filhos são considerados um incômodo porque perturbam o descanso do pai, exige-se à mãe que os faça evaporar para que não criem problemas. O guerreiro considera que já teve suficientes aborrecimentos em seu trabalho, ofício ou negócio. Cultivar a vida familiar A vida familiar deve ser cultivada, sob o risco de que se torne um campo abandonado. Incrementa-se com a conversação, com as celebrações, com ritos familiares, com tradições, com uma linguagem que tem pontos de referência comuns. Sem vida de família, passa-se do trabalho ao trabalho como por um túnel. Agradeçamos que a jornada se interrompa para estar com os que se ama. O cansaço de uma jornada dura se recupera na vida em família. A graça do filho pequeno faz mudar a vista cansada. Em casa não nos aceitam por nossa eficácia nem por nosso rendimento: nos acolhem com carinho. E a vida em família é mais amável quando é enfrentada com amabilidade, quando não impacienta a avidez de um filho por contar suas coisas, a do outro que assalta com pedidos, a de um terceiro… O lar não é um monastério onde se ouve o silêncio. As crianças não são objetos imóveis que fazem parte da decoração. A casa não é casa de repouso para doentes dos nervos. O carinho torna amáveis até as interrupções.   Formação: Junho/2002

10 lições que aprendemos com nossos filhos

Os filhos nos abre para um mundo novo, e com eles percebemos que não apenas ensinamos, senão que temos muito a aprender com eles também. Quando os filhos nascem, os pais se consideram professores: ensinarão o filho a andar de bicicleta, a ler o que eles liam na infância, a ser generosos e honestos… O que não imaginam é o quanto os filhos ensinarão aos seus pais, ao enfrentarem centenas de situações novas com as quais aprenderão sobre seu ser mais profundo, sua relação com os outros e com o mundo em geral. Os pais aprendem inúmeras coisas com seus filhos, entre elas: 1. O amor é infinito “Quando tive minha primeira filha, eu estava tão feliz, que sentia que não poderia amá-la mais do que já amava. Mas, com cada nova coisa que ia fazendo e que a tornava mais pessoa, eu a amava mais. Com o segundo filho, eu tinha medo de não amá-lo tanto quanto a primeira filha. Mas como eu estava errada! Hoje tenho quatro filhos e todos são minha adoração”, conta Patrícia, de 34 anos. 2. Não controlamos tudo “A única coisa que eu queria era ter minha filha por parto normal. Mas, como ela estava com o cordão umbilical enrolado no pescoço, precisei de uma cesárea de emergência. Desde esse dia, eu percebi que, com um filho, muitas coisas já não dependem de nós”, diz Cláudia, de 32 anos. 3. Todos nós temos nosso lado oculto Os filhos nos expõem a situações novas, que nos fazem reagir de maneira jamais antes imaginada: raiva, impaciência, frustração. Felizmente, aprendemos também que podemos experimentar um sentimento sem agir de acordo com ele. O autocontrole é uma importante lição que precisa ser assimilada desde o nascimento da criança. 4. Nossos interesses pessoais já não são prioridade Com os filhos, os pais aprendem a adiar seus planos pessoais. Eles exigem todo nosso tempo e dedicação. Assumimos responsabilidades e exigências. Nossa prioridade muda: Agora são eles o que temos de mais precioso na vida. 5. Os filhos não são clones, mas indivíduos diferentes de nós É preciso aprender a respeitar as diferenças, a personalidade e o caráter de cada filho. Não podemos querer que nossos filhos sejam iguais a nós. É preciso conhecê-los como eles são e amá-los desse jeito, ajudando-os a melhorar seus pontos fracos e ressaltar suas virtudes. 6. Ninguém espera que sejamos perfeitos O amor incondicional dos filhos é uma recompensa que nos conforta no dia a dia. Precisamos recordar que não somos perfeitos e que ninguém está exigindo que o sejamos. Amanhã nos controlaremos mais e seremos melhores. 7. Não podemos julgar os outros Os filhos nos ensinam a não julgar os outros e sua forma de agir como pais. Eles nos fazem entender muitas atitudes dos nossos próprios pais que antes criticávamos. Assim, deixamos de exigir dos outros coisas que não podemos cumprir com nossos filhos. Esta é uma importante lição que pode ser aplicada em todos os âmbitos da vida. 8. Viver o momento presente Os filhos, especialmente na infância, são especialistas em nos mostrar a importância de encarar as coisas com calma. Se vamos passar a tarde com eles, não adianta ficar estressados ou ansiosos com as próximas atividades; é preciso seguir o ritmo dos filhos. 9. Nunca deixamos de aprender Cada etapa da vida dos filhos é diferente, e cada filho tem seu jeito de ser; por isso temos que nos adaptar a cada um deles. Este é um desafio enorme para os pais, mas também oferece uma imensa recompensa: o carinho dos filhos. 10. Os filhos despertam em nós virtudes esquecidas Os filhos nos ajudam a conhecer-los melhor, revelam facetas na nossa personalidade que nunca imaginaríamos ter e nos motivam a ser melhores como pessoas.  Fonte: Aleteia

As consequências do aborto

Quem já fez aborto precisa ser acolhida na comunidade, não condenada. Não existe nada que Deus não possa resolver. Nada! Quem não concorda com essa frase, só lamento, mas não crê de verdade nesse Pai bom que sempre nos acolhe. E quem já fez um aborto precisa acreditar ainda mais n’Ele, pois as consequências físicas e psicológicas dessa prática, que é uma das principais causas de morte materna no Brasil, são muitas. E quem não conhece alguém que já abortou? Uma amiga, uma prima, uma celebridade, talvez até mesmo a sua mãe, sua irmã, sua namorada ou você mesma. Quem já fez um aborto, por mais que ache isso supernatural, afinal, um filho “atrapalharia o momento da carreira, o casamento, a família, a imagem de boa moça, etc”, tem de concordar com as pesquisas que mostram as duras consequências dessa prática. E não falo aqui do aborto espontâneo, quando involuntariamente o corpo da mulher expulsa o feto por acidente ou problemas orgânicos, por exemplo. Pergunto se você já provocou um aborto, se já incentivou alguém a fazê-lo, se convive com alguém que teve essa atitude no passado. As consequências desse crime* são pouco divulgadas na mídia, pois há o discurso de que “legalizar o aborto é uma questão de saúde pública” – e isso é só a “pontinha do iceberg”. De fato, o número de abortos no Brasil ultrapassa um milhão por ano, mas legalizar a prática não significa necessariamente diminuição desse número, muito menos fazer com que seus efeitos desapareçam. Dependendo do método utilizado para o aborto, podem acontecer ferimentos no colo uterino, hemorragias, inflamações ou até a extração total do útero, conhecida como histerectomia. A longo prazo, o aborto pode ocasionar insuficiência do colo uterino com o consequente aumento das chances de se ter uma gravidez de alto risco ou de nunca mais se poder gerar a vida. E como é que fica a cabeça de uma jovem após um aborto? Em geral, pode haver sentimento de culpa, queda na autoestima pela destruição do próprio filho, perda do desejo sexual, aversão ao marido, frustração do instinto materno, insônia e depressão, só para citar algumas consequências psicológicas. E em meio a esse turbilhão de efeitos, qual é a nossa postura perante as mulheres que fizeram aborto? É de acolhimento ou de julgamento? É uma mão estendida ou uma pedra pronta a ser atirada? O que Fulana está fazendo na fila da comunhão? Era para ter vergonha de pisar na igreja! Eu não ando mais com ela é má influência. Essas e outras frases medíocres fazem meu ouvido doer e deveriam fazer o seu coração doer também. Como a gente se sente no direito de julgar o outro? E como a gente julga! Jesus não se identifica com quem condena, pois, nosso Deus é misericórdia. “Eu não julgo a ninguém” (Jo 8, 15) Então, quem sou eu, quem é você, para condenar alguém que fez aborto? Nem Deus condena, portanto, que tal ser menos “fariseu”, “escriba do século 21” e ter uma atitude mais acolhedora para com a mulher que você conhece que já fez um aborto? Saiba que ela já traz consigo consequências dessa atitude e o seu julgamento não auxilia em nada, não muda nada para melhor. Jesus é bem claro quando afirma que “Ninguém te condenou, mulher, nem eu te condeno. Vai e não peques mais” (Jo 8,11). Em vez de ficar julgando, aproveite as energias lutando contra a legalização dessa prática em nosso país, informe-se para sustentar o ponto de vista a favor da vida nas discussões em seu círculo social, pois como cristãos devemos ser luz no mundo, não mais um para atirar pedras. E você mulher, que já passou por essa situação, não se esqueça NUNCA de que Deus é um Pai bom, Ele a ama demais, e independentemente do que você fez, Ele cuida de você. Busque um sacerdote, faça uma boa confissão, pois o Senhor a quer feliz! Procure também um bom profissional de saúde que a auxilie a superar as consequências físicas e psicológicas disso e acredite na misericórdia de Deus, pois Ele tudo pode. E se alguém a julga, a exclui e a ignora por isso, reze por essa pessoa e não dê ouvidos a ela. Talvez ela ainda não entendeu o que é ser cristão de verdade e esteja merecendo menos o céu que você. Desde 1940 o Código Penal Brasileiro estabelece que o aborto praticado por médico não é punido quando não há outro meio de salvar a vida da gestante ou se a gravidez for resultado de estupro. Os demais casos são passíveis de punição, com penas que variam de um a dez anos de prisão para a mulher e a pessoa que realizou o aborto, (e a pena pode dobrar em caso de morte da gestante) Mariella Silva de Oliveira Costa Fonte:Canção Nova

Como auxiliar o filho na escolha da profissão

Como falar da escolha da profissão com os filhos diante de tantas possibilidades Falar de escolhas, no mundo de hoje, com tantas alternativas e crises, é algo complexo. Para uma família orientar os filhos sobre a melhor profissão fica ainda mais complicado, porque, além desse cenário externo, é preciso levar em conta o contexto interno de cada filho. Para isso, os pais precisam ajudá-los na descoberta de seu potencial (perfil) e como otimizá-lo no mercado de trabalho. Não existe receita, mas algumas dicas podem ajudar neste momento de ansiedade e incerteza. Pode ser um tempo produtivo, e os questionamentos ajudam na reflexão de uma escolha importante. Ao contrário do que muitos pensam, a escolha da profissão pode não ser para a vida toda. Essa escolha faz parte do projeto de vida, porém não define a carreira das pessoas. Outras escolhas podem ser acrescidas ao longo desse processo para mudar ou adaptar o percurso inicial. Entretanto, essas ponderações não podem impelir o jovem a se acomodar ou ter uma postura de deixar a “vida o levar”. Ele precisa buscar o autoconhecimento e as possibilidades do mercado atual e futuro. Conhecer-se e conhecer os ambientes onde vai atuar facilita na escolha de várias opções profissionais.   A importância da família na hora da decisão O contexto familiar é o espaço importante para essas discussões, pois os pais conhecem os filhos e podem ajudá-los. Porém, cuidado para não atrapalhar, encaminhando para decisões que atendam as frustrações não realizadas pelos pais ou visando apenas a questão financeira. O diálogo é importante para ouvir as preocupações e interesses que possam ajudar na decisão. O período escolar é importante para o jovem ver com quais matérias e assuntos mais se identifica, e conversar com os professores sobre como utilizar isso na vida corporativa ou pessoal. Ajude seu filho a buscar o maior número de informações possíveis, no entanto, não faça a tarefa por ele. Muitas vezes, os jovens idealizam a carreira, pois enxergam apenas o bônus de determinadas profissões e não focam no ônus que todas elas trazem. Por exemplo, a carreira do jogador de futebol de sucesso, com altos salários, prestígio e poder social, exige muitas horas de treinamento, viagens constantes e muitas renúncias na vida física, social e pessoal. Uma forma de ajudar é propiciar condições para que seu filho conheça as vantagens e desvantagens para um escolha consciente.   Conhecer as atividades desenvolvidas por cada profissão Uma dica importante é levar os filhos para conversar com profissionais de diferentes atuações e, se possível, também visitar lugares que mostram a profissão pretendida na prática. Isso ajuda a quebrar tabus e ilusões sobre determinadas profissões. Outra alternativa é levar o jovem num profissional que, de uma forma técnica, vai buscar identificar aptidões e cruzar com as alternativas de mercado, fornecendo orientação para o perfil sem pressões. Os pais precisam tomar cuidado para não pressionar demais, como se a escolha da profissão fosse caso de vida ou morte. E se, no decorrer do curso, o filho quiser mudar de curso, reflita e tome a melhor decisão para reduzir as consequências futuras. Trabalhe sua paciência, pois a precipitação pode acarretar danos na vida psicológica e profissional do seu filho. Decidir por uma profissão é umas das maiores escolhas que fazemos na vida, portanto, deve ser feita de forma ponderada e sem pressões, para que seja uma boa escolha.   Fonte: Canção Nova

Os demônios da vida conjugal

Identifique os demônios  que aparecem ao longo da vida conjugal No amor conjugal, o segredo é não lutar contra a idade, mas estar em união com ela, tal é a regra da sabedoria. No início, a relação é, sobretudo, de alegria e esperança. O amor é novo e está intacto. Os dois vivem em estado de descoberta permanente; entretanto, o amor não escapa aos ataques do tempo. Uma primeira crise, a da desilusão, sacode o lar nascente. O demônio da desilusão faz com que a imagem ideal, que um havia construído do outro, comece a desvanecer-se. Para vencer essa crise, terão de se aceitar em suas imperfeições. Nessa fase, o matrimônio se constitui realmente. A juventude do amor Ao fim da fase de adaptação, um mútuo conhecimento impede maiores atritos. O amor se instala. Mas se a crise da desilusão não foi superada, o tempo precipita a segunda crise, a do silêncio. Se o demônio mudo se apodera dos dois, estes caem em uma espécie de letargia. O casal vive, então, em retrocesso, sem crescer, sem um ritmo seguro, sem dinamismo. Vencer essa segunda crise é indispensável para que o amor sobreviva. A maturidade do amor Por volta dos 15 anos de vida conjugal, os esposos adquiriram maturidade. Com uma juventude madura, vivem com serenidade. São os anos mais belos da vida conjugal. Já não se fala de felicidade, como quando se é jovem, simplesmente se é feliz. Mas também pode se produzir o contrário, se não encontraram o caminho do diálogo e de sua unidade. Uma terceira crise, com frequência fatal, é a da indiferença. O amor se transformou em hábito, o hábito em rotina, e a rotina, enfim, em indiferença. Vive-se junto ao outro, mas os corações já não estão em contato: o tempo paralisou ou matou o amor. A vida em comum não é mais que uma aparência que se mantém, seja por obrigação, já que há os filhos, seja por conveniência social. Com o demônio da indiferença instalado, sempre existe lugar para um novo amor e, por isso, para a infidelidade e a separação. O “meio-dia” do amor Entre os 45 e 50 anos, surge um novo perigo. Em ambos é o difícil momento das mudanças físicas e psicológicas. A mulher perde um atributo de sua feminilidade: a fecundidade. O homem vai perdendo um caráter de sua virilidade: o vigor sexual. Mas, antes que se produza esse declive, muitas vezes se dá uma espécie de volta à adolescência. A essa crise da metade da vida chamamos de “demônio do meio-dia”. Se o matrimônio entra nessa etapa, minado pela indiferença e pela rotina, o “demônio do meio-dia” tem grandes possibilidades de triunfar. O renascimento do amor Se o casal soube superar essa época turbulenta, entra num período de uma segunda maturidade. É o crepúsculo do amor, o momento em que o matrimônio desfruta da unidade conquistada, de una harmonia profunda e de uma nova paz. É a hora de uma felicidade serena, sem choques nem conflitos. O tempo, que não perdoa, oferece então aos cônjuges a inapreciável recompensa do renascimento do amor. O repouso do amor Virá, por último, a hora do repouso, em que, –envelhecidos no amor,– ambos só terão reconhecimento um para o outro. Nem sequer a dolorosa perspectiva da morte poderá perturbar a maturidade do amor. Eles terão se amado até o fim, quando a morte se converte num ápice, numa vitória. Diante dos homens, como diante de Deus, não existe um amor mais perfeito que o de dois seres que envelheceram juntos e que deram a mão para vencer as últimas dificuldades, para gozar das últimas claridades do dia. Perguntas para a reflexão 1. Algum desses demônios me é conhecido? 2. Que posso fazer para enfrentá-los? 3. Como andamos com o diálogo conjugal? Padre Nicolás Schwizer Shoenstatt – Movimento Apostólico   Fonte: Canção Nova

Família: Amar o outro como ele é

A família é um lugar extraordinário de descoberta da diferença. Esta descoberta se faz pouco a pouco. No começo da relação do casal, na lua de mel: “Tu és a mulher mais bonita do mundo!”, “Não! Tu és o mais bonito dos homens!”. Estamos em pleno idealismo. Há nisso algo de muito belo! Depois, rapidamente, nós descobrimos que o outro não é somente qualidade e beleza. Há nele – e em nós – luz! Mas há também trevas, angústia, medo. Progressivamente, a partir da lua de mel, começa a tarefa de aceitar o outro como ele é, de descobrir sua beleza profunda, sem se deter no superficial. Uma beleza frágil Que descobrimos? Que o ser humano é, ao mesmo tempo, de uma maravilhosa beleza e de uma imensa fragilidade! Que temos necessidade uns dos outros, que o outro nos revela nossas próprias feridas, nossos próprios bloqueios… São, por exemplo, as discussões sem fim para saber se compramos queijo prato ou mussarela. Ou, no carro, se vamos por esta ou por aquela rua… Eis que por qualquer motivo estamos no ponto de puxar um revólver! Significa que somos bem frágeis! Porque, no fundo, dobrar à direita ou à esquerda não tem verdadeiramente importância! Mas há em nós uma necessidade de provar que temos razão e que o outro está errado, uma necessidade de ser superior, um medo de ser agredido. Jesus destaca essa fragilidade do homem quando diz: Por que olhas o cisco no olho de teu irmão e não enxergas a trave que há no teu? Como podes dizer ao teu irmão: “deixa-me tirar o cisco do teu olho”, se tens uma trave no teu? (cf. Mt 7,3-5). É tão fácil ver os defeitos dos outros! Mas admitir nossos defeitos, nossos próprios erros, é muito difícil! Nós temos sempre uma trave em nosso olho que nos impede de enxergá-los. A vida em família nos permite descobrir esta realidade através das discussões, problemas ou conflitos. É preciso estar engajado numa relação para chegar a esta revelação e a este reconhecimento de nossa fraqueza. É uma passagem obrigatória para nossa libertação. Se nos recusamos a admitir tudo que é, em nós, ferida, erro, pobreza, pecado, infidelidade, jamais poderemos crescer. A cura Se uma família desempenhou seu papel de revelador, ela pode também ser o lugar da cura através de uma experiência absolutamente simples e bela: o perdão. O perdão consiste em aceitar que o outro é outro, com suas feridas e fragilidades, e que ele tem o direito de viver assim como ele é. É também a aceitação de que nós podemos mudar, ser transformados. O perdão é algo extraordinário! É o dom fundamental de Jesus para cada um de nós. É a base de toda relação humana. Não há verdadeiras relações e, portanto, não há verdadeira vida familiar enquanto não se chegou ao ponto do perdão. Para aprender a perdoar é preciso quebrar nosso egoísmo, é preciso derrubar este muro que construímos em volta de nós mesmos para obrigar os outros a estar a nosso serviço. Isso acontecerá por um dom de Deus. Mas também passará por certos conflitos. É a razão pela qual não é preciso ter muito medo dos conflitos em família ou na comunidade. Na verdade, esses conflitos nos revelam mutuamente nossas feridas e ao mesmo tempo podem nos ajudar a procurar mais aquilo que nos une. Não somos absolutamente ridículos ao discutir por um queijo? Não há coisas mais importantes que nos unem? É preciso viver sempre em um mundo de competição? É preciso ter sempre razão? Se nós nos colocamos estas questões por ocasião dos conflitos que encontramos, não iremos descobrir, pouco a pouco, quem somos verdadeiramente e nos acolher tal qual nós somos? Não é fácil amar a si mesmo. Nós nos condenamos ou nos colocamos sobre um pedestal, nos acreditamos ser da elite ou nos mergulhamos nos abismos, na depressão… Entre estes extremos, descobrir e aceitar quem e oque nós somos na realidade é um longo aprendizado. A família pode ser o lugar privilegiado desse aprendizado porque pode ser o lugar onde eu sou amado como sou, onde minhas fraquezas são perdoadas, onde a compaixão e o perdão do outro me ajudam a carregar minhas fragilidades. O sentido da festa Para que o perdão esteja no coração da vida familiar, é preciso que ali haja comunicação, escuta, diálogo. Isto pede uma decisão, uma escolha pessoal e livre para passar ao largo de meus egoísmos, de me colocar à escuta do outro, para crescer em fidelidade. E nem sempre é fácil. Descobri inúmeras famílias onde o diálogo se rompeu, onde não se sabe muito bem do que falar, onde mal se fala de si mesmo, de suas emoções, do que se vive. Há como uma espécie de medo de se colocar à disposição. Estou também chocado por verificar como é difícil para alguns casais cristãos orar juntos. O perdão, o diálogo, a escuta necessitam de tempos de celebração. Parece-me que um dos grandes problemas das famílias hoje é que elas não sabem mais celebrar, regozijar juntos. Segue-se, mais e mais, alguns péssimos hábitos americanos, como o fato de comer depressa. Mas a refeição é algo importante. Algumas vezes, quando vou jantar em alguma família, fico surpreso porque a televisão está ligada durante a refeição. Porque eu estou lá, os anfitriões são muito gentis e baixam o som. Mas, mesmo assim, é complexo: estar ao redor de uma mesa voltados para uma pequena tela em vez de olhar uns para os outros. Mas é assim: estamos em um mundo que menospreza a comunicação e a celebração familiares. Como reencontrar este senso de celebração e ter tempo para estar juntos? Como se rejubilar porque Deus nos uniu, como celebrar através de refeições, de música, de mímica, de dança, de histórias…? Como celebrar nossa unidade? São questões importantes para nosso mundo que passou da celebração para o espetáculo. A maior riqueza A família nos mostra que nossa maior riqueza está no relacionamento. Minha maior riqueza és tu porque

Vocação para a vida em família

Anualmente, na segunda semana do mês de agosto, celebramos a Semana Nacional da Família, oportunidade em que podemos contemplar a família à luz da divina graça do chamado. A realização da semana da família faz parte do esforço permanente da Igreja para que a “família assuma seu ser e sua missão no âmbito da sociedade e da Igreja” (DA 432). Em meio a tantos desafios que atingem a família, a Igreja não se cansa de destacar sua importância singular como igreja doméstica, comunidade privilegiada, primeira escola da fé (CIC 2204). A Igreja crê que “nossas famílias têm sua origem, seu modelo perfeito, sua motivação mais bela e seu último destino na comunhão de amor das três Pessoas divinas” (DA 434). A Conferência de Aparecida dedicou especial atenção à família, e afirma que ela é “um dos tesouros mais importantes dos povos latino-americanos e caribenhos e é patrimônio da humanidade inteira”(DA 432), propondo que “se deva assumir a preocupação por ela como um dos eixos transversais de toda ação evangelizadora da Igreja” (DA 435). Desde suas origens, o núcleo da Igreja era em geral constituído por aqueles que, com toda a sua casa, se tornavam cristãos (CIC 1655). Quando as pessoas se convertiam, desejavam também que toda a sua casa fosse salva. A percepção desse chamado de Deus à família interpelava profundamente a vivência eclesial, porque, congregada no amor da comunidade cristã, a família tornava-se reduto de vida cristã num mundo a ser evangelizado. A família cristã é,  na verdade, a primeira e mais básica comunidade de fé (DA 204). Por isso, ao se referir sobre os lugares da formação para os discípulos missionários, o documento de Aparecida aponta a família como primeira escola da fé. Dela recebemos a vida que é a primeira experiência do amor e da fé. A família, pequena Igreja, deve ser, junto com a Paróquia, o primeiro lugar para a iniciação cristã das crianças (DA 302). Os pais devem respeitar e favorecer a vocação de seus filhos e contribuir decisivamente para que a articulação entre a família e a comunidade se dê de modo a edificar a “família de Deus”. As paróquias, por sua vez, devem se aparelhar a partir da Catequese e da “Pastoral Familiar intensa e vigorosa para proclamar o evangelho da família, promover a cultura da vida e trabalhar para que os direitos das famílias sejam reconhecidos e respeitados” (DA 435). Finalmente, é preciso convencer-se do ensinamento fundamental: a primeira vocação do cristão é a de seguir Jesus Cristo (Mt 16,25). Assim, tornar-se discípulo missionário de Jesus Cristo é aceitar o convite de pertencer à família de Deus, de viver conforme a sua maneira de viver: “Aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos Céus, esse é meu irmão, irmã e mãe” (Mt 12,50). É na Família de Deus que todos somos chamados à vida e à missão! Dom Sergio Krzywy   Formação: Agosto/2008 DVD Primazia de Deus nas famílias Pregação: Emmir Nogueira Tempo de duração: 68 minutos Idioma: Português Livre para todos os públicos Adquira o seu [AQUI]

O casamento se inicia no namoro equilibrado

O que Deus quer do casamento, da família? Quando o Deus Pai quis que a humanidade existisse, Ele estruturou tudo na família, com o casal. O Senhor fez o homem, mas viu que seu coração estava vazio e disse a Adão: “Eu vou te dar uma companheira adequada” (Gn 2, 18c). Quando Ele fez a mulher da mesma natureza do homem, é uma linguagem poética para dizer que a mulher foi feita na mesma dignidade do homem, mas diferente para que os dois se completassem. Quando Deus levou Eva para Adão, este ficou emocionado e disse: “Ela vai se chamar mulher” (id. 2, 23c). O Altíssimo disse a coisa mais importante sobre isso: “Por isso o homem deixa seu pai e sua mãe e se une a sua mulher e serão uma só carne” (id. 2, 24). Isso é o desígnio de Deus, que o homem se case com uma mulher e forme uma só carne, uma só pessoa humana. Pela unidade do amor de Deus, no altar, vocês serão uma só pessoa; isso é mais ou menos aquilo que acontece na Santíssima Trindade, Três Pessoas, mas uma unidade. Se o casamento não for uma unidade, ele não estará de acordo com a vontade de Deus, e o casal não poderá ser feliz. Se o casal não for uma unidade, não estará vivendo conforme a vontade divina; e isso começa no namoro. É no namoro que a família começa, todos nós nos casamos porque namoramos. O namoro é o alicerce, o fundamento, se você fizer desse período apenas uma curtição, você estará fazendo da sua família futura uma brincadeira e você sofrerá mais tarde. Leve o namoro a sério, não brinque com a pessoa do outro.  Namoro não é tempo de conhecer o corpo do outro, mas alma do outro. Não empurre seu namoro com a “barriga”, se você vê que só existe briga, tenha coragem de terminar, o amor é algo que se constrói, não cai do céu pronto. A aliança de namoro você pode tirar do dedo, a aliança do casamento, não. Não deixe a vida sexual sufocar seu namoro, a vida sexual é para os casais casados. São Paulo diz que o corpo da mulher pertence ao marido e o corpo do marido pertence à mulher, porque eles são uma só carne, por isso têm o dever de viver a vida sexual. Viva seu namoro na castidade, na seriedade e vocês estarão se preparando para ser um casal fiel. O namoro é o começo de tudo, é o ponto de partida. Quando chegamos ao casamento o que Deus quer? O casamento é uma decisão que exige maturidade, atrás desse “sim” vêm os filhos, que não pediram para vir ao mundo, mas vieram por amor. O filho tem o direito de viver com seus pais, porque ele precisa disso para sua formação moral, intelectual, psicológica, por isso, o casal precisa ser uma só carne e não levar o casamento na brincadeira com mentiras. Se você começar a mentir dará espaço para o demônio entrar no seu matrimônio; não pode haver falsidade entre o casal. Não pode haver divisão entre o casal, não pode existir a primeira pessoa do singular: “eu”, mas sim, a primeira pessoa do plural: “nós”. Deus quer o casal como café com leite: quando alguém olha vê um só. É possível fazer isso? Sim, com a graça de Deus. Casal que reza junto permanece junto.   Formação: Dezembro/2011

Socorro! Queremos um Filho!

Por favor, socorra-me! Há algo estranho acontecendo comigo e com meu marido: queremos um filho! Sei que não é nada comum alguém querer um filho hoje em dia, por isso estou pedindo socorro. Ocorre que queremos um filho. Queremos dar a vida, dar à luz, pôr no mundo, como você quiser chamar, mas queremos um filho. O mais espantoso é que queremos um filho não para nós mesmos, nem para nossa realização nem para nos sentirmos bem ou curtirmos a experiência de sermos pais. Queremos um filho por ele mesmo! Não é incrível?!? Não o queremos para ter uma experiência gratificante. Queremos um filho como uma pessoa única, por quem ele é, seja ele como for. Não me entendo, devo estar ficando maluca, mas queremos um filho seja ele feio ou bonito, inteligente ou burro, alto ou baixo, verde, azul, marrom, branco, vermelho, amarelo, não importa. Queremos por ele mesmo, não por nós, entende? Isso me deixa preocupada. Sou diferente de todas. Acho que influenciei meu marido. Por favor, ajude-me! A coisa é tão grave, que queremos um filho mesmo que seja anencéfalo, mesmo que seja fruto de um estupro, mesmo que seja Down, mesmo que não ouça, não veja, não ande, não fale… Sim, sei que é grave, mas queremos um filho por ele mesmo!!! Do mais profundo de nós mesmos, sobe um grito: queremos um filho para amá-lo, para nos entregarmos a ele, para servi-lo em sua dependência e fragilidade, em sua vulnerabilidade inicial. Queremos, em Deus, dar a vida para que ele tenha vida, você entende? Sei que é insano, mas queremos seguir seu crescimento, seu desenvolvimento vida afora, queremos gerá-lo para Deus e para a humanidade, ainda que isso nos custe a saúde, a beleza, a vida. Estranho, mas queremos um filho não por nós, mas por ele mesmo, não para nosso prazer, mas para que ele seja quem Deus quer que ele seja e queremos colaborar para isso com todas as nossas forças, em meio a alegrias e dores. Está vendo como é grave? A imagem de Deus segundo a qual fomos criados nos empurra a fazer a oferta de nós mesmos a um filho, me empurra a ser mãe de um filho por ele mesmo. É mais forte do que eu! Ajude-me, o que faço? Não sei explicar direito, mas é como se a fecundidade que Deus pôs em nós fosse mais que biológica, semelhante à dos animais. É como se fosse… deixe-me ver… ahn… uma participação do poder criador de Deus que é Pai e não somente continuador … preservador de espécie, entende? Que horror! Estou tão doente que só de falar em ter filho para preservar a espécie, para continuar a família, me sinto mal! Ajude-me! Sou chamada a ser mãe como Deus é Pai e não como uma gata é mãe! É grave, já lhe disse! Não me negue sua ajuda! Para agravar mais ainda meu caso, queremos um filho de nossas entranhas, gerado em um ato conjugal, um belo presente-surpresa de Deus que não só participa, mas governa nosso matrimônio! É, ainda tem essa: meu marido e eu casamos virgens. Sou casada sempre com o mesmo homem, e casada na Igreja, como se diz.   Por favor, não se espante demais! Tenho medo de que me abandone, de que desista de me ajudar, mas preciso ser verdadeira: minhas entranhas são raham, como dizem os hebreus. São entranhas para dar a vida… Não me olhe assim, por favor. Acho que errei quando mencionei os hebreus, mas é que eles são meus irmãos mais velhos… Perdão se tenho que mencionar João Paulo II, sei que lhe desagrado. Posso continuar? Queremos um filho que não seja programado em um consultório médico. Queremos um filho home made, que não seja manipulado em laboratório. Não queremos escolher a cor de seus olhos, de sua pele, de seus cabelinhos. Não queremos programar ou aprimorar seu DNA, queremo-lo como Deus o quiser, queremos estender as mãos para o céu e recebê-lo como um presente de Deus colocado por meu marido em minhas entranhas. As entranhas raham têm de participar, entende? Perdoe-me. Sei que não estou sendo moderna, nem emancipada, nem dona do meu próprio filho, como se faz hoje em dia. Sei que estou fora da mentalidade e fora da lei. É exatamente por isso que peço ajuda. Estou diferente demais dos outros. Devo estar doente. Não tomo anticoncepcionais, não uso DIU, não aplico compressas hormonais, não fico como histérica preocupada a contar dias para lá e para cá, meu marido não usa preservativos. Sei que é extraordinário, mas queremos um filho que venha como fruto de sabermos que nossa fecundidade humana é apenas parcial e que a verdadeira fecundidade vem de Deus e não queremos inverter isso. Deus vem primeiro com relação ao meu filho. Eu até já digo a Ele que é o nosso filho. Não é de preocupar? Queremos um filho que não nasça da vontade da carne, que controla tudo, que pretende ter nas mãos as rédeas da criação. Queremos um filho que nasça do Espírito e no Espírito seja educado para Deus. Será que estou com aquela doença de quem tem mania de ser Deus? Porque, na verdade, queremos um filho por ele mesmo porque, como disse João Paulo II … ops, desculpe! Mencionei outra vez… Bem, como ele disse, Deus nos quis por nós mesmos, únicos aos seus olhos, dons Dele dados ao mundo pela mediação das leis biológicas e desejo dos nossos pais. Como é mesmo o nome desta enfermidade na qual a pessoa pensa que é Deus ou um santo qualquer? Será que é ela que nos aflige, que nos faz tão diferentes das outras pessoas? Ocorre que queremos entrar na alegria e experimentar o riso de Sara, participando da alegria de Deus ao acolher um filho por ele mesmo, sabendo que todas as criaturas de Deus são boas, como diz Timóteo. Queremos um filho para viver com ele a experiência da fecundidade que transcende a fecundidade biológica.

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