A harmonia conjugal é uma conquista do casal

Homem e mulher, diferentes na sua identidade e singularidade, devem construir a harmonia conjugal e esta é uma conquista que surge a partir da diversidade. Chamado à unidade em meio às diferenças individuais, o casal necessita empenhar-se nesta busca que supõe, muitas vezes, a renúncia de si em vista do bem comum do casal e da família. Não retira a individualidade dos dois, mas enriquece-os mutuamente, complementando-os. A nossa inclinação natural é querer que domine o nosso modo de pensar e o que queremos. Isso é fruto do egoísmo e do egocentrismo, inclinações da nossa humanidade fragilizada pelo pecado original. É o Espírito que, a partir da adesão da vontade humana, constrói a unidade entre o casal, gerando frutos de amor, respeito pelas diferenças, liberdade e espontaneidade, segurança e paz. A seguir, algumas estratégias que podem favorecer a busca da harmonia conjugal. Os dez mandamentos do casal Uma equipe de psicólogos e especialistas americanos, que trabalhava em terapia conjugal, elaborou os Dez Mandamentos do Casal. Felipe Aquino faz uma reflexão sobre eles: 1. Nunca irritar-se ao mesmo tempo: A todo custo evitar a explosão. Quanto mais a situação é complicada, mais a calma é necessária. Então, será preciso que um dos dois acione o mecanismo que assegure a calma de ambos diante da situação conflitante. É preciso nos convencer de que, na explosão, nada será feito de bom. Dom Helder Câmara tem um belo pensamento que diz: “Há criaturas que são como a cana, mesmo postas na moenda, esmagadas de todo, reduzidas a bagaço, só sabem dar doçura…” Seria muito eficaz usar a doçura para enfrentar os desafios da vida a dois. 2. Nunca gritar um com o outro: A não ser que a casa esteja pegando fogo. Quem tem bons argumentos não precisa gritar. Gritar, muitas vezes, é próprio daquele que na sua insegurança, precisa impor pelos gritos aquilo que não consegue pelos argumentos e pela razão. 3. Se alguém deve ganhar na discussão, deixar que seja o outro: Perder uma discussão pode ser um ato de inteligência e de amor. Dialogar jamais será discutir, pela simples razão de que a discussão pressupõe um vencedor e um derrotado, e no diálogo não. Portanto, se por descuido nosso, o diálogo se transformar em discussão, permita que o outro “vença” para que mais rapidamente ele termine. Discussão no casamento é sinônimo de “guerra”; uma luta inglória. Que vantagem há em se ganhar uma disputa contra aquele que é a nossa própria carne? É preciso que o casal tenha a determinação de não provocar brigas; não podemos nos esquecer que basta uma pequena nuvem para esconder o sol. Às vezes, uma pequena discussão esconde, por muitos dias, o sol da alegria no lar. 4. Se for inevitável chamar a atenção, fazê-lo com amor: A outra parte tem que entender que a crítica tem o objetivo de somar e não de dividir. Só tem sentido a crítica que for construtiva; e essa é amorosa, sem acusações e condenações. Antes de apontarmos um defeito, é sempre aconselhável apresentar duas qualidades do outro. Isso funciona como um anestésico para que se possa fazer o curativo sem dor. E reze pelo outro antes de abordá-lo em um problema difícil. Peça ao Senhor e a Nossa Senhora que preparem o coração dele para receber bem o que você precisa dizer-lhe. Deus é o primeiro interessado na harmonia do casal. 5. Nunca jogar no rosto do outro os erros do passado: A pessoa é sempre maior que seus erros, e ninguém gosta de ser caracterizado por seus defeitos. Toda vez que acusamos a pessoa por seus erros passados, estamos trazendo-os de volta e dificultando que ela se livre deles. Certamente não é isso que queremos para a pessoa amada Papa Paulo VI, diante da guerra fria e da ameaça de guerra nuclear,avisou o mundo: “A paz impõe-se somente com a paz, pela clemência, pela misericórdia, pela caridade”. Ora, se isto é válido para o mundo encontrara paz, muito mais é válido para todos os casais viverem bem. Portanto, como ensina Thomás de Kemphis, na Imitação de Cristo, “Primeiro conserva-te em paz, depois poderás pacificar os outros”. 6. A displicência com qualquer pessoa é tolerável, menos com o cônjuge: Na vida a dois, tudo pode e deve ser importante, pois a felicidade nasce das pequenas coisas. A falta de atenção para com o cônjuge é triste na vida do casal e demonstra desprezo para com o outro. Seja atento ao que ele diz, aos seus problemas e aspirações. 7. Nunca ir dormir sem ter chegado a um acordo: Se isso não acontecer, no dia seguinte, o problema poderá ser bem maior. Não se pode deixar acumular problema sobre problema sem solução. Os problemas da vida conjugal são normais e exigem de nós atenção e coragem para enfrentá-los, até que sejam solucionados, com o nosso trabalho e com a graça de Deus. A atitude da avestruz, da fuga, é a pior que existe. Com paz e perseverança busquemos a solução. 8. Pelo menos, uma vez ao dia, dizer ao outro uma palavra carinhosa: Muitos têm reservas enormes de ternura, mas esquecem de expressá-las em voz alta. Não basta amar o outro, é preciso demonstrar esse sentimento também com palavras e especialmente com gestos. Para as mulheres, isso tem um efeito quase mágico. É um tônico que muda completamente o seu estado de ânimo, humor e bem-estar. Muitos homens têm dificuldade neste ponto; alguns por problemas de educação, mas a maioria porque ainda não se deu conta da sua importância. 9. Cometendo um erro, saber admiti-lo e pedir desculpas: Admitir um erro não é humilhação. A pessoa que admite o seu erro é madura e demonstra ser honesta consigo mesma e com o outro. Quando erramos, não temos duas alternativas honestas, apenas uma: reconhecer o erro, pedir perdão e procurar remediar o que fizemos de errado, com o propósito de não repeti-lo. Isso é ser humilde. Agindo assim, mesmo os nossos erros e quedas serão alavancas para o nosso amadurecimento

Família: Comunhão de Amor

A vigorosa força da instituição familiar nos é revelada pelas Sagradas Escrituras já no seu início: “não é bom que o homem esteja só. Vou fazer-lhe uma auxiliar que lhe corresponda… e se tornarão uma só carne.” Tomando por base a cronologia dos textos, sabemos que a narração sacerdotal de Gn 1,28 veio depois de Gn 2,18-25; por isso, sendo teologicamente melhor elaborada, após a criação do homem e da mulher, vai dizer: “sede fecundos e multiplicai-vos.” Não é difícil notar que Deus criou o homem para que ele vivesse em família, pois esta é a instituição primordial, querida por Deus, que permitirá ao homem a realização do seu ser imagem e semelhança de Deus, ou seja, a realização do seu ser amor e comunhão. A família é assim, a primeira escola, instituída pelo próprio Deus para ensinar-nos a ser comunhão de amor, isto é, sua imagem e semelhança. A partir daqui, podemos fazer o seguinte raciocínio: se Deus criou o ser humano homem e mulher, o ser humano só será pleno quando aberto à relação com o diferente, pois o ser humano masculino, sozinho, não expressa todo o mistério no qual foi criado, ou seja, mistério de ser imagem e semelhança de Deus. Da mesma forma, o ser humano feminino, sozinho, também não consegue expressar toda a beleza do ser imagem e semelhança do Criador. Será somente através da relação com o diferente que o ser humano conseguirá manifestar ao mundo a riqueza do ser imagem e semelhança de Deus. No entanto, sendo o nosso Deus amor em si mesmo, e sendo o amor sempre uma realidade criativa e aberta, não simplesmente criou o ser humano homem e mulher, mas lhes deu a faculdade de procriar, de multiplicar-se através do amor. O homem só não seria suficiente para manifestar o amor de Deus. Nem mesmo o hoemem  a mulher ordenados um para o outro numa doação recíproca seriam suficientes para manifestar a grandeza deste Deus. Mas somente o homem e a mulher, numa doação recíproca e aberta à geração de novas vidas são capazes de transmitir o mistério de comunhão de amor do nosso Deus, mistério do qual fomos criados imagem e semelhança. E Deus disse: “não é bom que o homem esteja só, vou fazer-lhe uma auxiliar que lhe corresponda.” Deus também disse:“façamos o ser humano a nossa imagem e semelhança.” E Deus criou o ser humano: “homem e mulher”. E Deus ainda disse: “sede fecundos e multiplicai-vos.” Elencamos dessa forma essas belíssimas frases do livro do Gênesis porque nelas podemos contemplar com clareza que a partir da união legítima entre um homem e uma mulher, o Matrimônio está ordenado para o bem dos cônjuges –“não é bom que o homem esteja só” – e para a geração educação da prole –“crescei-vos e multiplicai-vos.” Esta última frase não está indicando somente a procriação, mas a procriação e a educação. Pois visto que o homem e a mulher são imagem e semelhança de Deus, a paternidade e a maternidade, têm, por vocação, a missão de ser reflexo do amor de Deus. Amor este que não somente cria o ser humano, mas o cria e o ampara em todas as suas necessidades. Eis, então, o que é a família em si mesma: comunhão de amor! Eis a primeira missão da família no mundo: manifestar o mistério de um Deus que é comunhão de amor! Alguns filósofos cristãos relacionam o amor à vontade, pois enquanto pela razã o ohomem pode chegar a um conhecimento parcial da verdade, pela vontade (capacidade humana de se autodeterminar) o homem pode ordenar-se para o amor. Podemos então afirmar que a família é o primeiro espaço que temos para dizer: eu quero amar! Eu me ordeno para o amor! Eu quero, com o auxílio da graça, realizar a minha vocação de ser imagem e semelhança de Deus! Pois a família foi instituída para que, através dela, fôssemos amados e aprendêssemos a amar, a renunciar, a nos doar. É a família a primeira comunidade na qual a pessoa experimenta da bondade do amor gratuito que cura, liberta, eleva e redime. Ao mesmo tempo, é nesta mesma comunidade familiar que a pessoa comunica a gratuidade do amor ao seu semelhante. A família é a comunidade na qual desde a infância se aprendem os valores morais, a honra devida a Deus, a fazer bom uso da liberdade, enfim, a família é uma iniciação à vida na sociedade. No rastro da reciprocidade, a sociedade recebe da família o testemunho, o modelo e o estímulo para delinear e viver as suas relações no respeito e na promoção do outro como pessoa, isto é, como alguém por quem ressoa algo de divino. Com a família, a sociedade aprende que o outro é meu próximo. Que o outro não é simplesmente um indivíduo da coletividade, mas é alguém que merece atenção e respeito. Pois é dentro de uma família que se aprende o cuidado pelos mais novos, o respeito pelos idosos, a atenção para com os doentes e deficientes físicos e a assistência aos pobres. Consequentemente, para crescer rumo à perfeição na caridade, para chegar à plenitude de vida, para exercitar o sair de si, a renúncia e o zelo pelo outro, e assim, para se realizar como pessoa, a família numerosa será de grande auxílio para todos os seus membros e para toda a sociedade. Pois uma sociedade formada a partir de famílias que não educam para o amor correrá sérios riscos de ser uma sociedade deformada. Hoje em dia se fala muito em ter um filho só, ou no máximo dois, em vista de cuidá-los melhor. Isso não é verdade! O filho único tenderá com muita facilidade ao egoísmo, à centralização em si mesmo, a superficialidade nas relações, e, em consequência de tudo isso, a não realização do seu ser pessoal ordenado para o amor. A família pequena demais ao invés de promover o bem dos seus membros poderá ser o seu grande mal. Pois a vida sem relação, sem êxtase,

Pornografia: uma ameaça à vida em família

Numa sociedade de consumo, a ênfase ao prazer é o foco preferido, pois ele, em suas diversas formas, provoca o consumo por parte de todos os públicos. A cultura do sensualismo na arte visual, se expressa largamente através da mídia, gerando uma mentalidade de supervalorização da estética feminina e masculina (em menor escala), ofuscando a perspectiva dos valores e das virtudes, que no convívio humano, é o alicerce que realmente sustenta as relações. A mulher se sente seduzida pelo que escuta e o homem, pelo que vê. O homem no seu instinto sexual é atraído instantaneamente pelo que lhe chega através do olhar primeiramente… a publicidade sabe disso. Por isso, usa a mulher de forma abusiva nas diversas propagandas, mesmo naquelas em que o conteúdo não se refere diretamente ao corpo feminino. .: Leia o texto completo e outros artigos no livro “Família: Relacionamento conjugal e educação dos filhos”. Clique aqui Nesse contexto, a mulher, por ser alvo do prazer instintivo do homem, torna-se objeto quando é exposta em seu corpo, como mercadoria a ser consumida independentemente de qualquer vínculo afetivo. A moda, de certa forma, tem estado a serviço dessa mercantilização do sensualismo, que é também uma porta de entrada a comportamentos hedonistas que, alienados de uma reflexão crítica mais profunda, podem desembocar na busca do prazer pelo prazer à revelia de quaisquer valores morais. No entanto, a feminilidade e a masculinidade podem ser ressaltadas não só nos modos de vestir, mas especialmente nas diversas formas de expressão da beleza que é sempre reflexo do interior do ser humano feito à imagem e semelhança do Criador. Esta beleza interior é que precisa ser resgatada para que as relações entre as pessoas possam ser ordenadas em vista do amor autêntico, aquele que verdadeiramente satisfaz o coração do homem. Neste caminho da busca do prazer pelo prazer à revelia dos valores, é que muitas pessoas enveredam pela prática da pornografia. Vamos refletir sobre o assunto, abordando algumas questões relevantes para a família. O vício da pornografia Em novembro de 2004 um grupo de especialistas fez um pronunciamento em uma comissão do Senado dos Estados Unidos afirmando que um produto que milhões de americanos consomem, é perigosamente viciante. Estavam falando da pornografia. Os efeitos da pornografia no cérebro foram chamados de “tóxico” e comparáveis aos da cocaína. A internet veio facilitar o acesso à pornografia. Já hoje em dia há por volta de 420 milhões de sites na internet com conteúdo adulto pornográfico. “Para a pessoa que tem dificuldade de parar, o próximo material pornográfico está a apenas um clique de distância”, diz a terapeuta Louanne Cole Weston, PhD. Uma das características principais do vício é o desenvolvimento do mecanismo da tolerância. Do mesmo modo que usuários de droga precisam de doses cada vez maiores para atingir os mesmos níveis de satisfação, assim também com os viciados em pornografia. A exposição prolongada à pornografia vai estimular relações sexuais promíscuas e transtornos sexuais, uma vez que as pessoas viciadas em pornografia requerem níveis mais explícitos e anômalos de material sexual, conforme avança o tempo. Assim, com o tempo, há uma necessidade crescente de mais estímulo para alcançar o mesmo efeito inicial. Daí, o usuário é movido a buscar material pornográfico mais ‘excêntrico’ e perverso. Portanto, com a autocentralização, a pornografia – como a droga, vai provocar comportamentos antissociais que crescem à medida que este processo prossegue. Eis um depoimento forte de um adulto jovem, casado, que vivenciou durante um tempo de sua vida o contato frequente com a pornografia: “Eu tinha muitas revistas de mulheres em trajes de banho, na época que era do colégio, e eu tinha todas as razões para achar que não havia nada demais naquilo. Na verdade, nenhuma daquelas razões realmente me convencia, mas por que eu devia me preocupar? Eu gostava de ver as mulheres. Antes que eu pudesse me dar conta e parar com isso, o modo com que via todas as mulheres havia se tornado deturpado. Meu padrão de beleza física ideal se tornou um padrão de perfeição impossível. Do mesmo modo que os olhos passam de página em página na revista com luxúria, começam a olhar atentamente nos shoppings, de uma mulher para outra. Desde cedo nos acostumamos a pensar que uma erotização desordenada é muito natural para um rapaz adolescente. Então, vemos as garotas na escola ou mesmo na igreja, e sem perceber, fazemos delas objetos. Passamos a medir o valor de uma mulher pela quantidade de excitação que causa em nós. Ficamos cada vez mais superficiais. Nesse meio tempo, enganamos nossa consciência afirmando para nós mesmos, que aquilo não vai nos afetar muito. As imagens da pornografia ficam impregnadas em nossas mentes, e eu sei o quanto demora tirá-las de lá. Mas não são apenas as imagens que ficam. Os olhos maliciosos também. Eles não se desligam e não permanecem em uma só garota quando você entra em um relacionamento. Você já os tinha treinado para olhar tudo que pudesse lhe excitar. Eles se tornaram ávidos por prazer sexual. Agora que estou casado, ainda sinto os efeitos da pornografia e das revistas de mulheres de biquíni que vi há dez anos. Isso me treinou para ter olhos infiéis: no sentido de olhar para toda mulher atraente que passa por perto. Não estou falando de desejar todas as mulheres, mas de ter uma tendência de querer olhar para todas as mulheres bonitas. Mas meus olhos, assim como meu coração e meu corpo, pertencem somente a C. (minha esposa). Se eu sei que há uma mulher atraente passando por mim no shopping, eu devo olhar para outro lugar, ao invés de querer dar uma olhadela. Não é pecado simplesmente ver uma mulher bonita, mas precisamos nos treinar novamente para a monogamia (um só cônjuge), porque a pornografia nos treinou para a poligamia mental. Quando adolescentes, muitos de nós nos sentimos inadequados, sozinhos e com medo. Logo cedo começamos a nos sentir desconectados – dos parentes, dos colegas, de nós mesmos. Buscamos nos gratificar com

Vida Conjugal: Caminho de unidade e comunhão

Vamos refletir sobre a vida conjugal como fonte de felicidade para a família. O casal que experimenta o amor de Deus começa um caminho único de busca de união com Ele pela sua Palavra, pela oração e pela vivência cotidiana do amor, cerne de toda a Lei que Jesus veio aperfeiçoar. Não se tem dúvida de que a vida a dois comporta grandes desafios! Mas também grandes lutas e conquistas se permearmos nossa relação na proposta do Evangelho. O casal deve construir juntos um relacionamento de grande amizade. Todos nós certamente já experimentamos o que seja uma grande amizade. Relembremos um pouco: – o amigo aceita o outro como é; – o amigo é confiável e confia; – o amigo ajuda e cuida; – o amigo perdoa; – o amigo é sincero; – o amigo respeita; – o amigo pede perdão quando “pisa na bola” e emenda-se para que a amizade se renove e solidifique mais; – o amigo compreende e compartilha a dor do outro; – o amigo procura não sufocar o outro; – o amigo compartilha seus dons; – o amigo está presente nas alegrias e também nas dores. Bem, se a amizade autêntica funciona assim, quanto mais deve ser a relação do casal, que pelo Sacramento do matrimônio se tornam uma só carne! Tornar-se uma só carne é aprender a colocar-se no lugar do outro; olhar as situações também a partir da perspectiva do outro. É desenvolver a empatia. Ninguém maltrata a sua própria carne, como nos orienta a Palavra. É cuidar do outro como deve cuidar de si. O prazer é um dom de Deus e é oferecido a nós por Ele de diversas formas: a arte, em suas diversas expressões – a música, a pintura, a escultura, a dança, entre outras –; a natureza, com suas inúmeras paisagens que extasiam o nosso olhar; o carinho e afeto gratuitos e desinteressados; uma saborosa comida; o prazer sexual; uma boa noite de sono, enfim, são tantos! E se forem vividos adequadamente são fonte de alegria e fraternidade. Quando falamos do prazer sexual, sabemos que é um dom de Deus para o casal que se ama e se une no Sacramento do matrimônio. Esse dom é fonte de unidade, comunhão e alegria, quando vivido na plenitude do dom de si ao outro. Dom de si que cresce antes e para além do ato conjugal, o qual se torna o coroamento desta mútua entrega cotidiana. O ato conjugal que é usado como instrumento para manipulações – chantagens, punições, etc. – e outras atitudes centralizadoras, como a busca individualista do próprio prazer, tem como fruto frustração, vazio, fechamento, divisão, ciúmes, julgamentos, etc. Desse contexto surgem os mecanismos de compensação prazerosa que o casal começa a buscar – ativismo, gulodices, e outros apetites. Ao contrário, quando o ato conjugal é construído a partir de um cotidiano permeado de gestos de amor mútuo, tais como: diálogo, respeito, divisão de tarefas em casa, cuidado, atenção, afeto, enfim, presença como dom de si, colhe-se frutos de alegria autêntica, os fardos se tornam leves, os filhos são seguros e felizes. É a confirmação prática das palavras de Jesus: “Vinde a mim vós que estais cansados sob o peso de vossos fardos e Eu vos aliviarei… Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas” (Mt 11,28-29). O repouso da busca desenfreada do prazer; da luta desenfreada de prevalecer; da luta desenfreada do individualismo, da dominação, da manipulação e da posse; do desgaste das discussões, brigas, ressentimentos; do ativismo profissional; enfim, do egocentrismo, do orgulho e do egoísmo. O mais interessante é que este repouso não é conquistado sem lutas, sem desafios. Porém, os resultados são infinitamente maiores do que o esforço, já que este pode contar com a potente graça de Deus. Mas o que de valor se conquista sem lutar? Até mesmo as coisas lícitas e retas no mundo se alcançam com persistência, esforço e dedicação. Vejamos: – os atletas das Olimpíadas, os corredores profissionais que se exercitam o ano todo para a Corrida de São Silvestre; – os bons profissionais estão sempre estudando para aperfeiçoar sua prática e obter melhores resultados. Realmente, as conquistas que obtemos com empenho e esforço pessoal, têm maior valor para nós. Talvez, por isso, o Senhor, que nos salvou, quer nos dar o céu com a nossa participação, para que nos sintamos colaboradores com Ele. Entrave na vivência da comunhão conjugal Considero um dos maiores entraves na vida conjugal o rancor ou ressentimento, que gosto de chamar “ranço”. É aquele gosto meio amargo numa comida que já começa a se estragar… Ou seja, dizemos para nós mesmos que já perdoamos, mas relembramos, sentindo de novo a raiva, a ira, o desgosto… É como se esta pequena parte de comida estragada fosse colocada como tempero naquela refeição fresquinha que estamos degustando… Então não aproveitamos plenamente dela, porque, ao final, fica o ranço! O que fazer? Lembro-me daquela passagem do Evangelho em que Jesus ordena ao homem da mão seca que a estenda diante dele para que seja curada (Mt 12,9-13). Da mesma forma é preciso expor ao nosso Bom Pastor esta parte ferida para que seja verdadeiramente curada. Expor para Jesus o fato, expor os sentimentos, pedir ajuda, abrir-se à graça de Deus, escutá-lo no silêncio do coração e na sua Palavra e examinar a consciência, lembrando sempre que em qualquer relação humana existem os dois lados e nenhum deles é totalmente inocente. Fazer uma boa confissão, perdoar, e deixar o Senhor restaurar a imagem do outro dentro de você, com os seus dons e qualidades, relembrando os gestos bons, etc. E, então, mãos à obra de novo, no empenho ascético – no esforço – de quebrar o gelo, dialogar sem mágoas, nem acusações, expor suas necessidades e amar em gestos. Discussões, às vezes, são inevitáveis quando agimos movidos pela ira, pelos impulsos, sem pesar nem mediar as palavras. Quando isto acontecer, é

Deus no centro da família

Queremos nesse artigo meditar um pouco sobre a importância da “presença divina” no seio das famílias, por isto é importante nos recordarmos da belíssima passagem das Bodas de Caná, que encontramos no Evangelho de São João, capítulo dois. Deus, através de Jesus, quis se fazer presente naquelas Bodas que marcava o início de uma família e a sua presença e a de sua mãe marcou para sempre a vida daquele casal. Através desse trecho da Palavra de Deus, podemos concluir que a presença de Jesus na vida das famílias proporciona uma diferença substancial; Jesus é a luz do mundo e veio ao mundo para iluminar a vida dos homens. Precisamos crer que da mesma forma que o Senhor esteve naquele lar e o abençoou com a sua providência, realizando o seu primeiro milagre, Ele também deseja hoje fazer o mesmo no seio de cada família, transformando a vida dos casais, renovando e fortalecendo o seu amor, providenciando suas necessidades materiais e espirituais. Deus está atento a cada necessidade, a cada detalhe. Quantas bênçãos Ele tem reservado para as famílias… A vida familiar cristã encerra aspectos muito importantes como a qualidade das relações interpessoais entre os cônjuges, entre pais e filhos e entre irmãos, a promoção da dignidade da mulher, a procriação responsável, a educação dos filhos, a administração dos bens à luz de Deus e o testemunho para as outras famílias, através do seu vínculo de amor, da “imagem e símbolo da Aliança que une Deus e o seu povo”(1), além disso, a ajuda recíproca entre as famílias não só no aspecto espiritual, mas também no aspecto material, reconhecendo o seu papel na construção de uma sociedade mais justa. Ao nos conscientizar desses aspectos podemos compará-los à situação que se encontra a família no mundo de hoje: “sinais de degradação preocupante de alguns valores fundamentais: uma errada concepção teórica e prática da independência dos cônjuges entre si; as graves ambiguidades acerca da relação de autoridade entre pais e filhos; as dificuldades concretas, que a família muitas vezes experimenta na transmissão dos valores fundamentais; o número crescente dos divórcios e a busca de uma nova união por parte dos mesmos; a praga do aborto; o recurso cada vez mais freqüente à esterilização; a instauração de uma verdadeira e própria mentalidade contraceptiva”(2); a falta de diálogo entre pais e filhos; a mentalidade consumista que leva ao bem-estar excessivo; o aparecimento de um sentimento de angústia e incerteza sobre o futuro, roubando assim a prática da generosidade e a coragem de estar sempre abertos a concepção de novas vidas humanas. Qual a razão dessas sombras Todas essas reflexões nos levam a indagar: Qual a razão dessas sombras que atingem as famílias cristãs no mundo de hoje levando-as a seguir propostas sedutoras que comprometem em medida diversa a verdade e a dignidade da pessoa humana ? Não é difícil responder a esta pergunta. A razão de todas essas sombras consiste na falta de relacionamento de amor com Jesus, no não desfrutar da presença do Cristo em suas vidas, como foi descrito no evangelho de São João, precisamente nas Bodas de Caná. As famílias que vivem com Jesus recebem o vinho novo e bom do Espírito que transforma o homem velho em criatura nova, capaz de viver a vontade de Deus e o desafio que exige sua missão no mundo de hoje, amar incondicionalmente como Deus o amou. Gostaria novamente de alertar que ao esquecerem e ao se afastarem de Jesus, muitas famílias se colocam numa situação de “perigo mortal”, mas Deus que vê os inúmeros atentados contra as famílias cristãs, coloca ao nosso dispor muitos meios de crescermos no relacionamento íntimo com Jesus, Ele que é o alicerce e o gerador de todo o amor e unidade que dão “vida” à família cristã. Um “cantinho sagrado” Deus tem suscitado no meio dos lares cristãos, um “cantinho” sagrado, um pequeno altar, com um crucifixo, uma vela, uma imagem ou ícone de Nossa Senhora e a Palavra de Deus. Este cantinho especial nos recordará a primazia de Deus nas nossas vidas e será um constante apelo para que os membros da família orem juntos. Será um verdadeiro refúgio e uma fonte de renovação, onde a família recolhida aos pés de Jesus Cristo superará as crises, vencerá as tentações, realizará os discernimentos, celebrará as vitórias e beberá a paz e o amor que jorram da presença do Deus vivo. Não há tempo a perder, devemos permear toda nossa vida com a “vida de Deus”, o hábito de ler uma passagem bíblica da liturgia diária nas refeições faz daquele momento uma ação de graças e partilha de vida. A oração do terço e do Ofício de Nossa Senhora em família, nos coloca sobre a benção e o auxílio da Mãe de Deus. Pelo testemunho, estímulo e alegria dos pais, a busca permanente aos sacramentos, principalmente a Reconciliação e Eucaristia, deve ser uma constante na vida familiar; se possível a prática da missa diária, se não, a fidelidade à missa dominical. O Senhor nos dá muitos outros grandes tesouros que não podem ser negligenciados ou menosprezados como a prática do jejum e da penitência; a realização de obras de misericórdia; a participação em peregrinações a Santuários de Nossa Senhora; enfim a família cristã do mundo de hoje necessita da presença de Jesus, de Maria e dos amigos do céu, da mesma forma que desfrutaram as pessoas que estavam presentes nas Bodas de Caná. Estas realidades não devem ser vistas como obrigações ou deveres mas sim como grandes direitos que nos foram conquistados e nos introduzem na dignidade e beleza de sermos autênticas e abençoadas famílias cristãs. Faça esta experiência e beba as maravilhas que Deus providenciará em sua família. 1- A exortação apostólica de João Paulo II: Familiares Consorti – A missão da família cristã no mundo de hoje; 2- Idem.   Por: Germana Perdigão Formação: Setembro/2013

No meu matrimônio eu me entregaria totalmente para o meu Amado, junto com a minha amada

Olá, me chamo Pierre Marques e, impulsionado pelo testemunho de outros tantos, me pus a escrever um pouco sobre a historia da minha vida. Criado em família espírita, meu pai era presidente de um centro que ficava na minha casa. Tínhamos uma relação muito boa e quando eu tinha 12 anos ele faleceu. Sofri muito com essa situação e encontrei nos “amigos” e no mundo meu refúgio. Com 13 anos já tinha uma vida de baladas, sair sozinho e chegar de manhã em casa bêbado, ficar com uma e outra. Achava que tinha a maior felicidade do mundo, era popular, podia sair e tinha muitos amigos. No dia 24 de junho de 2003, dia de São João Batista, padroeiro de nossa Paróquia da Posse em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, minha vida começaria a tomar um rumo totalmente diferente no qual nunca mais olharia para trás. Estávamos os meninos da escola rodando em volta da Igreja Matriz, como era de costume na festa do padroeiro, para tentar ficar com alguma garota. Tinha um amigo que queria muito ficar com certa menina, e toda vez que passava por ela se sentia frustrado por não conseguir puxar assunto. Então tivemos uma ideia, eu disse para ele: – Vai até aquele grupinho de meninas, pede para falar com uma delas e fala que eu quero ficar com ela, assim você vai ter um assunto para chegar lá. Ele me respondeu: – Qual delas? Eu disse prontamente, sem saber que aquela frase mudaria a minha vida pra sempre: – Qualquer uma, a que você escolher! – Sem saber que Deus já a tinha escolhido em seu coração. Então esse meu amigo foi até lá e escolheu a Mayara. Na mesma hora ela disse não, sabendo da minha fama, não quis conversa. Ele veio me falar que o plano tinha dado errado e aquilo feriu o meu ego, afinal tinha tomado um “toco” de uma garota que nem sabia quem era. No outro dia na escola, para minha surpresa, ela estudava em frente à minha sala e mesmo assim nunca tínhamos trocado um olhar sequer. Tanto eu quanto ela não nos lembramos um do outro até aquele dia (24/06/2003). Na hora do recreio fui ate duas amigas que tinha na sala dela e pedi para convencerem ela de me encontrar na hora da saída. Depois de muita conversa a convenceram. Pensei comigo:” Pronto, a gente troca umas duas palavras e a beijo”. Mero engano meu. Ela de tão envergonhada só respondia sim, não e talvez. Logo vi que não daria muita conversa e pedi para ficar com ela, e ai veio minha surpresa, a resposta dela: – Claro que não, eu nem te conheço direito. Levantou e foi embora. Pensei comigo: “Essa menina é louca, é assim que a gente faz”. Mas ela era diferente e isso já tinha me chamado a atenção. E assim continuamos conversando, sempre no final da aula. As conversas já foram fluindo melhor e a gente via que se dava muito bem. O fruto daquelas conversas era quando algum amigo me chamava pra alguma festa e eu pensava: “O que será que a Mayara vai pensar se eu for?”. Confesso que nas primeiras vezes até cedia ao chamado, mas a cada dia as festas foram se tornando menos constantes na minha vida e naquele período vi que não tinha ficado com mais nenhuma garota. Como o único lugar que conseguia vê-la fora do colégio era a igreja, passei a ir à missa para ver se conseguia impressioná-la. E veio fevereiro de 2004, Retiro de Carnaval do grupo de adolescentes da paróquia. Logo pensei: “Imagina cinco dias com ela? É agora que eu consigo!”. Mal sabia eu que aquilo era uma desculpa, uma maneira que Deus usava para mudar a minha história. Fui para o retiro e ali Deus me transformou por completo. Logo que sai comecei a trabalhar neste mesmo grupo, ser muito atuante na paróquia. Começamos a namorar, éramos coordenadores do grupo depois de um tempo, tínhamos uma vida “perfeita” até que começaram as minhas crises vocacionais. Sentia-me atraído pelo altar, o zelo pela casa de Deus me chamava atenção, queria me doar mais e mais para o Senhor. Fazia os encontros vocacionais no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino, da diocese de Petrópolis. Até que no dia 21 de setembro de 2006, junto com o meu Diretor Espiritual, cheguei a conclusão que deveria terminar aquilo que me fazia muito bem, aquela que tinha sido usada para mudar a minha vida. Tão contraditório aos olhos do mundo, ter começado a participar da igreja através dela e agora terminar com ela por Deus. E ai me vem a cabeça a frase de um amigo que na época era seminarista, hoje já padre, logo assim que soube da notícia: – Pierre… – disse-me ele chorando – o mais importante você já fez, não importa o final, mas você esta livre para fazer a vontade de Deus, seja ela onde for! No dia 21 de setembro de 2006, sentado nas escadas da Igreja Matriz, naquele mesmo pátio que nos conhecemos, eu terminei com ela, uma quinta-feira. As vésperas de minha mudança para o seminário em oração e discernimento junto com meu diretor, em um misto de querer fazer a vontade de Deus e muito medo, decidi que não seria ali a minha entrega total a Deus. Ainda sem saber se era o certo, liguei para o meu diretor e chorando (aqueles dias era o que mais sabia fazer), disse: “Padre não vou mais para o seminário!”. Ele com a voz muito terna, respondeu: “Fique calmo meu filho, eu sempre soube disso, só na sabia que seria tão próximo da mudança. Arrume uma mochila e venha aqui pra casa!” Brigava com Deus, em minhas orações gritava com o Senhor no sacrário querendo entender o porquê daquilo. E jovens, briguem com Deus como se briga com um amigo! Só quem tem intimidade, tem a coragem de dizer a verdade, de

A Sagrada Família de Nazaré

Vivemos numa sociedade pós-moderna, marcada por uma estrutura interna pluralista. Onde as coisas mudam com a agilidade da internet mais veloz disponível no mercado. Onde as relações vão se diversificando com mesma rapidez com que são criadas novas redes sociais. Um aspecto relevante que marca essas novas formas de relações é a artificialidade. Concomitantemente a isso paira nas mentes mais frágeis a fumaça do relativismo e ao mesmo tempo a ideia de que os valores tradicionais são por assim dizer um empecilho ao triunfo da sociedade que ai está. Tudo isso faz parte de um programa de engenharia social bem articulado e bem financiado que visa entre outras coisas a destruição das instituições que tradicionalmente se encarregaram de transmitir esses valores, entre essas instituições, temos aquela que é o núcleo primordial sem o qual nenhum organismo humano seria possível, a família tradicional. “Existem vários tipos de família… As famílias não precisam ser como as famílias tradicionais… Pai, mãe e filhos, precisamos ser versáteis…”. Essas ideias são há anos e diariamente marteladas na nossa cabeça, através do cinema, novelas, músicas e programas televisivos, seu objetivo é doutrinar toda uma geração para a mentira de que família não é sinônimo de pai, mãe e filhos. Por vezes identificamos em determinados discursos, verdadeiro ódio para com o modelo de família tradicional. Esses ideólogos querem substituir o doce nome de Pai e mãe por simplesmente cuidador, delegando a uma espécie de sujeito indeterminado, sem identidade clara a educação dos seus dependentes. As exceções existem sem dúvida, nada porem pode substituir o modelo de família pensado por Deus e reproduzindo pela ordem natural das coisas. É fato, existem casais legítimos que por razoes patológicas, não podem gerar filhos biológicos, no entanto, isso não muda a verdade de que essencialmente a principal característica de uma família é a capacidade de gerar, filhos. O que chama atenção nesses novos modelos de família proposto pela ideologia em questão é a esterilidade essencial, não gera vida. Essas novas famílias se constroem sobre bases acidentais e artificiais. Ora, aquilo que é acidental é um erro de percurso não pode receber o status de modelo padrão. E aquilo que é artificial falta a integridade própria que só tem o que é natural. Celebrar a Sagrada Família de Nazaré, é evidenciar o plano de Deus que quis valer-se da família humana no seu projeto criador. Assim diz a Palavra de Deus: Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne. (Gênesis 2 :24). Depois da família de Nazaré, todas as famílias se tornaram sagradas, pois é o espaço da vida e do amor. Jesus precisou de uma família, que o acolhesse na condição humana, fraca e frágil. Precisou ser acolhido pelo amor de um coração materno e amparado pela presença solícita de um pai. Não importa quanto barulho possa fazer as ideologias e os projetos internacionais em vista da extinção da família. Os tempos podem mudar, mas o valor da família sempre será atual. “Deus honra o Pai nos filhos e confirma, sobre eles, a autoridade da mãe. Quem honra o seu pai, alcança o perdão dos pecados; evita cometê-los e será ouvido na oração cotidiana. Quem respeita a sua mãe é como alguém que ajunta tesouros. Quem honra o seu pai, terá alegria com seus próprios filhos; e, no dia em que orar, será atendido. Quem respeita o seu pai, terá vida longa, e quem obedece ao pai é o consolo da sua mãe. Meu filho, ampara o teu pai na velhice e não lhe causes desgosto enquanto ele vive. Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez, procura ser compreensivo para com ele; não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida: a caridade feita ao teu pai não será esquecida, mas servirá para reparar os teus pecados e, na justiça, será para tua edificação.” (Eclo 3, 3-7. 14-17a) Nesse tempo de Natal deixemos nos iluminar pelo esplendor da Família de Nazaré, e assim redescubramos a alegria de ser Pai, mãe e Filhos. Jesus Maria e Jose, nossa Família vossa é. Rodrigo Santos Assessoria Litúrgico-Sacramental A Comunidade Shalom tem experimentado, ao longo dos anos, a fecundidade do matrimônio e da oração familiar em seu seio. Nessa perspectiva, com grande júbilo, oferece a todas as famílias que desejam iniciar ou aprofundar a vida de oração comum o “Beraká, oração familiar”, um manual de oração que contribuirá para o crescimento espiritual e humano de todos os membros da família. Além de escrito numa linguagem simples, o livro traz um roteiro prático de como celebrar a presença de Deus em família. Adquira o seu [AQUI]            

Família: lugar insubstituível da iniciação à vida cristã

Dentro de qualquer projeto de evangelização, a família cristã deve ocupar um espaço privilegiado. Muitas são as famílias esperando pelo evento salvífico de Jesus Cristo. Abrir as portas e os corações dos casais e famílias afastados da comunidade eclesial à proclamação do Evangelho é um desafio e um compromisso do qual não se pode fugir. A missão evangelizadora é de todo o Povo de Deus. “Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar” (EN, 14). A evangelização, contudo, encontra seu primeiro foco ou centro de irradiação na família: ela é ao mesmo tempo sujeito e objeto de evangelização (cf. Puebla, 569). Olhando para a realidade da família hoje e para os “novos tipos” de família que vão surgindo, urge uma radical transformação no modo de evangelizá-las. Meios utilizados em outros tempos para o anúncio de Jesus Cristo já não alcançam a mesma eficácia de antes. Até a família, chamada a transmitir a fé e os valores perenes, já não possui o mesmo fôlego de outras épocas para cumprir esta missão indispensável. “A mudança de época exige que o anúncio de Jesus Cristo não seja mais pressuposto, porém, explicitado continuamente” (Doc. 94 – CNBB, n. 39). Uma efetiva iniciação à vida cristã começa já no seio materno. Ao transmitir a vida a um filho, o amor conjugal produz uma pessoa, nova, singular, única e irrepetível. Neste momento começa para os pais o “ministério” da evangelização (cf. Puebla, 584). No coração do anúncio está Jesus Cristo, professado e testemunhado. A família transmite a fé que vive. Os pais não podem transmitir aquilo em que não acreditam e que não vivem. Não se pode transmitir o Evangelho, se na base não houver o desejo de viver com Jesus, no Espírito, a experiência do Pai. Para educar os filhos na fé e ajudá-los a conhecer Jesus Cristo, fascinar-se por Ele e optar por segui-Lo, é necessário que os pais façam a experiência do encontro pessoal com Cristo. Portanto, transmitir a fé significa, sobretudo, transmitir o Evangelho que permite conhecer Jesus Cristo, Filho de Deus. Ao exercerem esta missão, os pais deveriam interrogar-se continuamente sobre a qualidade da sua fé, sobre o modo de serem cristãos, de serem discípulos de Cristo enviados a anunciá-Lo à sua família e à sociedade. No interior de uma família que tem consciência desta missão, todos os seus membros evangelizam e são evangelizados. Assim sendo, a família cristã é a primeira comunidade chamada a anunciar o Evangelho à pessoa humana em crescimento e levá-la, através de uma catequese e educação progressiva, à plenitude da maturidade humana e cristã. Imagem da família divina, a família cristã procura imitar a família de Nazaré, lugar onde crescer em sabedoria e graça de Deus (cf. Lc 2, 40), onde fortalecer a fé, a esperança e o amor, onde criar espaço para a oração e o diálogo, onde a fraternidade aconteça e a dignidade de todos seja respeitada. Convido as famílias cristãs a render graças a Deus pela evangelização recebida e, ao mesmo tempo, a que prossigam com entusiasmo na missão de evangelizar. Os esposos evangelizando-se mutuamente, os pais evangelizando os filhos, os filhos evangelizando os pais; enfim, famílias inteiras evangelizando outras famílias com renovado ardor missionário e apostólico. Jesus, Maria e José, abençoem as famílias, fortalecendo-as na coragem de ousar novos caminhos na transmissão da fé. Dom Nelson Westrupp, scj Bispo Diocesano de Santo André Formação: Outubro/2013

Universidade Católica de Salvador inscreve para curso de extensão em Bioética

A Universidade Católica do Salvador e o Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família realiza o curso de extensão em Bioética “Biotecnologias e Dignidade Humana”. O objetivo é oferecer aos profissionais, estudiosos ou interessados na área da Bioética uma abordagem multidisciplinar que reúna diversos saberes em um diálogo sobre a sacralidade da vida humana. Objetivos específicos: •    Fornecer elementos que favoreçam discussões a partir de variados temas no campo da Bioética possibilitando a atuação de estudiosos e profissionais da área. •    Disponibilizar um aparato teórico adequado que possibilite aos participantes desenvolver trabalhos relevantes acerca deste complexo objeto. Carga horária: 40h/aula Público: Estudantes universitários; profissionais da área jurídica, de saúde, dentre outras; estudiosos e interessados em ampliar os conhecimentos na área de Bioética. Corpo docente: Antônio Rocco Libonati – Médico com Especialização em Clínica Geral e Medicina do Trabalho. Camilo Colani – Bacharel em Direito pela PUC SP e Doutor em Direito Civil pela PUC SP. Deivid Lorenzo – Bacharel em Direito pela UFBA e Mestre em Direito pela UFBA. Gilberto Cafezeiro Bomfim – Biólogo. Doutor em Patologia pela UFBA/Fiocruz. Marcelo Couto Dias – Licenciado em Ciências Sociais pela UFBA. Mestre em Família na Sociedade Contemporânea pela UCSAL. Conteúdo programático: – Introdução à Bioética / Correntes da Bioética – Desenvolvimento inicial da vida e Paternidade responsável – Aborto – Diagnóstico pré-natal e diagnóstico pré-implantação – Assistência médica à procriação e doação de órgãos – Pesquisa sobre o embrião – A teoria do gênero – Eutanásia – Estatuto do embrião humano – Biodireito na legislação brasileira: leis e projetos de leis Funcionamento: UCSal – Campus da Federação 1ª Turma: aos sábados, das 14h às 17h30 2ª Turma: de segunda à sexta-feira, das 14h às 17h30 Período: 1ª Turma: 06/09, 13/09, 20/09, 27/09, 4/10, 11/10, 18/10, 25/10, 08/11 e 15/11/2014 2ª Turma: 08 a 19/09/2014 Condições de admissão: Comprovante de Escolaridade (2º grau); Fotocópia do RG, CPF e Comprovante de Residência Formulário de Inscrição (preencher no ato da matrícula) Coordenação: Dr. Giancarlo Petrini Msc. Ariane Vieira Leite Matrículas: até 20/09 Realização: Universidade Católica do Salvador e Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família – seção brasileira Investimento: R$ 250 Inscrições via site da UCSAL ou no telefone: 9983-1159 Mais informações: Tel. 3324-7650 / 3324-7642 extensaoacademica@ucsal.br www.ucsal.br

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