Fumaça sagrada! Por que a Igreja usa incenso na Missa?

O Catecismo nos lembra que a oração envolve muito mais do que a nossa alma: “De onde procede a oração do homem? Seja qual for a linguagem da oração (gestos e palavras), é o homem todo que ora” (Catecismo 2562). Por essa razão, as formas públicas de culto da Igreja contêm vários elementos que são visíveis e envolvem nossos sentidos corporais. O Catecismo também nos ensina que “os sinais e os símbolos ocupam um lugar importante na vida humana. Sendo o homem um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual, exprime e percebe as realidades espirituais através de sinais e símbolos materiais. Como ser social, o homem tem necessidade de sinais e de símbolos para comunicar com o seu semelhante através da linguagem, dos gestos e de ações. O mesmo acontece nas suas relações com Deus” (Catecismo 1146). Para ajudar a envolver todos os nossos sentidos durante a celebração da Missa, elevando nossos corpos e almas a Deus, a Igreja, durante séculos, usou o incenso como um sinal exterior importante. O incenso era uma parte vital da adoração para muitas religiões antigas, incluindo o culto judeu de Deus. No Tabernáculo, assim como no Templo, Deus ordenou que um “altar de incenso” fosse construído. Deus mandou também que Aarão, o sumo sacerdote, queimasse “um incenso perpétuo perante o Senhor ao longo de suas gerações” (Êxodo 30: 8). A frase mais conhecida que menciona o incenso no Antigo Testamento também está ligada a essa tradição: “Suba a minha oração perante a tua face como incenso, e as minhas mãos levantadas sejam como o sacrifício da tarde” (Salmos 141:2). Os cristãos rapidamente adotaram o uso do incenso, e isso aparece no livro do Apocalipse, onde São João descreve: “A fumaça dos perfumes subiu da mão do anjo com as orações dos santos, diante de Deus (Apocalipse 8: 4). À luz das passagens descritas acima, o significado primário por trás do uso do incenso é simbolizar nossas orações se elevando a Deus. Quando vemos o incenso, lembramos que o sacerdote está lá para reunir nossos pedidos e implorar em nosso nome diante de nosso Deus amoroso e misericordioso. O incenso também lembra a realidade celestial da Missa. Conecta nossa celebração à liturgia celestial retratada no livro do Apocalipse, e lembra-nos que a Missa é um lugar de encontro entre o céu e a terra. Por último, a nuvem grossa de incenso geralmente turva nossa visão do altar. Isso é uma coisa boa e nos lembra da natureza misteriosa da Missa. Nossas mentes mortais não podem compreender plenamente o mistério que está sendo celebrado diante de nossos olhos; o incenso torna essa realidade ainda mais tangível. Enfim, embora o uso de incenso possa parecer estranho, lembre-se de que essa tradição tem raízes espirituais profundas e tem sido parte da adoração divina há milhares de anos. Fonte: Aleteia

Casamento é muito mais que uma cerimônia bonita

Que emoção! Vou ali casar e já volto. Quem escuta ou lê essa frase pode imaginar que o casamento seja algo simples e trivial, facilmente resolvido com um check in na igreja antes dos vários passeios de lua de mel. Antes do ‘sim’, porém, é preciso que os noivos se preparem bem para a mudança de vida. Estou falando da casa? Da comida? Da roupa lavada? Não, nada disso! No topo da lista está a preparação das emoções para a vida de casados. Um dos espaços eficazes para isso é o curso de noivos, quando o casal poderá sedimentar a reflexão conjunta sobre a vida a dois. Preparando para o casamento Cada paróquia faz o curso de um jeito, conforme sua realidade. Eu trago aqui três pontos importantes para essa preparação. Quando estava noiva, eu queria muito fazer o curso de noivos numa paróquia “superfamosinha” entre as noivas, por oferecer um curso bastante acolhedor, realizado na casa dos responsáveis e cheio de mimos. Mas, como o Senhor nos conduz para aquilo que de fato precisamos, não conseguimos nos inscrever e fizemos nosso curso numa paróquia bastante distante do centro, cuja igreja estava ainda inacabada, um ambiente bastante simples e sem qualquer pompa. Em meio àquela simplicidade, Deus falou ao nosso coração de maneira completamente inusitada, do jeitinho que precisávamos ouvir . Para você ter uma ideia, a primeira palestra foi conduzida por um frei bastante idoso, de origem estrangeira e sotaque carregado. O tema nos impactou bastante: como anular seu casamento. Ele afirmou que era fundamental saber quando um casamento é nulo, para não entrarmos “de gaiato”, como se fosse fácil se separar. Explicou, ao mesmo tempo, que vários casamentos são apenas teatro, pois faltam premissas básicas para serem considerados válidos para a Igreja Católica. Casamentos arranjados ou apenas para esconder uma gravidez em curso não necessariamente são válidos, por exemplo. Se não há a livre vontade de ambos para assumir essa vocação ou se esconderam um do outro informações importantes como uma enorme dívida, um casamento católico anterior ou a infertilidade de um dos noivos, não perca seu tempo, pois o casamento não será válido. O matrimônio é entrega total, livre e verdadeira; e estar disposto a assumir essa entrega faz bem para as emoções dos noivos. Outro tema importante para o qual é preciso se preparar: método natural de planejamento familiar. Se você tem dificuldade de abordar este tema com o noivo, seja porque ele parece resistente à abstinência sexual nos dias férteis, seja por vergonha ou por pouco conhecimento da metodologia, é durante o noivado que esse jogo precisa ser combinado. Não basta só um dos noivos querer, é preciso que ambos estejam cientes não só das renúncias que isso traz, mas da maior cumplicidade, afeto e cuidado despertado com esse método. No curso de noivos, em geral, apresenta-se a experiência de casais que utilizam esse método e comprovam a sua eficácia, convencendo até os mais céticos. Eu sei que você conhece algumas famílias com vários filhos, que dizem utilizar o método, mas com eles não deu certo. Na verdade, só funciona se houver preparação e utilização correta, e em caso de dúvida, basta procurar as equipes pastorais para acompanhamento dos casais. Agora, há um outro tema bem interessante, que não foi tratado no nosso curso de noivos, mas uma amiga comentou certa vez: educação financeira do casal. Após uma palestra, cada casal planejava como ficariam as contas, quem pagaria o quê, como organizariam as despesas. Parece bobagem, mas muitos casamentos se desgastam devido ao desequilíbrio financeiro de um dos cônjuges, ou de ambos, que não percebem que não existirá mais o seu e o meu dinheiro, o seu e o meu boleto, mas a nossa dívida, os nossos bônus. E isso deve ser combinado ANTES do casamento. Imagina você ser acusada de que está gastando demais ou ver que seu noivo esbanja em pequenos luxos quando mal conseguem pagar as contas da casa? A igreja tem como pré-requisito o curso de noivos exatamente para o casal tirar um tempo para si e focar no essencial em meio às diferentes listas e preparativos para a cerimônia. Se você não marcou o seu curso de noivos ainda, não deixe para a última hora. Se você já fez o seu, e esses temas não foram tratados, converse com seu companheiro de vida. Eu lhe garanto que esse papo vai render frutos. Conversar sobre a validade do matrimônio, o planejamento familiar natural e o orçamento doméstico, além de preparar suas emoções para o casamento, vai evitar dores de cabeça no futuro. O casamento é uma vocação importante demais, para a emoção se resumir na escolha dos convites em papel brilhante e os docinhos da festa. Fonte:Canção Nova

Festa da Cátedra de São Pedro

“Dareis à luz um filho e este será grande e chamá-lo-ão: Filho do Altíssimo. Ele reinará eternamente sobre a casa de Jacó e o seu reino não terá fim”. Com estas palavras o Arcanjo São Gabriel anunciou a Maria o reino eterno de seu filho. Orientados por uma estrela, chegaram os Magos e renderam homenagens ao Menino Deus. Quando o governador romano Pilatos perguntou a Jesus: “És de fato rei ?” Jesus lhe respondeu: “ Tu o dizes, mas meu reino não é deste mundo”. Quando Jesus Cristo, quarenta dias depois de sua gloriosa ressurreição, se preparou para voltar ao Pai, deu o caráter visível de sua dignidade real a um homem, para lhe servir de substituto até o fim dos séculos. Para este elevado cargo Jesus Cristo escolheu Simeão, filho de Jonas, cujo nome mais tarde foi mudado em Pedro. “Tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do reino dos céus. Rezei por ti, para que tua fé não desfaleça; tu, porém, confirma teus irmãos. Apascenta minhas ovelhas, apascenta meus cordeiros”. São Pedro, fiel à ordem recebida do Mestre, trabalhou pela propagação da doutrina do Messias. Depois de ter fundado diversas Igrejas na Palestina e na Ásia Menor, dirigiu os passos para Roma, metrópole do mundo civilizado. Foi no ano de 42, que o príncipe dos Apóstolos chegou à capital dos Césares. Achou agasalho na casa do senador Cornélio, parente daquele capitão ilustre de Cesaréia de nome Cornélio, também que, por uma graça especial divina, recebeu de São Pedro o batismo, ele, com toda a família. Roma achava-se no auge do poder, mas também da corrupção. Nos palácios, templos, parques e teatros reinavam um luxo desmedido. Com as riquezas das províncias mais longínquas, tinham chegado a Roma os ídolos, a supertição e os vícios de outras nações. Se de um lado havia incalculável riqueza, grande parte da população gemia debaixo do jugo da mais vil escravidão. O imperador era considerado “Deus e Senhor”, e como tal recebia dos aduladores as supremas homenagens. O vício, sob as formas mais hediondas, se ostentava publicamente e, para justificá-lo, não faltavam divindades a que se oferecesse incenso. Foi neste antro de podridão, que o Vigário de Jesus Cristo veio pregar o Evangelho; foi ali que fundou uma Igreja que perdura já vinte séculos e forneceu milhares de mártires; foi aí que estabeleceu a cadeira da verdade e foi aí que, igual ao divino Mestre, exalou a vida no patíbulo da cruz. São Pedro morreu, mas vive ainda nos seus sucessores. Quem é o sucessor de São Pedro ? A esta pergunta responde a cristandade toda unanimente: o sucessor de São Pedro, na sua dignidade e poder, é o bispo de Roma. O bispo de Roma é o legítimo representante de Cristo na terra; o bispo de Roma é o chefe de todos os fiéis. O protestantismo tem ido à cata de provas, para mostrar que São Pedro nunca esteve em Roma. Se não esteve em Roma – assim calcula logicamente – os Papas não são sucessores de São Pedro na Cátedra de Roma, e não podem atribuir-se a dignidade apostólica. Não foram felizes os amigos de Lutero nesta campanha, pois tudo diz contra o que asseveram. O resultado de sérios estudos, feitos por historiadores católicos e protestantes sobre o assunto, tem sido este: que São Pedro esteve em Roma. Historiador nenhum cristão pôs em dúvida este fato, que é comprovado pelos escritores dos primeiros séculos, por Caio, presbítero romano, São Dionísio de Corinto, Hegésipo, Justino, Tertuliano, Cipriano, Orígenes, Eusébio, Arnóbio e outros. Desde imemoráveis tempos é na Igreja celebrado o dia de hoje, em que São Pedro fundou a diocese de Roma. Santo Agostinho, num dos seus sermões, se refere a esta festa. Os calendários e martirológicos mais antigos a mencionam. Se é festejado na cristandade toda o aniversário da eleição do Papa, se cada diocese celebra o aniversário da sagração do seu bispo, justo é que a Igreja inteira solenize o aniversário da Cátedra de São Pedro em Roma e neste dia dirija preces ao Altíssimo, pela prosperidade do Sumo Pontífice.(*) (*) A Cátedra, isto é, o trono de São Pedro, até o século 5, guardado no batistério de São Pedro, se acha hoje na abside da Basílica Vaticana. Consta apenas de alguns pedaços de tábuas, ligadas por placas de marfim. Desde o tempo da Renascença está encerrada num grande relicário, obra de Bernini. Reflexões: Com que sentimentos celebras hoje a festa da fundação da santa Igreja romana? É com satisfação íntima de tua alma que te dizes filho dessa Igreja? Tens amor a esta tua mãe espiritual, que é a esposa imaculada de Cristo, e a mestra de todos os homens? Sabes que ela é a coluna e o fundamento da verdade? De Cristo lhe veio o poder, que Ele mesmo recebera do Eterno Pai, para o bem e a salvação dos homens. Da Sua assistência gozará até o fim dos séculos. O Espírito Santo governa-a com sabedoria divina, habilitando-a a conduzir os homens à eterna salvação. A Igreja é tua mãe. Foi ela que logo à tua entrada na vida, te recebeu com carinho maternal e tirou de tua alma a lepra do pecado original, e te revestiu com a roupa cândida da graça santificante. Nos santos Sacramentos ela te ofereceu os meios necessários para conservar-te na graça de Deus. Se a Igreja é tua mãe, se lhe deves tudo o que de riqueza e ornamento espiritual possuis, a gratidão exige, que lhe sejas bom filho, que mostres interesse por tudo o que diz respeito a tua Mãe. Com seus triunfos e vitórias deves alegrar-te; com seus padecimentos, humilhações e perseguições deve teu coração encher-se de tristeza e pesar. A Deus deves pedir, dia por dia, que proteja, defenda sua obra na terra, e de à Igreja a vitória sobre os inimigos, que são numerosos e poderosos. Sempre que as circunstâncias

Por que devo ir à igreja?

Ir à igreja, porque lá encontramos a comunidade reunida. Ir à igreja para voltarmos para casa melhores do que chegamos Nas regiões onde a carência de água é bastante prejudicial à sobrevivência do ser humano, os caminhões-pipa são indispensáveis para que muitas famílias possam receber, periodicamente, o mínimo necessário de água para sua sobrevivência. Sem esse veículo, que leva a água em seu reservatório, muitas famílias estariam condenadas a conviver com a falta d’água. E todos sabem que esse líquido é um elemento necessário para nossa sobrevivência. O caminhão-pipa transportando a água está, de certa forma, levando vida a todos aqueles que dependem  dessa substância para continuar vivos. Abastecido, ele cumpre o seu papel de ser um rio onde não há nascentes. Muitas pessoas se perguntam qual a importância de participar da Igreja. Muitos se afastam da comunidade cristã pelos mais variados motivos. Outros até participam, mas voltam para casa do mesmo modo como chegaram. Em meio a uma sociedade que, muito rapidamente, vai criando a mentalidade de que a espiritualidade é algo individualista, qual o sentido de participar da Igreja? Por que ir à igreja? Muitas vezes, chega-se à igreja como um caminhão-pipa, porém vazio, sem a água necessária que é sinal de vida. Diante do mistério de Deus, da Palavra proclamada, refletida e meditada, do pão e do vinho que se tornam o Corpo e Sangue de Cristo, abastecemo-nos da vida em plenitude oferecida pelo próprio Cristo. Desse modo, voltamos para casa cheios da Água Viva e, assim, podemos partilhar com aqueles que convivem conosco a Água que em nós foi depositada em nosso coração. O coração é o depósito da vida em plenitude, no qual levamos o amor de Deus a nossos irmãos e irmãs. Quando deixamos de participar da Igreja, nosso coração fica vazio e seco. Como alguém pode saciar a sede de outra pessoa, se não possui nem mesmo água suficiente para saciar a própria sede? Um caminhão-pipa só cumpre seu papel se estiver abastecido de água. Um ser humano só se sente completo como pessoa se estiver abastecido da presença de Deus. Por que ir à igreja? Porque nela está a fonte de Água Viva, que sacia nossas sedes interiores. E porque, uma vez abastecidos da presença de Deus em nós, podemos levar essa mesma Água a todos aqueles que pedem uma gota da Água da Vida, a qual lhes devolva o sentido de viver em uma sociedade que partilha outras águas artificiais que não saciam a sede; mas pelo contrário, fazem com que o ser humano sempre tenha mais sede de vida verdadeira. Ir à igreja, porque lá encontramos a comunidade reunida. Na união com os irmãos e irmãs de comunidade, partilhamos as dores e alegrias da vida em uma “comum unidade”. Ir à igreja, porque é lá que o milagre da Eucaristia acontece em toda Santa Missa celebrada. Ir à igreja para voltarmos para casa melhores do que chegamos. Muitas pessoas, quando voltam para casa, ouvem de seus familiares: “Você foi rezar e voltou pior?”. Quando voltamos para casa abastecidos do Amor de Cristo em nós, é impossível voltarmos para o cotidiano da vida do mesmo jeito que chegamos. Somente quem teve sua sede saciada por Deus poderá saciar a sede de outras pessoas com o mesmo amor que recebeu. Se o caminhão-pipa leva a água que sacia a sede humana biológica, nós somos convidamos a sair da igreja com o coração abastecido da Água Viva que sacia a nossa sede humana do Amor Divino. Fonte: Canção Nova

Missa de Envio para o 180 Graus Fest – Recife

Retiro do PJJ 2016 – Recife

Para que existem os Milagres?

Enquanto Jesus estava a caminho para Jerusalém, ao entrar em uma aldeia, vieram-lhe ao encontro dez leprosos, que pararam ao longe e elevaram a voz, clamando: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!». Jesus se apiedou deles e lhes disse: «Ide, mostrai-vos ao sacerdote». Durante o caminho, os dez leprosos ficaram milagrosamente curados. A primeira leitura também fala de uma cura milagrosa da lepra: a de Naamã, o sírio, por obra do profeta Eliseu. É clara, portanto, a intenção da liturgia de convidar-nos a refletir sobre o sentido do milagre e em particular do milagre que consiste na cura da doença. Digamos antes de tudo, que a prerrogativa de fazer milagres é contada entre as mais testemunhadas na vida de Jesus. Provavelmente, a idéia dominante que as pessoas tinham de Jesus, durante sua vida, além da que ele fosse um profeta, era a de ser alguém que fazia milagres. O próprio Jesus apresenta este fato como prova d autenticidade messiânica de sua missão: «Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam» (Mateus 11, 5). Não se pode eliminar o milagre da vida de Jesus sem desfazer toda a trama do Evangelho. Junto aos relatos de milagres, a Escritura nos oferece também os critérios para julgar sua autenticidade e seu objetivo. O milagre nunca é, na Bíblia, um fim em si mesmo; menos ainda deve servir para exaltar quem o realiza e exibir seus poderes extraordinários, como quase sempre acontece no caso de curandeiros e taumaturgos que fazem propaganda de si mesmos. É incentivo e prêmio da fé. É um sinal e deve servir para elevar a um significado. Por isso Jesus se mostra tão entristecido quando, depois de ter multiplicado os pães, percebe que não entenderam do que isso era um sinal (cf. Marcos 6, 51). O milagre aparece, no próprio Evangelho, como ambíguo. Algumas vezes é visto positivamente, em outras, negativamente. Positivamente, quando é acolhido com gratidão e alegria; suscita a fé em Cristo e abre à esperança em um mundo futuro já sem doenças nem morte. Negativamente, quando é solicitado, ou inclusive exigido para acreditar. «Que sinal fazes para que, vendo-o, acreditemos em ti?» (João 6, 30). «Se não virdes sinais e prodígios, não credes», dizia Jesus com tristeza àqueles que o escutavam (João 4, 48). A ambiguidade continua, sob outra forma, no mundo de hoje. Por um lado, estão aqueles que buscam o milagre a todo custo; estão sempre à caça de fatos extraordinários, detêm-se neles e em sua utilidade imediata. No lado oposto, estão aqueles que não admitem nenhum milagre; contemplam-no até com certo incômodo, como se se tratasse de uma manifestação inferior de religiosidade, sem perceber que, dessa forma, se pretende ensinar ao próprio Deus o que é ou não a verdadeira religiosidade. Alguns debates recentes suscitados pelo «fenômeno Padre Pio» evidenciaram quanta confusão ainda existe com relação ao milagre. Não é verdade, por exemplo, que a Igreja considere milagre todo fato inexplicável (disso, sabemos, o mundo está cheio, e a Medicina também!). Ela considera como milagre somente aquele fato inexplicável que, pelas circunstâncias em que ocorre (rigorosamente comprovadas), reveste o caráter de sinal divino, isto é, de confirmação dada a uma pessoa ou de resposta a uma oração. Se uma mulher que nasceu sem pupilas, em um determinado momento começa a ver, ainda sem pupilas, isso pode ser catalogado como fato inexplicável, mas se isso acontece precisamente enquanto ela se confessa com o Pe. Pio, como de fato ocorreu, então já não basta falar simplesmente de «fato inexplicável». Nossos amigos «leigos», com sua atitude crítica ante os milagres, oferecem uma contribuição belíssima à própria fé, porque se mostram atentos às falsificações fáceis neste campo. No entanto, também eles devem ser contemplados desde uma aproximação acrítica. É igualmente errado acreditar a priori em tudo o que circula como milagroso, como rejeitar tudo a priori, sem se preocupar sequer por examinar suas provas. É possível ser crédulos, mas também… incrédulos, que não é (uma atitude) tão diferente. Textos: 2 Reis 5,14-17; 2 Timóteo 2, 8-15; Lucas 17, 11-19. Fonte: Site Frei Raniero Catalamessa 2008

Vocação, uma história de amor

A vocação, no sentido religioso, é a “inspiração ou moção interior pela qual Deus chama uma pessoa a determinado estado ou forma de vida”(1). Ela difere da aptidão para exercer determinada profissão justamente por ser um chamado que brota do mais profundo do ser, ali de onde se escuta e se responde à voz de Deus. Diferente dos compromissos profissionais e sociais, que mesmo quando firmados numa fortíssima aptidão participam da instabilidade do ser humano, a vocação como chamado e resposta a Deus é definitiva, irreversível, dura a vida toda. Livre e definitivamente Deus chama, mas também livre e definitivamente devemos dizer “sim”, manifestando cada dia mais profundamente esta afirmação. Deus nos escolhe e nós escolhemos Deus, cada dia mais fortemente. “Como a vida matrimonial não se reduz à primeira declaração de amor nem ao tempo de noivado, assim a vocação é uma história de amor, que deve durar a vida inteira”(2). Para tentarmos compreender um pouco do que seja esta “história de amor”, precisamos entrar mais profundamente no sentido da existência humana. A Sagrada Congregação para a Doutrina da fé ensina que “O amor é a vocação fundamental do ser humano”(3). Cada um de nós nasce do Amor, vive do Amor e caminha para o Amor, que é Deus. Cada um de nós nasce e permanece na existência unicamente por causa do amor livre e gratuito de Deus, que nos chamou à vida. O amor de Deus é a nossa origem e é também a finalidade da existência. Cada um de nós nasce de Deus e para Deus, que é o Amor por excelência, do qual nossos maiores amores nesta vida são apenas uma pálida imagem. Nascido do Amor e para o Amor, cada um de nós é mantido na existência pelo Amor. Caminhamos para o nosso fim, mesmo sem perceber, continuamente “mergulhados” no “oceano” do amor de Deus que sustenta a cada dia nosso caminho. Somos à imagem de Deus que ama continuamente, sem cessar. Então o amor não é somente nossa origem e nosso fim, mas o nosso caminho, o único meio de caminhar para o nosso objetivo. Nosso caminho é o Amor. Somos fundamentalmente chamados para amar, para refletirmos a imagem e semelhança de Deus no mundo… amando, sendo “amor” como Santa Teresinha do Menino Jesus tão concretamente descobriu em sua própria vida, pela experiência, e por isso encontrou e viveu plenamente sua vocação particular na Igreja. É dentro deste chamado primeiro e fundamental ao Amor, que nascem todas as vocações religiosas e estados de vida, porque é do chamado fundamental ao Amor que decorre o nosso chamado a ser e a realizar algo no mundo. O Catecismo da Igreja Católica ensina que “a vocação última do homem é uma só, divina”(4). Cada um de nós responde primeiramente esta vocação pelo Batismo, e a realiza segundo estados e funções diversas, conforme o chamado único, particular de Deus a nós. Para cada pessoa há um chamado singular e insubstituível no universo e na história, que foi fixado pelo projeto de Deus que sempre vai muito além dos nossos próprios projetos, e cuja realização vai tão além da nossa capacidade humana, que jamais poderíamos concretizá-lo sem que Ele nos capacite. Cada pessoa tem uma identidade única e todo chamado vocacional atinge esta identidade. O chamado de cada pessoa acontece no contexto particular da sua história, onde Deus entra em um diálogo íntimo com ela, um diálogo de amor, que vai durar a vida toda, porque nenhuma vocação se encerra somente no chamado. Toda vocação nos leva a amar sempre mais. Somente Deus pode arrogar-se o direito de nos propor um destino que toca a nossa vida toda. Somente Deus tem esta força imperiosa capaz não somente de nos atrair, mas de capacitar-nos a dizer sim e perseverar neste chamado por toda a nossa vida, não estaticamente, mas crescendo no nosso “sim” a cada desafio sempre maior. Da mesma forma, somente a pessoa chamada pode, livremente, acolher o chamado, e se dispor a ir aonde a força do chamado a atrai e impele a concretizá-lo. Por isso, na vocação, tanto o chamado como a resposta são de fundamental importância. Não podemos criar um chamado que Deus não nos fez, e, do mesmo modo, ninguém pode responder ao chamado por nós a não ser nós mesmos, que, livremente escolhidos, livremente podemos dizer “sim”. Como acontece o chamado? A vocação é puro dom de Deus que excede a inclinação natural da pessoa. É preciso descobrir os caminhos em que Deus nos espera passar para nos dirigir a palavra. Às vezes Ele chama direta e imediatamente, mas às vezes dispõe de outras maneiras pelas quais se aproxima de nós utilizando meios normais, nos quais está presente como instigador e condutor de suas mediações. Como se distingue uma vocação autêntica de uma falsa vocação? O discernimento torna-se praticamente impossível para uma pessoa sozinha. Distinguir adequadamente a voz da Verdade no imenso concerto de vozes que frequentemente ameaçam afogá-la é obra exclusiva de músicos muito habilidosos e de diretores muito experientes, e não simplesmente dos que gostam de fazê-lo. Daí a necessidade do acompanhamento vocacional. E a resposta? A resposta ao chamado de Deus só pode ser dada mediante a fé. Infelizmente esta é a dimensão da vocação em que mais se costuma falhar. Podemos pensar que responder a determinadas vocações ou estado de vida pode ser mais fácil que responder a outros, que consideramos mais agradáveis, enquanto há outros que consideramos difíceis e atemorizantes. Cada vocação se apresenta na vida de cada pessoa de modo único. Há pessoas que hesitaram em dar sua resposta, enquanto há outros que não hesitaram no primeiro “sim”, mas chegaram a abandonar o seguimento já começado. Há vocações mantidas a grande custo, em meio a abalos interiores e exteriores, algumas cujo seguimento chega a ser considerado verdadeiro martírio, assumido conscientemente, na independência em relação às forças contrárias, porque assim como conta com forças contrárias, conta com a mesma força, profunda e real para segui-la. “Há uma espécie

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