Bendita Leitura: Liturgia Judaica – fontes, estrutura, orações e festas

O Novo Testamento apresenta muitos testemunhos da liturgia judaica. São, porém, testemunhos mais indicativos que descritivos. Neles é dito que no tempo de Jesus havia certas formas de culto, mas não em que elas consistiam nem como se desenrolavam. O próprio Jesus, sua mãe Maria, os apóstolos e as comunidades primitivas alimentaram-se dessa liturgia, dos seus símbolos e ritos. Este livro reconstrói o significado e o dinamismo da oração israelita, reencontrando as origens da liturgia cristã na liturgia israelita.

Missão de Aracaju se prepara para o Tríduo de Pentecostes

Você já teve uma experiência real com o Espírito Santo? Conhece os Seus dons e carismas? A Solenidade de Pentecostes se aproxima, e Deus, neste momento forte na vida litúrgica da Igreja, quer derramar um novo pentecostes sobre a Terra! E para que o Espírito Criador encontre terreno fértil no teu coração, para que possa frutificar e aí habitar, é preciso que você se prepare da melhor maneira possível; e é isso que a Comunidade Católica Shalom, na Missão de Aracaju, irá te proporcionar nos dias 21, 22 e 23 de maio! Neste Tríduo de Pentecostes, teremos adoração com renovação da efusão no Espírito Santo, celebrações eucarísticas e pregações. Em uma das pregações, Patti Mansfield, uma das primeiras pessoas que Deus concedeu a graça do Batismo no Espírito Santo, em uma profunda experiência com o Amor de Deus diante da Jesus em uma capela, quando era jovem universitária. Segundo Emmir Nogueira, cofundadora da Comunidade Shalom, “é uma enorme oportunidade para nós, nesse ano, agora dia 23, poder ouvir da Patti Mansfield sobre Pentecostes. Ela o viveu e o vive em primeira pessoa”. Portanto, seja quem está nas ondas da tibieza na vida espiritual e precisa desse fogo sempre novo do Espírito Santo, ou quem já está firme no caminho e deseja perseverar, não há oportunidade melhor para se deixar tomar pelo fogo ardente do Amor de Deus durante estes três dias de intensa oração e súplica ao Pai para que derrame novamente, através de Jesus Cristo, Seu Espírito Santo sobre nós! Serviço Evento: Tríduo de Pentecostes 2021 Datas: 21 a 23 de maio 21/05, às 19h, no youtube.com/shalomaracaju 22/05, às 18h, no youtube.com/shalomaracaju 23/05, às 9h, no youtube.com/comshalom, e às 17h30 no youtube.com/shalomaracaju

Como os santos se preparam para os tempos litúrgicos?

Podemos dizer que os santos se preparavam para a Quaresma através do jejum, da penitência, da esmola, da reflexão da ida de Jesus para o deserto, lá onde Ele sentiu fome, sede, calor, cansaço e foi tentado pelo demônio que se aproveita do contexto que aparentemente fragiliza um homem para forjar Jesus, induzindo-o a aparente confiança no poder, prazer e possuir no lugar da absoluta união com a vontade do Pai. Jesus vence o poder pela humildade de “não tentar o Senhor teu Deus”.O possuir pela fidelidade ao Deus único, “adorarás somente o Senhor teu Deus e a nenhum outro”. O prazer pelo sóbrio equilíbrio da Palavra de Deus. Podemos nos lembrar aqui de Santa Teresa d’Ávila que na semana santa vê Jesus Crucificado e é fortemente tocada e transformada interiormente. Sabemos que o fruto da Quaresma é a ressurreição, então a preparação da Páscoa é justamente a boa vivência da Quaresma… as penitências, desafios, provações, purificações desse tempo geram em nós um novo coração, uma nova postura diante das realidades que nos cercam e às vezes nos confundem, nos tentam… Não entramos no deserto porque somos masoquistas. Não! Entramos no deserto porque cremos que ao atravessá-lo imediatamente tomaremos posse da Terra Prometida, da Ressurreição, da Páscoa, da vida eterna que já começa aqui na terra. É no deserto junto com Jesus que vamos aprender a lutar não com nossas forças físicas ou psíquicas, mas com essas potências submetidas ao seu Criador: Deus. O pecado nos gera insegurança e nos leva a querer prevalecer muitas vezes com a nossa própria justiça, com a justiça do poder, do prazer, do possuir que é centrada no imediatismo, que nos rouba a capacidade de reflexão da verdade, da verdadeira justiça que é contemplada pela fé, esperança e caridade. A purificação da Quaresma reaviva as nossas consciências, reordena as nossas paixões e assim somos introduzidos numa maior intimidade com Deus e isso é ressurreição, Páscoa! Então, como os santos se preparavam para as festas litúrgicas? Todos os tempos litúrgicos são propostos pela Igreja para nos unirmos a cada ano litúrgico, cada vez mais íntimos de Deus. E um caminho excelente para isso, além claro da observância própria de cada tempo, é entrarmos na terna escola de Maria. Os santos habitavam e habitam na santa casada Mãe Igreja, harmonizada pela sagrada Liturgia, uma hierarquia riquíssima de valores que nos falam e revelam os mistérios de Deus. Essa mesma Igreja hierárquica que nos convida a trilharmos um previsível caminho litúrgico é enriquecida pela sua face carismática, cujo modelo é Maria. A Igreja nos confia a Maria Ela que gerou em seu ventre pela ação do espírito a fonte da Liturgia, Cristo. Unidos a ela, Santa por excelência, “conservando cada acontecimento em nossos corações” e “fazendo tudo o que Ele nos disser”, não só estaremos nos preparando bem como os santos para os Tempos Litúrgicos, mas, mais que isso, estaremos sendo divinamente preparados por Aquele que tanto nos ama e que é o princípio e o fim de toda Liturgia. Erika Leite

Divino Coração: uma experiência de retorno aos braços do Pai

Pra você que já não aguenta de ansiedade pelo novo disco litúrgico da Comunidade Católica Shalom, “Divino Coração”, o Portal Comshalom traz algumas informações sobre a produção do CD. Entrevistamos Wilde Fábio, missionário da Comunidade de Vida Shalom, coordenador da Secretaria de Artes e diretor executivo do disco. O CD, que traz 14 faixas, marca os 35 anos da Comunidade Shalom. Amanhã, 9 de junho, seis faixas serão disponibilizadas nas plataformas digitais. A Livraria Shalom já está realizando a pré-venda do disco físico, no valor de R$ 16,00 e você pode adquirir clicando AQUI. Confira agora a entrevista feita com Wilde Fábio: 1 – Por que “Divino Coração”? Qual a inspiração? Sempre que nós vamos começar um novo trabalho fazemos um caminho de escuta de Deus e, nesse caminho de escuta, fomos percebendo que tudo falava da misericórdia de Deus, do amor de Deus, do retorno aos braços do Pai. E quando nós começamos a ver esse caminho, começamos a perceber nas composições o que o Senhor inspirava, aquela que se destacava aos nossos olhos como título do disco. Foi aí que surgiu a “Comunhão I”, que o nome da música é “Divino Coração” e fala exatamente dessa experiência com o Divino Coração de Jesus, que recria o homem, que renasce do Seu lado aberto. 2 – Como foi o processo de produção (desde a composição das músicas, até a finalização da mixagem)? O processo de produção do CD começou há mais de 1 ano. Quando nós começamos a fazer um planejamento, ver datas e agendamos o retiro de composição, onde vieram mais de 20 irmãos compositores da Comunidade, dentre eles padre Cristiano Pinheiro, Gustavo Osterno, Nicodemos Costa, Amanda Pinheiro… e nesse retiro nós vamos rezando e compondo as músicas, uma por uma: entrada, kyrie, Glória… E lá é muito interessante porque é uma experiência de oração, mas ao mesmo tempo uma experiência de criação coletiva. E é claro que num processo como esse, é natural que a pessoa queira que sua ideia prevaleça e tal, então é muito bonito ver os irmãos abrindo mão, de forma muito leve e natural, pra coisa ir tomando formato. Depois do retiro de composição nós enviamos estas músicas pro nosso produtor musical que é o Pedro Veiga, ele fez pré de todas as músicas, com as concepções de arranjo, etc. Nós fizemos uma avaliação desse material, passamos as considerações e eles fizeram a gravação final. Paralelo a isso nós contratamos um irmão do Shalom de Recife, chamado Evandro, que fez a parte de arranjo vocal. Nós criávamos as concepções e enviávamos pra ele e ele transformava aquilo nos arranjos, nas partituras, dividia pelo naipe de corais. E ao fim nós colocamos voz aqui (Diaconia). Foram 6 semanas de estúdio gravando tenores, baixos, sopranos, contraltos… cada um desses naipes. Então, pra você ter uma ideia, por faixa nós demoramos umas 30 horas de gravação. Depois disso nós fomos para o Rio de Janeiro fazer a mixagem e masterização. No meio desse processo todinho veio também a ideia da capa:  “como fazer? como falar o Divino coração sem cair nas imagens clássicas que temos do Divino Coração de Jesus?” e aí entrou o Setor de Criação e a Assessoria Litúrgico Sacramental, onde começamos a dialogar sobre o conceito e fomos fechando uma proposta que é a capa do disco, que é o coração aberto de Jesus e do lado aberto brotando a Árvore da Vida. 3 – Quanto tempo de produção? Quantas pessoas envolvidas? O processo de produção durou mais ou menos um ano. No coro tivemos 48 pessoas, mais os músicos, mais compositores… São mais de 100 pessoas no processo inteiro. 4 – O que difere este CD litúrgico 35 anos dos demais? É interessante perguntar o que difere ele dos outros trabalhos porque eu acredito que com o passar do tempo nós fomos tendo cada vez mais clareza do que é a nossa música litúrgica, do que nós compreendemos como música na liturgia e eu acredito que este trabalho vem coroar este processo, dando um registro daquilo que nós hoje compreendemos como o melhor servir à liturgia com a nossa música. Outro aspecto interessante é o aspecto da internacionalização. As pessoas vão ouvir no disco alguns instrumentos diferentes, exóticos e pra elas podem surgir assim “o que é isso?” e como a Comunidade hoje está presente no mundo inteiro, nós fizemos questão de dar para todo o CD, usar no disco alguns elementos. Então você vai ter elementos da cultura indiana, da cultura oriental, você vai ter uma aclamação que vai ter uma introdução africana com um timbre vocal africano, com percussão africana, com uma dinâmica vocal de coro africano… Então nós tentamos dar esse aspecto da universalidade presente no disco inteiro. Um outro aspecto também que foi muito interessante é que quando nós fomos fazer as divisões dos solos que a gente tem na liturgia, nós vimos que estes solos, ao invés de propor e colocar nos solos principais os cantores que já tem história na Comunidade, que já marcaram a nossa história, nós resolvemos inserir nesses solos pessoas novas. Pessoas novas tanto na arte e na Comunidade, para colocar também esse aspecto da Comunidade que se renova, que se atualiza, que é jovem. Então você vai ter no salmo a Thais, que é uma irmã da Comunidade de Aliança, que cantou pela primeira vez no CD Cantai a Deus com Alegria, você vai ter a Keciane Lima, que é a nova vocalista do Missionário Shalom, mas que não tinha feito nenhuma gravação com a gente até agora, você vai ter por exemplo a Laura, que é uma pérola, que é da Comunidade de Vida, cantando a ação de graças e você vai ter o padre Cristiano Pinheiro que é a música vocacional do disco, que traz uma força muito grande e o padre Cristiano foi escolhido para interpretar essa música. 5 – Em que idiomas ele será gravado? O disco vai sair em inglês, português, espanhol, italiano e francês. Mayara Raulino

Transfiguração do Senhor

    “Hoje, no Tabor, transformou Cristo a escura natureza de Adão: revestindo-a de seu esplendor, divinizou-a ” [1] Dentre as teofanias narradas nas sagradas escrituras, a Transfiguração é a que traduz profundamente a teologia da divinização do homem. No Tabor Cristo transforma a natureza humana, escurecida em Adão, revestindo-a com o seu esplendor. De forma concreta se percebe que Cristo não se despe de sua divindade, mas, reveste a humanidade de sua glória. Segundo a tradição o evento da transfiguração ocorreu 40 dias antes da crucificção, ela é a ponte que introduz no calvário e por fim na ressurreição, situada antes do anuncio da paixão e da morte, prepara-os para a compreensão deste mistério. Quase que na mesma dinâmica a Igreja celebra a festa 40 dias antes da Exaltação da Santa Cruz, ou seja a seis de agosto. Desde o seculo V a Igreja faz memoria daquele dia em que o Pai dá testemunho do Filho diante de Pedro, João e Tiago. De forma quase idêntica a transfiguração é narrada pelos evangelhos sinóticos, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão (Cf Mt 17,1). São João Crisóstomo afirma que estes foram escolhidos pois “Pedro amava a Jesus mais do que os outros, João porque era amado por Jesus mais do que os outros, e Tiago porque se unira na resposta do irmão: ‘Sim, podemos beber do teu cálice’ (cf. Mt 20,22).” Há na transfiguração uma nova manifestação trinitária, após a ocorrida no batismo a voz do Pai dá testemunho, o Espírito ilumina e o Filho recebe e manifesta a palavra e a luz. Para mergulharmos no sentido profundíssimo desta festa recorreremos a iconografia cristã, que traz para nós o Ícone da transfiguração do Senhor, também chamado de Ícone da Luz, pois é exatamente disso que fala. A cena mostra Cristo que sobe com os três apóstolos ao monte Tabor e lá se transfigura diante deles. “Seu rosto resplandeceu como o sol, suas vestes tornaram-se brancas como a luz, tão brancas que nenhuma lavadeira do mundo poderia alvejá-las.” (cf.Mt.17,2.Mc.9,3). Aparecem então Moisés e Elias, que conversavam com Jesus. Os apóstolos caem com a face em terra diante de tamanha glória. Pedro ousa elevar o olhar e diz: “Rabbi, é bom estarmos aqui; vamos erguer três tendas: uma para ti, uma para Moisés, outra para Elias”. Eis que apareceu uma nuvem que os encobriu e dela veio uma voz que dizia: “este é meu Filho bem-amado, ouvi-o!”. Logo após, não viram mais ninguém, a não ser Jesus, só, em sua simplicidade humana, com eles. O monte A montanha é nas sagradas escrituras o Lugar da revelação de Deus, é precisamente no Horeb que Deus dá-se a conhecer a Moisés, essa manifestação é como a transfiguração, expressa o desejo de Deus de dialogar com o homem, de tornar-se parte de sua vida. Dialogo é sinonimo de oração, amizade com Deus, conhecimento de Deus; é no alto do monte que Deus se revela, foi assim com Moisés, com Elias e agora com os discípulos aos quais Cristo deseja levar aos cumes do Seu conhecimento. Para alcançar topo é necessário um caminho árduo, a subida do monte faz perceber que no meio do caminho existem pedras, espinhos, que a posse dos bens tanto materiais como espirituais pesa muito e pode impedir o homem de atravessar para chegar, ou melhor, para retornar a Deus. O cenário do ícone é rochoso para expressar justamente essa realidade. Os apóstolos Na parte inferior do ícone encontramos os apóstolos, que apontam aquilo que é terreno, eles caem com o rosto por terra (cf Mt 17,6) por não suportarem o  esplendor da gloria de Deus, assim como Elias e Moisés era preciso esconder o rosto, pois este Deus é “Terrível”. Lucas fala de um sono (cf.Lc.9,32) os discípulos mergulham na escuridão e ao acordar deparam-se com Cristo envolto em sua glória. Apesar de não entender o que está acontecendo vivem este momento de forma intensa, um misto de alegria celeste e de temor toma conta deles e os leva a sentir o desejo ardente de permanecer ali, é Pedro quem o expressa quando diz: “é bom estarmos aqui!” . No alto do Tabor, Cristo transfigura a existência dos apóstolos, infundindo neles a vocação à santidade. Cristo insere os discípulos no coração da Trindade, infunde no coração deles o desejo de buscar o alto. Mas os discípulos se assustam, como pode? Há uma belíssima cena Cristo glorioso, aquela que contemplarão mais uma vez no dia da ressurreição, o desejo do céu, a beleza de Cristo não os impede de sentirem-se atemorizados diante da majestade divina, é a experiência do Tudo e do nada, da grandeza e da pequenez que provoca o medo, mas um medo saudável, que recorda ao homem quem é Deus e o desperta sempre mais no caminho da santidade. Sobre isso São Francisco nos ensina muito quando inumeras vezes repetia diante do Crucifixo de São Damião “Quem sois vós, Senhor, e quem sou eu?” e respondia ele mesmo a pergunta: “Vós, o altíssimo Senhor do céu e da terra; e eu um miserável vermezinho, vosso ínfimo servo” É uma experiência de Tabor reconhecer-se pequeno e contemplar a grandeza de Deus. Moisés e Elias Os discípulos veem dois personagens ao lado de Jesus, Moisés e Elias: a lei e os profetas que se inclinam em adoração a Cristo, centro, personificação e o cumprimento da Lei e de toda Profecia. Eles podem contemplar aquilo que tantos profetas profetizaram e esperaram, Cristo (cf Lc.10,23). A primeira aliança aponta para a ultima. “Moisés e Elias tiveram de receber a revelação no monte de Deus; eles estão agora conversando com aquele que é em pessoa a revelação de Deus”[2] Moisés, à direita, trás consigo um volume da Lei, que parece oferecer ao Cristo que já prefigurado pela pessoa de Moisés no Antigo Testamento tem nas mãos o Evangelho, que de forma perfeita contém toda a lei e o cumprimento da profecia. Orígenes diz que o erro de Pedro ao expressar o desejo

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