Homilia do Papa na solenidade dos apóstolos Pedro e Paulo

O Santo Padre celebrou neste domingo (29), a Santa Missa na solenidade dos santos apóstolos Pedro e Paulo. Durante a celebração, Francisco entregou o pálio a 24 novos arcebispos. Do Brasil, receberam o pálio Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre, e Dom José Luiz Majella Delgado, arcebispo de Pouso Alegre. Eis o texto na íntegra: Na solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, patronos principais de Roma, é com alegria e gratidão que acolhemos a Delegação enviada pelo Patriarca Ecuménico, o venerado e amado irmão Bartolomeu, guiada pelo Metropolita Ioannis. Pedimos ao Senhor que possa, também esta visita, reforçar os nossos laços fraternos no caminho rumo à plena comunhão entre as duas Igrejas irmãs, por nós tão desejada. «O Senhor enviou o seu anjo e me arrancou das mãos de Herodes» (Act 12, 11). Nos primeiros tempos do serviço de Pedro, na comunidade cristã de Jerusalém havia grande apreensão por causa das perseguições de Herodes contra alguns membros da Igreja. Ordenou a morte de Tiago e agora, para agradar ao povo, a prisão do próprio Pedro. Estava este guardado e acorrentado na prisão, quando ouve a voz do Anjo que lhe diz: «Ergue-te depressa! (…) Põe o cinto e calça as sandálias. (…) Cobre-te com a capa e segue-me» (Act 12, 7-8). Caiem-lhe as cadeias, e a porta da prisão abre-se sozinha. Pedro dá-se conta de que o Senhor o «arrancou das mãos de Herodes»; dá-se conta de que Deus o libertou do medo e das cadeias. Sim, o Senhor liberta-nos de todo o medo e de todas as cadeias, para podermos ser verdadeiramente livres. Este facto aparece bem expresso nas palavras do refrão do Salmo Responsorial da celebração litúrgica de hoje: «O Senhor libertou-me de toda a ansiedade». Aqui está um problema que nos toca: o problema do medo e dos refúgios pastorais. Pergunto-me: Nós, amados Irmãos Bispos, temos medo? De que é que temos medo? E, se o temos, que refúgios procuramos, na nossa vida pastoral, para nos pormos a seguro? Procuramos porventura o apoio daqueles que têm poder neste mundo? Ou deixamo-nos enganar pelo orgulho que procura compensações e agradecimentos, parecendo-nos estar seguros com isso? Amados Irmãos Bispos, onde pomos a nossa segurança? O testemunho do apóstolo Pedro lembra-nos que o nosso verdadeiro refúgio é a confiança em Deus: esta afasta todo o medo e torna-nos livres de toda a escravidão e de qualquer tentação mundana. Hoje nós – o Bispo de Roma e os outros Bispos, especialmente os Metropolitas que receberam o Pálio – sentimos que o exemplo de São Pedro nos desafia a verificar a nossa confiança no Senhor. Pedro reencontrou a confiança, quando Jesus lhe disse por três vezes: «Apascenta as minhas ovelhas» (Jo 21, 15.16.17). Ao mesmo tempo ele, Simão, confessou por três vezes o seu amor a Jesus, reparando assim a tríplice negação ocorrida durante a Paixão. Pedro ainda sente queimar dentro de si a ferida da desilusão que deu ao seu Senhor na noite da traição. Agora que Ele lhe pergunta «tu amas-Me?», Pedro não se fia de si mesmo nem das próprias forças, mas entrega-se a Jesus e à sua misericórdia: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que eu sou deveras teu amigo!» (Jo 21, 17). E aqui desaparece o medo, a insegurança, a covardia. Pedro experimentou que a fidelidade de Deus é maior do que as nossas infidelidades, e mais forte do que as nossas negações. Dá-se conta de que a fidelidade do Senhor afasta os nossos medos e ultrapassa toda a imaginação humana. Hoje, Jesus faz a mesma pergunta também a nós: «Tu amas-Me?». Fá-lo precisamente porque conhece os nossos medos e as nossas fadigas. E Pedro indica-nos o caminho: fiarmo-nos d’Ele, que «sabe tudo» de nós, confiando, não na nossa capacidade de Lhe ser fiel, mas na sua inabalável fidelidade. Jesus nunca nos abandona, porque não pode negar-Se a Si mesmo (cf. 2 Tm 2, 13).É fiel. A fidelidade que Deus, sem cessar, nos confirma também a nós, Pastores, independentemente dos nossos méritos, é a fonte de nossa confiança e da nossa paz. A fidelidade do Senhor para connosco mantém sempre aceso em nós o desejo de O servir e de servir os irmãos na caridade. E Pedro deve contentar-se com o amor de Jesus. Não deve ceder à tentação da curiosidade, da inveja, como quando perguntou a Jesus, ao ver ali perto João: «Senhor, e que vai ser deste?» (Jo 21, 21). Mas Jesus, perante estas tentações, responde-lhe: «Que tens tu com isso? Tu segue-Me!» (Jo 21, 22). Esta experiência de Pedro encerra uma mensagem importante também para nós, amados irmãos Arcebispos. Hoje, o Senhor repete a mim, a vós e a todos os Pastores: Segue-Me! Não percas tempo em questões ou conversas inúteis; não te detenhas nas coisas secundárias, mas fixa-te no essencial e segue-Me. Segue-Me, não obstante as dificuldades. Segue-me na pregação do Evangelho. Segue-Me no testemunho duma vida que corresponda ao dom de graça do Baptismo e da Ordenação. Segue-Me quando falas de Mim às pessoas com quem vives dia-a-dia, na fadiga do trabalho, do diálogo e da amizade. Segue-Me no anúncio do Evangelho a todos, especialmente aos últimos, para que a ninguém falte a Palavra de vida, que liberta de todo o medo e dá a confiança na fidelidade de Deus. Tu segue-Me! © Copyright – Libreria Editrice Vaticana  Fonte: ZENIT

“Unidade é um dom de Deus”, afirma Papa em encontro com delegação ortodoxa

No âmbito do tradicional intercâmbio de Delegações para as respectivas festas dos Santos Padroeiros, 29 de junho, em Roma para a celebração dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e 30 de novembro, em Istambul, para a celebração de Santo André Apóstolo, uma Delegação do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla está presente em Roma neste dias. A delegação, chefiada pelo Metropolita de Pérgamo Ioannis (Zizioulas), co-Presidente da Comissão Mista Internacional para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa, foi recebida em audiência pelo Papa Francisco nesta manhã. Manterá ainda encontros com o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Neste domingo, a Delegação vai estar presente na solene celebração eucarística presidida pelo Santo Padre. No discurso proferido pelo Papa nesta manhã à Delegação de Constantinopla, Francisco expressou o seu agradecimento ao Patriarca Ecumênico, Sua Santidade Bartolomeu I, e ao Santo Sínodo, pelo envio da mesma para compartilhar a alegria da festa de São Pedro e São Paulo. Em seguida o Santo Padre disse que ainda é viva na sua memória e no seu coração a recordação dos recentes encontros com o “amado irmão Bartolomeu” durante a comum peregrinação à Terra Santa quando “pudemos reviver a graça do abraço de cinquenta anos atrás na Cidade Santa de Jerusalém, entre os venerados predecessores, Atenágoras I e Paulo VI. “Aquele gesto profético deu um impulso decisivo a um caminho que, graças a Deus, não parou mais. Considero um presente especial do Senhor termos podido venerar juntos aqueles lugares sagrados, nos unirmos em oração diante do Sepulcro de Cristo, onde podemos tocar com a mão o fundamento da nossa esperança. A alegria do encontro se renovou depois quando, juntos, concluímos idealmente a peregrinação elevando aqui, no túmulo do Apóstolo Pedro, uma fervorosa invocação a Deus pelo dom da paz na Terra Santa, junto com os presidentes de Israel e da Palestina”. O Senhor – continuou o Papa – nos deu essas oportunidades de encontro fraterno, nos quais tivemos a oportunidade de expressar um ao outro o amor em Cristo que nos une, e renovar a vontade comum de continuar a caminhar juntos no caminho rumo à plena unidade. Sabemos bem que esta unidade é um dom de Deus, um dom que o Altíssimo nos dá já agora a graça de saborear, todas as vezes que, pela força do Espírito Santo, somos capazes de olhar um para o outro com os olhos da fé, e nos reconhecermos pelo que somos no plano de Deus, no desígnio da sua eterna vontade, e não pelo que as conseqüências históricas dos nossos pecados nos levaram a ser. Se aprendermos, guiados pelo Espírito, a nos olharmos sempre um ao outro em Deus, será ainda mais acelerado o nosso caminho e mais ágil a colaboração em tantos campos da vida diária que já hoje felizmente nos une. O Papa destacou ainda que esse olhar teologal se nutre de fé, de esperança, de amor; isso é capaz de gerar uma reflexão teológica autêntica, que é na realidade verdadeira “scientia Dei”, participação no olhar que Deus tem sobre si mesmo e sobre nós. Confio, portanto, e rezo, para que o trabalho da Comissão mista internacional possa ser expressão desta compreensão profunda, desta teologia “feita de joelhos”. A reflexão sobre conceitos de primazia e de sinodalidade, sobre comunhão na Igreja universal, sobre o ministério do Bispo de Roma, não será então exercício acadêmico nem uma simples disputa entre posições inconciliáveis. O Papa concluiu agradecendo com sentimentos de sincero respeito, de amizade e de amor em Cristo a presença da Delegação de Constantinopla, pedindo que transmitisse ao “venerado irmão Bartolomeu” a sua saudação e que rezassem por ele e pelo ministério a ele confiado. Fonte: Rádio Vaticano

Audiência com o Papa: “Ninguém se torna cristão por si mesmo”

Mais de 40 mil peregrinos, apesar do tempo instável, lotaram esta manhã a Praça S. Pedro para a Audiência Geral, a última deste mês de junho. Agora, o encontro público das quartas-feiras do Papa com os fiéis será retomado em agosto, após o tradicional período de repouso do verão europeu. De fato, devido ao calor e à ameaça de chuva, Francisco saudou os doentes antes do início da Audiência, na Sala Paulo VI, rezando com eles uma Ave-Maria. Já em meio à multidão, na Praça, o Pontífice prosseguiu o ciclo de catequeses sobre a Igreja, falando da pertença do cristão ao corpo eclesial. Não estamos isolados, cada um vivendo sua identidade por conta própria, explicou Francisco. “Se o nome é ‘sou cristão’, o sobrenome é ‘pertenço à Igreja’. A nossa identidade é pertença.” Nesse sentido, prosseguiu o Papa, nosso sentimento é de gratidão por aqueles que nos precederam e nos acolheram na Igreja. “Ninguém se torna cristão sozinho. Não é criado em laboratório. É parte de um povo que vem de longe. Se cremos, é porque outros, antes de nós, viveram a fé e a transmitiram.” Todos nós temos um familiar ou um pároco que nos introduziu nesta família, ensinando-nos a base da nossa fé. No caso de Francisco, ele contou que se lembra sempre de uma freira que lhe ensinou o catecismo. Este caminho, recordou, pode ser vivido não somente graças a outras pessoas, mas com outras pessoas. “Na Igreja, não existe o ‘agir por si’, não existem jogadores na função de “líbero”. Quantas vezes o Papa Bento descreveu a Igreja como um “nós” eclesial! Às vezes, alguém diz que acredita em Deus, em Jesus, mas não na Igreja; que considera possível ter uma relação pessoal, direta, imediata com Cristo fora da comunhão e da mediação da Igreja. Trata-se de tentações perigosas e nocivas. São, como dizia Paulo VI, dicotomias absurdas”, disse o Papa, reconhecendo todavia quão exigente possa ser o “caminhar junto” devido ao comportamento de alguns irmãos. “Mas o Senhor confiou a sua mensagem de salvação a pessoas humanas; e é nos nossos irmãos e irmãs, com seus dons e limites, que Ele nos vem ao encontro e se faz reconhecer. E isso significa pertença à Igreja.” O Pontífice concluiu pedindo a Nossa Senhora que nos conceda a graça de jamais cair na tentação de pensar que podemos prescindir dos outros e da Igreja, salvando-nos sozinhos. “Pelo contrário, não podemos amar a Deus sem amar os irmãos, fora da Igreja; não se pode estar em comunhão com Ele sem estar em comunhão com a Igreja, e só podemos ser bons cristãos com todos aqueles que tentam seguir o Senhor Jesus, como um só povo, um único corpo.” Após a catequese, o Papa saudou os inúmeros grupos oriundos de vários países. Aos lusófonos, disse: “Com cordial afeto, saúdo todos os peregrinos de língua portuguesa, em especial o grupo brasileiro de Nossa Senhora da Consolata, em São Manoel, e os fiéis do Santuário de Nossa Senhora do Porto, em Portugal. Irmãos e amigos, estais em boas mãos, estais nas mãos da Virgem Maria. Ela vos proteja da tentação de prescindir dos outros, de pôr a Igreja de lado, de pensar em salvar-vos sozinhos. Rezai por mim! Que Deus vos abençoe!”   Fonte: Rádio Vaticano

Papa cita os 3 verbos do cristão: “Preparar, discernir e diminuir”, como São João

“O cristão não anuncia si mesmo, mas o Senhor”. Foi o que disse o Papa na missa matutina na Casa Santa Marta, na solenidade da Natividade de São João Batista. O Papa também se centrou nas vocações do “maior dos profetas”: preparar, discernir, diminuir. Preparar a chegada do Senhor, discernir quem é o Senhor, diminuir para que o Senhor cresça. O Papa indicou nestes três verbos as vocações de João Batista, modelo sempre atual para os cristãos. Francisco lembrou que João preparava o caminho para Jesus “sem tomar nada para si. Era um homem importante: “o povo o procurava, o seguia, porque as palavras de João eram fortes”, iam ao coração. Ele até teve a tentação de acreditar ser importante, mas não cedeu. Quando os doutores da lei se aproximaram e perguntaram se ele era o Messias, João respondeu: “Sou voz, somente voz, mas vim preparar o caminho ao Senhor”. esta é a primeira vocação do Batista – evidenciou o Papa: “Preparar o povo, o coração do povo para o encontro com o Senhor. Mas quem é o Senhor?”. “E esta é a segunda vocação de João: discernir, em meio a tanta gente boa, quem era o Senhor. O Espírito lhe revelou e ele teve a coragem de apontar: é este. “Este é o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo”. Os discípulos olharam ao homem e o deixaram ir. No dia seguinte, aconteceu a mesma coisa. “É aquele! É mais digno que eu!”. Os discípulos foram atrás Dele. Na preparação, João dizia: “Atrás de mim, virá ele…” No discernimento, diz: “Na minha frente.. é ele!”. A terceira vocação de João, prosseguiu, é diminuir. A partir daquele momento, “a sua vida começou a se reduzir, a diminuir para que o Senhor crescesse, até aniquilar a si mesmo: “Ele deve crescer, eu diminuir”. “Atrás de mim, na minha frente, longe de mim”: “E esta foi a etapa mais difícil de João, porque o Senhor tinha um estilo que ele não tinha imaginado, a ponto de que na prisão – porque estava preso naquele tempo – sofreu não somente a escuridão da cela, mas o breu no seu coração: ‘Mas, será isto? Não errei? Porque o Messias tem um estilo muito simples… Não se entende…’. E já que era homem de Deus, pede aos seus discípulos que perguntem a Ele: ‘Mas, és Tu realmente, ou devemos esperar outro Messias?’. “A humilhação de João – constatou – é dúplice: a humilhação da sua morte, como preço de um capricho”, mas também a humilhação “da escuridão da alma”. João que soube “esperar” Jesus, que soube “discernir”, “agora vê Jesus distante”. “Aquela promessa – reiterou o Papa – se afastou. E acaba só. Na escuridão, na humilhação”. Permanece só “porque se aniquilou tanto para que o Senhor crescesse”. João, disse ainda, vê o Senhor que está “distante” e ele “humilhado, mas com o coração em paz”: “Três vocações num homem: preparar, discernir, deixar crescer o Senhor e diminuir a si mesmo. É belo pensar a vocação do cristão assim. Um cristão não anuncia si mesmo, anuncia outro, prepara o caminho a outro: ao Senhor. Um cristão deve saber discernir, deve conhecer como discernir a verdade daquilo que parece verdade, mas não é: homem de discernimento. E um cristão deve ser um homem que saiba diminuir-se para que o Senhor cresça, no coração e na alma dos outros”.  Fonte: Rádio Vaticano 

A saúde do Papa

“Especulações completamente sem fundamento”: assim o Diretor da Rádio Vaticano e da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, responde às notícias publicadas recentemente pela imprensa de que o Papa Francisco estaria doente depois de cancelar ou reduzir alguns compromissos de sua agenda. Leia a seguir a entrevista exclusiva que o Pe. Lombardi concedeu ao Programa Brasileiro. Programa Brasileiro:- Pe. Lombardi, partimos de um fato destes dias: parte da imprensa brasileira tem especulado sobre a saúde do Papa, com ilações de que Francisco não estaria muito bem. O que o senhor pode nos dizer a esse respeito: Pe. Lombardi:- São especulações completamente sem fundamento. Em parte, essas especulações se devem ao fato que publicamos qual é a atividade do Papa durante o período de verão (europeu), portanto, a redução de seus compromissos habituais neste período. Isso significa que não haverá as audiências gerais do mês de julho e as missas na Casa Santa Marta nos meses de julho e agosto. Isso foi interpretado por alguns como redução dos compromissos por motivo de saúde. Isso é absolutamente desprovido de razão, porque é exatamente a mesma coisa que se fez no ano passado, em que não houve as missas da manhã durante todo o mês de julho e de agosto e não houve as audiências gerais durante todo o mês de julho e, inclusive, foram depois suspensas também durante o mês de agosto porque havia poucas inscrições. Então isso é normal, não há nenhum motivo particular de saúde do Papa. Aproveito para recordar que também seus predecessores faziam o mesmo tipo de redução dos compromissos durante o período do verão. João Paulo ia para lugares de montanha durante o mês de julho e não fazia nenhuma audiência geral. Também Bento XVI ia para Castel Gandolfo, e as audiências gerais eram suspensas durante o mês de julho. Portanto, se trata de algo absolutamente normal feito pelos predecessores. Uma redução dos compromissos do Papa é também uma redução do trabalho de seus colaboradores. O Papa não está sozinho no Vaticano ou na Igreja: toda iniciativa do Papa envolve muitas pessoas que trabalham em função dos compromissos do Santo Padre, que devem desempenhar vários serviços relacionados à atividade do Papa. Devem receber os pedidos de participação nas audiências, distribuir os bilhetes, dispor as cadeiras, colocar as coisas em ordem, limpar, em suma, fazer tantas coisas. Inclusive para as missas que celebra na Casa Santa Marta várias pessoas trabalham quer para a preparação, quer para a realização e o acolhimento dos grupos todas as manhãs. O Papa sabe que também essas pessoas precisam repousar de vez em quando. O Papa e seus colaboradores devem ter um ritmo humano de trabalho. É justo que, durante o período de verão, haja uma redução dos compromissos. É algo absolutamente normal e não há nenhum motivo de saúde. Noto que o Papa Francisco decidiu, como no ano passado, permanecer na Santa Marta durante o verão. Não ir para fora de Roma, mas ter um período com menos compromissos públicos que lhe permite fazer outro tipo de trabalho, de reflexão, de oração, com um ritmo mais calmo, mas também que lhe permite pensar, escrever. Nos meses de verão do ano passado, o Papa escreveu a Evangelii Gaudium, que é um grande documento, muito importante para toda a Igreja. Certamente, houve a oportunidade para que pudesse pensá-lo e escrevê-lo. Se todos os dias ele tiver audiências, colóquios e outras coisas, nunca terá tempo para pensar em algum documento ou em alguma reflexão mais aprofundada. Agora, sabemos que está sendo preparada uma nova Encíclica, da qual falou, sobre a proteção da criação, sobre a ecologia. Há inúmeros empenhos importantes do Papa para o próximo outono, há o Sínodo sobre a Família, outras viagens. Há pouco anunciou a viagem à Albânia. Depois há viagem à Ásia e assim por diante. Os compromissos são numerosos e também a preparação para esses empenhos requer concentração e tempo. O verão deste ano servirá para isso. Destaco ainda que, no ano passado, no mês de julho o Papa foi ao Rio para a Jornada Mundial da Juventude e, depois, fez um período mais longo de descanso dos compromissos públicos em agosto. Este ano será o inverso, porque em agosto o Papa irá à Coreia, uma longa viagem em outro continente. Portanto, os compromissos serão mais reduzidos em julho, de modo que tenha um tempo de interrupção. Programa Brasileiro:- Portanto, Pe. Lombardi, na verdade este período de verão em que não há compromissos públicos do Santo Padre, é um período ao invés em que o Papa trabalha muito, como o senhor reiterou. Há esses compromissos, há a Encíclica sobre a ecologia em preparação, certamente este período podemos prever também um tempo disponível para toda essa preparação, para a redação do documento…. Pe. Lombardi:- Não cabe a nós fazer a agenda do Papa e ditar quais trabalhos que ele tem que fazer. O Papa certamente é muito ativo, prepara documentos, faz reflexões. Mantém encontros. No ano passado, mesmo sem as audiência públicas, realizou durante o verão encontros e atividades que eram importantes para desenvolver suas reflexões. Portanto, não é certamente um tempo “vazio”, é um tempo “cheio”, mas de maneira diferente, sem os compromissos públicos que caracterizam a agenda normal: não há audiências a chefes de Estado ou a outras grandes personalidades. Não há as grandes audiências na Praça no mês de julho, porém o Papa igualmente trabalha, reza, estuda, escreve e encontra pessoas como faz habitualmente. Gostaria de acrescentar outra pequena consideração: houve dias em que o Papa suspendeu algumas audiências previstas e as adiou para outro momento. Isso aconteceu porque havia naquele dia um motivo para descansar um pouco, devido a uma leve indisposição ou outra razão. Também isso deve ser considerado absolutamente normal para uma pessoa que tem um ritmo de atividade incrível, como o Papa tem, que trabalha de manhã, à tarde, quase sempre sem interrupção. Portanto, se ele tira um momento de repouso, naturalmente deverá mexer ou adiar alguns dos compromissos assumidos.

Papa: “Quem julga o próximo toma o lugar de Deus”

“Quem julga o irmão erra e será julgado do mesmo modo. Deus é ‘o único juiz’ e quem é julgado pode sempre contar com o primeiro defensor, Jesus, e com o Espírito Santo”. Este foi o teor da homilia na missa celebrada pelo Papa na capela de sua residência na manhã desta segunda-feira, 23. Quem julga o irmão é hipócrita, usurpa um lugar e um papel que não lhe compete e é um perdedor, porque terminará sendo vítima de sua própria falta de misericórdia. Depois de ler o trecho do Evangelho de Mateus sobre o cisco e a trave no olho, o Papa disse que “a pessoa que julga erra, se confunde e é derrotada, porque assume o papel de Deus, que é o único juiz”. “Fica tão obcecada pela pessoa que quer julgar que o seu cisco não o deixa dormir, e não percebe a trave que tem em si. Confunde, acredita que a trave seja o cisco. Quem julga acaba mal porque a mesma medida será usada para julgá-la. O juiz que toma o lugar de Deus aposta em uma derrota: é soberbo e será julgado com a mesma medida com a qual julga”. “Jesus, diante do Pai, nunca acusa! Ao contrário, defende! É o primeiro paráclito. Depois, nos envia o segundo, que é o Espírito. Diante do Pai, ele nos defende das acusações, que na Bíblia, é o demônio satanás. Jesus julgará, sim: no fim do mundo; mas neste meio tempo, intercede, defende…” Concluindo, quem julga – afirmou o Papa – “é um imitador do príncipe deste mundo, vai sempre atrás das pessoas para acusá-las diante do Pai”. “Que o Senhor – concluiu – nos dê a graça de imitar Jesus defensor, advogado nosso e dos outros, e de não imitar o outro, que quer nos destruir”: “Se quisermos percorrer o caminho de Jesus, temos que defender os outros diante do Pai. Rezar por ele. Lembremo-nos disso, nos fará bem na vida de todos os dias, quando ficamos com vontade de julgar os outros ou de falar mal, que é uma forma de julgar”. Fonte: Rádio Vaticano

O interesse do Papa pela Copa do Mundo

Que o Papa Francisco gosta de futebol não é segredo. É argentino e como membro do São Lorenzo Futebol Clube, o Pontífice não oculta sua afeição pelo esporte e a mensagem que dirigiu ao início do Mundial de Futebol FIFA teve uma enorme repercussão. Sobre este grande interesse do Papa, Santiago Pérez de Camino Gaisse, responsável pela Seção “Igreja e Esporte” do Conselho Pontifício para os Laicos, explicou ao grupo ACI/EWTN o sentido da atitude do Pontífice. “Certamente, este Mundial está marcado no nível espiritual pela mensagem do Papa Francisco, um grande aficionado ao futebol e que insistido na necessidade de evangelizar através do esporte”, explicou Pérez em uma entrevista cedida em Roma. Do mesmo modo, lamentou a polêmica pela celebração do Mundial e as desigualdades sociais que atravessa o Brasil e as manifestações violentas em pleno mundial. “A Copa não é a causa da desigualdade no país. As desigualdades existem, haja mundial ou não. E sobre elas o país tem que fazer o possível para melhorar ”, sublinhou. Neste sentido, indicou que “é justo e necessário que se reflita sobre como se investe o dinheiro do país e como se distribui o orçamento. A Copa do Mundo não é só gasto, também contribui com lucros ao país, cria empregos e gera negócio. Mas o que o governo deve controlar é que a Copa do Mundo não sirva como desculpa para criar injustiças ou focos de corrupção”. “Possivelmente há um ponto sobre o qual não se fixou o olhar. E é que no passado, lamentavelmente, os mundiais às vezes levavam ao esquecimento dos problemas de um país. Era um momento onde só se olhava para um lado e se esquecia de todo o resto. O povo brasileiro vive estes anos um momento histórico. A Jornada Mundial da Juventude, a Copa do Mundo, eleições em outubro, um novo presidente em 2015 quando celebrará 30 anos de democracia, os Jogos Olímpicos em 2016… A diferencia de outras ocasiões, o povo brasileiro soube olhar além do acontecimento esportivo fazendo uma reflexão não só em nível nacional mas também internacional. E isto acredito que é positivo”, afirmou. Por último, em referência à atitude dos jogadores no campo, Pérez de Camino considerou que é necessário criar um jogo limpo, e que aquele jogador que suja uma partida com uma atitude desonrosa não é um verdadeiro esportista. “O ‘jogo limpo’ é uma característica essencial do esporte. Poderia dizer-se que é viver o esporte com humanidade. Ser esportivo. A pessoa que não vive e pratica o esporte como um meio para fazer valer sua dignidade como pessoa e fazer valer a de outros mas passa por cima deles e busca exclusivamente seu próprio êxito, que não cuida seu corpo e utiliza ‘caminhos mais fáceis’ para obter o êxito, não é um verdadeiro esportista”. Um verdadeiro esportista dá o melhor de si para ganhar, mas não a costa do contrário”, concluiu.   Fonte: ACI Digital

Francisco ao clero: Somos bons operários ou nos tornamos ‘funcionários’ de Deus?

Em encontro com os sacerdotes diocesanos, na Catedral de Cassano, neste sábado (21), o Papa Francisco foi saudado formalmente pelo bispo, Dom Nunzio Galantino, e em conversa informal com o clero, agradeceu antes de tudo pelo acolhimento e o trabalho intenso que desempenham nas paróquias da comunidade. Francisco quis compartilhar com eles a alegria de ser padre, “uma surpresa sempre nova de ter sido chamado pelo Senhor Jesus a segui-lo, estar com Ele, ir com os outros levando Ele, sua palavra e seu perdão…”. A respeito do ministério, o Pontífice refletiu: “Somos bons operários ou nos tornamos ‘funcionários’ de Deus? Somos canais abertos e generosos ou nos colocamos no centro de tudo?”. O Papa também lembrou a ‘beleza da fraternidade’: “Ser padres juntos, seguindo o Senhor em nossa variedade de dons e personalidades – que enriquecem o presbitério – na diversidade de proveniências, de idades, de talentos… vivendo tudo na comunhão e na fraternidade”. “Mas isto não è fácil”, ressalvou, “por causa da cultura do egocentrismo e do individualismo pastoral infelizmente muito comum nas dioceses hoje”. “E é por isso que se deve fazer a ‘escolha’ da fraternidade, da comunhão em Cristo no presbitério, ao redor do bispo. È preciso vivê-las concretamente, de acordo com a realidade do território, em perspectiva apostólica, com estilo missionário e simplicidade de vida”, frisou. Além da alegria de ser padre e da beleza da fraternidade, o Papa quis encorajar também o clero ao trabalho com as famílias e para as famílias, nestes tempos tão difíceis por causa da crise. “Justamente quando o tempo é difícil, Deus nos faz sentir a sua proximidade, sua graça, a força profética de sua Palavra. E nós somos chamados a ser testemunhas, mediadores de sua proximidade às famílias”, concluiu. Fonte: Rádio Vaticano

Francisco almoça com pobres e dependentes químicos em Cassano

“Forte é aquele que depois de cair, consegue se levantar”, disse o Papa Francisco, falando aos hóspedes da comunidade terapêutica Na visita pastoral realizada sábado, 21, pelo Papa, constou um almoço no refeitório do Seminário. O evento foi especial porque ao lado do Pontífice, foram convidados os pobres assistidos pela Caritas diocesana e os jovens da Comunidade terapêutica ‘Mauro Rostagno’, que cuida da recuperação de jovens com problemas de droga. A Comunidade foi fundada 30 anos atrás numa propriedade confiscada à criminalidade organizada local. “Forte é aquele que depois de cair, consegue se levantar”, disse Francisco, falando aos hóspedes da Comunidade. O Pontífice se aproximou das mesas, cumprimentou e trocou palavras com todos. As pessoas presentes se disseram “emocionadas e particularmente tocadas com a experiência vivida”. Logo em seguida, por volta das 14h30, Francisco foi levado, de carro, até o asilo para idosos “Casa Serena”, onde esteve por cerca de 45 minutos ao lado dos hóspedes. No trajeto, a comitiva fez uma breve parada diante da Paróquia de São José, onde em 3 de março passado, foi assassinado o sacerdote diocesano Padre Lazzaro Longobardi, depois de descobrir um furto de dinheiro na canônica da paróquia. Seu assassino, o jovem romeno Dudu Nelus, está detido na Penitenciária visitada pelo Pontífice ao chegar a Cassano. Fonte: Rádio Vaticano

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