Papa diz que hoje há mais cristãos mártires que nos primeiros séculos da Igreja

“A liberdade religiosa segundo o direito internacional e o conflito global dos valores” foi o tema de um Congresso Internacional promovido em Roma pela Universidade (católica) LUMSA. Acolhendo no Vaticano os participantes nesta iniciativa, o Papa Francisco considerou, nesta sexta-feira (20), “incompreensível e preocupante que, ainda hoje, subsistam no mundo discriminação e restrições de direitos, pelo simples facto de se pertencer e professar publicamente uma determinada fé”. “É inaceitável que persistam até mesmo autênticas perseguições por motivos de pertença religiosa! Isto ofende a razão, atenta contra a paz e humilha a dignidade do homem!” O Papa exprimiu o “grande sofrimento” que para ele representa “constatar que os cristãos são os que em maior número sofrem no mundo tais discriminações… Há hoje em dia mais cristãos mártires do que nos primeiros séculos da Igreja. E isto a mais de 1700 anos do Édito de Constantino, que concedia aos cristãos a liberdade de professar publicamente a sua fé!” Na primeira parte da sua intervenção, sobre os fundamentos da liberdade religiosa, o Papa fez notar que a razão reconhece esta liberdade como “um direito fundamental que reflecte a mais elevada dignidade da pessoa – a de poder procurar a verdade, para a ela aderir, sublinhando que a liberdade religiosa não diz só respeito à liberdade de pensamento e de culto: “É liberdade de viver – tanto privada como publicamente – segundo os princípios éticos consequentes com a verdade encontrada.” Trata-se – considerou o Papa de “um grande desafio no mundo globalizado”, o qual “em nome de um falso conceito de tolerância acaba por perseguir aqueles que defendem a verdade sobre o homem e as suas consequências éticas”. Fonte: Rádio Vaticano

Papa aos detentos: Deus sempre perdoa, sempre acompanha, sempre compreende

O Papa Francisco partiu na manhã de sábado, 21, do heliporto do Vaticano, para visitar pela primeira vez o município italiano de Cassano allo Jonio (sul do país). Nesta pequena cidade calabresa, a máfia local, conhecida como Ndrangheta, assassinou no início deste ano um menino de 3 anos. Em 20 de janeiro, foi encontrado o corpo carbonizado de Nicola Campolongo, ‘Cocó’, com seu avô e a companheira, dentro de um carro nas redondezas de Cassano. O crime comoveu a Itália e também o Pontífice, que no encontro dominical com os fiéis, em 26 de janeiro, pediu aos autores do delito que se arrependessem. Hoje, cinco meses depois, Jorge Bergoglio se encontra na localidade de 17.000 habitantes para condenar os assassinatos de organizações mafiosas e levar a sua solidariedade e apoio aos cidadãos desta região, das mais pobres da Itália. A primeira etapa da visita foi o cárcere ‘Rosetta Sisca’ de Castrovillari, a poucos km de Cassano. O Pontífice foi recebido no heliporto pelo bispo diocesano, Dom Nunzio Galantino e o Prefeito da cidade, Domenico Lo Polito. Duas crianças também aguardavam o Papa. A pé, Francisco se dirigiu ao edifício, cumprimentando no caminho os familiares dos agentes penitenciários e retribuindo o carinho de todos. Mais de mil pessoas esperavam sua chegada desde as primeiras horas da manhã. O Pontífice saudou ainda um grupo de portadores de deficiência antes de entrar no Penitenciário. O Diretor do cárcere, Fedele Rizzo, acompanhou o Pontífice na visita, durante a qual, o Papa encontrou o pai e outros parentes do menino Cocó. “Que nunca mais aconteça que uma criança sofra como ele…”, disse o Pontífice. Segundo Pe. Ciro Benedettini, vice-diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, o Papa teria tido um momento privado com o pai e as duas avós de Cocó, expressando sua proximidade à família. Francisco se referiu à violência, dizendo que “nunca mais deve acontecer uma coisa deste gênero na sociedade”. O Papa também assegurou que está rezando muito pelo menino e por todas as crianças vítimas do sofrimento”. No pátio interno, Francisco teve um encontro com os detentos, cerca de 200 homens e mulheres, os policiais e funcionários da prisão, e a eles, fez um discurso. O Papa começou sublinhando que com esta visita, ele quer se mostrar próximo aos detentos de todas as partes do mundo. Francisco disse que “os direitos fundamentais e as condições humanas no cumprimento das penas de detenção devem ser aliados ao compromisso concreto das instituições em vista de uma reinserção social efetiva; caso contrário, a execução da pena se reduz a um instrumento de punição e retorção social que pode ser prejudicial para o indivíduo e a sociedade”. “Por outro lado – continuou – a verdadeira integração não se dá com um percurso exclusivamente ‘humano’. Neste caminho, deve ser incluído o encontro com Deus, a capacidade de nos deixarmos guiar por Deus que nos ama, que é capaz de nos compreender e perdoar nossos erros. O Senhor é um mestre da reintegração: ele nos conduz por mão à comunidade social. O Senhor sempre perdoa, sempre acompanha, sempre compreende. E nós devemos nos deixar compreender, perdoar e acompanhar”. O Papa aconselhou os detentos a transformarem o período na prisão em um tempo precioso no qual pedir e obter esta graça de Deus. “Assim, vocês mesmos se tornarão melhores, e ao mesmo tempo, suas comunidades também, porque no bem e no mal, nossas ações influem sobre os outros e sobre toda a família humana”, completou. Enfim, dirigiu seus cumprimentos a todos os parentes e empregados do cárcere, abençoando-os e confiando-os à proteção de Maria. Improvisando, pediu: “Rezem por mim porque eu também cometo erros e tenho que fazer penitência”. Às 10h30 (horário local), o Papa deixou a Penitenciária e de helicóptero, se dirigiu à cidade de Cassano. Fonte: Rádio Vaticano

Homilia do Papa na solenidade de Corpus Christi

Segue, na íntegra, a homilia do Papa Francisco na missa celebrada na tarde desta quinta-feira, 19 de junho, Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, na Basílica Papal de São João de Latrão, em Roma. “O Senhor, teu Deus, (…) te alimentou com o maná, que tu não conhecias” (Dt 8,3). Estas palavras de Moisés fazem referência à história de Israel, que Deus fez sair do Egito, da condição de escravidão, e por quarenta anos o guiou no deserto para a terra prometida. Uma vez estabelecido na terra, o povo eleito atingiu uma autonomia, um bem-estar, e correu o risco de esquecer as tristes vicissitudes do passado, superadas graças à intervenção de Deus e à sua infinita bondade. Então as Escrituras exortam a recordar, a fazer memória de todo o caminho feito no deserto, no tempo da carestia e do desconforto. O convite de Moisés é o de voltar ao essencial, à experiência de total dependência de Deus, quando a sobrevivência foi colocada em suas mãos, para que o homem compreendesse que “não vive apenas de pão, mas de tudo aquilo que procede da boca do Senhor” (Dt 8,3). Além da fome material o homem leva consigo outra fome, uma fome que não pode ser saciada com comida comum. É a fome de vida, fome de amor, fome de eternidade. O sinal do maná – como toda experiência do êxodo – continha em si também esta dimensão: era figura de uma comida que sacia esta fome mais profunda que existe no homem. Jesus nos dá este alimento, assim, é Ele mesmo o pão vivo que dá vida ao mundo. Seu Corpo é verdadeira comida sob a espécie de pão; seu Sangue é verdadeira bebida sob a espécie de vinho. Não é um simples alimento com o qual sacia nossos corpos, como o maná; o Corpo de Cristo é o pão dos últimos tempos, capaz de dar vida, e vida eterna, porque a substancia deste pão é Amor. Na Eucaristia se comunica o amor do Senhor por nós: um amor tão grande que nos nutre com Si mesmo; um amor gratuito, sempre à disposição de todos os famintos e necessitados de restaurar as próprias forças. Viver a experiência da fé significa deixar-se alimentar pelo Senhor e construir a própria existência não sobre bens materiais, mas sobre a realidade que não perece: os dons de Deus, sua Palavra e seu Corpo. Se olharmos ao nosso redor, daremos conta de que existem tantas ofertas de alimento que não vem do Senhor e que aparentemente satisfazem mais. Alguns se nutrem com o dinheiro, outros com o sucesso e com a vaidade, outros com o poder e com o orgulho. Mas a comida que nos alimenta verdadeiramente e que nos sacia é somente aquela que nos dá o Senhor! O alimento que nos oferece o Senhor é diferente dos outros e talvez não nos pareça assim saboroso como certas iguarias que nos oferecem o mundo. Agora sonhamos com outros alimentos, como os hebreus no deserto que choravam a carne e as cebolas que comiam no Egito, mas esqueciam que aqueles alimentos eram comidos na mesa da escravidão. Eles, naqueles momentos de tentação, tinham memória, mas uma memória doente, uma memória seletiva. Cada um de nós, hoje, pode se perguntar: e eu? Onde quero comer? Em que mesa quero me alimentar? Na mesa do Senhor? Desejo comer comidas gostosas, mas na escravidão? Qual é minha memória? Aquela do Senhor que me salva ou a do alho e das cebolas da escravidão? Com que lembrança eu satisfaço minha alma? O Pai nos diz: “Te alimentei com o maná que tu não conhecias”. Recuperemos a memória e aprendamos a reconhecer o pão falso que ilude e corrompe, porque fruto do egoísmo, da auto-suficiência e do pecado. Daqui a pouco, na procissão, seguiremos Jesus realmente presente na Eucaristia. A Hóstia é nosso maná, mediante o qual o Senhor nos dá a si mesmo. A Ele nos dirigimos com fé: Jesus, defende-nos das tentações do alimento mundano que nos faz escravos; purifica nossa memória, para que não se torne prisioneira da seletividade egoísta e mundana, mas seja memória viva da tua presença ao longo da história do teu povo, memória que faz “memorial” do teu gesto de amor redentor. Amém.   Fonte: news.va

Romanos farão vigília de oração pelo Papa sexta, dia 20

Sexta-feira, 20 de junho, haverá na Praça São Pedro, pelo décimo ano consecutivo, a Vigília de oração pelo Santo Padre e por seu pontificado, presidida pelo Card. Angelo Comastri, arcipreste da Basílica de São Pedro. A vigília será animada pelas famílias com o Santo Rosário; serão acesas tochas, haverá cantos e a saudação ao Santo Padre. A iniciativa é promovida pelo Movimento do Amor Familiar, e nasce do profundo sentimento de amor e de serviço que o une ao Papa Francisco, Bispo da Igreja de Roma, e do desejo de responder concretamente ao seu convite para rezar por seu ministério petrino, importante para todo o mundo. O Encontro está marcado para as 20h45, na Praça São Pedro. Após a primeira parte do programa, às 22h terá início o Canto de louvor a Deus.   Fonte: news.va

Corpus Christi com Papa Francisco

Nesta quinta-feira, 19, Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, o Santo Padre presidirá a Missa na Basílica São João de Latrão às 19 horas e após, guiará a procissão, que percorrerá a Via Merulana, até a Basílica Santa Maria Maior. A Rádio Vaticano transmitirá a cerimônia, com comentários em português, a partir das 13h50min, horário de Brasília. “A celebração do Corpus Christi – explica o Padre Giuseppe Midili, Diretor do Escritório Litúrgico da Diocese de Roma – é um evento central na vida espiritual da diocese porque é o momento em que a Igreja de Roma se une em oração com o seu Bispo, o Papa Francisco, na celebração do Sacramento da Eucaristia, centro da vida da comunidade dos fieis que, mesmo na diversidade dos carismas e das vocações, convergem em unidade ao redor da mesa eucarística”. Os bilhetes de ingresso serão distribuídos pela Secretaria Litúrgica do Vicariato de Roma. Os fotógrafos e operadores de vídeo, para participar do evento, deverão estar credenciados na Sala de Imprensa da Santa Sé (accreditamenti@pressva.va). Fonte: Rádio Vaticano

Programa da viagem do Papa à Coreia na Jornada da Juventude

Santa Sé divulgou programação do pontífice para a viagem de 13 a 18 de agosto A terceira viagem internacional do Santo Padre acontecerá em agosto: Francisco vai à Coreia do Sul para a Jornada da Juventude Asiática. Depois de visitar o Brasil em julho de 2013, para a Jornada Mundial da Juventude no Rio, e de peregrinar à Terra Santa no mês passado, o papa viajará em agosto ao Extremo Oriente. Serão 5 dias e 10 ocasiões para escutar o Santo Padre falar em público. O pontífice se encontrará com jovens, bispos, pessoas deficientes, autoridades civis, comunidades religiosas, líderes do apostolado leigo e líderes religiosos. Outro dos atos centrais da viagem será a cerimônia de beatificação de Paul Yun Ji-Chung e de 123 companheiros mártires. Na quarta-feira, 13 de agosto, às 16h do horário romano, o Santo Padre partirá do aeroporto do Fiumicino, na capital italiana, com destino a Seul. A chegada à Coreia está prevista para o dia seguinte, 14 de agosto, às 10h30 do horário de Seul. A viagem começará com a santa missa, celebrada às 12h, em particular, na nunciatura apostólica. À tarde, às 15h45, acontecerá a cerimônia de boas-vindas, com a visita de cortesia à presidente da República. Em seguida, o papa se reunirá com as autoridades e fará o primeiro discurso da viagem. O encontro seguinte será com os bispos da Coreia na sede da Conferência Episcopal, onde o papa fará o seu segundo discurso público, encerrando a primeira jornada. No dia 15 de agosto, pela manhã, Francisco irá até Daejeon de helicóptero. Às 10h30 celebrará a santa missa na solenidade da Assunção de Maria no Estádio da Copa do Mundo de 2002. A eucaristia será seguida pelo ângelus e por uma alocução do Santo Padre. Para o almoço, ele se reunirá com os jovens no Seminário Maior da cidade. Ao terminar, de novo a bordo de helicóptero, Francisco se dirigirá ao Santuário de Solmoe. Às 17h30, encontrará os jovens da Ásia e fará mais um discurso, regressando depois a Seul. No sábado, 16 de agosto, Francisco visitará pela manhã o Santuário dos Mártires de Seo So Mun. Às 10h, presidirá a santa missa de beatificação de Paul Yun Ji-Chung e de 123 companheiros mártires, na Porta de Gwanghwamun, em Seul. Depois do almoço, o papa viajará de helicóptero até Kottongnae, onde visitará o centro de reabilitação para portadores de deficiência, na Casa da Esperança. Em seguida, encontrará comunidades religiosas da Coreia no Centro Escola de Amor, onde fará outro discurso público. Francisco tem outro encontro programado para a mesma tarde, com os líderes do apostolado leigo no Centro de Espiritualidade da cidade. Às 19h, o papa regressará a Seul. No domingo, 17 de agosto, o papa viajará a Haemi para encontrar os bispos da Ásia no santuário, pronunciando mais um discurso. A seguir, almoçará com eles no refeitório do santuário e, depois do almoço, celebrará a santa missa de encerramento da 6ª Jornada da Juventude Asiática no Castelo de Haemi. O Santo Padre regressará então à capital do país para passar a última noite dessa viagem à Coreia do Sul. Finalmente, na segunda-feira, 18 de agosto, o papa começará o dia com os líderes religiosos no Palácio da Cúria da arquidiocese de Seul e celebrará a Santa Missa pela Paz e pela Reconciliação na Catedral de Myeong-dong. Depois, às 12h45, acontecerá a cerimônia de despedida na Base Aérea, com o avião decolando às 13h de volta para Roma. Fonte: Zenit

Francisco: ‘Se a Igreja não é mãe, não é fecunda e se torna solteirona’

Ao abrir o Congresso Diocesano de Roma, na segunda-feira (16), Papa Francisco afirmou que “Se a Igreja não é mãe, não é fecunda e se torna solteirona”. A sua identidade, segundo o pontífice, é evangelizar, ou seja, gerar filhos. Ele defendeu, ainda, a recuperação da memória da família Os ritmos da vida cotidiana, o cansaço do trabalho e da educação esmagam as pessoas. Isso vale na sociedade, mas também na Igreja, e também na Igreja se corre o risco de encontrar-se diante de uma geração de “órfãos”. O Papa pediu às paróquias que estudem esse aspecto de “orfandade”, como para fazer recuperar a memória de família, estudar de modo que nas paróquias haja a memória. O Santo Padre o fez na noite desta segunda-feira, na Sala Paulo VI, no Vaticano, ao abrir o Congresso Diocesano de Roma, no qual refletiu sobre o conceito de evangelização expresso por Paulo VI na Evangelii nuntiandi e sobre o de uma Igreja que não faz proselitismo, mas que “atrai”, conceito expresso e recomendado por Bento XVI (“A Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração”, ndr). Falando em grande parte de modo espontâneo, ou seja, sem texto, Francisco disse que em numerosas cartas que recebe todos os dias – contou – leio relatos “de muitos homens e mulheres que se sentem desorientados porque a vida é muitas vezes cansativa e não se consegue encontrar o seu sentido e valor, por demais corrida, e imagino quanto é confusa a jornada de um pai e de uma mãe que se levantam cedo, acompanham os filhos à escola e depois vão trabalhar muitas vezes em lugares repletos de conflitos”. O Papa Bergoglio contou que quando era Arcebispo de Buenos Aires e conseguia falar com mais freqüência com os jovens, deu-se conta de que eles sofrem de orfandade, “nossas crianças e jovens sofrem de orfandade – reiterou –, creio que o mesmo aconteça em Roma. Os jovens são órfãos de um caminho seguro para percorrer, de um mestre, de ideais que aqueçam o coração, de esperanças que sustentem a faina cotidiana. São órfãos, mas conservam o desejo de tudo isso”, frisou. “Essa é a sociedade dos órfãos, sem memória de família porque, por exemplo, os avós são levados para casas de repouso, sem afeto de hoje, ou um afeto muito veloz, pai e mãe estão cansados e vão dormir e eles ficam cansados, órfãos de gratuidade, daquela gratuidade do pai e da mãe que sabem perder tempo brincando com os filhos. Precisamos do sentido da gratuidade nas famílias e nas paróquias. Francisco disse ainda que “a Igreja deve tornar-se mãe, não uma Ong bem organizada”. “Se a Igreja não é mãe, não é fecunda e se torna solteirona” – disse. A sua identidade é evangelizar, ou seja, fazer filhos”. “A fecundidade é a graça que devemos pedir ao Espírito Santo. Não é ir buscar proselitismo”. A Igreja “não cresce por proselitismo, mas por atração materna, por testemunho que gera filhos”, reiterou. Hoje a “mãe Igreja envelheceu um pouco, não digamos que é avó, mas devemos rejuvenescê-la, não levá-la ao médico que faz maquiagem. A Igreja torna-se jovem quando é capaz de fazer filhos”. Fonte: Rádio Vaticano

Papa: a Igreja não é ONG, mas família aberta à humanidade

Na audiência geral desta quarta-feira, 18 de junho, o Papa Francisco propôs o início de um novo ciclo de catequeses que terá como tema a Igreja: “Hoje começo um ciclo de catequeses sobre a Igreja. É um pouco como um filho que fala da própria mãe, da própria família. A Igreja não é uma instituição com um fim em si própria ou uma ONG, nem muito menos se deve restringir ao clero e ao Vaticano… A Igreja é uma realidade mais ampla, que se abre a toda a humanidade e que não nasce num laboratório, improvisamente, do nada. É fundada em Jesus Cristo mas é um povo com uma história longa e uma preparação que tem início muito antes de Jesus.” A Igreja foi fundada por Jesus Cristo, mas a sua preparação na história começou muito antes – sublinhou o Papa Francisco. Com Abraão, Deus dá início a um povo que levará a sua bênção a todas as famílias da terra. Um povo no qual nascerá Jesus. Francisco definiu esta realidade como uma ‘família, a filha da mãe Maria’. “Não limitem a Igreja aos padres, aos bispos, ao Vaticano. A Igreja não feita só por eles: é uma realidade mais ampla, que se abre a toda a humanidade. Fundada por Jesus, é um povo com uma longa história nas costas, não nasceu de repente, num laboratório; não é uma associação privada finalizada a si mesma”. O Pontífice explicou que esta história, ou pré-história, da Igreja se encontra já nas páginas do Antigo Testamento. Segundo o Livro de Gênesis, Deus escolhe Abraão, nosso pai na fé, e lhe pede para partir, para deixar a sua pátria terrena e ir para outra terra que Ele lhe indicou. Nesta vocação, Deus não chama Abraão sozinho, como indivíduo, mas envolve desde o início a sua família, seus parentes e todos aqueles que com ele estão a serviço de sua casa. Uma vez no caminho, então, Deus alargará também o horizonte, prometendo-lhe uma descendência numerosa como as estrelas do céu e como a areia da praia. O primeiro dado importante é este mesmo: começando por Abraão, Deus forma um povo para que leve a sua bênção a todas as famílias da terra. E no seio deste povo, nasce Jesus. O Papa prosseguiu sua catequese analisando o segundo elemento: “Não é Abraão quem constrói em torno de si um povo, mas Deus a dar vida a este povo. Geralmente era um homem a dirigir-se à divindade, invocando apoio e proteção. Neste caso, ao invés, se assiste a uma coisa sem precedentes: é o próprio Deus a ter a iniciativa e a dirigir a sua palavra ao homem, criando um legado e uma relação nova com ele. Assim, Deus forma um povo, com todas as cores, que escuta a sua palavra e que se coloca no caminho, confiando Nele. No seu amor, Deus antecipa-se a Abraão, como já o tinha feito com o próprio Adão”. “No entanto”, prosseguiu Francisco, “a resposta deste povo a Deus, que o quis e formou, ficará marcada, ao longo da história, por resistências e infidelidades humanas. Deus, porém, não desiste; cheio de paciência, continua a educar e formar o seu povo, como faz um pai com o seu filho. E Jesus mantém o mesmo procedimento com a Igreja. De fato, nós prometemos seguir o Senhor, mas, no dia-a-dia, quantas vezes fazemos experiência do nosso egoísmo e da dureza do nosso coração. Quando, porém, reconhecemos o nosso pecado e nos voltamos para Deus, Ele enche-nos da sua misericórdia e do seu amor. É precisamente isto que nos faz crescer como povo de Deus, como Igreja: não é pela nossa habilidade, pelos nossos méritos, mas pela experiência que diariamente fazemos de quanto o Senhor nos quer bem e cuida de nós”. Caros amigos, este é o projeto de Deus: formar um povo abençoado pelo seu amor e que leva a sua bênção a todos os povos da terra. Este projeto não muda, está sempre em andamento. Em Cristo teve seu complemento e ainda hoje continua a realizá-lo na Igreja. “Outro nome sinônimo de Igreja – observou – seria ‘homens e mulheres, pessoas que abençoam’. Com efeito, a vocação de todo cristão é abençoar Deus e todos nós. Somos um povo que sabe abençoar, um povo abençoado por seu amor e que leva a sua benção a todos os povos da terra”. “Peçamos a graça de permanecermos fiéis na sequela do Senhor Jesus e escutando sua Palavra, prontos a partir todos os dias, como Abraão, pela terra de Deus e do homem, a nossa verdadeira pátria e, assim, transformar-se em bênçãos e sinal do amor de Deus por todos os seus filhos”. Saudando os peregrinos de língua portuguesa, Francisco se dirigiu particularmente à comunidade «Coccinella meninos da rua». “Que esta visita a Roma vos ajude a estar prontos, como Abraão, a sair cada dia para a terra de Deus e do homem, revelando-vos uma bênção e um sinal do amor de Deus por todos os seus filhos. A Virgem Santa vos guie e proteja!”, disse o Papa, concedendo a todos a sua benção. Fonte: Rádio Vaticano

Francisco: única saída para o corrupto é o arrependimento

“O corrupto irrita Deus e faz o povo pecar”, disse o Papa Francisco, que na missa celebrada na Casa Santa Marta, terça-feira, 17, voltou a falar sobre o martírio de Nabot, narrado no primeiro Livro dos Reis. Francisco reiterou que “para os corruptos, existe só uma saída: pedir perdão para não serem amaldiçoados por Deus”. Quando alguém entra no caminho da corrupção, “rouba a vida, usurpa e se vende”. Papa Francisco voltou a denunciar com firmeza a corrupção inspirando-se na leitura do dia, centrada no assassínio de Nabot a mando do rei Acab, que invadiu a sua vinha. O Profeta Elias, observou o Pontífice, diz que o corrupto Acab “se vendeu”. “Como se tivesse deixado de ser uma pessoa e se transformado numa mercadoria, num negócio de compra e venda”. “Esta é a definição: uma mercadoria! O que fará o Senhor com os corruptos… Ontem, dissemos que existem três tipos de corrupção: a política, a dos negócios e a eclesiástica. Todos os três fazem mal aos inocentes e aos pobres, porque são eles que pagam a festa dos corruptos! A eles vai a conta. O Senhor diz claramente o que fará: “Farei cair sobre ti a desgraça; varrerei a tua raça, exterminarei os varões da casa de Acab, ligados ou livres em Israel”. “O corrupto – prossegue – irrita Deus e faz pecar o povo!” Jesus disse isso claramente: aquele que “faz escândalo é melhor que se jogue no mar”, o corrupto “escandaliza a sociedade, escandaliza o povo de Deus”. O Senhor anuncia então a punição para os corruptos “porque escandalizam, porque exploram aqueles que não podem se defender, escravizam”: “As aves do céu vão devorar você”. O corrupto, continua Francisco, se vende para fazer o mal, mas ele não sabe: ele acredita que se vende para ter mais dinheiro, mais poder”. Mas, insiste o Papa, na verdade, “se vende para fazer o mal, para matar”. Por isso, adverte: “Quando dizemos: ‘Este homem é um corrupto; essa mulher é uma corrupta… Mas vamos parar um pouco’: ‘Você tem prova disso?” Porque, evidencia o Papa, “dizer a uma pessoa que é um corrupto ou uma corrupta, é dizer isso: “é dizer que está condenada, é dizer que o Senhor a mandou embora”: “São traidores e corruptos, mas são muito mais. A primeira coisa na definição de corrupto é alguém que rouba, que mata. A segunda coisa: o que cabe aos corruptos? Esta é a maldição de Deus, porque exploraram os inocentes, aqueles que não podem se defender e fizeram isso com luvas, à distância, sem sujar as mãos. A terceira coisa: há uma saída, uma porta de saída para os corruptos? Sim! ‘Quando ouviu estas palavras, Acab rasgou suas vestes, pôs um saco sobre seu corpo, e jejuou. Ele se deitava com o saco, e caminhava com a cabeça baixa. Começou a fazer penitência”. Isso, destaca o Papa, “é a porta de saída para os corruptos, para os políticos corruptos, para os empresários corruptos e para os eclesiásticos corruptos: pedir perdão!”. E acrescenta, “o Senhor gosta disso”. O Senhor “perdoa, mas perdoa quando os corruptos” fazem “o que fez Zaqueu: ‘Eu roubei, Senhor! Vou dar quatro vezes o que eu roubei!” “Quando lemos nos jornais que este é corrupto, que aquele outro é um corrupto, que praticou aquele ato de corrupção, e que a propina vai daqui, vai de lá, e lemos também muitas coisas sobre alguns prelados. Como cristãos, nosso dever é pedir perdão por eles e que o Senhor lhes conceda a graça de arrependerem-se, que eles não morram com o coração corrupto”. Fonte: Rádio Vaticano

Missa na Casa Santa Marta é suspensa em julho e agosto

A missa na Casa Santa Marta, celebrada pelo santo padre Francisco, será suspensa durante os meses de julho e agosto. No começo de setembro, a celebração eucarística matutina será retomada. As audiências gerais das quartas-feiras serão suspensas apenas em julho. Em agosto, acontecerão nos dias 6, 20 e 27. No dia 13 de agosto não haverá audiência devido à viagem do Santo Padre à Coreia do Sul para o encontro com os jovens asiáticos. Não haverá nenhuma modificação no ângelus. Francisco irá todos os domingos até a janela do Palácio Apostólico para fazer a oração mariana com os fiéis presentes na praça. Haverá apenas duas exceções: o domingo 17 de agosto e a festa da Solenidade da Assunção, por causa da mesma viagem à Coreia. Estas adaptações acontecem todos os anos neste período de verão e férias no hemisfério norte.   Fonte: Zenit

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