Cristiano Ronaldo cita Papa Francisco: “ninguém vence sozinho”

O capitão da seleção portuguesa, Cristiano Ronaldo, parafraseou hoje o papa Francisco para dar ânimo antes do jogo de hoje contra a Alemanha, afirmando que “ninguém vence sozinho, nem no campo nem na vida”. Numa mensagem publicada nas redes sociais, a estrela do Real Madrid incentivou os adeptos portugueses a dar força à equipa, a apenas umas horas da estreia de Portugal no Mundial do Brasil. “Hoje, quando a nossa epopeia finalmente começar, seremos muito mais do que 10 milhões. Seremos ainda paixão, emoção, crença, determinação, perseverança”, escreveu o madeirense. Ronaldo considerou que há “esperança” para a vitória e apelou à união dos adeptos e dos jogadores para conseguir derrotar a equipa germânica. “Porque, e parafraseando o Papa Francisco, ninguém vence sozinho, nem no campo nem na vida”, afirma o jogador de 29 anos. Ronaldo, que arrasta uma tentinite, tinha vestida uma proteção no joelho durante a sessão de treinos de domingo, no estádio Arena Fonte Nova, em Salvador, local do embate contra Alemanha, jogo de abertura do grupo G. Numa conferência de imprensa, o capitão da seleção afirmou que está em condições para jogar, apesar de sentir algumas dores, e que nunca irá pôr “em risco” a sua condição física por um jogo ou campeonato do mundo. Fonte: Agência EFE  

Papa: quem paga a corrupção são sempre os pobres

A corrupção dos poderosos acaba sendo “paga pelos pobres”, que por causa da avidez dos outros, ficam sem aquilo de que têm necessidade e direito. Foi o que disse o Papa Francisco na homilia da missa da manhã, na Casa Santa Marta. “O único caminho para vencer o pecado da corrupção é o serviço aos outros que purifica o coração”, refletiu Francisco. Uma história “muito triste” que, mesmo se antiga, é ainda hoje o espelho de um dos pecados mais ‘acessíveis’: a corrupção. Francisco analisa o trecho litúrgico que narra a história de Nabot, proprietário de uma vinha. Quando o rei Acab – que quer ampliar o seu jardim – lhe diz que quer comprá-la, Nabot se recusa a vendê-la para não se desfazer da herança dos pais. O rei não aceita a decisão de seu vizinho e sua esposa, Jezebel, organiza um estratagema: com a cumplicidade de falsos testemunhos, consegue levar Nabot ao tribunal e este termina condenado à morte por lapidação.. Enfim, entrega a vinha tão desejada ao marido, que – observa Papa Francisco – reage tranqüilo, como se nada tivesse acontecido. “Esta história – comentou o Papa – se repete continuamente” entre quem tem “poder material, poder político ou poder espiritual”. “Lemos tantas vezes nos jornais sobre o político que enriqueceu magicamente. Foi processado, levado ao tribunal o empresário que ficou rico como uma magia, ou seja, explorando seus operários. Fala-se também do bispo que enriqueceu e deixou a sua função pastoral para cuidar de seu poder. Assim, os corruptos políticos, de negócios e os corruptos eclesiásticos. Eles estão em todos os lugares, e temos que dizer a verdade: a corrupção é justamente um pecado ‘acessível’, de alguém que tem autoridade sobre os outros… econômica, política ou eclesiástica. Todos somos tentados pela corrupção, porque quando alguém tem autoridade e se sente poderoso, se sente quase como um deus”. Além disso, prossegue o Papa Francisco, se é corrompido ao longo “do caminho da própria segurança”. Com “o bem-estar, o dinheiro, depois o poder, a vaidade, o orgulho… E dali, tudo. Também matar”. Porém, se pergunta o Papa, “quem paga a corrpução” Quem “traz até você a propina”? Não, afirma o Papa, isto é o que faz o intermediário”. A corrupção na verdade “quem paga é o pobre”: “Se falamos dos corruptos políticos ou dos corruptos econômicos, quem paga? Pagam os hospitais sem medicamentos, os doentes que não recebem cura, as crianças sem educação. Esses são os modernos Nabot, que pagam a corrupção dos grandes. E quem paga a corrupção de um prelado? Pagam as crianças, que não sabem fazer o sinal da cruz, que não recebem catequese, que não são acompanhadas. Pagam os doentes que não são visitados, pagam os encarcerados que não recebem atenções espirituais. Os pobres pagam. A corrupção é paga pelos pobres: pobres materiais, pobres espirituais”. Ao invés, afirma o Papa Francisco, “o único caminho para sair da corrupção, o único caminho para vencer a tentação, o pecado da corrupção, é o serviço”. Porque, explica, “a corrupção nasce do orgulho, da arrogância, e o serviço humilha você”: é a caridade humilde para ajudar os outros”: “Hoje, oferecemos a Missa por essas pessoas, tantas, tantas… que pagam a corrpução, que pagam a vida dos corruptos. Estes mártires da corrupção política, da corrupção econômica e da corrupção eclesiástica. Rezemos por eles. Que o Senhor nos aproxime deles. Certamente estava muito próximo a Nabot, no momento do apedrejamento, como estava próximo de Estevão. Que o Senhor esteja perto deles e lhes dê a força para continuar o seu testemunho, no seu próprio testemunho”. Fonte: Rádio Vaticano

Mensagem do Papa para o Dia Mundial Missionário 2014

Foi divulgada neste sábado, 14, a mensagem do Papa Francisco para a Jornada Missionária Mundial 2014. Confira: “Queridos irmãos e irmãs! Ainda hoje há tanta gente que não conhece Jesus Cristo. Por isso, continua a revestir-se de grande urgência a missão ad gentes, na qual são chamados a participar todos os membros da Igreja, pois esta é, por sua natureza, missionária: a Igreja nasceu «em saída». O Dia Mundial das Missões é um momento privilegiado para os fiéis dos vários Continentes se empenharem, com a oração e gestos concretos de solidariedade, no apoio às Igrejas jovens dos territórios de missão. Trata-se de uma ocorrência permeada de graça e alegria: de graça, porque o Espírito Santo, enviado pelo Pai, dá sabedoria e fortaleza a quantos são dóceis à sua acção; de alegria, porque Jesus Cristo, Filho do Pai, enviado a evangelizar o mundo, sustenta e acompanha a nossa obra missionária. E, justamente sobre a alegria de Jesus e dos discípulos missionários, quero propor um ícone bíblico que encontramos no Evangelho de Lucas (cf. 10, 21-23). 1. Narra o evangelista que o Senhor enviou, dois a dois, os setenta e dois discípulos a anunciar, nas cidades e aldeias, que o Reino de Deus estava próximo, preparando assim as pessoas para o encontro com Jesus. Cumprida esta missão de anúncio, os discípulos regressaram cheios de alegria: a alegria é um traço dominante desta primeira e inesquecível experiência missionária. O Mestre divino disse-lhes: «Não vos alegreis, porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos, antes, por estarem os vossos nomes escritos no Céu. Nesse mesmo instante, Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse: “Bendigo-te, ó Pai (…)”. Voltando-se, depois, para os discípulos, disse-lhes em particular: “Felizes os olhos que vêem o que estais a ver”» (Lc 10, 20-21.23). As cenas apresentadas por Lucas são três: primeiro, Jesus falou aos discípulos, depois dirigiu-Se ao Pai, para voltar de novo a falar com eles. Jesus quer tornar os discípulos participantes da sua alegria, que era diferente e superior àquela que tinham acabado de experimentar. 2. Os discípulos estavam cheios de alegria, entusiasmados com o poder de libertar as pessoas dos demónios. Jesus, porém, recomendou-lhes que não se alegrassem tanto pelo poder recebido, como sobretudo pelo amor alcançado, ou seja, «por estarem os vossos nomes escritos no Céu» (Lc 10, 20). Com efeito, fora-lhes concedida a experiência do amor de Deus e também a possibilidade de o partilhar. E esta experiência dos discípulos é motivo de jubilosa gratidão para o coração de Jesus. Lucas viu este júbilo numa perspectiva de comunhão trinitária: «Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo», dirigindo-Se ao Pai e bendizendo-O. Este momento de íntimo júbilo brota do amor profundo que Jesus sente como Filho por seu Pai, Senhor do Céu e da Terra, que escondeu estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelou aos pequeninos (cf. Lc 10, 21). Deus escondeu e revelou, mas, nesta oração de louvor, é sobretudo a revelação que se põe em realce. Que foi que Deus revelou e escondeu? Os mistérios do seu Reino, a consolidação da soberania divina de Jesus e a vitória sobre satanás. Deus escondeu tudo isto àqueles que se sentem demasiado cheios de si e pretendem saber já tudo. De certo modo, estão cegos pela própria presunção e não deixam espaço a Deus. Pode-se facilmente pensar em alguns contemporâneos de Jesus que Ele várias vezes advertiu, mas trata-se de um perigo que perdura sempre e tem a ver connosco também. Ao passo que os «pequeninos» são os humildes, os simples, os pobres, os marginalizados, os que não têm voz, os cansados e oprimidos, que Jesus declarou «felizes». Pode-se facilmente pensar em Maria, em José, nos pescadores da Galileia e nos discípulos chamados ao longo da estrada durante a sua pregação. 3. «Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado» (Lc 10, 21). Esta frase de Jesus deve ser entendida como referida à sua exultação interior, querendo «o teu agrado» significar o plano salvífico e benevolente do Pai para com os homens. No contexto desta bondade divina, Jesus exultou, porque o Pai decidiu amar os homens com o mesmo amor que tem pelo Filho. Além disso, Lucas faz-nos pensar numa exultação idêntica: a de Maria. «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador» (Lc 1, 46-47). Estamos perante a boa Notícia que conduz à salvação. Levando no seu ventre Jesus, o Evangelizador por excelência, Maria encontrou Isabel e exultou de alegria no Espírito Santo, cantando o Magnificat. Jesus, ao ver o bom êxito da missão dos seus discípulos e, consequentemente, a sua alegria, exultou no Espírito Santo e dirigiu-Se a seu Pai em oração. Em ambos os casos, trata-se de uma alegria pela salvação em acto, porque o amor com que o Pai ama o Filho chega até nós e, por obra do Espírito Santo, envolve-nos e faz-nos entrar na vida trinitária. O Pai é a fonte da alegria. O Filho é a sua manifestação, e o Espírito Santo o animador. Imediatamente depois de ter louvado o Pai – como diz o evangelista Mateus – Jesus convida-nos: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve» (Mt 11, 28-30). «A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 1). De tal encontro com Jesus, a Virgem Maria teve uma experiência totalmente singular e tornou-se «causa nostrae laetitiae». Os discípulos, por sua vez, receberam a chamada para estar com Jesus e ser enviados por Ele a evangelizar (cf. Mc 3, 14),

Papa Francisco anuncia o novo protodiácono da Igreja

O cardeal italiano Renato Raffaele Martino 81, é o novo protodiácono nomeado pelo papa Francisco, na quinta-feira, 12.  Uma das funções do protodiácono é anunciar ao mundo a eleição do novo pontífice, proferindo a conhecida expressão Habemus Papam, “Nós temos um papa”. O cardeal francês Jean Louis Tauran ocupava essa função, passando, agora, para a ordem dos cardeais-presbíteros. Foi ele que fez o anúncio da eleição do cardeal argentino, Mario Jorge Bergoglio, como novo papa. Na dimensão apostólica da Igreja Católica, são três ordens de cardeais, sendo os cardeais-bispos, cardeais-presbíteros e cardeais-diáconos. Os cardeais-bispos são titulares das seis igrejas suburbicárias de Roma (Albano, Frascati, Palestrina, Porto-Santa Rufina, Sabina-Poggio Mirteto e Velletri-Segni). São eles que têm a responsabilidade de eleger o decano do Colégio Cardinalício, cujo nome indicado, também, deve ser aprovado pelo papa. Em sua maioria, os cardeais da Igreja pertencem à ordem dos cardeais-presbíteros, e a cada um é confiado um título na diocese de Roma. Já os cardeais-diáconos recebem uma diaconia na mesma cidade. Como membros do colégio de cardeais, os patriarcas de rito oriental integram a ordem dos cardeais-bispos, sem receber a atribuição de uma igreja suburbicária. Juntamente com o cardeal Tauran, foram transferidos para a ordem dos presbíteros os cardeais Julián Herranz, Javier Lozano Barragán, Attilio Nicora, Georges Marie Martin Cottier e Francesco Marchisano. CNBB com informações da Rádio Vaticano

“Viagem do Papa à Ásia abre novas fronteiras”, diz P. Lombardi

Para o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, “o Papa Francisco está abrindo uma nova fronteira do pontificado na Ásia”, com as programadas viagens à Coreia do Sul (agosto), Sri Lanka e Filipinas (janeiro de 2015). “Duas viagens à Ásia em poucos meses representam, evidentemente, uma grande atenção e, do meu ponto de vista, é a abertura de uma nova fronteira do pontificado”, declarou Padre Federico Lombardi, em conversa com jornalistas, publicada pela Agência Ecclesia. O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé participa de uma reunião de assessores de imprensa e porta-vozes promovido pelo Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), em andamento em Alfragide, arredores da capital portuguesa. “Duas viagens importantes a um grande continente, em poucos meses, numa área do mundo que nunca foi visitada por Bento XVI em seu pontificado, são uma presença de grande impacto”, precisou. Padre Federico Lombardi realçou que as populações atingidas pelo Haiyan “desejavam muito” a visita do Papa e recordou que as Filipinas são “o país mais católico da Ásia”. Ainda segundo ele, Francisco tem convites para visitar o México e os Estados Unidos, em 2015. O responsável saudou o sucesso da viagem à Terra Santa, seguida pela oração que reuniu no Vaticano os presidentes de Israel e da Palestina, realçando ainda a atividade ecumênica do Papa, que se mostra muito interessado na relação com o Patriarca ortodoxo Bartolomeu de Constantinopla. Francisco vai receber segunda-feira, 16, no Vaticano, o líder da Igreja Anglicana e arcebispo de Cantuária, Justin Welby. Padre Lombardi destacou ainda os contatos com o Patriarcado Ortodoxo de Moscou, em vários níveis, e deu como exemplo a ida ao Vaticano do coro russo para cantar nas celebrações da festa litúrgica de São Pedro e São Paulo (29 de junho).   Fonte: news.va

Homilia do Papa: Deus nos prepara para a missão

Deus prepara-nos a desenvolver a nossa missão – esta foi a principal mensagem do Papa Francisco na manhã desta sexta-feira na Missa em Santa Marta. Partindo da leitura do Livro dos Reis e da história do profeta Elias, um modelo da experiência de cada pessoa de fé – recorda o Santo Padre – Elias no Monte Horeb recebe o convite de sair da caverna e a apresentar-se perante Deus. Quando o Senhor passa, um forte vento, um terramoto e um fogo materializam-se, mas Deus não se manifesta dessa forma mas sim num simples sopro de brisa: “O Senhor não estava no vento, no terramoto, no fogo, mas naquele sussurro de uma leve brisa ou, como diz o original, uma expressão belíssima: ‘O Senhor estava num fio de silêncio sonoro’. Parece uma contradição: estava naquele fio de silêncio sonoro. Elias sabe discernir onde está o Senhor, e o Senhor prepara-o com o dom do discernimento. E depois dá a missão.” A missão que Deus confia a Elias é aquela de ungir o novo rei de Israel e o novo profeta chamado a substituir o próprio Elias. O Santo Padre chama a atenção para a delicadeza, para o sentido de paternidade com que este dever é confiado a um homem que, capaz de força e zelo, parece agora só e derrotado. O Senhor prepara a alma, prepara o coração e prepara na provação, na obediência e na perseverança – sublinhou o Papa Francisco: “O Senhor, quando nos quer dar uma missão, um trabalho, prepara-nos. Prepara-nos para o fazer bem, como preparou Elias. E o mais importante disto não é que ele tenha encontrado o Senhor: não, não, isto está bem. O importante é todo o percurso para chegar à missão que o Senhor confia. E esta é a diferença entre a missão apostólica que o Senhor nos dá e um dever: ‘Ah tu tens que fazer este dever… um dever humano, honesto, bom… Quando o Senhor dá uma missão, sempre nos faz entrar num processo, um processo de purificação, um processo de discernimento, um processo de obediência, um processo de oração.” E “a fidelidade a este processo”, prossegue o Papa, é “deixar-nos conduzir pelo Senhor”. Neste caso, com a ajuda de Deus, Elias supera o temor provocado pela Rainha Jezabel, que ameaçou matá-lo: “Esta rainha era má, matava os seus inimigos. E ele tem medo. Mas o Senhor é mais poderoso. Mas o faz sentir que mesmo os grandes e bons necessitam da ajuda do Senhor e da preparação à missão. Vejamos isso: ele caminha, obedece, sofre, discerne, reza … encontra o Senhor. O Senhor nos dê a graça de deixar-nos preparar todos os dias o caminho da nossa vida, para que possamos testemunhar a salvação de Jesus”. Fonte: Rádio Vaticano

A receita do Papa para superar conflitos

Jesus dá-nos três critérios para superar os conflitos: realismo, coerência e filiação – esta é a mensagem principal do Papa Francisco na manhã desta quinta-feira na Missa na Capela da Casa de Santa Marta Partindo da leitura do Evangelho do dia retirada do capítulo 5 de S. Mateus, o Santo Padre sublinhou que Jesus diz-nos para amar o próximo e não como os fariseus, que não eram coerentes, cuja atitude não era amor mas indiferença em relação ao próximo. Desde logo, um primeiro critério o realismo: “Primeiro, um critério de realismo. Se tu tens qualquer coisa contra um outro e não podes resolver, encontrar uma solução, bem, chega a um acordo, pelo menos; faz um acordo com o teu adversário enquanto estás em caminho. Não será o ideal, mas o acordo é uma coisa boa. É realismo.” Um segundo critério que nos dá Jesus – continuou o Santo Padre – é o critério da verdade, pois insultar o outro é também, em certo sentido, matar, pois na raiz está o mesmo ódio. Um terceiro critério é o da filiação, ou seja, o outro é nosso irmão, é filho do mesmo Pai e não posso falar com o Pai se não estou em paz com o meu irmão. Para isso é preciso chegar, pelo menos, a um acordo – concluiu o Papa Francisco: “Não falar com o Pai sem estar em paz com o irmão. Três critérios: um critério de realismo, um critério de coerência, isto é, não matar mas nem sequer insultar, porque quem insulta assassina, mata; e um critério de filiação: não se pode falar com o Pai se não posso falar com o meu irmão. E isto é superar a justiça, aquela dos escribas e dos fariseus. Este programa não é fácil! Mas é o caminho que Jesus indica para andar em frente. Peçamos-Lhe a graça de poder andar em frente, em paz entre nós, nem que seja com acordos mas sempre com coerência e com espírito de filiação.”   Fonte: Rádio Vaticano

Mensagem do Papa para a Copa: “Ninguém vence sozinho”

Em mensagem aos brasileiros sobre a Copa do Mundo de Futebol divulgada na quarta-feira, 11, Papa Francisco afirma que é preciso superar o racismo e que o futebol deve ser uma escola de construção para uma cultura do encontro, que permita a paz e a harmonia. O Pontífice usa também uma gíria brasileira para defender o espírito de equipe não só no esporte, mas entre as pessoas e culturas: “Não é só no futebol que ser ‘fominha’ constitui um obstáculo para o bom resultado do time; pois, quando somos ‘fominhas’ na vida, ignorando as pessoas que nos rodeiam, toda a sociedade fica prejudicada”. O Papa afirma esperar que a Copa seja, além do esporte, festa de “solidariedade” entre os povos. A Copa começa nesta quinta-feira, 12, com o jogo de abertura entre Brasil e Croácia, em São Paulo. Ao todo, 32 seleções disputarão 64 jogos e a final, marcada para 13 de julho, será realizada no Maracanã, no Rio de Janeiro. Assista: Abaixo, a íntegra da mensagem do Papa Francisco aos brasileiros: “Queridos amigos, É com grande alegria que me dirijo a vocês todos, amantes do futebol, por ocasião da abertura da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Quero enviar uma saudação calorosa aos organizadores e participantes; a cada atleta e torcedor, bem como a todos os espectadores que, no estádio ou pela televisão, rádio e internet, acompanham este evento que supera as fronteiras de língua, cultura e nação. A minha esperança é que, além de festa do esporte, esta Copa do Mundo possa tornar-se a festa da solidariedade entre os povos. Isso supõe, porém, que as competições futebolísticas sejam consideradas por aquilo que no fundo são: um jogo e ao mesmo tempo uma ocasião de diálogo, de compreensão, de enriquecimento humano recíproco. O esporte não é somente uma forma de entretenimento, mas também – e eu diria sobretudo – um instrumento para comunicar valores que promovem o bem da pessoa humana e ajudam na construção de uma sociedade mais pacífica e fraterna. Pensemos na lealdade, na perseverança, na amizade, na partilha, na solidariedade. De fato, são muitos os valores e atitudes fomentados pelo futebol que se revelam importantes não só no campo, mas em todos os aspectos da existência, concretamente na construção da paz. O esporte é escola da paz, ensina-nos a construir a paz. Nesse sentido, queria sublinhar três lições da prática esportiva, três atitudes essenciais para a causa da paz: a necessidade de “treinar”, o “fair play” e a honra entre os competidores. Em primeiro lugar, o esporte ensina-nos que, para vencer, é preciso treinar. Podemos ver, nesta prática esportiva, uma metáfora da nossa vida. Na vida, é preciso lutar, “treinar”, esforçar-se para obter resultados importantes. O espírito esportivo torna-se, assim, uma imagem dos sacrifícios necessários para crescer nas virtudes que constroem o carácter de uma pessoa. Se, para uma pessoa melhorar, é preciso um “treino” grande e continuado, quanto mais esforço deverá ser investido para alcançar o encontro e a paz entre os indivíduos e entre os povos “melhorados”! É preciso “treinar” tanto… O futebol pode e deve ser uma escola para a construção de uma “cultura do encontro”, que permita a paz e a harmonia entre os povos. E aqui vem em nossa ajuda uma segunda lição da prática esportiva: aprendamos o que o “fair play” do futebol tem a nos ensinar. Para jogar em equipe é necessário pensar, em primeiro lugar, no bem do grupo, não em si mesmo. Para vencer, é preciso superar o individualismo, o egoísmo, todas as formas de racismo, de intolerância e de instrumentalização da pessoa humana. Não é só no futebol que ser “fominha” constitui um obstáculo para o bom resultado do time; pois, quando somos “fominhas” na vida, ignorando as pessoas que nos rodeiam, toda a sociedade fica prejudicada. A última lição do esporte proveitosa para a paz é a honra devida entre os competidores. O segredo da vitória, no campo, mas também na vida, está em saber respeitar o companheiro do meu time, mas também o meu adversário. Ninguém vence sozinho, nem no campo, nem na vida! Que ninguém se isole e se sinta excluído! Atenção! Não à segregação, não ao racismo! E, se é verdade que, ao término deste Mundial, somente uma seleção nacional poderá levantar a taça como vencedora, aprendendo as lições que o esporte nos ensina, todos vão sair vencedores, fortalecendo os laços que nos unem. Queridos amigos, agradeço a oportunidade que me foi dada de lhes dirigir estas palavras neste momento – de modo particular à Excelentíssima Presidenta do Brasil, Senhora Dilma Rousseff, a quem saúdo – e prometo minhas orações para que não faltem as bênçãos celestiais sobre todos. Possa esta Copa do Mundo transcorrer com toda a serenidade e tranquilidade, sempre no respeito mútuo, na solidariedade e na fraternidade entre homens e mulheres que se reconhecem membros de uma única família. Muito obrigado!” *Nota: No texto original em português, foi utilizado o termo futebolístico “fominha” que foi traduzido como ‘individualista’. Na linguagem futebolística italiana, o vocábulo correspondente a “fominha” – aquele jogador que não passa a bola nunca – é “veneziano”. O termo “veneziano” pertence ao vocabulário esportivo popular e indica o jogador de futebol que, por ser dotado de boa técnica individual, excede no drible e termina por perder a bola para o jogador adversário ou por retardar a fluidez da ação do time. O termo vem da convicção que os habitantes de Veneza têm de querer fazer tudo sozinhos. Neste propósito se diz: “aquele ali é um veneziano, faz tudo sozinho”. Fonte: Rádio Vaticano / Aleteia

Dom Cláudio Hummes visita o Shalom em Cruzeiro do Sul

Na quinta-feira (5), a Missão do Shalom em Cruzeiro do Sul (AC) recebeu o cardeal dom Claudio Hummes, arcebispo emérito da Arquidiocese de São Paulo, prefeito emérito da Congregação para o Clero e assessor pastoral da Amazônia. O religioso estava na Amazônia em visita às Dioceses da região, entre elas a de Cruzeiro do Sul. Dom Claudio falou sobre a experiência de aprovar os Estatutos da Comunidade Shalom em nível Diocesano, quando era arcebispo de Fortaleza, e também sobre a ocasião em que falou para o Papa: ” Não esqueça dos pobres”, inspirando-lhe o nome de Francisco. Ana Valnice, responsável local da missão explicou o trabalho da Comunidade com os jovens e os pobres. Esteve presente nesse encontro padre Eriberto, grande colaborador do Shalom em Cruzeiro do Sul. Os missionários experimentaram o acolhimento da Igreja e renovaram a oferta de vida e o compromisso com a ação eclesial.

“O Espírito Santo nos ajuda a falar com os outros e reconhecê-los como irmãos”

O Papa Francisco presidiu neste domingo, 08 de junho, na Basílica de São Pedro, a celebração eucarística na Solenidade de Pentecostes. O pontífice iniciou a homilia citando o versículo 4 do capítulo 2 dos Atos dos Apóstolos: “Todos ficaram repletos do Espírito Santo”. “Falando aos Apóstolos na Última Ceia, Jesus disse que, depois de sua partida deste mundo, iria enviar-lhes o dom do Pai que é o Espírito Santo. Essa promessa realizou-se com força no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo desceu sobre os discípulos reunidos no Cenáculo”, frisou o Papa. Segundo Francisco, essa efusão extraordinária não se limitou somente àquele momento, mas é um evento que se renova sempre. “Cristo glorificado à direita do Pai continua realizando a sua promessa, enviando sobre a Igreja o Espírito que dá vida, que nos ensina, nos recorda e nos faz falar”, disse o Santo Padre que acrescentou: “O Espírito Santo nos ensina: é o Mestre interior. Ele nos guia para o caminho certo, através das situações da vida. Ele nos ensina a estrada, o caminho. Nos primeiros tempos da Igreja, o Cristianismo era chamado de ‘o Caminho’, e Jesus é o Caminho. O Espírito Santo nos ensina a segui-lo, a caminhar em suas pegadas. Mais do que um mestre de doutrina, o Espírito é um mestre de vida. Faz parte da vida o saber e o conhecer, porém, dentro do horizonte mais amplo e harmonioso da existência cristã.” O Papa frisou que “o Espírito Santo nos lembra, nos faz recordar tudo o que Jesus disse. É a memória viva da Igreja. Ele nos faz recordar e entender as palavras do Senhor. Este recordar no Espírito e graças ao Espírito não se reduz a um fato mnemônico, é um aspecto essencial da presença de Cristo em nós e na Igreja”. “O Espírito da verdade e da caridade nos faz lembrar tudo o que Cristo disse, nos faz entrar plenamente no sentido de suas palavras. Isto exige de nós uma resposta: quanto mais a nossa resposta for generosa, mais as palavras de Jesus se tornam vida em nós, tornam-se comportamentos, escolhas, gestos e testemunho. O Espírito nos recorda o mandamento do amor e nos convida a vivê-lo”, disse ainda o Francisco. Segundo o pontífice, “um cristão sem memória não é um verdadeiro cristão: é um homem ou uma mulher prisioneiro do momento, que não sabe valorizar sua história, não sabe lê-la e vivê-la como história de salvação. Com a ajuda do Espírito Santo, podemos interpretar as inspirações e os acontecimentos da vida à luz das palavras de Jesus. Assim, cresce em nós a sabedoria da memória, a sabedoria do coração, que é um dom do Espírito. Que o Espírito Santo reavive em nós a memória cristã!” O Papa disse ainda que “o Espírito Santo nos faz falar com Deus e com os homens. Ele nos ajuda a conversar com Deus na oração. A oração é um dom que recebemos gratuitamente; é diálogo com Ele no Espírito Santo, que reza em nós e nos faz dirigir a Deus chamando-o de Pai, Papai, Abba. Isso não é apenas um modo de dizer, mas é a realidade. Somos realmente filhos de Deus”. “Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”, disse o pontífice citando a Carta de Paulo aos Romanos. “O Espírito nos faz falar com os homens em diálogo fraterno. Ele nos ajuda a falar com os outros e reconhecê-los como irmãos e irmãs, a falar com amizade, ternura, compreendendo as angústias e esperanças, as tristezas e alegrias dos outros. O Espírito Santo nos faz falar aos homens na profecia, isto é, tornando-nos canais humildes e dóceis à Palavra de Deus. A profecia é feita com franqueza para mostrar abertamente as contradições e injustiças, mas sempre com mansidão e intenção construtiva”, frisou o Santo Padre. “Saciados com o Espírito de amor, podemos ser sinais e instrumentos de Deus que ama, serve e doa a vida. O Espírito Santo nos ensina o caminho, nos recorda e nos explica as palavras de Jesus, nos faz rezar e chamar Deus de Pai, nos faz falar aos homens no diálogo fraterno e na profecia”, disse ainda o pontífice. “No dia de Pentecostes, quando os discípulos ficaram cheios do Espírito Santo, esse foi o batismo da Igreja que nasceu e saiu para anunciar a todos a Boa Nova. Jesus foi peremptório com os Apóstolos: não deveriam se afastar de Jerusalém antes de receberam do alto a força do Espírito Santo. Sem Ele não existe missão, não existe evangelização”, concluiu Francisco.   Fonte: news.va

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