“É a história de um coração de carne ao qual Deus fez uma proposta impossível, coração seduzido por Deus, por Ele provado e feito crescer, educado e tornado adulto. Contudo, sempre de carne. E portanto, sensível a tudo aquilo que atrai o coração humano. […] no entanto, é também história de Deus, de um amor que não falha e que jamais se rende, que não volta atrás diante da traição, da substituição, e da recusa da criatura que prefere os próprios e pequenos amores, de um amor que não falha diante da fraqueza e da vulnerabilidade do coração humano…” (Amadeo Cencini) Eu estava prestes a mandar minha carta para a Comunidade de Vida, Deus já tinha feito uma reviravolta na minha vida. Eu sabia que Deus era irresistível, por isso fiz uma oração: “Senhor, tudo é Teu, estou Te ofertando minha família, meus estudos, meu trabalho, meus planos e amores…, mas por favor, não me peça o celibato. Você me conhece, sabe dos meus sonhos. Por favor, não me peça isso.” Eu tinha medo do celibato estar nos planos de Deus para mim e eu sabia que Ele era irresistível. Ele, porém, me respondeu: “Eu nunca te violentaria, antes te seduzirei e te conquistarei.” É impressionante como foi e continua sendo um caminho de sedução e conquista. Deus preparou tudo à minha volta e dentro de mim para que, numa experiência de total liberdade, eu pudesse escolher, assumir e viver a verdade de quem eu sou: Lucimara, filha de Deus, Shalom, celibatária. Primeiro, depois de uma experiência de esvaziamento, de pobreza, de nada ter, Ele realizou em mim uma obra linda e necessária, a de descobrir-me filha amada, predileta. Nada pode me separar deste amor. Logo em seguida, depois de saber-me amada, Ele levou-me a um profundo autoconhecimento. Eu queria me firmar no Carisma como Comunidade de Vida. Tive uma forte experiência com minhas fraquezas e limites e não só com os meus, mas com os dos meus irmãos também. Esta foi uma dura prova. Estive prestes a desistir de tudo, de mim mesma, da vocação. Desacreditei… Mas a Sua misericórdia, o Seu amor me salvaram. Para onde iria? A quem iria? Assim, descobri o meu lugar: aos Seus pés. E estando aos Seus pés, descobri-me esposa, celibatária. Quando descobri isso, meu coração estava completamente rendido a esta verdade. Ele não só me seduziu, mas me encantou, me fascinou com Seu olhar, Sua voz, Seu coração. Quando uma pessoa se casa, tudo muda. Sua forma de relacionar-se muda, suas prioridades, as exigências, seu tempo. E quando vêm os filhos, mais mudanças no corpo, no jeito de amar, no jeito de ver. Tudo se desenvolve dentro desta nova realidade. Há uma mudança fora e dentro das pessoas, todos percebem. Uma mudança, assim, radical também acontece na vida do celibatário, a diferença é que muitos não percebem. De repente, não vivemos mais sozinhos. Mudam nossos relacionamentos (Ele é um Deus ciumento), nossas prioridades, as exigências do Amor. Muda a forma de amar, de rezar e se dar… É um desposamento real! Agora não é mais simplesmente “eu”, mas “eu e o meu Esposo”. Logo vem também os filhos, espirituais, sim, mas gerados não só na oração, mas na oferta total de vida. É tudo muito real e concreto, mas nada é para este mundo, e eu sou um sinal vivo de que o céu é esta realidade concreta porque eu a vivo na minha carne. Eu teria várias histórias para contar das exigências deste Amor e das delicadezas do meu Amado. Mas a maior delas é que Ele olhou para mim, para a minha pobreza, para a minha indigência e me elevou. Me elevou a um lugar de muita honra e distinção, o lugar do eleitos, o lugar da esposa. Lucimara Batista