“Destruí este templo, e Eu o reconstruirei em três dias. (Jo 2, 19)” Esta é a palavra de ordem que O Senhor dirige aos judeus, referindo-se ao templo de Seu próprio corpo. Este corpo que seria ferido, açoitado, perfurado, rasgado por amor. Este templo que foi, é e será refúgio para o povo à caminho, sedento pelo pão da Vida Eterna depois da fadiga do suor e do sangue da estrada. O templo alargado e rasgado para acolher todos os necessitados, os peregrinos, os órfãos, os abandonados.
O Corpo entregue de Cristo, desolado e exausto das bofetadas, do peso da Cruz, da subida do Calvário, toca o corpo dos homens e das mulheres, também ferido e cansado das exigências, das culpas e dos pecados de cada dia. O corpo do homem levado ao limite, porque procura saciar a fome insaciável da carne com o pão que não alimenta. Insiste em ser rei da própria vida, enquanto o Verdadeiro Rei pende na Cruz, fitando os olhos no homem, ansioso que o olhar se volte para Ele e, finalmente, seja assim convertido.
“Na queda de Cristo, o Senhor se apresenta a nós no cotidiano da dor e da luta. Cada queda humana, cada dificuldade, é um convite a perceber o amor que nos acompanha e nos fortalece. No peso que nos parece insuportável, podemos entregar nossos medos, nossos limites e nossa dor a Cristo, sabendo que quando caminhamos com Ele, Ele redime o sofrimento, transformando cada tropeço em caminho.” – Meditação da 3ª Estação, Via Sacra 2026
A Igreja é o corpo de Cristo, num caminho constante rumo à Vida Eterna. Neste caminho, existem curvas, pedras, tropeços, sol, chuva, suor, sangue e lágrimas. Muitas vezes, o caminho parece tão penoso que não será possível concluí-lo. O homem é fraco, imperfeito, incapaz de fazer tudo, mas mesmo assim busca, a todo instante, dar conta de tudo, possuir tudo, dominar tudo. Exaustivamente, deseja percorrer este caminho sozinho, sem contar com ninguém – nem mesmo o próprio Deus. Porém, o Cristo que cai e se levanta, erguendo a Cruz e subindo o Calvário, enxerta no seu povo a coragem para também levantar-se e seguir, porque não deseja a comoção, mas a conversão.
“É bom para o homem suportar o jugo desde a sua juventude. Que seja solitário e silencioso, quando o Senhor impuser sobre ele; que ponha sua boca no pó: talvez haja esperança! Que dê sua face a quem o fere e se sacie de opróbrios. Pois o Senhor não rejeita para sempre: Se ele aflige, ele se compadece segundo a sua grande bondade.” – Lm 3, 27-32
A pedra viva, que é Cristo, ao erguer-se do chão, ergue também todo o corpo, que é a Igreja. Por Cristo, co Cristo e em Cristo, este corpo torna-se um edifício sobre a rocha, impossível de ser derrubado pela ação de qualquer tempestade. Um povo à caminho, em construção, aguardando que “Aquele que iniciou a boa obra, a levará ao bom termo” – Fl 1, 6.
Hoje, o sangue derramado de Jesus, fecunda o solo onde brota a vida da Igreja, onde o edifício é construído, onde o corpo se sustenta e é elevado aos Céus. Permitir que este sangue lave, cure e purifique, é participar da Paixão crendo com a esperança convicta que esse prédio jamais será derrubado, e que o povo não será confundido porque sabe onde colocou a sua esperança.
Participe conosco do Retiro de Semana Santa!
Serviço
Evento: Retiro de Semana Santa Shalom 2026
Tema: Por Cristo, com Cristo e em Cristo
Data: 3 a 5 de abril
Quinta às 18h / Sexta às 09h / Sábado às 15h / Domingo às 10h
Local: Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro
Mais informações: @shalomrio
Realização: Comunidade Católica Shalom
Por Mariana Figueiredo