Antônio lembra-se muito bem do dia em que conheceu Jéssica, sua amada esposa. Ele estava voltando da faculdade quando a viu sentada esperando o trem das 18 horas no metrô. O olhar dele foi atraído pela delicadeza e tranquilidade com que a garota aguardava seu transporte em pleno horário de pico na grande São Paulo. Envergonhado, mas impulsionado por algo que não sabia, Antônio foi sentar do lado dela. A primeira conversa foi desengonçada, como ele gosta de classificar, mas fazia parte do plano de Deus para eles, pois logo ficaram amigos.
Dois dias depois, Antônio já estava na porta da casa de Jéssica com um buque de flores para pedi-la em namoro. Assustada, a jovem não conseguiu encontrar as palavras certas para responder. Antônio costumava agir primeiro e pensar depois. Jéssica, ao contrário, não tinha medo de esperar o tempo necessário para viver cada momento de sua vida. Ela também gostava dele, mas sabia que não podia começar a namorar de uma hora pra outra. Por isso, resolveu ajuda-lo a tomar decisões menos precipitadas diante de situações importantes na vida, como aquela que eles estavam vivendo.
Durante o tempo que antecedeu o início do namoro, Antônio foi aprendendo a frear onde achava que precisava acelerar. De fato, ele foi crescendo na vivência de uma importante virtude: a prudência. Certa vez, ele ouviu alguém falar que a prudência impede uma pessoa de ser como um carro sem freios descendo ladeira abaixo. Jéssica costumava dizer para o jovem que a prudência não é um medo exagerado de fazer ou viver algo. Pelo contrário, a prudência é a sincera disposição para discernir bem em qualquer circunstância.
Contudo, depois de um certo tempo juntos, Antônio já queria casar com Jéssica. Mas, a partir daquilo que ele foi aprendendo e amadurecendo, entendeu que o melhor a fazer era discernir com prudência o tempo certo de pedi-la em casamento. Não queria ser precipitado como no pedido de namoro. Queria verdadeiramente que fosse um momento especial. Algo que ajudou bastante na caminhada dos dois foi o fato deles sempre pararem para escutar a Deus. Não tinham receio de ouvir o desejo do Senhor para a vida deles.
A vivência da virtude da prudência associada à escuta atenta da Voz de Deus é um instrumento fundamental para avançar em águas mais profundas, ou seja, para dar passos importantes na vida. Vale lembrar que Antônio aprendeu isso ao longo da sua caminhada. E pensar que tudo começou de forma inusitada no metrô de São Paulo quando o jovem viu uma tranquila menina que destoava da agitada multidão. É assim a vivência da prudência: muitas vezes contraditória ao mundo de hoje. Bom, no final das contas, Antônio tem feito jus a seu sobrenome: Prudente.
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