Formação

A parábola do fariseu e do publicano: quem se humilha será elevado

Neste domingo, a liturgia nos apresenta a parábola do fariseu e do publicano. José Ricardo nos auxilia com a reflexão desse evangelho.

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Foto: Reprodução site Aliança de Misericórdia

Introdução

O Evangelho do 30º Domingo do Tempo Comum (26/10/2025) traz a parábola de Jesus sobre o fariseu e o publicano (Lc 18,9-14). Lucas já dá o alvo: Jesus a conta para “alguns que confiavam na própria justiça e desprezavam os outros”. O final traz uma advertência e uma promessa: “quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado.” 

No nosso podcast desta semana, percorremos esse texto em sete pontos para ajudar sua oração. Citamos abaixo também em alguns pontos, outros versículos de referência, caso deseje aprofundar.

  1. Os que confiam na própria justiça

A “justiça”, para os ouvintes de Jesus era a virtude da religião, com as três práticas: a oração, o jejum e a esmola (cf. Mt 6,1-6.16-18). O problema não são as obras em si, mas o orgulho autossuficiente que as torna palco do ego e medida para julgar os demais. Quem se firma no “eu” acaba seco de misericórdia — e é com a medida da nossa misericórdia (ou da falta dela) que seremos medidos (cf. Lc 6,36-38).

  1. Subir para rezar… descendo no interior

Dois homens subiram ao Templo para rezar.” Diante de Deus, subir é abaixar-se. A verdadeira subida sempre passa pela humildade: é a kénosis de Cristo (cf. Fl 2,5-8), o descer à “casa do oleiro” (Jr 18,1-12) para deixar Deus refazer o vaso quando e como Ele quiser.

  1. Fariseu e publicano: sem caricaturas

No tempo de Jesus, fariseu não era sinônimo automático de hipócrita: eram judeus devotos e zelosos no cumprimento da Lei. Os publicanos (cobradores de impostos) eram malvistos e impuros por colaborar com os romanos, explorando o povo— e, ainda assim, Jesus chamou Mateus para segui-lo e visitou Zaqueu, ambos, cobradores de impostos. E São Paulo orgulhava-se de ter sido fariseu (cf. Fl 3,5), até considerar tudo como “lixo” comparado ao conhecimento de Cristo (cf. Fl 3,7-8). O ponto de Jesus não é a etiqueta social, mas o coração.

  1. Dois tipos de oração

O fariseu começa bem (“Ó Deus, eu te agradeço…”), mas logo a oração gira em torno do próprio mérito. O publicano, ao contrário, fica à distância, não ousa levantar os olhos e apenas repete: “Meu Deus, tem piedade de mim, que sou pecador.” Quem se reconhece pecador e pede perdão sai justificado; quem se auto justifica, não. Porém, a misericórdia não contradiz a justiça — supera-a.

  1. Exterior e interior

Deus vê o coração (cf. 1Sm 16,7). As práticas de piedade (jejum, esmolas, dízimo, apostolados) são boas, desde que a intenção seja purificada. Se você percebe vaidade nas obras, não pare de fazê-las: mude a intenção. O hábito fiel educa o coração, e o coração convertido qualifica o hábito.

  1. “Quem se eleva será humilhado”

A soberba sempre cai por peso próprio — não porque Deus “pegue no contrapé”, mas porque a auto exaltação é como areia movediça. O Magnificat canta: “[Deus] derrubou do trono os poderosos”, e as Sagradas Escrituras mostram a queda do soberbo (cf. Is 2,17;14,12-14; Ez 28,2-12; Lc 14,11; Ap 12,7-9).

  1. “Quem se humilha será elevado”

Maria é o ícone da humildade: “Ele olhou para a humildade de sua serva…”. Deus eleva quem se abaixa porque encontra ali o rosto do Filho. A exaltação passa pela cruz; pode acontecer já nesta vida — e, se não, certamente na vida que há de vir. O importante é parecer-se com Jesus. (cf. Jo 13,12-17).

Conclusões práticas

  • Exame rápido: a minha oração fala mais de Deus ou de mim?
  • Reto de intenção: mantenha as obras, e converta o coração.
  • Humildade concreta: peça perdão, sirva ocultamente, elogie sem citar-se.
  • Foco em Deus: quem volta para casa “justificado” é quem bate no peito e confia.

Passos da Lectio Divina

  1. Leitura (lectio): Leia Lc 18,9-14 com calma. Observe os contrastes: distância/primeiro banco; olhos erguidos/abaixados; autoelogio/súplica.
  2. Meditação (meditatio): Em que ponto confio em mim e desprezo os outros? Qual frase do fariseu me espelha? Qual gesto do publicano eu preciso aprender?
  3. Oração (oratio): Reze: “Jesus, manso e humilde de coração, faz o meu coração semelhante ao teu. ‘Meu Deus, tem piedade de mim, pecador.’”
  4. Contemplação (contemplatio): Permaneça silencioso, respirando a misericórdia de Deus que o justifica gratuitamente.
  5. Ação (actio): Escolha um ato escondido de humildade hoje (serviço silencioso, pedido de perdão, esmola sem registro). Repita a jaculatória durante a semana: “Meu Deus, tem piedade de mim, que sou pecador.”

Até a próxima semana. 

Shalom! 

Lectio dos últimos domingos:

Juiz iníquo e a pobre viúva

As bodas de Caná

Parábola do Servo Inútil

Parábola do rico e do Lázaro


Comentários

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