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As graças e os desafios do caminho vocacional em meio à pandemia de Covid-19

“A pandemia me mostrou que a maior área de risco é aquela que fica distante do altar”, afirma Ítalo Ramos, novo postulante da Comunidade de Aliança.

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Para descobrir, acolher e corresponder a uma vocação, é preciso escutar a voz de Deus e discernir bem o seu chamado. Geralmente, esse processo acontece a partir do caminho vocacional proporcionado por diferentes expressões da Igreja. Contudo, em um ano atípico, devido à pandemia de Covid-19, essa jornada de descoberta precisou passar por algumas adaptações. Muitos jovens, adultos e casais, que trilhavam caminhos vocacionais na Igreja, precisaram desbravar os meios virtuais para conhecer mais sobre aquilo que Deus queria para cada um deles. Assim, aconteceu com os vocacionados da Comunidade Católica Shalom.

Luiz Guto, missionário da Comunidade de Vida, conta que a pandemia trouxe muitos desafios no início, inclusive para ele, que tinha assumido recentemente a missão de secretário vocacional em Fortaleza – CE. Guto partilha que, em meio a um processo de adaptação, foi preciso se readaptar às exigências virtuais trazidas pela pandemia. Ainda segundo o consagrado, a principal preocupação, quando as pessoas começaram a viver o isolamento social, foi saber como elas estavam se sentindo com tudo aquilo que estava acontecendo.

A equipe da secretaria vocacional buscou estar perto dos vocacionados e por isso realizou algumas iniciativas para ajudá-los a rezar melhor na quarentena. Uma delas foi o estudo bíblico diário ao vivo pelo Instagram, passando por todos os passos da Lectio Divina. Também de forma virtual, os encontros vocacionais começaram a acontecer. Neste final de ano, Guto conta, com alegria e gratidão, que teve acesso a diferentes testemunhos que expressavam o sentimento de proximidade dos vocacionados com a secretaria durante a pandemia.

“Foi uma experiência muito feliz ver muitas lutas, muitas situações difíceis e desafiantes, mas ver também a vitória de Deus na vida desses irmãos vocacionados”, partilha Guto.

Completando a ação de Deus ao longo do ano, o missionário conta que 2020 se encerra com a certeza de que o Senhor demonstrou o poder de Seu braço, conduzindo a secretaria e cada vocacionado em diferentes situações e realidades específicas. “Terminamos uma etapa do caminho vocacional com Nossa Senhora e reconhecendo o braço forte do Senhor que nos deu tantas graças”.

Deus me sustentou e me sustenta

Há cinco anos, Márcia Freitas participa da Obra Shalom Jardim Guanabara. A jovem viveu o seu segundo ano do vocacional Shalom em 2020. Para ela, a experiência deste ano foi completamente diferente. “O maior desafio com certeza foi lutar contra as minhas vontades, as minhas escolhas, a pandemia e o comodismo, que foi um dos fatores mais fortes para mim”, ressalta.

Por outro lado, Márcia afirma que a principal graça desse tempo foi a de permanecer na vontade de Deus em meio a tantas coisas. “Deus, em sua infinita misericórdia, me sustentou e me sustenta”. A jovem recebeu a notícia de que havia ingressado na Comunidade de Aliança poucos dias antes do Natal do Senhor.

Márcia Freitas, postulante da Comunidade de Aliança / Foto: Arquivo Pessoal

Fui vocacionado no tempo da pandemia

Ítalo Ramos, jovem de Fortaleza – CE que está em missão em Belém – PA, também recebeu a resposta de ingressou na Comunidade de Aliança poucos dias antes do Natal do Senhor. Para Ítalo, que também é conhecido por seus vídeos engraçados nas redes sociais, o vocacional Shalom 2020, em meio à quarenta imposta pela Covid-19, entrará para a história da Comunidade. “Posso dizer que fui vocacionado no tempo da pandemia”, ressalta o rapaz.

Sobre as graças desse tempo, Ítalo partilha: 

“Acredito que foi um tempo em que Deus, como uma âncora, me fez mais firme na vocação, no carisma, no chamado dEle para a minha vida. Pude tocar também na certeza sobre o tempo em missão que Ele quer para mim. Além disso, o autoconhecimento nesse tempo também foi uma grande graça. Pude viver ainda a dependência total a Deus, a Sua divina providência… Tudo isso de uma forma muito concreta.

Partir em missão em meio a uma pandemia

“Eu pedi para ir em missão em janeiro antes de iniciar a pandemia, recebi primeiro o discernimento do vocacional, informando que tinha ingressado no vocacional da Comunidade, logo após recebi o discernimento também dizendo que a Comunidade estava me enviando como jovem em missão para Belém – PA. Porém, na mesma semana da resposta, iniciou a pandemia em Fortaleza – CE, e, em diálogo com a Comunidade, foi discernido para eu partir em missão quando estivesse estável os casos de Covid-19 na minha cidade. Então, no dia 4 de agosto, parti em missão. Fiz meu retiro de aprofundamento e retiro final em Belém. Para mim, foi uma graça poder viver esses últimos meses de vocacional e esses retiros tão essenciais para um bom discernimento na fonte do carisma, na Comunidade de Vida. Sou muito feliz pela providência de Deus nesse tempo. Não deixei a pandemia ser mais forte do que o meu amor pela voz de Deus. A pandemia me mostrou que a maior área de risco é aquela que fica distante do altar”.

Ítalo Ramos, postulante da Comunidade de Aliança / Foto: Arquivo Pessoal

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