Ainda que a Europa tenha a maior parte dos santos, o Brasil tem crescido em modelos de cristãos dentro das mais diversas vocações. A equipe da iniciativa “Brasil: Terra de Santos” fez um levantamento independente sobre as causas abertas no país. Os dados revelam que o Brasil possui 37 santos, 54 beatos e 119 candidatos, ou seja, entre veneráveis e servos de Deus.
O perfil dos santos brasileiros é vasto. Ainda segundo o levantamento, 46,6% dos nomes são mártires. Enquanto os registros de heróis da fé no Brasil datam desde o século XVI.
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Já no tocante à vocação dessas personalidades, os leigos também ocupam seu espaço. Fábio Rodrigues, membro do @brasilterradesantos, comenta o aumento das vocações leigas com causas abertas no país.
“É uma tendência constante e a gente percebe que, do século XX para cá, a gente percebe que o número de leigos aumentou bastante. É natural que os números dos sacerdotes e religiosos consagrados sejam maiores, porque o processo se torna mais fácil. O número de leigos tem crescido até pela diminuição da burocracia da causa”, pontua.
A presença de crianças e adolescentes, também, é expressiva nas causas abertas. O levantamento aponta que existem 18 causas nesse perfil.
Etapas para abertura de causa
O caminho de um santo para ter a jaculatória “rogai por nós” em seu nome é longo. Atualmente, a Igreja Católica possui quatro etapas mapeadas para tornar alguma personalidade um santo. A primeira delas é a fase diocesana, na qual é feita a abertura da causa para a beatificação. Nesta etapa, os responsáveis pela abertura da causa fazem um longo trabalho de coleta de documentos – sacramentos, testemunhos, históricos, relatos e materiais similares. Alguns nomes conhecidos estão nesse processo, como é o caso do Servo de Deus Marcelo Câmara, um jovem promotor de Florianópolis (SC).
Lívia Miranda, membro do @brasilterradesantos, aponta que o candidato precisa ter falecido com uma fama de santidade, a qual não precisa em grandes proporções.
“Não é que precisa ser uma fama nacional, internacional, mundial. É ali, mesmo que seja ali na paróquia dela, na comunidade dela. Nesse quesito, não tem nada de quantitativo. Isso não faz tanta diferença, né? E aí tem um prazo de cinco anos pra que a causa possa começar e é até um certo prazo de prudência né? Pras pessoas realmente terem a devida valorização daquela pessoa”, detalha.
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Neste degrau para a canonização, o fiel investigado recebe o título de “Servo de Deus”.
Já o passo seguinte trata-se do envio desse documento para o Vaticano, onde ocorrerá o julgamento de suas virtudes heroicas. Uma vez atestadas, o Servo de Deus torna-se Venerável. Em 2023, o médico e seminarista Guido Schaffer, do Rio de Janeiro (RJ), foi declarado Venerável.
No caso de mártires, os Servos de Deus recebem o título de Beato primeiro. A Santa Sé, por sua vez, compreende o martírio como o primeiro milagre atribuído a essa pessoa.
Para as causas de vivências das virtudes, o Venerável torna-se beato após a comprovação de um milagre atribuído para a sua intercessão. O beato é canonizado apenas com a ocorrência de outro milagre, obrigatoriamente ocorrido após a beatificação.
Fama de santidade
Os candidatos, beatos e santos brasileiros ganham mais visibilidade a medida em que suas histórias são divulgadas. Além dos já citados, nomes como Santa Dulce dos Pobres, Beata Benigna Cardoso, Servo de Deus Pe. Nazareno Lanciotti e tantos outros passam a ser conhecidos e venerados.
“Vendo a vida desses santos, a gente percebe que não precisa ir muito longe para ter grandes exemplos de santidade, de vivência das virtudes. Muitas vezes a gente procura na Europa, mas nós temos aí a Santa Dulce dos Pobres e Santo Antonio de Santana Galvão, temos aqui santos aqui”, comenta Lívia.
Ao pedir a intercessão de algum candidato ou beato, é importante sempre comunicar as graças aos responsáveis pela causa para a evolução do processo. Assim, não serão poucos os santos brasileiros para nos ajudarem na caminhada.
