Retorno. Jejum. Esmola. Oração. Purificação. Transformação. Caridade. Esperança. Fé. Salvação. Conversão. Todas essas palavras traduzem, de forma simples, o espírito que devemos viver neste tempo quaresmal.
Talvez o grande apelo que o Senhor nos faça seja a conversão. E por quê? Porque Ele deseja nos salvar. Ele anseia ter o nosso coração por inteiro e nos fazer provar da alegria eterna.
O risco da superficialidade
Corremos o grande risco de fazer vários propósitos, de nos empenharmos em jejuns e penitências, mas o nosso coração estar distante de Deus, vivendo de aparências e superficialidade e esquecendo o mais importante — a conversão.
Achamos até que estamos progredindo, mas, como bem disse São Maximiliano Maria Kolbe:
“Se não for interior, então não é progresso.”
A Doutrina da Igreja Católica nos ensina que a palavra conversão significa metanoia — mudança de mentalidade.
Isso deve nos levar ao questionamento:
Tenho deixado o Evangelho transformar a minha forma de pensar, de agir, de escolher, de viver?
Caminhar com Cristo não basta
Muitos homens e mulheres caminharam ao lado de Cristo, ouviram as suas Palavras, mas não deixaram que elas transformassem verdadeiramente o seu coração. Pouco a pouco, passo a passo, foram se distanciando do único que pode realmente fazê-los felizes.
É tempo de reajustar a rota.
É tempo de mudar de direção.
É tempo de escolher aquilo que é santo.
Como nos disse o Papa Bento XVI:
“Conversão é ir contra a corrente, onde a ‘corrente’ é o estilo de vida superficial, incoerente e ilusório, que muitas vezes nos arrasta, nos domina e nos torna escravos do mal ou prisioneiros da mediocridade moral. Com a conversão, ao contrário, tem-se como objetivo a medida alta da vida cristã; confiamos-nos ao Evangelho vivente e pessoal, que é Cristo Jesus.”
Culto exterior ou coração convertido?
É muito semelhante à condição na qual o povo de Israel se encontrava com a que podemos, hoje, estar vivendo. Eles ofereciam sacrifícios no Templo, mas viviam com o coração distante de Deus. Todos os seus atos não passavam de um culto exterior, sem o menor sinal de uma verdadeira conversão.
“Quero misericórdia e não sacrifício, o conhecimento de Deus mais do que holocaustos.” (Os 6,6)
O que agrada a Deus é a sinceridade do nosso coração.
Por isso, nesta Quaresma, não busque viver de aparências, mas de Verdade. Que o Santo Evangelho não seja uma utopia, mas uma experiência real que transforme toda a nossa vida.
Da aridez à primavera
O Padre Ermes Ronchi nos disse que a Quaresma tem o ritmo das estações: começa no inverno e termina na primavera.
Portanto, se desejarmos ver o jardim da nossa vida florescer, é necessário deixar que o Sol do Amor ilumine as nossas trevas, transforme tudo aquilo que em nós há de mal e nos traga a verdadeira vida.
Para aprofundar sua experiência na Quaresma, reze com a música “Todo tempo do mundo” da Keciane Lima — cantora do Missionário Shalom.
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