Igreja

Dicastério para a Doutrina da Fé: ‘Maria é mãe do povo fiel, não corredentora’

Novo documento reafirma a importância dos títulos marianos na vida da Igreja e esclarece a doutrina católica em relação a eles

comshalom

O Dicastério para a Doutrina da Fé publicou nesta semana a nota “Mater Populi Fidelis” (Mãe do Povo Fiel), dedicada a esclarecer e valorizar os diversos títulos atribuídos à Virgem Maria ao longo da História da Igreja. O texto, aprovado pelo Papa Leão XIV, ressalta que cada título mariano brota da experiência viva da fé e da devoção popular, constituindo um autêntico patrimônio espiritual do povo de Deus.

O documento recorda que “os títulos marianos são expressões legítimas do amor dos fiéis à Mãe de Deus” e que devem sempre conduzir ao essencial: Cristo, Filho de Maria e Redentor do mundo.

>> Acompanhe a Comunidade Shalom no YouTube

Título corredentora não é adequado

Segundo o documento, títulos como Mãe dos fiéisMãe espiritual e Mãe do povo fiel estão adequados com a Doutrina. Já o de Corredentora é considerado impróprio. A nota lembra que alguns Papas “usaram este título sem se deterem para o explicar. Geralmente, apresentaram-no em relação à maternidade divina e em referência à união de Maria com Cristo junto à Cruz redentora”.

O Concílio Vaticano II decidiu não usar este título “por razões dogmáticas, pastorais e ecuménicas”. São João Paulo II “usou-o, pelo menos em sete ocasiões, ligando-o sobretudo ao valor salvífico do nosso sofrimento oferecido ao lado do de Cristo, a quem Maria está unida especialmente aos pés da Cruz” (18).

Ainda de acordo com o documento, uma discussão interna na então Congregação para a Doutrina da Fé em fevereiro de 1996 discutiu o pedido para proclamar um novo dogma sobre Maria como “Corredentora ou Mediadora de todas as graças”. O parecer de Ratzinger era contrário:

“O significado preciso dos títulos não é claro e a doutrina neles contida não está madura… Ainda não está claro como a doutrina expressa nos títulos está presente nas Escrituras e na tradição apostólica”.

Posteriormente, em 2002, Bento XVI também se expressou publicamente da mesma forma:

“A fórmula ‘Corredentora’ distancia-se demasiadamente da linguagem das Escrituras e da patrística e, portanto, causa mal-entendidos… Tudo vem d’Ele, como afirmam sobretudo as Epístolas aos Efésios e aos Colossenses. Maria é o que é graças a Ele.” O termo “Corredentora” obscureceria sua origem”.

O cardeal Ratzinger, esclarece a nota, não negou que houvesse boas intenções e aspectos valiosos na proposta de usar esse título, mas sustentou que se tratava de “terminologia incorreta” (19).

O documento cita ainda que também o Papa Francisco expressou como contrário ao uso desse título e conclui:

“É sempre inapropriado usar o título de Corredentora para definir a cooperação de Maria. Esse título corre o risco de obscurecer a mediação salvífica única de Cristo e, portanto, pode gerar confusão e desequilíbrio na harmonia das verdades da fé cristã… Quando uma expressão requer inúmeras e contínuas explicações para evitar que se afaste do significado correto, ela não serve à fé do Povo de Deus e se torna inapropriada” (22).

benfeitor shalom

Maria mediadora

De acordo com a análise do documento, o título de Mediadora é considerado inaceitável quando assume um significado que é exclusivo de Jesus Cristo, mas é considerado precioso quando expressa uma mediação inclusiva e participativa que glorifica o poder de Cristo.

No entanto, em ​alguns sentidos muito específicos, os títulos de Mãe da graça e Mediadora de todas as graças são considerados aceitáveis.

A nota esclarece que Maria “de modo algum obscurece ou diminui” a mediação única de Cristo, “mas demonstra sua eficácia”.

De acordo com a nota, deve-se evitar “títulos e expressões referentes a Maria que a apresentem como uma espécie de ‘para-raios’ diante da justiça do Senhor, como se Maria fosse uma alternativa necessária à misericórdia insuficiente de Deus” (37, b).

Retomando a reflexão do cardeal Ratzinger, o documento pede que os fiéis tenham cuidado com expressões que possam transmitir “conteúdos menos aceitáveis” (45). De fato, “Nenhuma pessoa humana, nem mesmo os Apóstolos ou a Virgem Santíssima, pode agir como dispensador universal da graça. Só Deus pode dar a graça e o faz através da humanidade de Cristo” (53).

Títulos como Mediadora de todas as graças têm, portanto, “limitações que não facilitam a correta compreensão do papel único de Maria. De fato, ela, que é a primeira redimida, não pode ter sido a mediadora da graça que ela mesma recebeu” (67).

Por outro lado, o documento reconhece que “a expressão ‘graças’, referindo-se ao apoio materno de Maria nos diferentes momentos da vida, pode ter um significado aceitável”. O plural, de fato, expressa “toda a ajuda, inclusive material, que o Senhor pode nos dar ao ouvir a intercessão da Mãe” (68).

Com inf. Vatican News

LEIA TAMBÉM | O mistério do Ícone da Mãe de Deus


Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião da Comunidade Shalom. É proibido inserir comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem os direitos dos outros. Os editores podem retirar sem aviso prévio os comentários que não cumprirem os critérios estabelecidos neste aviso ou que estejam fora do tema.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *