Shalom

Emmir Nogueira: É isso o que quero para a minha vida!

20 de agosto é aniversário da cofundadora da Comunidade Católica Shalom, Emmir Nogueira.

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Não me canso de contar como descobri em mim a vocação Shalom. Acho que sou um caso clássico de descoberta da vocação através da identificação. Não que buscasse uma vocação para mim: era casada, feliz, tinha um filho muito desejado, adorava meu trabalho, participava dos encontros do Cursilho e da RCC, era casal de apoio do movimento de jovens da diocese, ia à missa quase diariamente e não tinha a percepção de que me faltasse alguma coisa.

Mesmo o sonho de servir aos pobres parecia estar realizado no trabalho que fazíamos com outros casais no antigo Pirambu, na famosa Rua Santa Elisa. Entretanto, como diz o Papa Francisco, Jesus “vem ao nosso encontro na Igreja nos carismas de fundação”. O Senhor, embora já tivesse conquistado meu coração inteiramente para si, veio ao meu encontro no Carisma Shalom como o Ressuscitado que passou pela cruz. E jamais o imaginaria tão Belo!

Um “atropelamento”

Foi quase um “atropelamento”, ou um “tsunami” invencível, para ser mais atual. Da maneira mais casual, recebi um telefonema do famoso “jovem que pregava com unção e com a Bíblia nas mãos”, coisa inusitada à época. Convidava-me a pregar para um grupo de jovens sobre a RCC. Não o conhecia, mas a partir desse abençoado dia, ouvi-lo falar de Jesus incendiava meu coração e colocava de cabeça para baixo tudo o que eu tinha como definitivo.

Sua maneira de rezar, de viver a fé, a Igreja e, sobretudo, a evangelização dos jovens parecia descrever e, ao mesmo tempo, ultrapassar espantosamente algo até então desconhecido do meu ser mais profundo que, inadvertidamente, começava a criar rosto e levantar-se, doce e poderosamente, até o dia em que admiti: “É isso o que quero para minha vida!”.

O carisma que começava a manifestar-se em cada palavra e atitude do fundador colocava Jesus como vértice e sentido de todo o resto. Dar a vida! Dar a vida! Era esse o sonho abafado, reprimido, negado da adolescência que ressurgia na vida adulta livre do rótulo “coisa de jovem” que o havia amordaçado. Sim! Era lícito dar a vida. Era vontade de Deus que entregássemos a vida por amor! Guardar a própria vida é perdê-la! Perdê-la por amor a Deus é encontrá-la!

Dar a vida a Jesus

O Evangelho era para ser vivido por todos os estados de vida, todas as idades! Era para ser vivido hoje! Vivê-lo hoje era hoje dar a vida a Jesus inteiramente, apaixonadamente, totalmente, radicalmente! E a cada bendita exigência do Evangelho mais meu coração se identificava, se convencia, se entregava, desejava ser todo de Deus.

Dar a vida! Ser toda de Deus! Eram esses meus mais antigos e maiores anseios rechaçados por minha história de vida, mas sempre presentes no profundo segredo de minha alma, prontos a emergir com a força nuclear que só um carisma tem. Força atual e arrebatadora hoje, quando escrevo este artigo, emocionada como se a tocasse pela primeira vez. Dar a vida e ser toda de Deus no que viria a ser conhecido como Carisma Shalom. Sim, eu queria o que aquele “menino” queria. Queria o tesouro que ele havia encontrado. E não seria roubado. Pertencia também a milhares de outros ainda nem nascidos. Era daquela forma que queria perder toda a minha vida. Era daquela maneira que desejava ser toda de Deus.

Mais de 36 anos se passaram

Nesse tempo vi o Senhor realizar Suas promessas mais impossíveis aos nossos pobres e míopes olhos. Vimos o carisma se delineando a cada dia. Vimos chegar os sacerdotes, os celibatários, as famílias com suas crianças e adolescentes, as promessas definitivas, os povos de todos os continentes.

Vimos a Igreja nos acolher, reconhecer a autenticidade do Carisma e nos enviar. Em cada momento a sensação é a de ver o Carisma desdobrar-se infinitamente em cumprimento da imensurável graça de Deus. Quem poderá medir os limites do Seu amor? Quem poderá limitar as consequências do amor divino manifesto em um carisma?

A cada expressão da misericórdia do Senhor no Carisma adquiriu sentido especial repetir à noite, com Simeão, “Deixai agora vosso servo ir em paz”, achando que já havia visto tudo e que não teria coração para aguentar mais. Somos um nada, um “orgulhoso nada”, como diz Frei Cantalamessa, diante das surpresas de Deus.

Quem estaria preparado para elas? Quem pensaria nos desdobramentos da obra de Deus ao atender aquele telefonema e corresponder a um simples convite para uma pregação? De fato, o que o olho não viu e o ouvido não ouviu Deus tem preparado para os Seus amados, como diz Isaías. Imagine o que teremos no céu!

Vem agora Francisco, o Papa, e nos conclama a encher nossos corações de expectativa pelas surpresas de Deus. Há sempre mais de Deus, sempre mais do Seu amor sem fim, sempre mais de graça e felicidade no “tempo que se chama hoje”, no hoje de Deus. Em Deus sempre há infinitamente mais do que podemos sonhar! Não consigo sequer imaginar que surpresas, que desdobramentos o Espírito de Deus ainda fará no Carisma!

“Sim, sou feliz! Imensamente feliz!” Obrigada, Senhor, por me haveres escolhido! Obrigada por teres vindo ao meu encontro nessa magnífica vocação!

Maria Emmir Nogueira
Cofundadora da Comunidade Católica Shalom


Comentários

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  1. Parabéns Emmir!! Que Deus lhe abençoe infinitamente. Sua história se parece com a minha e eu louvo e bendigo a Deus por isso. Que a Virgem Santíssima seja sempre seu exemplo de filha de Deus.
    Rezo por você. Muito obrigada por me ajudar muito! Abraços! Paz e unidade!

  2. Belo testemunho de vida! Um verdadeiro motor de arranque para sairmos da superficialidade e melhugarmos nas águas mais profundas em que o Espírito Santo quer nos levar!