“Neste Ano Jubilar, que os Santuários sejam lugares sagrados de acolhimento e espaços privilegiados para gerar esperança”, foi o pedido do saudoso Papa Francisco na Bula de Proclamação do Jubileu da Esperança, Spes non confundit.
Ele certamente se alegra do céu com os consagrados, famílias, jovens e todo o povo de Deus reunidos na Catedral de Fortaleza para a Celebração de Encerramento do Ano Jubilar da Esperança. O encontro, realizado na tarde do sábado do dia 27 de dezembro, contou ainda com a presença expressiva dos membros da Comunidade Shalom da Casa Mãe, inclusive com a presença do seu fundador, Moysés Azevedo.
O início da programação foi marcada pela partilha dos Frutos do Jubileu na Vida da Igreja, com testemunhos de pessoas alcançadas pelas experiências do Ano Jubilar em diferentes movimentos da Igreja Local. Em seguida, o Arcebispo Metropolitano de Fortaleza, Dom Gregório Paixão, OSB, celebrou a Santa Missa das I Vésperas da Festa da Sagrada Família.
Olhares de esperança
Os milhares de olhos voltados para a Procissão de Entrada também carregam histórias cheias de gratidão e, claro, de esperança. A jovem Ana Luisa está entre essas pessoas. Sua esperança se acendeu com a sua conversão, que também alcançou a sua família.
“Eu posso dizer com propriedade que o Senhor é muito fiel no que Ele fala, do que Ele nos chama a viver. Eu sempre busquei e pedi a Ele para eu conseguir ter uma juventude mais santa. Eu via as pessoas dentro da Igreja e buscava viver assim. É algo que eu pedia tanto no meu passado e hoje em dia eu posso viver. Também com a conversão da minha mãe e do meu padrasto, acho que me sinto muito realizada, de verdade, de poder levar as pessoas junto comigo nesse caminho. É o que me realiza: servir a Deus é o que me faz feliz. Foi o Shalom que me ajudou a viver isso”, comemora.
Ana Luisa destaca ainda a importância do seu Grupo de Oração, o Israel, do Shalom de Maracanaú, e a vivência na Obra Shalom. “O Shalom me ajudou a conseguir expandir essa fé, eu consegui desejar a santidade realmente como algo presente na minha vida. O Senhor me dá a oportunidade de poder viver dentro desse Grupo de Oração, viver em comunhão com a Igreja.”, assegura a jovem de 18 anos.
Esperança no Amor que não desiste

Ruan Carlos dos Reis Sousa, 22 anos, relata que se encheu de esperança no amor, quando “Deus foi me buscar em um local onde eu acreditava que Ele não estava lá, e mesmo assim Ele me retirou de lá e me trouxe para uma Obra Nova”, que é também o nome do seu Grupo de Oração Shalom.
“Aconteceu uma Obra Nova na minha vida, uma renovação no amor e na esperança. Como é bom sentir o amor que Deus tem pela gente! Por isso, estar aqui é gratificante, é um marco que encerra o ano de 2025 e já posso iniciar o próximo ano mais próximo de Deus, mais próximo de uma nova esperança”, completa.
Esperança contra toda desesperança
O discípulo da Comunidade de Aliança, Weverton Borges, enumera as razões da sua esperança. “O meu casamento foi um sinal de esperança, o meu filho, José Rafael, que vai nascer daqui a alguns meses, ele é o maior sinal de esperança para mim, para o meu casamento, para a minha esposa”, enumera. E até mesmo o desemprego, que poderia ser sinal de desesperança, se tornou oportunidade de uma experiência profunda com a providência de Deus através dos irmãos de Comunidade no Shalom da Parangaba.
“A própria vivência comunitária é sinal de esperança. Os irmãos são sinais de esperança de Deus pra mim. E nesse tempo do casamento, da gestação da minha esposa, do desemprego, os irmãos foram esse olhar de Deus, esse olhar de esperança pra mim. Eles foram me acolhendo, me amando, me ajudando literalmente no que eu precisava, seja de uma ajuda financeira, seja de uma ajuda dentro de casa, seja num diálogo, numa oração”, reconhece.
Wewerton expressa ainda profunda gratidão por estar presente no encerramento do Jubileu. “Gratidão aos irmãos, gratidão por tudo o que aconteceu. Estar aqui hoje é mostrar a minha gratidão a Deus”, declara.
“Diplomados para ser esperança para o mundo”
O Arcebispo de Fortaleza, Dom Gregório Paixão, OSB, utilizou a tradição da passagem pelas Portas Santas da Igrejas Jubilares para ensinar que, após um ano inteiro ouvindo falar e experimentar da esperança divina, nós estamos “diplomados para ser esperança para o mundo”, iniciando um novo tempo.
“Deus abre para nós novas portas para que a gente ingresse no grande lugar que é o seu amor e a sua misericórdia. Nós também somos portas para aqueles que Ele nos deu para começar um novo existir. Jesus disse: – ‘Eu sou a porta’. ‘Ego sum ostium’. É como se Ele dissesse: ‘Venha, passe por mim, para que você também seja porta de tantos outros irmãos e irmãs que precisam renascer para uma vida nova. Nós somos porta pela caridade que realizamos, pela palavra que anunciamos, pelo poder de nos indignar frente toda injustiça. Somos, sim, porta de um “templo novo” quando utilizamos toda a nossa vida, o nosso exemplo e a nossa palavra para que a esperança jamais morra.”
Assista a homilia na íntegra:
De Fortaleza a Roma, peregrinos da esperança
“Não é por acaso que a peregrinação representa um elemento fundamental de todo o evento jubilar. Pôr-se a caminho é típico de quem anda à procura do sentido da vida. Também no próximo ano, os peregrinos de esperança não deixarão de percorrer caminhos antigos e modernos para viver intensamente a experiência jubilar”, convocou o Papa Francisco na Bula de Proclamação do Ano da Esperança.
Atendendo ao chamado do Santo Padre, as peregrinações para os eventos jubilares no Vaticano foram experiências marcantes para os missionários da Comunidade de Vida e da Comunidade de Aliança Shalom. Entre os eventos jubilares, se destacaram a presença no Jubileu do Mundo das Comunicações (janeiro), dos Artistas e do Mundo da Cultura (fevereiro), dos Missionários da Misericórdia (março), das Famílias, Crianças, Avós e Idosos (maio), dos Movimentos, Associações e Novas Comunidades (junho), dos Seminaristas (junho), dos Missionários digitais e influencers católicos (julho), dos Jovens (julho), do Mundo Educativo (outubro) e dos Pobres (novembro).
A missionária Thalita Lima esteve em peregrinação no Jubileu dos Jovens, em julho, e testemunha que peregrinar à Roma tornou a experiência do jubileu ainda mais “visível”.
“Diante das situações mais difíceis pensar neste tempo jubilar foi pessoalmente salvífico. Além disso, a Providência Divina de peregrinar a Roma tornou isso ainda mais visível, especialmente participar do Jubileu dos jovens foi participar da esperança da Igreja no hoje que eles representam. Estar em cada lugar santo, viver celebrações com o santo Padre, entre tantas outras graças foi maravilhoso. Mas também a nível Arquidiocesano e como Comunidade, tudo falou sobre esperança”, recorda.
A Casa Mãe da Comunidade Shalom viveu intensamente o 2025º Ano Jubilar da Igreja. “Nós tivemos muitas oportunidades de como Comunidade, unida à nossa Igreja Local, à Arquidiocese de Fortaleza, celebrarmos o Jubileu. Durante os eventos, a Comunidade sempre fez questão de celebrar as que nós chamamos Missas Jubilares, que a Liturgia nos permite celebrar”, afirma o padre Vitor Aragão, Assistente Local da Casa Mãe.
Uma das marcas desse ano de graças foi a experiência com o perdão através das Indulgências e das Confissões, assinala o padre, que é missionário da Comunidade de Vida.
“Em vários momentos nós incentivamos os membros da família Shalom, que participam de diferentes modos do Carisma, pudessem receber o dom e a graça das indulgências. A Comunidade Católica Shalom, junto com toda a Igreja, foi lavada pela Misericórdia Divina durante esse Ano Jubilar e agora entra, como nos disse Dom Gregório, no fim da Missa de hoje, em um novo ordinário da vida”. O encerramento é um novo envio: “Dentro desse ordinário a gente vai, enviado por essa misericórdia que recebemos, viver agora o dom da missão, o dom da vida com Cristo”, finaliza.
Leia também
Jubileu: Anos Santos na história da Igreja
Como aproveitar os últimos dias do Ano Santo
Peregrinos de diversas nacionalidades testemunham experiência com o Jubileu dos Jovens








