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Heróis da Fé: Chiara Corbella Petrillo adiou seu tratamento para não prejudicar a gravidez

O termo herói também designa alguém que entregou sua vida em sacrifício por um bem maior, em prol de salvar a vida de outrem.

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O que caracteriza um herói? No conceito da mitologia grega, os heróis eram os seres nascidos de uma união entre um deus e um mortal, possuindo, por isso, poderes especiais como força, inteligência e velocidade acima da média dos outros homens. Dentre esses, há personagens bem conhecidos até hoje, como Hércules, Aquiles, Édipo e Ajax.  Já nas artes, como o cinema ou a literatura, os heróis são figuras que representam os arquétipos, ou seja, modelos de perfeição a serem imitados. Como exemplo, podemos citar Aragorn, de O Senhor dos Anéis, ou os próprios heróis da Marvel, como Thor e o Homem-Aranha, sem falar nos heróis gregos, que foram mencionados acima. Porém, existe uma que se chama Chiara Corbella.

Na linguagem popular, herói é alguém que causa admiração por algum feito grandioso, dito heroico, louvável, que necessita de virtudes como a coragem e a bravura para se concretizarem. Nesse caso, temos extraordinárias figuras do nosso cotidiano, como um médico que trabalha em meio a uma epidemia, sob o risco de contaminação; ou um bombeiro que arrisca sua vida diariamente para salvar pessoas de incêndios, deslizamentos de terra ou outras catástrofes.

Exemplo amor de sacrifício

O termo herói também designa alguém que entregou sua vida em sacrifício por um bem maior, em prol de salvar a vida de outrem. Nesse caso, poderíamos evocar a pessoa de Jesus Cristo como exemplo mor de sacrifício, haja vista que o seu holocausto salvou não apenas um grupo de pessoas, mas a humanidade inteira, desde o primeiro homem, até o último que há de vir.

No esteio de Cristo, então, temos os heróis da fé, aquelas pessoas comuns, que não possuem as habilidades sobre-humanas dos personagens mitológicos gregos ou os superpoderes dos heróis do cinema e da literatura, entretanto, são capazes de feitos grandiosos e até do sacrifício da própria vida, em prol da vivência da fé em todos os seus aspectos concretos. Qual o segredo para viverem tais virtudes? Com certeza, a graça do Espírito Santo. É este Espírito o seu grande superpoder.

No caso, não me refiro nem aos que sofreram o martírio propriamente dito, como os grandes Estêvão, Paulo, Pedro, André e Tomé, mas dos cristãos que, em seu dia a dia, encarnam perfeitamente os desígnios divinos, aceitando tudo o que lhes foi permitido acontecer, por amor à vontade de Deus, inclusive, os grandes sofrimentos, perdas, provações e enfermidades.

Uma jovem mãe italiana

Dentre estes, hoje destacamos a história de Chiara Corbella Petrillo, jovem mãe italiana que escolheu adiar o tratamento de uma enfermidade grave, pelo risco que corria de prejudicar a sua gravidez. Chiara nasceu em Roma no dia 09 de janeiro de 1984, em uma família que, desde os seus cinco anos, inseriu-a em um grupo da renovação carismática da cidade.

Aos dezoito anos, conheceu Enrico, um jovem de 23 anos também engajado na RCC, quando ambos estavam em viagem a Medjugorje. Eles namoram durante seis anos e, após superar um período difícil de desentendimentos, casaram-se na cidade de Assis, em 21 de setembro de 2008.

Chiara Corbella engravidou ainda na lua de mel, todavia, descobriu que a criança sofria de uma grave malformação, a anencefalia, o que impossibilitaria o bebê de sobreviver por muito tempo após o parto. O casal prontamente decidiu-se por levar a gravidez até o fim, assim, no dia 10 de junho de 2009 nasceu Maria Grazia Letizia, vindo a nascer para a vida eterna poucas horas após o parto.

Alguns meses depois, o casal já aguardava a vinda do segundo filho, Davide Giovanni, que também padecia de uma malformação visceral da pelve, o que motivou a sua entrada para a vida eterna poucas horas depois do parto, no dia 24 de junho de 2010. Em seu funeral, em meio à dor da perda, a jovem família enxergava a alegria de possuir mais um filho que já gozava da eternidade.

A decisão de Chiara Corbella

A vinda do terceiro filho não tardou, este batizado de Francesco, que nasceu completamente saudável. Todavia, durante essa gravidez, Chiara Corbella descobriu um tumor maligno em sua língua. Ainda grávida, passou por uma cirurgia para retirada do câncer, em 16 de março de 2011. A segunda parte do tratamento seria realizada após o parto, segundo a decisão de Chiara, mesmo a contragosto dos médicos que a acompanhavam.

Ela própria escreveu a respeito dessa experiência:

“Para a maioria dos médicos, Francesco era somente um feto de sete meses. E quem deveria ser salva era eu. Mas não tinha intenção de arriscar a vida de Francesco por causa de estatísticas, por nada certas, que queriam me mostrar que eu tinha que dar à luz a meu filho prematuramente para que eu pudesse operar-me”.

O pequeno Francesco nasceu em 30 de maio de 2011. Quatro dias depois, Chiara Corbella se submeteu à nova cirurgia, iniciando a quimioterapia logo que foi possível. Mesmo assim, o câncer se espalhou para o olho direito, pulmões, linfonodos e para o seu fígado. A doença, assim, já se encontrava em estado terminal.

Após o diagnóstico, a família se mudou para uma casa perto da praia, onde Chiara se preparou para o seu encontro definitivo com Deus, através da Eucaristia diária e do aconselhamento espiritual do sacerdote amigo da família, padre Vito. Chiara faleceu no dia 13 de junho de 2012, data em que a Igreja celebra a festa em homenagem a Santo Antônio de Pádua, falecido em 1231, cuja língua permanece incorrupta até os dias atuais.

Considerando-se que o câncer de Chiara Corbella iniciou-se em sua língua, percebemos um grande sinal divino, que não pode ser tomado apenas como coincidência, mas como um indicativo de que Deus se agrada daqueles que o louvam não só com palavras, mas com testemunhos concretos de heroísmo pela fé.

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