Formação

Nem Marvel, nem DC, mas os Heróis da Fé

Não seria exagero chamar a atual crise da humanidade de A Segunda Grande Depressão. Contudo, nem Marvel, nem DC podem oferecer a esperança certa neste tempo, somente os Heróis da Fé…

Foto: Unsplash

No século passado, por volta dos anos 1930, houve um período em que grande parte do mundo sofreu uma séria crise econômica que ficou conhecida como A Grande Depressão. O problema teve início nos Estados Unidos e se espalhou por vários países. O desânimo generalizado, aliado ao desemprego, à fome, à falta de moradia e à falência de muitas empresas e bancos acabou gerando tamanha desesperança, que desembocou em uma onda de suicídios elevadíssima. 

Essa foi a época em que os primeiros super-heróis americanos surgiram. Dentre eles, Flash Gordon, Superman, Batman e Capitão América. A ideia de personagens com poderes incríveis e capazes de solucionar qualquer problema cairia bem para levantar os ânimos de uma nação completamente devastada pelo desespero gerado pela bancarrota generalizada. Assim, o sucesso das revistas em quadrinhos que contavam os feitos prodigiosos dos personagens dotados de força, coragem e outras habilidades descomunais foi enorme. Esse tempo ficou conhecido como a Era de Ouro das HQ’s.

Quase 100 anos depois

Passados quase cem anos, nos encontramos em outra época em que os super-heróis fazem muito sucesso. É impressionante como hoje qualquer criança de cinco anos é louca pela maioria dos super-heróis da Liga da Justiça, Vingadores, X-Men e por aí vai. Coincidentemente, estamos em tempos não só de grandes crises econômicas, mas de uma verdadeira crise existencial da humanidade. Não obstante os grandes avanços da ciência e da tecnologia, o homem regride a passos largos em sua compreensão a respeito da própria existência e do conhecimento de si, e, por isso, não consegue encontrar o verdadeiro sentido de sua vida.

O resultado disso tudo se reflete em uma fragilidade emocional fora do comum e a proliferação de ideologias extremistas que não só pioram a situação, mas afastam cada vez mais o ser humano da verdade, quando afirmam que tudo na vida é relativo, dependendo do interesse e do ponto de vista de cada um. 

Esse pensamento relativista gera consequências terríveis para o ser humano, dentre elas, o afastamento de Deus e a deturpação dos valores básicos que norteiam a vida social, como: a justiça, o amor, a verdade, a família, a fraternidade, o respeito pelo outro, a complementaridade e as diferenças entre o homem e a mulher. Resumindo, em nome de uma pretensa liberdade individualista, de pensar e agir como quiser, o homem hodierno acabou desprendendo-se de suas raízes mais profundas e vitais, assim, tal como planta arrancada da terra, vai murchando aos poucos, até a sua destruição.

Mega sucesso dos filmes

Aí encontram-se algumas razões do mega sucesso dos filmes e séries de super-heróis, além, claro, de serem uma forma popular de entretenimento: o homem desenraizado precisa desesperadamente de referências fortes, precisa de conceitos claros a respeito daquilo que é e do que o cerca, precisa do Absoluto, precisa fixar-se em algo para dali receber a seiva de sua vida, então, como se afastou da Verdade, encontra na ficção a via para aturar a dureza da vida real, e, ao menos, sonhar com soluções fantásticas para os problemas com os quais não consegue lidar porque insiste em viver a cultura do relativo e do provisório, sem saber que foi criado para a verdade e a eternidade, e que, portanto, nunca encontrará sua felicidade naquilo que é passageiro e ilusório. 

Em suma, não seria exagero chamar a atual crise existencial da humanidade de A Segunda Grande Depressão que, oportunamente, também está se mostrando como a Era de Ouro para as séries e filmes da Warner, Netflix e cia, nos quais os super-heróis, diga-se de passagem, há tempos perderam a sua imparcialidade e não lutam mais de forma altruísta e desinteressada apenas pela justiça e pela verdade, mas, infelizmente, muito mais pelas ideologias e partidarismos sem fundamento que andam circulando por aí.

Deus continua a insistir na santidade do homem

Todavia, em meio a tudo isso, felizmente, o homem não precisa enfrentar a vida real a sós. Deus continua a insistir em seu plano de amor para a humanidade e não se cansa de enviar respostas para socorrer os dramas humanos. E dentre estas respostas, se encontram os carismas, que são os dons que o Senhor concede para o bem comum, para as necessidades dos homens e para a edificação da Igreja. 

Assim, por meio desses carismas, surgiram várias inspirações, segundo a necessidade de cada época, dentre estas, as ordens mendicantes de São Francisco e São Domingos; os Carmelos reformados por Santa Teresa D’Ávila e São João da Cruz; a Companhia de Jesus; o Movimento dos Focolares; a Congregação das Missionárias da Caridade e as Obras Sociais de Irmã Dulce, para citar alguns. 

Fruto deste mesmo desejo divino de santificação da humanidade, nasceu, em 1982, a Comunidade Católica Shalom, uma associação internacional privada de fiéis que, movida pelo amor esponsal, almeja, através da contemplação, unidade e evangelização, levar a humanidade a uma renovada experiência com Jesus Cristo, o Ressuscitado que passou pela Cruz.

Exército formado pelos heróis da fé

Todos os anos, o Conselho Geral da Comunidade Shalom, que é constituído pelo fundador, pela cofundadora e por outros membros da Comunidade eleitos em uma assembleia geral, se reúne para escutar de Deus o direcionamento para conduzir a Obra Shalom. No último ano, durante esta escuta, o Senhor nos chamava à Conversão à Santidade e nos dava alguns elementos para alcançar este fim e, dentre eles, estava o caminhar na fé, como se pudéssemos ver o invisível. Diante das situações mais difíceis, Deus nos chama a crer e caminhar na fé.

Este chamado divino desembocou em uma visualização de um exército em batalha. Nele, havia muitos feridos e muito sangue, próprio e dos outros. O Senhor fazia compreender que este exército era formado pelos heróis da fé: homens e mulheres santos que, diante das lutas do dia a dia, dão testemunho de santidade, fortalecidos pelo sangue e pela Cruz de Jesus Cristo.   

E quem seriam esses heróis da fé? Quem teria tamanhas virtudes para ser considerado um herói da fé? O próprio Senhor respondeu: “Esses heróis são os próprios pecadores, Deus faz heróis da fé os próprios pecadores, quando eles trazem no coração a graça de um desejo imenso de conversão à santidade”. 

Pecadores? Sim, exatamente. Pecadores! Eu, você ou qualquer outro “desenganado” pelo mundo, pelos próprios familiares ou pela sociedade. Todos somos chamados a essa conversão à santidade. Ninguém está excluído. E não é necessário nenhum super-poder para isso. Basta trazer no coração um imenso desejo pela conversão e pela santidade.

E no que consistiria esse desejo? Deus também nos respondeu: a característica desses heróis da fé é a fragilidade, ou seja, nada de músculos de aço, mutações, cintos de utilidade ou armaduras superlegais de titânio reforçado com fibra de carbono e revestimento cerâmico, como a do Homem de Ferro. Nada disso! Na nossa fragilidade, Deus nos chama a abandonar a mediocridade, a doutrina do “tanto faz” e a mentalidade do “qualquer jeito”, para darmos passos em uma santidade verdadeira e encarnada.

Chamado à radicalidade

Em outras palavras, o Senhor nos chama à radicalidade, que é o desejo profundo de santidade através da vivência do Evangelho, em contrapartida à cultura líquida pós-moderna que permeia o mundo. Sabemos que não está em nós a capacidade de nos fazermos santos e que este é o papel da Graça em nossas vidas, mas cabe a nós o esforço para acolher a Graça, que consiste exatamente nesse desejo pela santidade, que abre a vida à ação divina, impulsionando à verdadeira conversão.  

Esta afirmação de que a santidade é para todos não é algo novo, afinal, Dimas, um mero ladrão, foi o primeiro santo proclamado pelo próprio Jesus, na cruz: “Em verdade, eu te digo, hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23, 43). Ao ladrão, bastou o ato de fé em Cristo, na sua condição de Filho de Deus, que era invisível naquele momento aos olhos humanos, que só conseguiam enxergar um tal homem crucificado que falava com Deus como se fosse o seu Pai. Mesmo assim, Dimas creu e pediu que Jesus lembrasse dele quando estivesse no Reino dos Céus. 

É preciso entender que, Deus, quando fala, sempre busca uma linguagem compreensível à época em que se manifesta. No Antigo Testamento, falava através de suas manifestações de poder; em Cristo, falava a partir de parábolas sobre pesca, agricultura e pastoreio de ovelhas, que eram atividades próprias do povo judeu; a nós, fala-nos sobre como enxergar o invisível e como ser um herói da fé.  

Assim, durante as próximas semanas, faremos postagens não sobre super-heróis da Marvel ou da DC Comics, mas sobre os Heróis da Fé: pessoas comuns, sem quaisquer habilidades sobre-humanas ou poderes especiais, mas que, mesmo se reconhecendo frágeis, decidiram caminhar como se vissem o invisível, apoiados na Graça e motivados pelo chamado divino à conversão à santidade.

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