O Retiro da Grande Comunidade tem continuidade neste domingo (19) e, pela manhã, Moysés Azevedo deu sequência à sua explanação sobre o serviço da autoridade como serviço às pessoas. “A eternidade é fruto da perseverança na vontade do Pai”, disse o Fundador da Comunidade Shalom, iniciando mais um subtema da pregação.
O encontro anual reúne postulantes, discípulos e consagrados de todas as missões ao redor do mundo em um itinerário comum de oração, formação e renovação da vocação.
Educar para a eternidade e para a Vontade do Pai
“Onde a Vontade de Deus se cumpre aí é o Céu! Quando fazemos a Vontade de Deus nos tornamos Céu, quando não a fazemos, nos tornamos o contrário: terra, terra, terra…”, disse Moysés, comentando o então Cardeal Ratzinger, em seu livro Jesus de Nazaré. E citava o momento onde Jesus exclamou: “o meu alimento é fazer a Vontade do Pai” (cf. Jo 4,34); Ele que obedeceu plenamente ao Pai, nos arrastou à condição de filhos, cumprindo aquilo que havia dito: “Quando eu for elevado, atrairei todos a mim” (cf. Jo 12, 32 ).
Explanando uma citação de São Máximo, o confessor, disse Moysés que “A vontade humana […] tende para a sinergia com a Vontade de Deus, mas por causa do pecado, aquilo que era sinergia se transformou em oposição. O homem, cuja vontade se realiza na Vontade de Deus, começa a ver o ‘sim’ a Deus não como a plenitude da sua vida, mas como algo que a ameaça’. Nesse interim, o Fundador dizia: “Humildemente, aqueles que exercem o serviço de autoridade devem se educar e educar os outros para a eternidade.”
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O serviço da Caridade
Tocando o tema da caridade e humildade no serviço de autoridade, disse Moysés que deve-se “ajudar os irmãos a perseverar na Vontade de Deus, consolar e apoiar os irmãos, ser Cirineu para ajudar o irmão a carregar a cruz, não a fugir da Cruz, nem aumentar a carga do peso que nem o Senhor colocou sobre o irmão, dividir o peso e ajudá-lo a ser fiel.”
Uma das motivações do Fundador foi também de que no serviço de autoridade se saiba respeitar a liberdade de consciência de cada pessoa. Deve-se viver o serviço com Caridade, não como uma promoção de status, mas promoção à cruz, como um abaixar-se para lavar os pés dos irmãos. E continuou falando sobre o ato do próprio Jesus de lavar os pés dos discípulos como ato de humildade (cf. Jo 13), disse:
“O lava-pés é o sacramento da autoridade cristã. É uma forma de manifestar aquele amor que não busca seus próprios interesses, que não serve só a um grupo seleto, mas molha o pão [referência a Jesus na Santa Ceia] e o oferece a todos.”
E, prosseguindo disse que Jesus ‘não se apegou à condição divina’ (cf. Fl 2) para nos servir e “da Encarnação à morte Jesus não fez outra coisa, a não ser descer”. E citou São Bernardo:
Envergonhai-vos, cinzas orgulhosas: Deus se humilha e vós vos exaltais.
O espírito de serviço
Aprofundando o tema do espírito de serviço, dizia Moysés citando o Cardeal Raniero Cantalamessa: “Grande parte do sofrimento que, às vezes, atinge uma comunidade é devida a existência nelas de algum espírito autoritário e despótico que pisa sobre os demais e que, com o pretexto de ‘servir’ os outros, na realidade ‘se serve’ dos outros”. Assim falava sobre a caridade que é ternura e é firmeza, mas que não se pode confundir firmeza com grosseria e não confunde ternura com infantilização dos outros, ou até com omissão.
A responsabilidade pessoal no caminho de santidade
Em sua pregaçação, o Fundador da Comunidade Shalom lembrou que cada pessoa deve, de forma madura e livre, se responsabilizar pelo seu caminho de santidade. Diante disso, o papel das autoridades é ser auxílio nesse caminho. Moysés citou ainda um trecho do Papa Leão XIV que dizia: “A pedra é Cristo, Pedro deve apascentar o rebanho sem nunca ceder à tentação de ser um líder solitário ou um chefe colocado acima dos outros, tornando-se dominador das pessoas que lhe foram confiadas (cf. 1 Pe 5, 3); pelo contrário, é-lhe pedido que sirva a fé dos irmãos, caminhando com eles: todos nós, com efeito, somos ‘pedras vivas’ (1 Pe 2,5), chamados pelo Batismo a construir o edifício de Deus na comunhão fraterna, na harmonia do Espírito, na convivência das diversidades”.
Servir aos que sofrem
Um apelo especial fez o fundador a este ponto do serviço aos que sofrem dizendo:
Sempre que nos depararmos com um ser humano que sofre devemos escutar dentro de nós Jesus que diz: “Isto é o Meu Corpo que sofre”
Deve-se ter um olhar atento e uma disponibilidade maior para aqueles que sofrem no corpo da Comunidade, dizia Moysés, enfatizando o sofrimento dos que vivem o luto, que passam por necessidades espirituais, purificações e tribulações, crises existenciais ou vocacionais, os que carregam e lutam com chagas morais, penúrias econômicas, os mais pobres – de todo tipo de pobreza. A esses somos chamados a ouvir, ajudar a curar, a superar a sua necessidade.
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