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Planejamento e organização financeira são realmente necessários?

A sua boa relação com o dinheiro pode ser o fator determinante na plenitude da saúde financeira e, assim, ela se torna essencial para uma vida planejada e mais feliz. Entenda a importância de cuidar e melhor gerir seus rendimentos.

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Final do mês chegou e é bem provável que a carteira já esteja vazia, ou perto disso. Pensando nessa realidade, daremos para você dicas de organização financeira. Afinal de contas, ninguém gosta de terminar o mês com dívidas ou sem um dinheirinho sobrando, e como seria ideal fechar o mês “no azul”, concorda?

Será que vale a pena gastar tempo com planilhas, anotações, investimentos, poupanças e tantas coisas mais? A busca por esta resposta é legítima, e nada tem a ver com ser sovina, ou seja, ser “pão duro”. Nossa relação com o dinheiro se estende para outras esferas da vida, por isso, é necessário buscar uma vida financeira equilibrada e desejar uma realidade com maior estabilidade. Assim, é saudável manter um controle das finanças e agir de maneira estratégica para garantir que o seu dinheiro dure mais e seja gasto de maneira consciente. 

Diferente do que muita gente acredita, é possível organizar e planejar os ganhos e gastos de modo a sobrar dinheiro no final do mês!

Pequenas mudanças de hábitos diários podem ser suficientes para fazer uma grande diferença no seu orçamento e permitir até mesmo que você construa uma reserva de emergência e comece a investir. Vamos revelar logo o segredo: Tenha organização!

Saiba planejar sua vida financeira

Lara Borges, 23 anos, enfermeira, se considera organizada financeiramente. “Faço uma planilha com o que recebo, invisto e dou primeiramente a minha comunhão de bens. No começo do mês sempre tento me organizar dessa forma. Uso planner para ter uma visão melhor de todo o meu dinheiro”, conta. E isso começou quando ela notou que no final do mês não sabia quanto gastava. Aquela pergunta que vira e mexe vem à cabeça de muitos: “O que eu fiz com meu dinheiro esse mês? Como acabou tão rápido?”

Foi assim que a enfermeira aprendeu a se policiar e a lidar com a constância. Com a comunhão de bens, ela conseguiu, já no início do mês, se organizar e pensar nas prioridades. Para a jovem, a motivação para gastar com algo é quando há uma real necessidade, e claro, algo bem planejado. “Sempre me pergunto se desejo, ou se é necessário. Sempre reflito se é desejo da carne, ou se realmente é uma necessidade”, afirma.

Já Jessica Lopes Gualberto, 24 anos, autônoma, sofre por não conseguir se organizar, pois assim, ela não consegue realizar projetos financeiros. “Vai aparecendo outras coisas a pagar e não consigo administrar a situação. Primeiro, tento pagar todas as dívidas que fiz  e o que é necessário naquele mês. Às vezes sobra, mas é bem pouco, não dura nem uma semana. Eu não sei balancear quanto eu ganho com minhas necessidades. E sempre acabo gastando mais do que ganho”, relata.

Por vezes, ela nota que as motivações para um novo gasto são impulsos, “sinto a necessidade de comprar e de ter aquilo no momento, mas é muito ruim, principalmente na dimensão social. Eu não consigo sair quando quero e, geralmente, não tenho dinheiro para nada. Trabalho para pagar dívidas”, diz.

Crie sua própria forma de organização

Para a psicóloga Bruna Maria Locatelli (CRP-08/32897), a desorganização financeira faz com que as pessoas se sintam “culpadas” pela situação. O que acaba por refletir nas demais atividades e dimensões da vida. Ela aconselha: “entenda que seu mundo não vai cair por causa da sua (ir)responsabilidade. Financeiro é financeiro, vida emocional é vida emocional. Sente-se, escreva toda a sua situação financeira (compras, ganhos etc.), verifique os gastos e escreva a consequência que cada um gerou.  Tente organizar nem que seja o mínimo. Não precisa ser uma mega organização, caso não saiba como ou não consiga. Comece do simples, vai anotando num papel, para assim conseguir adquirir uma responsabilidade financeira”.

É como acontece na vida do estudante de tecnologia em jogos digitais, Rian Oliveira Evangelista, 20 anos. Ele não tem tudo muito bem anotado, mas quando recebe algo, independentemente do valor, guarda 50% para emergências, como as reformas na casa e despesas atrasadas. O restante é dividido, 30%  para ajudar a família e 20% com gastos pessoais: lazer, comprar livros, cursos, algo para a faculdade. “O que me motiva a gastar com algo é a necessidade, o custo-benefício, e a viabilidade; durabilidade também é um fator importante”, conta. Ele não se culpa por não ser mais organizado, e sim por não ter um emprego. “Me cobro muito, me sinto culpado por não ajudar mais em casa, pois não tenho renda”, afirma.  Mas ele percebe que faz o melhor que consegue, e acaba dando certo sua gestão pessoal financeira.

É mal comum do brasileiro, de acordo com o contador Josemar Lopes Ferreira, ser imediatista, receber e já querer gastar.

Cada dia, a vida fica mais cara e difícil de administrar, “é fundamental, desde criança, saber os custos, e ser organizado. Não importa quanto se ganha, o ideal é saber usar de forma racional, priorizar gastos pessoais, saber o que é essencial para se manter, quitar débitos. E quando sobrar, guarde ou, se possível, invista, para que a longo prazo tenha um retorno financeiro”, explica. 

Parece um bicho de sete cabeças, mas não é! Veja o que é melhor para você, na sua realidade, busque formas na internet, o importante é parar um pouco para fazer essa organização. “Tendo uma planilha, não precisa de grandes softwares para isso,  um caderno de anotações e uma caneta já dá certo. Assim fica mais fácil visualizar os gastos, ganhos e os planos. Quem sabe assim é possível ter projetos de investimentos e poupança”, relata o contador.  Quando for gastar, se possível, compre à vista, peça descontos. Se for um financiamento, saiba o valor final, a taxa de juros, pesquise antes.  A base é ter cautela e planejamento, com consciência, sem pilhar, é um processo gradativo de autoconhecimento. Ele ainda aconselha “se possível, invista em você. Faça cursos, projete uma vida acadêmica, pois é um investimento que sempre te trará retorno”. 

O importante é começar

Para quem sofre pela desorganização da vida financeira, o contador estimula “é interessante reservar um tempo e realizar um levantamento de toda a parte financeira. Relacionar todas as dívidas e os ganhos. Caso a pessoa não tenha um norte por onde começar, o ideal será procurar um profissional, mas se não houver condições, procure uma pessoa próxima que possa te ajudar. O passo inicial é reconhecer que é preciso iniciar um controle”. Se você conhece alguém que consiga ter uma gestão financeira pessoal, não hesite em pedir ajuda.

Por fim, tudo se resume em anotar todos os seus gastos previsíveis e fixos, e começar a planejar-se a partir disso: faça uma lista sobre o que precisa pagar, comprar e avalie se é realmente necessário. Quando comprar algo, faça orçamento, não compre sem antes pesquisar valores. Além de tudo, tenha foco. Não vá ao mercado, por exemplo, sem uma lista, com muito dinheiro e com fome, pois você irá gastar mais do que o necessário. Tente fazer uma estratégia que dê certo para a sua vida e para a sua rotina, aplique testes até que consiga ser coerente e prudente com as suas metas pessoais. 

Como diz uma famosa frase de São Francisco de Assis… “comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível”. 

Janaina Teixeira

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