
Estas indagações de um jovem logo me levou ao tema: “felizes os puros de coração porque verão a Deus” que será o tema do Congresso de Jovens Shalom que está se aproximando, a sexta bem-aventurança proposta por Jesus no evangelho de Mateus no capítulo cinco. O Papa Francisco nos fala que as bem-aventuranças são o programa de vida do cristão e as respostas diante da pergunta: o que fazer para ser um bom cristão? Pois, Jesus indica atitudes contrárias ao que habitualmente se faz no mundo.
O tema da pureza de coração parece que de primeira mão levanta em nós um misto de questões. Castidade, liberdade, verdade, lutas, fidelidade, quedas, medo, repulsa, atração, decisão. Em meio a tantas lutas para ter esse coração puro, nos deparamos com uma capacidade impressionante de amar. O que nos move é a vontade de amar diz o Papa Francisco, quando o jovem vive e ama, não se aposenta. O jovem que não ama envelhece muito rápido”.
Nos diz o Catecismo da Igreja Católica que a expressão “puros de coração” designa aqueles que entregaram o coração e a inteligência às exigências da santidade de Deus. Essas exigências não são poucas, mas são possíveis. Ainda o Catecismo nos ensina que o batismo da àquele que o recebe a graça da purificação de todos os pecados, mas não deixa esquecer que o batizado deve continuar a lutar contra a concupiscência da carne e as cobiças desordenadas e que com a graça de Deus alcançará a pureza de coração.
Diz Santo Agostinho: “Eu julgava que a continência dependia de minhas próprias forças… forças que eu não conhecia em mim. E eu era tão insensato que não sabia que ninguém pode ser continente, se Vós não lho concedeis. E sem dúvida mo teríeis concedido, se com meus gemidos interiores vos ferisse os ouvidos e, com firme fé, depusesse em vós minha preocupação”. O grito de um jovem que luta por essa pureza, com certeza, alcança os ouvidos de Deus, pois confiar na sua força é o primeiro passo nessa caminhada. A Igreja ainda nos indica o caminho da virtude, da pureza de intenção e do exercício da pureza do olhar. Quando estamos centralizados em nossas lutas, um grande remédio é a evangelização sair de nós mesmos em direção a dor do outro. O Padre Amadeo Cencini nos indaga: “o que seria um coração intacto, se não um coração dilacerado pela luta?” A pureza não é fácil para ninguém, mas na decisão diária e contando com a graça de Deus é possível.
Evandro Meneses
Acho o artigo muito bom. Só lamento que não haja mais edições do livro A Casta
a Adolescência , de Toth.