Formação

Série Santas Virgens Mártires: Santa Inês

No segundo episódio, iremos conhecer sobre a padroeira da castidade, dos jardineiros, moças, noivos, vítimas de violação e virgens.

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Testemunho que ultrapassa os tempos

Quando lemos a respeito das santas virgens mártires dos primeiros séculos da Igreja, é perceptível que os elementos da fé, da castidade e do testemunho radical de fidelidade a Deus até o martírio andavam muito juntos. Hoje em dia, ao que parece, não pode ser diferente. Semana passada vimos o exemplo de Santa Cecília, a primeira virgem mártir de que se tem notícia, e nesta matéria vamos refazer os passos de Santa Inês, cujo nome, em grego, significa “pura e casta”.

Como as histórias dos santos da primeira hora da Igreja são relatos milenares, por vezes, alguns dados podem ter atravessado os séculos com pequenas imprecisões, mas que, diante da magnanimidade de seus feitos, tornam-se apenas detalhes que não prejudicam o testemunho em si, ao contrário, até mesmo o corroboram.

Por exemplo, alguns historiadores afirmam que o nome “Inês”, na verdade, tratava-se do sobrenome desta santa virgem. Entretanto, se levarmos em conta que, dentre as várias origens dos sobrenomes antigos, como: um detalhe físico que o distinguia dos demais (Ex: Giuseppe Biondo – o Giuseppe que era loiro [em italiano]) ou sua profissão (Ex: Hans Schneider – o Hans que era alfaiate [em alemão]), existia uma classe de sobrenomes que era escolhido por uma virtude ou qualidade do indivíduo (Ex: John Fox – raposa em inglês, para se referir ao John que era um homem astuto), então, se “Inês”, era conhecida pelo sobrenome de “pura e casta”, significa que sua pureza e castidade eram tão evidentes, que tornaram-se características que a distinguiam das demais jovens de sua época.

Falando em época, uns dizem que a história de Inês se passou por volta do ano 304, nos tempos do imperador Diocleciano, um dos que mais ferozmente perseguiram os cristãos, todavia, alguns afirmam que, na verdade, teria sido quarenta anos antes, quando Valeriano era o imperador romano. Mais uma vez, o que importa não é bem a precisão temporal em que esses fatos se deram, mas exatamente seu impacto que permanece através dos séculos, ressoando nos nossos corações até hoje, o que, diga-se de passagem, não é pouca coisa.

Voto de castidade: uma oferta agradável a Deus

Atendo-nos ao que nos conta a tradição, o filho do prefeito da cidade de Roma havia se apaixonado por Inês, entretanto, a jovem, que tinha apenas treze anos, negou o pedido de casamento do rapaz, pois já havia feito um voto de castidade perpétua para Deus. O prefeito, tomando ciência do que acontecera ao filho, quis se vingar, obrigando Inês a se tornar uma sacerdotisa do culto à deusa Vesta, que, para os pagãos, era a protetora daquela cidade.

A jovem se recusou a negar a fé, assim, foi levada a um prostíbulo e exposta na Praça Navona como se estivesse à venda e, mesmo assim, conseguiu manter sua pureza, segundo os relatos, por uma graça sobrenatural. Desse modo, conduziram-na à fogueira, para ser queimada viva, porém, o fogo não a consumiu. Por fim, o prefeito mandou golpeá-la com uma espada na garganta, ao que a jovem sucumbiu, mas não sem antes ter demonstrado uma fidelidade inabalável ao Evangelho e ter seguido o exemplo do Seu Divino Esposo, Jesus Cristo: “Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. Ele não abriu a boca” (Is 53,7). Pelo modo sereno como enfrentou as torturas que lhe foram impostas, Santa Inês é comumente retratada na iconografia ao lado de um cordeiro.

Sua festa litúrgica é celebrada no dia 21 de janeiro, data em que são abençoados dois cordeiros criados pelas irmãs da Congregação Sagrada Família de Nazaré. Da lã produzida por esses ovinos, estas religiosas tecem os Pálios que o Papa impõe sobre os novos Arcebispos no dia 29 de junho de cada ano, na festa de São Pedro e São Paulo. Seus restos mortais estão em uma Basílica dedicada à sua memória na Via Nomentana, em Roma, construída a pedido de Constantina, filha de Constantino I (272-337), o primeiro imperador romano convertido ao cristianismo, por certo, um fruto da semente de novos cristãos que o sangue dos mártires tem fecundado desde o início da Igreja, pelo sacrifício de Cristo.

Como dissemos no início desta matéria, a fé, a castidade e a fidelidade de Inês foram atributos intrinsecamente unidos. De fato, não há como professar verdadeiramente a fé e a radicalidade evangélica, sem que haja um coração perfeitamente unido ao de Jesus Cristo.

Martírio, um autêntico testemunho de fé

Também dissemos que, nas circunstâncias atuais, isto não deve ser diferente. A maioria dos leitores desta matéria provavelmente são cristãos do Ocidente, onde não há uma perseguição explícita de tal relevância, que leve uma grande quantidade de fiéis ao maior dos testemunhos, que é o martírio de sangue. Todavia, por vezes, vivemos cercados de mentalidades tão hostis aos valores do Evangelho, seja na escola, na faculdade, no trabalho, no círculo de amigos, no meio familiar ou até mesmo dentro de nós, que a vivência da virtude da pureza, por meio de uma vida casta, precisa passar por grandes provações, às quais chamamos, por vezes, de martírio branco.

Inspirados pelo exemplo de Santa Inês, que no significado do seu nome portava uma grande profecia para os cristãos, devemos suplicar a Deus a imensa graça de suportar as investidas da carne, do mundo e do maligno contra a vivência da castidade com a mesma serenidade com a qual esta santa suportou seu martírio de sangue, buscando ser fiéis às promessas do nosso Batismo, a fim de que nós também possamos, sempre pela graça divina, portar a marca da pureza que deve distinguir os cristãos, como um sobrenome que nos une na mesma família instituída por Cristo Jesus.

Santa Inês, rogai por nós!

 

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Santas virgens mártires: pureza e coragem na busca pela santidade

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Comentários

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  1. Realmente os jovens que se decidem a viver a castidade e pureza são testados a todos os momentos para isso devem: ser abster de certas conversas, ouvir determinadas músicas, assistir determinados programas de televisão, afastar – se de determinados lugares e festas, deixar de namorar ou até ter determinadas amizades e até vê a internet e usar determinadas roupas. Sem a graça de Deus, sem a força vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, ÚNICO E VERDADEIRO DEUS JUNTO COM O PAI E O ESPÍRITO SANTO, não conseguimos. Peçamos também a intercessão dos santos da Igreja militante e da Igreja triunfante.