
A cruz exaltada é alegre. Ela testemunha, em seu júbilo mudo, que é instrumento de vida, passagem para a vida nova, intermediária da Ressurreição de Cristo e de todo homem. Só ela pode partilhar da alegria profunda de Cristo ao dar-se todo em amor. Só ela acolheu ao longo de todo o corpo a alegria do sangue bendito e feliz a dar-se até a última gota.
No Encontro Geral da Obra Shalom, no dia 15 de setembro, Moysés Azevedo nos exortou que o dia da Exaltação da Santa Cruz, no fundo, é o dia em que Deus manifestou a beleza mais profunda da Sua misericórdia para nós, e que quem experimentou a misericórdia divina exulta de gratidão, reconhece a sua indignidade e a grandeza da bondade do amor infinito de Deus. Ele ainda citou algumas palavras do Papa Francisco em sua homilia na Casa Santa Marta, proferida na data em questão: “Cruz de Cristo: ninguém pode se aproximar dessa cruz senão de joelhos, com oração e lágrimas, cheios de gratidão”. “Sem chorar, chorar no coração – disse o Papa – não se poderá jamais entender esse mistério”. É o choro do arrependimento, o choro do irmão e da irmã que olham para tantas misérias humanas e as veem em Jesus, mas “de joelhos e chorando” e “nunca sozinhos, nunca sozinhos!”.
Ao contemplarmos a Cruz de Cristo, lembramos também da nossa cruz de cada dia e da necessidade de carregá-la pacientemente, com a graça de Deus. Neste mês, a Shalom Maná apresenta o artigo “Suporta as demoras de Deus”, também de Emmir Nogueira. A autora da seção “Entrelinhas”, irá tocar nesta dimensão da espera e da confiança no Senhor. “Ao sofrermos as demoras de Deus, devemos agarrá-lo com nossa oração insistente, nosso amor, nossa fé, nossa humildade diante do Seu poder”.
Precisamos ser gratos pela Cruz de Cristo. Precisamos olhar a Cruz com o olhar do Senhor e amá-la incondicionalmente, assim como Ele a amou. Dessa forma, seremos plenos em Cristo e introduzidos no mistério da Sua Cruz. Como nos disse o Papa Francisco, “para entrar neste mistério, que não é um labirinto, mas se assemelha um pouco, temos sempre necessidade da Mãe, da mão da Mãe. Que Ela, Maria, nos faça experimentar quão grande e quão humilde é este mistério; tão doce como mel e tão amargo como o aloe. Que seja ela a nos acompanhar neste caminho, que nenhum outro pode fazê-lo além de nós mesmos. Cada um deve fazê-lo! Com a Mãe, chorando e de joelhos”.
Equipe Revista Shalom Maná
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