Ter Jesus como “amigo da família”

No Evangelho do episódio das bodas de Caná, o que Jesus quis nos dizer ao aceitar participar de uma festa nupcial? Sobretudo,desta maneira honrou, de fato, o casamento entre o homem e a mulher, afirmando, implicitamente, que é algo belo, querido pelo Criador e por Ele abençoado. Mas quis ensinar-nos também outra coisa. Com sua vinda, se realizava no mundo esse noivado místico entre Deus e a humanidade que havia sido prometido através dos profetas, sob o nome de “nova e eterna aliança”. Em Caná, símbolo e realidade se encontram: as bodas humanas de dois jovens são a ocasião para falar-nos de outro noivado, aquele entre Cristo e a Igreja, que se cumprirá em “sua hora”,na cruz. Se desejarmos descobrir como deveriam ser, segundo a Bíblia, as relações entre o homem e a mulher no matrimônio, devemos olhar como são entre Cristo e a Igreja. Tentemos fazê-lo, seguindo o pensamento de São Paulo sobre o tema, como está expressado em Efésios 5,25-33. Na origem e centro de todo matrimônio, seguindo esta perspectiva, deve estar o amor: “Maridos, amai vossas mulheres como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela”. Esta afirmação – que o matrimônio se funda no amor – parece hoje ser algo óbvio. No entanto, só há pouco mais de um século se chegou o reconhecimento disso, e ainda não em todas os lugares. Durante séculos e milênios, o matrimônio era uma transação entre famílias, um modo de promover a conservação do patrimônio ou a mão de obra para o trabalho dos chefes, ou uma obrigação social. Os pais e as famílias eram os protagonistas, não os esposos,que frequentemente se conheciam só no dia do casamento. Jesus, continua dizendo Paulo no texto aos Efésios, se entregou “a fim de apresentar a si mesmo sua Igreja resplandecente, sem que tenha mancha nem ruga nem coisa parecida”. É possível, para um marido humano, imitar, também neste aspecto, o esposo Cristo? Pode tirar as rugas de sua própria esposa? Claro que pode! Há rugas produzidas pelo desamor, por terem sido deixadas na solidão. Quem se sente ainda importante para o cônjuge não tem rugas, ou se as tem, são rugas diferentes, que acrescentam, mas não diminuem a beleza. E as esposas, o que podem aprender de seu modelo, queé a Igreja? A Igreja se embeleza unicamente para seu esposo, não por agradar osoutros. Está orgulhosa e é entusiasta de seu esposo Cristo e não se cansa defazer-lhe louvores. Traduzido ao plano humano, isso recorda às noivas e àsesposas que sua estima e admiração é algo importantíssimo para o noivo ou omarido. Às vezes, para eles é o que mais conta no mundo.Seria grave que lhes faltasse receber uma palavra de elogio por seu trabalho,por sua capacidade organizativa, por seu valor, pela dedicação à família; peloque diz, se é um homem político; pelo que escreve, se é um escritor; pelo quecria, se é um artista. O amor se alimenta de estima e morre sem ela. Mas existe uma coisa que o modelo divino recordasobretudo aos esposos: a fidelidade. Deus é fiel, sempre, apesar de tudo. Hoje,esse assunto da fidelidade se converteu em um discurso escabroso que ninguém seatreve a fazer. Contudo, o fator principal da ruptura de muitos casamentos estáprecisamente aqui, na infidelidade. Há quem o nega, dizendo que o adultério é oefeito, não a causa, das crises matrimoniais. A traição acontece, em outraspalavras, porque já não existe nada com o próprio cônjuge. Às vezes isso será inclusive certo; mas muitofreqüentemente se trata de um círculo vicioso. Trai-se porque o matrimônio estámorto, mas o matrimônio está morto precisamente porque se começou a trair,talvez em um primeiro momento só com o coração. O pior é que com freqüência,quem trai faz recair no outro a culpa de tudo e se coloca no papel de vítima. Mas voltemos ao episódio do Evangelho, porque contémuma esperança para todos os matrimônios humanos, até os melhores. Acontece emtodo matrimônio o que ocorreu nas bodas de Caná. Começa no entusiasmo e naalegria (disso o vinho é símbolo); mas este entusiasmo inicial, como o vinho emCaná, com o passar do tempo se consome e chega a faltar. Então se fazem ascoisas já não por amor e com alegria, mas por costume. Cai sobre a família, senão se presta atenção, como uma nuvem de monotonia e de tédio. Também destesesposos se deve dizer: “Eles não têm mais vinho!”. O relato do Evangelho indica aos cônjuges um caminhopara não cair nesta situação ou sair dela se já se está dentro: convidar Jesuspara o próprio casamento! Se Ele está presente, sempre se pode pedir que repitao milagre de Caná: transformar a água em vinho. A água do costume, da rotina, da frieza,no vinho de um amor e de uma alegria melhor que a inicial, como era o vinhomultiplicado em Caná. “Convidar Jesus para o próprio casamento” significahonrar o Evangelho na própria casa, orar juntos, aproximar-se dos Sacramentos,tomar parte na vida da Igreja. Nem sempre os dois cônjuges estão, em sentidoreligioso, na mesma linha. Talvez um dos dois é crente e o outro não, ou aomenos não com mesma forma. Neste caso, que convide Jesus às bodas aquele dosdois que o conheça, e o faça de maneira – com sua gentileza, o respeito pelooutro, o amor e a coerência de vida – que se converta logo no amigo de ambos.Um “amigo da família”! Pe. Raniero Cantalamessa, ofm Formação: Setembro/2008

Sem fidelidade não há união sólida e família feliz

A Igreja ensina o sentido profundo do sexo; ele só deve ser vivido no casamento: “Pela união dos esposos realiza-se o duplo fim do matrimônio: o bem dos cônjuges e a transmissão da vida. Esses dois significados ou valores do casamento não podem ser separados sem alterar a vida espiritual do casal e sem comprometer os bens matrimoniais e o futuro da família. Assim, o amor conjugal entre o homem e a mulher atende à dupla exigência da fidelidade e da fecundidade”. No casamento, a intimidade dos esposos se torna um sinal de comunhão espiritual. “Entre os batizados, os vínculos do matrimônio são santificados pelo sacramento” (Catecismo da Igreja Católica § 2360). O Papa João Paulo II ensinou que: “A sexualidade, mediante a qual o homem e a mulher se doam um ao outro com os atos próprios e exclusivos dos esposos, não é em absoluto algo puramente biológico, mas diz respeito ao núcleo íntimo da pessoa humana como tal. Ela só se realiza de maneira verdadeiramente humana se for parte integral do amor com o qual homem e mulher se empenham totalmente um para com o outro até a morte” (Familiaris Consortio,11). A Igreja gosta de apresentar aos esposos o exemplo de Tobias e Sara: “Tobias levantou-se do leito e disse a Sara: “Levanta-te, minha irmã, oremos e peçamos a nosso Senhor que tenha compaixão de nós e nos salve”. Ela se levantou e começaram a orar e a pedir para obterem a salvação. Ele começou dizendo: “Bendito sejas tu, Deus de nossos pais… Tu criaste Adão e para ele criaste Eva, sua mulher, para ser seu sustentáculo e amparo, e para que de ambos derivasse a raça humana. Tu mesmo disseste: “Não é bom que o homem fique só; façamos-lhe uma auxiliar semelhante a ele”. E agora não é por desejo impuro que tomo esta minha irmã, mas com reta intenção. Digna-te ter piedade de mim e dela e conduzir-nos juntos a uma idade avançada”. E disseram em coro: “Amém, amém”. E se deitaram para passar a noite” (Tb 8,4-9). “Os atos com os quais os cônjuges se unem íntima e castamente são honestos e dignos. Quando realizados de maneira verdadeiramente humana, significam e favorecem a mútua doação pela qual os esposos se enriquecem com o coração alegre e agradecido” (GS 49,2). A sexualidade é fonte de alegria e de prazer lícitos. Papa Pio XII mostrou claramente a legitimidade do prazer sexual para os cônjuges; o prazer sexual é legítimo para o casal: O próprio Criador estabeleceu que nesta função (isto é, de geração) os esposos sentissem prazer e satisfação do corpo e do espírito. Portanto, os esposos não fazem nada de mal em procurar este prazer e em gozá-lo. Eles aceitam o que o Criador lhes destinou. Contudo, os esposos devem saber manter-se nos limites de uma moderação justa” (Pio XII, discurso de 29 de outubro de 1951). Sem fidelidade conjugal o casal não tem vida sexual harmoniosa. Ela é a base do casamento; sem isso não há união sólida e família feliz. A infidelidade é hoje uma grande praga para as famílias; por isso a Igreja a combate fortemente: “O casal de cônjuges forma “uma íntima comunhão de vida e de amor que o Criador fundou e dotou com suas leis. Ela é instaurada pelo pacto conjugal, ou seja, o consentimento pessoal irrevogável” (GS 48, 1). Os dois se doam definitiva e totalmente um ao outro. Não são mais dois, mas formam doravante uma só carne. A aliança contraída livremente pelos esposos lhes impõem a obrigação de a manter una e indissolúvel (Cf. CDC, cân. 1056). “O que Deus uniu, o homem não separe” (Mc 10,9; Cf. Mt 19,1-12 e CIC §2364). “Aos casados mando (não eu, mas o Senhor) que a mulher não se separe do marido. E, se ela estiver separada, que fique sem se casar, ou que se reconcilie com o seu marido, igualmente o marido, não repudie a sua mulher” (1 Cor 7,10-11). É muito importante entender isto que o Catecismo da Igreja Católica ensina ao casal cristão: “A fidelidade exprime a constância em manter a palavra dada. Deus é fiel. O sacramento do Matrimônio faz o homem e a mulher entrarem na fidelidade de Cristo à sua Igreja. Pela castidade conjugal, eles testemunham este mistério perante o mundo” (CIC §2365). São João Crisóstomo, bispo de Constantinopla e doutor da Igreja, do século V, sugere aos homens recém-casados que falem assim à sua esposa: “Tomei-te em meus braços, amo-te, prefiro-te à minha própria vida. Porque a vida presente não é nada, e o meu sonho mais ardente é passá-la contigo, de maneira que estejamos certos de não sermos separados na vida futura que nos está reservada […]. Ponho teu amor acima de tudo, e nada me seria mais penoso que não ter os mesmos pensamentos que tu tens” (Hom. in Eph. 20,8: PG 62,146-147).   Prof. Felipe Aquino   Formação: Novembro/2011

As “novas” configurações familiares

O vocábulo novo nos enche de expectativa de que algo bom surge. De que podemos estar certos de que o sol vai brilhar após uma adversidade, de que nos perdoaremos ao percebermos que estamos errados, de que um dia todos terão um trabalho digno. De que há, ainda, possibilidade de sonhar! Novo é antônimo de velho. Não que esta palavra designe tristeza, ou mesmo algo superado. O que é velho pode ser bom, mas, ao mencionarmos um fato novo, pensamos sempre em uma novidade. Alegria está engastada nesta palavra “novo”. Quando referimos as novas famílias nos remetemos de imediato a pessoas que se unem em torno de uma mesa e conversam, gargalham, trocam ideias. Indivíduos que lutam pelo bem estar comum, que buscam a felicidade do outro. Para os que creem, famílias novas nada mais são do que famílias tementes a Deus, que vivem o Evangelho e dão um testemunho cristão no mundo de hoje. Nesse contexto, uma família é nova quando, simplesmente, é aquilo o que é, na sua essência. Redundante? Talvez! Não seria necessário as denominarmos de novas se não tivessem se desviado de seu rumo. Se não tivessem se afastado da família modelo, a Família de Nazaré. Se os lares da pós-modernidade, dominados pela falta de referência e de valores cristãos, não tivessem deslocado o foco de suas existências, trocado o calor humano pela indiferença. Se os esposos soubessem a quem recorrer nas adversidades. E, especialmente, se em uma grande maioria de residências a televisão ou a Internet não ocupassem o lugar primordial; enquanto a Bíblia encontra-se cheia de teias de aranha, fadada ao esquecimento. Ao criar o homem e a mulher, Deus os ordena à união e à procriação, portanto, a família não é uma obra humana. O próprio Deus é autor do Matrimônio (Gn 1,28;2,24). Sendo, pois, estabelecido pelo próprio Deus, o vínculo matrimonial é de tal modo que, o casamento validamente realizado e consumado entre homem e mulher batizados, jamais pode ser dissolvido. O sacramento do Matrimônio possui uma graça própria, que se destina a aperfeiçoar o amor dos cônjuges, a fortificar sua unidade indissolúvel. Através dessa graça, ambos se ajudam na santificação mútua, na aceitação e educação dos filhos (CIC, 1640, 1641). Não são, então, sem qualquer sombra de dúvida, os valores da sociedade civil que sustentam uma família, que permitem que ela permaneça de pé ante as situações desafiantes de sua existência. É algo bem mais profundo e consistente. Jesus fala claramente no Evangelho que a “casa” deve ser edificada sobre a Rocha (Mt 7,24-27). Ele não se refere a uma rocha qualquer, mas à Rocha que é Ele mesmo. Há uma clareza plena em suas palavras. A multidão que o escutava ficou impressionada com sua doutrina, diz a Bíblia. Está a Palavra de Deus desatualizada? Com certeza, não! Então reflitamos brevemente sobre o que aconteceu com a família nos últimos tempos. A família na atualidade A contemporaneidade nos traz tipos de uniões os mais diversificados. Há pais do mesmo sexo, pais de sexos diferentes, namorados da mãe, namorados do pai, meios irmãos. Há que diga que não assistimos a agonia da família, mas sua reinvenção. Uma coisa é fato: nunca os papéis masculinos e femininos, paternos e maternos estiveram tão confusos! As crianças nem sempre sabem a quem procurar e qual é, verdadeiramente, seu lugar na família em que está inserida. Uma maneira interessante de se perceber essa realidade é solicitando a uma criança que faça o desenho de sua família. Pode acontecer que ela desenhe, por exemplo, sua mãe, ela e outro irmão, sem a figura do pai. Ao ser indagada onde está o pai, ela solicitará outro papel e o desenhará com uma outra companheira e outros meios-irmãos. Fruto de que essa atitude? A década de 1970 irrompeu na história mundial com novos conceitos de liberdade e com o feminismo, trazendo repercussões em todo o Ocidente. O movimento de contra-cultura, já iniciado nos anos 1960, trouxe um grito de independência para a mulher. O cigarro, o álcool, as drogas mais pesadas, o movimento hippie, o uso do anticoncepcional, e, de modo singular, o trabalho e a possibilidade de não depender financeiramente do companheiro, eram novidades atraentes para o universo feminino. De início, os homens também acolheram entusiasmados essa inovação, mas, pouco a pouco, foi-se dando uma invasão, uma penetração dos papéis femininos nos masculinos e vice-versa. Ficou caracterizada a confusão. As uniões matrimoniais até então estáveis, sem a existência do divórcio, no Brasil, ficaram abaladas. O “até que a morte os separe”, ditado na fórmula do Matrimônio, entrou em crise porque em crise estavam também aqueles que desejavam constituir uma nova família. A música “Ai que saudades da Amélia”, de Ataulfo Alves e Mário Lago, ganhou destaque porque colocava em conflito dois tipos de mulheres, a submissa e a exigente, expressões usadas pela letra em questão. A liberalidade sexual atingiu o extremo, e o ser humano passou a experimentar de tudo. Tornou-se de fato escravo de suas paixões. E, como se encontra na Bíblia Sagrada, na Carta de São Paulo aos Romanos, o homem, conhecendo a Deus, não o glorificou mais como tal. “Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos, Amém!” (Rm 1,25). Família, fonte de vida e construtora da paz Retomando então ao início de nossa reflexão, podemos compreender o que se passa com a família na atualidade. Deus, os valores do Céu deixaram de ser a motivação da constituição familiar na sociedade laicizada da pós-modernidade. Para aqueles que estão sem rumo, a família passa a ser questionada e, aglomerados difusos e estranhos de pessoas que se unem por causa de suas carências e desestruturas, tomam o nome de família, mas jamais sua missão e função! São João Paulo II, quando papa, escreveu na Exortação Apostólica Familiaris Consortio: “A família, nos tempos de hoje, tanto e talvez mais que outras instituições, tem sido posta em questão pelas amplas, profundas e rápidas transformações

Família, fostes santificada pelo Espírito Santo

Olhando para o mundo percebemos a família sendo destruída em seus valores, vemos o divórcio sendo aderido por muitos casais como solução para seus matrimônios feridos, vemos as divisões, as discórdias, o adultério, as incompreensões entre pais e filhos, vidas geradas fora da família, crianças privadas da proteção e do acolhimento dos seus pais, famílias sofrendo pela falta de condições mínimas para sobreviver. Diante desse quadro, é preciso que as famílias parem e escutem as palavras de São João Paulo II: “Olha! Ouve isto: Deus quer que sejas bela; que sirvas à plenitude da dignidade humana e da santidade de Cristo; que sirvas ao amor e à vida. Tiveste início no Criador e foste santificada pelo Espírito Paráclito, para vir a ser a esperança de todas as nações” (Catedral/Rio de Janeiro, 04/10/1997). O Papa sintetizou em poucas palavras a missão e a grande dignidade da família. Cada família foi constituída pelo próprio Deus. Em Gênesis, temos o início da primeira família humana e, com o nascimento de Jesus, na família de Nazaré, a misericórdia do Pai abraçou definitivamente cada família, resgatando-a e dignificando-a, dizendo, em todos os tempos, a todas e a cada uma: “Tu não estás mais sozinha, por maior que possa parecer a tua dificuldade, por maior que seja o desafio que a tua família enfrenta hoje, tenha esperança, pois estou contigo, vim para te salvar, para te animar, para trazer de novo o amor e a unidade perdida”. Família, Deus quer que sejas bela, que redescubras o teu valor, que retornes ao projeto original de Deus, que busques no Senhor da vida a razão da tua existência. Foste constituída para ser uma comunidade de vida e de amor, na qual os pais comunicam a vida e, no exercício da maternidade e da paternidade, educam seus filhos na dimensão do amor, capacitando-os a viver plenamente sua condição de filho de Deus e a construir um mundo melhor para si e para a humanidade. O Senhor deu-nos um modelo de família para seguirmos. Ele nos deu a sua família. Deus deseja esculpir em cada lar cristão mulheres semelhantes à Maria, em sua ternura de esposa, doçura de mãe e total abertura à vontade de Deus. Homens como José, que são referenciais para o mundo de fidelidade, dedicação e obediência à voz do Senhor. Filhos que seguem Jesus em seu amor incondicional a Deus e aos irmãos, no desejo de transformar o mundo e de levar a todos a grande novidade do Evangelho. O mundo está enfermo porque não está em sintonia com o plano de Deus, porque elegeu para si valores contrários ao Evangelho, porque quer construir sua felicidade em bases falsas instrumentalizando o outro, por isso, sofre e faz sofrer. É preciso redescobrir a beleza do matrimônio, a alegria de estar juntos, de compartilhar a vida, as vitórias, os sonhos e também de dividir as dores e decepções. É preciso redescobrir a alegria nas pequenas coisas, no sorriso sincero, no abraço carinhoso, nos gestos delicados, nas palavras suaves, no olhar que vê além das aparências. É preciso redescobrir o grande e precioso dom que são os filhos e estar aberto para acolhê-los, aceitá-los, formá-los e amá-los. É necessário, ainda, estar juntos de Deus para aprender a amar, principalmente quando a estrada se torna difícil e as dificuldades aparentemente insuperáveis; rezar para permanecer fiel, para ser capaz de perdoar e, a cada dia, receber a força e a graça de sempre recomeçar. Porém, se tua família está ferida, se o teu cônjuge está distante, se o pecado está tentando destruir o amor e a unidade em teu matrimônio, se os teus filhos estão perdidos nos vícios e enganos do mundo, não se desespere, creia que Jesus é capaz de reconstruir o teu lar, de trazer de volta o vinho novo do amor. Tome a iniciativa, comece por você, reconcilie-se com Deus e acolha o Emanuel em tua vida . Não importa que essa iniciativa no início seja apenas tua. Desista do ódio, das mágoas, dos ressentimentos, das grosserias, da frieza. Aceite as fraquezas e as diferenças do outro. Peça a Deus a graça da paciência e do perdão constantes e, aos poucos, tenha certeza, você perceberá mudanças concretas em tua família. Vale a pena lutar pela unidade da sua família, pela preservação do teu matrimônio. Acredite na grande força do amor de Deus que é capaz de tornar fiel o infiel, de semear a paz em meio à discórdia, de reconduzir aquele que se desviou, que é capaz de trazer vida nova para ti e para os teus. Família, foste santificada pelo Espírito Santo para vir a ser a esperança de todas as nações. O mundo precisa do teu testemunho, as novas gerações necessitam aprender contigo o verdadeiro sentido do amor, da generosidade, da partilha. As novas gerações precisam crer em sua dignidade de filhos de Deus e como tal serem protagonistas de um mundo novo, construtores da civilização do amor. Elisa Maria Barroso   Formação Março/2009 Curso gravado no congresso Família Shalom 2006 (Fortaleza-CE), composto de cinco pregações do Prof. Felipe Aquino que mostram que a Família é gerada no Amor de Deus e expressão desse mesmo amor. Adquira o seu [AQUI].

Escola: lugar de aprendizado para a vida

A escola é uma das ocupações primordiais dos filhos durante a infância, a adolescência e a juventude. Portanto, é um percurso longo da vida e precisa ser de qualidade. Os pais têm papel importante na escolha e participação neste percurso dos filhos. Cabe aos pais acompanhar o processo de aprendizagem dos filhos, sua adaptação à escola (seus relacionamentos com professores, colegas e funcionários). Nos primeiros anos da vida escolar a presença dos pais deve ser intensa, uma vez, que a criança ainda não alcançou uma autonomia adequada. Porém, a presença dos pais deve acontecer durante toda a caminhada estudantil,tomando dimensões e características diferentes, conforme a faixa etária dos filhos. Seguem algumas pistas para auxiliar os pais na vivência deste processo de participação na vida escolar dos filhos.                                                                                                      Converse com seu filho    Pergunte o que ele aprendeu no colégio, demonstre interesse,e dê importância ao seu aprendizado. Quando os pais participam da vida escolardos filhos, as notas aumentam em torno de 20 a 50%. Proponha que ele lhe ensine algo queaprendeu na escola. Pergunte se ele tem dificuldades em alguma matéria ouconteúdo. Tente ajudá-lo a resolvê-las. Cobre as obrigações de seu filho – Favoreça que ele frequente a escola na hora certa. E que não falte às aulas sem motivo grave; – Com perguntas, perceba se ele presta atenção nas aulas; – Observe se ele faz as tarefas de casa diariamente; – Os estudos mostram, segundo pesquisa da entidade “Educar para crescer”, que faltas dificultam muito a aprendizagem de crianças e adolescentes. E quanto mais aulas um aluno perde, maior será a probabilidade deter um desempenho fraco e até repetir o ano letivo; – Organize com seu filho o horário de estudos, de lazer,entre outros. Reserve um espaço da casa silencioso e organizado destinado  ao estudo dos filhos. Acompanhe as tarefas escolares – Ofereça ajuda, motive, mas não faça as tarefas por ele e nem lhe dê as respostas prontas. Pais que agem assim, favorecem que os filhos se acomodem, desistam dos desafios e não priorizem os estudos como uma das atividades importantes da vida, repercutindo posteriormente, de forma negativa,na vida profissional; – Estimular e ajudar não significa executar as tarefas pelos filhos. A pesquisa mostra que filhos estimulados pelos pais a estudar e a fazer as lições de casa têm um desempenho muito melhor. Estimule seu filho a pesquisar e a descobrir as respostas por conta própria, respeitando o potencialde cada faixa etária, conforme a escola orienta. Perceba como está o aprendizado do seu filho Observe se seu filho está aprendendo o que lhe é ensinado na escola. Provavelmente, dentro do percurso normal do estudante, observe:  – Aos 8anos, ele deve saber ler e escrever com facilidade, compreendendo o que lê nos livros, pelo menos aqueles de seu ano escolar; – Aos 10 anos, deve saber somar, subtrair, multiplicar e dividir; – Aos 14 anos, deve resolver equação de 1º. Grau com duas variáveis (X e Y) e interpretar textos com diferentes opiniões. Confira sempre as notas e o boletim de seu filho. Se foremruins, vá à escola, pergunte ao professor como você pode ajudar seu filho.Converse com o coordenador e peça orientação; se forem boas notas, elogie-o para que continue crescendo com  responsabilidade. Segundo informações do site “Educar para crescer”(www.educarparacrescer.com.br), um dossiê do Departamento de Educação dos Estados Unidos constatou que o acompanhamento constante dos pais influi mais no rendimento escolar de uma criança do que a renda da família. Dê importância à leitura     – Leia sempre. É bom para você e excelente para seu filho, que seguirá o seu exemplo naturalmente. Leia para ele desde bebê, com intonação e emoção!  Estudos comprovam que filhos  cujos pais leram bastante para eles quando pequenos, têm um desempenho melhor na escola. A proximidade com o mundo da escrita facilita a alfabetização e ajuda em todas as matérias, pois grande parte do aprendizado em história, geografia, matemática e outras disciplinas se dá por meio da leitura de livros, pois entre outros benefícios, enriquece o vocabulário, facilita a capacidade de interpretação dos textos diversos e desenvolve a capacidade de expressão oral e escrita;  – Dê livros e revistas de presente para seu filho. Observe o conteúdo de valores que os livros trazem para que sejam motivadores da educação que você escolheu para sua família;  – Coloque os livros ao alcance das mãos dele. Um dos fatores que mais influencia positivamente a aprendizagem é a presença de livros em casa. Mas não basta tê-los. É preciso lê-los. Lares modestos com mais livros produzem melhores alunos do que lares mais ricos com menos livros; – Incentive a leitura de livros, utilizando jogos, brincadeiras em família que envolvam os conteúdos lidos. E, de acordo com a faixa etária,oportunize pequenas “recompensas” saudáveis e agradáveis como forma de reforçar tais atitudes. A internet pode deixar de ser uma “concorrente”, se aproveitada para alcançar os colegas de seus filhos e envolvê-los também nessa motivação à leitura. O ser humano tem necessidade de relacionamentos concretos (face a face). Oportunize a seu filho a satisfação dessa necessidade de forma criativa e saudável;  – Estimule outras atividades que desenvolvam a leitura, como: jogos, receitas, mapas,leitura sobre lugares que irão visitar… – Faça da leitura um momento de prazer. Use a criatividade,pode colocar uma música suave instrumental e em baixo volume, oferecer após a leitura um lanchinho diferente…  – Favoreça o intercâmbio de livros com os colegas através de empréstimos para que os livros circulem e todos se beneficiem e se estimulem mutuamente à leitura;  –Proporcione passeio para explorar bibliotecas e livrarias. Dê o exemplo  Seja coerente. Suas atitudes refletem o que você pensa.Mostre que estudar é importante e ler, divertido. Estude e leia sempre. O livroproporciona viagens interessantes pela imaginação,

“Não no tempo dos filhos”, por Emmir Nogueira

Depois do Vaticano II, quando as portas da Igreja se escancararam para o protagonismo dos leigos e suas famílias na evangelização do mundo moderno inseridos em sua escola, trabalho e lazer, o dilema de que tempo consagrar a Deus e que tem podedicar ao trabalho, à família e ao lazer começou a ser fonte de todo tipo de culpa. Se o trabalho se torna mais exigente e me rouba algumas “horas extra”, culpo-me por não estar com meus filhos ou não estar no meu ministério. Já imagino as crianças traumatizadas, nas drogas, grudadas nos games ou na TV, futuros adultos medíocres e inseguros a arrastar-se indiferentes pelo mundo. E o culpado? A culpada? Eu, é claro! Se é o apostolado que me arranca de casa em finais de semana de eventos em noites de serviço, já vejo meus pimpolhos a odiar a Deus, a ter ciúmes dele, revoltados contra este ladrão de pais e mães. Imagino-os mudando de religião, resistentes à fé, refratários à verdade. A culpa, naturalmente, é minha. A culpa me engasga quando estou de saída e as crianças se grudam em minhas pernas com seu choro ora chantagista, ora desesperado. Tira meu sono quando, ao chegar, vejo todos dormindo. Tira meu sossego quando constato que ninguém responde ao meu animado “Oi pessoal!”, grudados que estão na TV que tanto condeno, dentro e fora de casa. Quando meu pouco tempo deve-se ao excesso de trabalho ou estudo (sim, também o estudo pode ser excessivo!), a culpa é minorada pela estóica desculpa: “Estou-me esforçando para dar-lhes o melhor!” Mas quando meu pouco tempo deve-se ao apostolado, não encontro nenhuma desculpa-clichê que se adeque. Resultado: caio mais facilmente na culpa e, lançando mão de um mecanismo de defesa, acuso a Igreja, o movimento, a comunidade, o padre, o coordenador. Madre Teresa de Calcutá, com a simplicidade dos santos, resolveu facilmente este problema com a seguinte fórmula, que costumava recomendar aos seus“colaboradores leigos”: “Se você quer servir os pobres, se quer trabalhar em minha obra, retire para os meus pobres e doentes do seu próprio tempo e não do tempo dos seus filhos”. Não é espantosamente simples e prático? Não é sumamente libertador de todas as culpas? Por uma questão de justiça, há um tempo para tudo, como ensina Eclesiastes 3. Há um tempo para mim, há um tempo para meu cônjuge, há um tempo para meus filhos. Em qual categoria se encaixa o trabalho, o estudo, o cabeleireiro, a TV, a happy hour com os colegas de trabalho? Em qual categoria se encaixa o ouvir, o dar atenção, o partilhar, o planejar, o sonhar junto? Qual a categoria do rir, do brincar, do sarar o dodói, de corrigir e orientar? Fácil responder. É daí, do tempo legitimamente separado para você que você deve tirar para seu ministério. Como no serviço à família não tem patrão nem relógio de ponto, nossa tendência é “roubar” o tempo dela. No entanto, o tempo dedicado ao apostolado, ao ministério, não pode ser tempo roubado. Deve, necessariamente, ser tempo doado. Tempo que eu tiro daquele a que tenho direito e livremente dou para o serviço aos outros. Há também o tempo que livremente minha família decide doar para o serviço ao outro. Lembro-me de quando o meu caçula tinha cerca de cinco anos. Ao rezarmos o terço em família, a irmã ofereceu o mistério “para a viagem da mamãe amanhã, que ela faça uma boa pregação”. A reação do menor foi imediata. Recusou-se terminantemente a rezar aquele mistério porque não queria que a mamãe viajasse mais uma vez. Foi então que eu – e Deus – recebemos um dos maiores presentes de nosso trabalho juntos. Com muita calma, meu marido foi claro: “Deus chamou a mamãe para esta missão e nós queremos que ela a cumpra. A parte dela é pregar. A nossa parte é rezar por ela e ficar alegres em casa sabendo que a estamos repartindo com Deus para fazer outras pessoas felizes.” Estava resolvido o problema. Extinta a culpa, solucionado o dilema. Minha família, nos mistérios seguintes do terço, já não era mais a mesma. Não havia mais divisão de quem fica e quem vai. Todos iriam, cada um a seu modo. Haviam entendido que a família inteira é chamada a evangelizar, cada um ao seu modo, no seu ministério, como diz São Paulo em I Cor 12. Naquela noite, havíamos nos tornado, verdadeiramente, uma igreja doméstica, sonho do VaticanoII, orientação de João Paulo II, esperança da Igreja. Ao longo de minha caminhada de 30 anos, tenho entendido que há um só amor, uma só missão, um só tempo. O amor a Deus não compete com o amor ao cônjuge e aos filhos que, por sua vez, não compete com o amor àqueles que meu ministério atinge. É um só amor que se manifesta de várias formas, conforme a legítima necessidade de cada um, cuja satisfação me pede um serviço a que se chama ministério ou exercício de um carisma. Casar-se, como bem diz São Paulo, é um carisma. O exercício deste carisma, selado pelo sacramento, é um ministério que se exerce no serviço amoroso aos filhos e ao cônjuge. Este carisma e ministério convive em harmonia e jamais compete com outros serviços e ministérios que Deus deu a mim como pessoa e à minha família como Igreja Doméstica. Pelo contrário, são complementares e alimentam-se mutuamente. Assim como há um só amor, também há um só tempo: tempo de amar a Deus, como explica Santa Teresinha. O tempo dividido me esquarteja. Unificado, me unifica e unifica minha missão que é uma só: amar a Deus e ao meu irmão segundo a Sua vontade, lembrado que meu irmão se chama marido, filha, filho, genro, nora, pai, mãe, sogro, sogra, cunhados e vizinhos, colegas de trabalho e porteiro. Lembrada, igualmente, que ele se chama ouvinte de uma pregação, leitor de um artigo, espectador de um dvd, ouvinte da rádio, formando, pessoa necessitada de oração, enfermo, pobre, pessoa que me bate à porta, pessoa que

A unidade original do homem e da mulher na humanidade

A família tem sido alvo de muitos ataques.Acreditamos que ela é a base fundamental da sociedade. Sem família o ser humano padece de aconchego, proteção e amor. Por isso vamos continuar dando ênfase ao que ela tem de mais precioso para que todos nós possamos salvaguardá-la de todo o mal. Neste artigo vamos refletir sobre a unidade original do homem e da mulher na humanidade. Para entendermos esse tema tão importante precisamos entender o mistério da criação do homem. O homem, homem e mulher, foi criado à imagem e semelhança de Deus. Isto significa que o homem é o ápice de toda a criação. O homem, homem e mulher, coroa toda a obra da criação. Dizer que o homem é criado à imagem e semelhança de Deus quer dizer que o homem é chamado a existir como pessoa, com livre arbítrio e razão, capaz de conhecê-Lo e de amá-Lo. Mas significa ainda que o homem échamado a existir para os outros, a tornar-se um dom. Isto consiste em existirem referência a um outro “eu”, como o Deus Trindade. Essa relação deve ser recíproca e nesse ser “para o outro” acontece a integração querida por Deus no “princípio” daquilo que é masculino e daquilo que é feminino. Então o homem e a mulher são chamados a viver uma comunhão de amor. Como afirma João Paulo II, são chamados a viver uma “unidade de dois”. Essa unidade de dois deve transbordar assim para toda a humanidade.  Quando o livro do Gênesis afirma que “não é conveniente que o homem esteja só” (Gen), está revelando que o homem foi criado para “ser para o outro”, é chamado à unidade original. Dentre todos os seres criados ele não havia encontrado que pudesse vivenciar com ele esta sua vocação. O sentimento da solidão original entra a fazer parte do significado da unidade original, cujo ponto-chave parece ser precisamente as palavras: “O homem deixará o pai e a mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão os dois uma só carne” (Gen2,24). Os dois modos de “ser corpo” do mesmo ser humano, são chamados à comunhão de amor entre si e desta com toda a humanidade. A família nasce dessa vocação ao amor vivido por Deus Trindade. A família nasce da necessidade que o homem tem de amar e ser amado, de não fechar em si mesmo, de não “repudiar”nenhum dos seus semelhantes. Existe uma semelhança entre a união das Pessoas divinas e a união dos filhos de Deus na verdade e na caridade. Esta semelhança manifesta que o homem, única criatura na terra que Deus quis por si mesma, não pode se encontrar plenamente senão por um dom sincero de si mesmo. Isto significa que o homem, homem e mulher, só pode alcançar a própria realização senão “por um dom sincero de si mesmo”. A família, portanto, tem como raiz a própria peculiaridade da criação do homem, como homem e mulher. A família nasceu da necessidade ontológica que o homem possui de doar-se a si mesmo. A família nasceu da vocação do homem ao amor. Está inserida no mistério da criação da forma que ela foi querida por Deus. Erra-se gravemente ao pensar que a família é uma dimensão que se pode prescindir da vida da sociedade e da humanidade. Adão ao contemplar pela primeira vez Eva manifesta alegria e até exultação, de que anteriormente não tinha motivo, por causa da falta de um ser semelhante a si. Adão manifesta a alegria em relação ao outro ser humano, a alegria para o segundo «eu», que é Eva, demonstrando assim que aquela primeira mulher, “criada da sua costela” (Deus serve-se da sua “costela”só para acentuar a natureza comum do homem e da mulher) foi imediatamente aceita como auxiliar semelhante a ele. O termo “auxiliar” sugere o conceito de “complementaridade”, ou melhor, de “correspondência exata”. Expressa assim que a mulher deve “auxiliar” o homem, e que este, por sua vez,deve ajudar a ela. É fácil assim, compreender que se trata de um “auxiliar” de ambas as partes, de um “auxiliar” recíproco. Humanidade significa chamada à comunhão interpessoal e toda a história do homem sobre a terra realiza-se no âmbito desta chamada. Tudo isto ajuda a estabelecer o significado pleno da unidade original do homem e da mulher na humanidade.  A família tem início de uma especial ação divina. Há uma “incorporação” profunda entre o homem e a mulher que tendem a viver essa mesma “incorporação” com os outros seres humanos. Só assim o homem é feliz. Só assim o homem se realiza.   Bibliografia: Lúmen gentium Mulieres dignitatem Gaudium et spes Formação Nov 2008  

A educação sexual da criança: verdade e significado

A educação sexual da criança: verdade e significado Papa João Paulo II   A educação ao amor A educação ao amor como dom de si constitui também a premissa indispensável para os pais chamados a oferecer aos filhos uma clara e delicada educação sexual. O serviço educativo dos pais deve firmar-se sobre uma cultura sexual que seja verdadeira e plenamente pessoal, superando uma cultura que banaliza largamente a sexualidade humana, porque a interpreta e a vive de modo reduzido e empobrecido, ligando-a unicamente ao corpo e ao prazer egoístico. A sexualidade, de fato, é uma riqueza de toda a pessoa – corpo, sentimento e alma – e manifesta o seu íntimo significado no levar a pessoa ao dom de si no amor. A educação sexual, direito e dever fundamental dos pais, deve atuar-se sempre sob a sua guia solícita, seja em casa, seja nos centros educativos por eles escolhidos e acompanhados. A escola observa a lei da ajuda quando coopera para a educação sexual, colocando-se no mesmo espírito que anima os pais. É de todo irrenunciável a educação à castidade, como virtude que desenvolve a autêntica maturidade da pessoa e a torna capaz de respeitar e promover o significado esponsal do corpo. Antes, os pais cristãos reservarão uma particular atenção e cuidado para a educação à virgindade, como forma suprema do dom de si. A educação deve conduzir os filhos a conhecer e a estimar os valores éticos e as normas morais como necessária e preciosa garantia para um responsável crescimento pessoal da sexualidade humana. Uma certa forma de informação sexual, desprovida dos princípios morais, tão freqüentemente difundida, não é senão uma introdução à experiência do prazer – ainda nos anos da inocência – abrindo a estrada ao vício.   Dificuldades do ambiente cultural Na nossa época se manifesta uma profunda crise da verdade e em primeiro lugar uma crise de conceitos. Os termos “amor”, “liberdade”, “dom sincero”, e por fim aqueles de “pessoa, “direitos da pessoa”, significam na verdade aquilo que pela sua natureza contêm? Apenas se a verdade acerca da liberdade e da comunhão das pessoas no matrimônio e na família reconquistar o seu esplendor, acontecerá verdadeiramente a edificação da civilização do amor. O utilitarismo é uma civilização do produto e do prazer, uma civilização das coisas e não das pessoas. A mulher pode tornar-se para o homem um objeto, os filhos um obstáculo para os pais, a família uma instituição que impede a liberdade dos membros que a compõem. Para convencermo-nos disso, basta examinar certos programas de educação sexual, introduzidos nas escolas, freqüentemente não obstante o parecer contrário e protestos de muitos pais; ou as tendências favoráveis ao aborto, que procuram em vão esconder-se de trás do assim chamado “direito de escolha”. O “sexo seguro”, propagandeado pela civilização técnica, está, na verdade, sob o perfil das exigências globais da pessoa, radicalmente não-seguro, antes gravemente perigoso. A verdade, apenas a verdade, vos preparará a um amor do qual se possa dizer que é “belo”. Um amor reduzido apenas à satisfação da concupiscência (cf. 1Jo 2,16), ou a um recíproco uso do homem e da mulher, torna as pessoas escravas das suas fraquezas. Não levam a esta escravidão certos modernos programas culturais? São programas que jogam com as fraquezas do homem, tornando-o assim sempre mais fraco e indefeso.   Preparar para os relacionamentos com os outros Não deixe de lado, no contexto da educação, a questão essencial da escolha vocacional e, nessa, em particular da preparação para a vida matrimonial. Não seja esquecido que a preparação para a futura vida de casal é dever sobretudo da família. Com efeito, a preparação tem início desde a infância, naquela sábia pedagogia familiar, orientada a conduzir os pequenos a descobrir a si mesmos como seres dotados de uma rica e complexa psicologia e de uma personalidade particular, com as próprias forças e fraquezas. É o período no qual se instala a estima por todo autêntico valor humano, seja nos relacionamentos interpessoais, seja nos sociais, com aquilo que isto significa para a formação do caráter, para o domínio e o reto uso das próprias inclinações, para o modo de considerar e encontrar as pessoas e a si mesmo.       Fonte: Revista Shalom Maná – Ed. Shalom   Conheça nossos DVDs de formação

Centro de Formação promove curso do Método Billings

        Casais, noivos, pastores de grupo e formadores pessoais e comunitários participaram em Natal do curso: Método de ovulação Billings.  Promovido pelo Centro de Formação, o curso contou com apoio dos projetos Família e Criança e foi ministrado pelo casal da Comunidade Shalom de Natal, Sandro e Lidiane e a consagrada Ozejane.         O curso faz parte de uma série de assuntos abordados pelo Centro de Formação em Natal e que este ano ainda planeja abordar temas como Bioética e Ano da Fé, além do retiro do Ordo Amoris e os cursos de Formação Básica, FB’s, dentro e fora da obra.         Segundo a coordenadora do Centro de Formação em Natal, a consagrada Cynthia Andrade, o curso deste fim de semana, do Método Billings, procurou motivar aos participantes a viver e instruir a quem for repassar os conhecimentos adquiridos, um Matrimônio ordenado para o amor, aberto a vida e segundo os planos de Deus para a família, conforme orientação do Magistério da Igreja com relação ao planejamento familiar.         O conhecimento do método passo a passo, a instrução da aplicação deste durante a amamentação e pré menopausa e a possibilidade de se tirar dúvidas fez parte da dinâmica do curso.         Outra iniciativa do curso foi motivar os participantes a fazer o treinamento para instrutores do método que acontecerá em Fortaleza nos dias 14 e 15 de setembro, promovido pelo Ministério Shalom de Planejamento Natural da Família, já que a meta da missão de Natal é a preparação de instrutores para implantação do ministério, com acompanhamento de casais.

A educação sexual da criança: verdade e significado

A educação sexual da criança: verdade e significado Papa João Paulo II A educação ao amor A educação ao amor como dom de si constitui também a premissa indispensável para os pais chamados a oferecer aos filhos uma clara e delicada educação sexual. O serviço educativo dos pais deve firmar-se sobre uma cultura sexual que seja verdadeira e plenamente pessoal, superando uma cultura que banaliza largamente a sexualidade humana, porque a interpreta e a vive de modo reduzido e empobrecido, ligando-a unicamente ao corpo e ao prazer egoístico. A sexualidade, de fato, é uma riqueza de toda a pessoa – corpo, sentimento e alma – e manifesta o seu íntimo significado no levar a pessoa ao dom de si no amor. A educação sexual, direito e dever fundamental dos pais, deve atuar-se sempre sob a sua guia solícita, seja em casa, seja nos centros educativos por eles escolhidos e acompanhados. A escola observa a lei da ajuda quando coopera para a educação sexual, colocando-se no mesmo espírito que anima os pais. É de todo irrenunciável a educação à castidade, como virtude que desenvolve a autêntica maturidade da pessoa e a torna capaz de respeitar e promover o significado esponsal do corpo. Antes, os pais cristãos reservarão uma particular atenção e cuidado para a educação à virgindade, como forma suprema do dom de si. A educação deve conduzir os filhos a conhecer e a estimar os valores éticos e as normas morais como necessária e preciosa garantia para um responsável crescimento pessoal da sexualidade humana. Uma certa forma de informação sexual, desprovida dos princípios morais, tão freqüentemente difundida, não é senão uma introdução à experiência do prazer – ainda nos anos da inocência – abrindo a estrada ao vício. Dificuldades do ambiente cultural Na nossa época se manifesta uma profunda crise da verdade e em primeiro lugar uma crise de conceitos. Os termos “amor”, “liberdade”, “dom sincero”, e por fim aqueles de “pessoa, “direitos da pessoa”, significam na verdade aquilo que pela sua natureza contêm? Apenas se a verdade acerca da liberdade e da comunhão das pessoas no matrimônio e na família reconquistar o seu esplendor, acontecerá verdadeiramente a edificação da civilização do amor. O utilitarismo é uma civilização do produto e do prazer, uma civilização das coisas e não das pessoas. A mulher pode tornar-se para o homem um objeto, os filhos um obstáculo para os pais, a família uma instituição que impede a liberdade dos membros que a compõem. Para convencermo-nos disso, basta examinar certos programas de educação sexual, introduzidos nas escolas, freqüentemente não obstante o parecer contrário e protestos de muitos pais; ou as tendências favoráveis ao aborto, que procuram em vão esconder-se de trás do assim chamado “direito de escolha”. O “sexo seguro”, propagandeado pela civilização técnica, está, na verdade, sob o perfil das exigências globais da pessoa, radicalmente não-seguro, antes gravemente perigoso. A verdade, apenas a verdade, vos preparará a um amor do qual se possa dizer que é “belo”. Um amor reduzido apenas à satisfação da concupiscência (cf. 1Jo 2,16), ou a um recíproco uso do homem e da mulher, torna as pessoas escravas das suas fraquezas. Não levam a esta escravidão certos modernos programas culturais? São programas que jogam com as fraquezas do homem, tornando-o assim sempre mais fraco e indefeso. Preparar para os relacionamentos com os outros Não deixe de lado, no contexto da educação, a questão essencial da escolha vocacional e, nessa, em particular da preparação para a vida matrimonial. Não seja esquecido que a preparação para a futura vida de casal é dever sobretudo da família. Com efeito, a preparação tem início desde a infância, naquela sábia pedagogia familiar, orientada a conduzir os pequenos a descobrir a si mesmos como seres dotados de uma rica e complexa psicologia e de uma personalidade particular, com as próprias forças e fraquezas. É o período no qual se instala a estima por todo autêntico valor humano, seja nos relacionamentos interpessoais, seja nos sociais, com aquilo que isto significa para a formação do caráter, para o domínio e o reto uso das próprias inclinações, para o modo de considerar e encontrar as pessoas e a si mesmo.   Fonte: Revista Shalom Maná – Ed. Shalom/ Jan 2008 Conheça nossos DVDs de formação

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