O Acamp’s (Acampamento de Jovens Shalom) chegou e são muitas as histórias de mudança de vida que são presenciadas a cada acampamento. Confira o testemunho do Rafael, que fez o Acamp’s de Verão em janeiro de 2015. Quem é você Rafael? Meu nome é Rafael Tristão, tenho 20 anos, moro na cidade de Itápolis, interior de São Paulo e fui ao Acamp’s em 2015 pela missão de Araraquara/SP. Como você ficou sabendo do Acamp’s? Foi através de amigos. Fazia pouco tempo que eu tinha conhecido o pessoal do grupo de jovens da paróquia que eu faço parte aqui em Itápolis. Entre esses amigos, estava uma vocacionada da Comunidade Shalom que me falou do Acamp’s. Ela me incentivou bastante, e eu comecei a perceber que Deus estava me chamando e queria uma mudança para minha vida. Então eu fui para casa e pensei bem, mas eu não tinha dinheiro na época, então eu decidi vender o som do carro para poder conseguir o dinheiro para ir. Aí eu já percebia que Deus tinha realmente algo para fazer na minha vida. Com o dinheiro do som que vendi, eu fui para o Acamp’s. Mas como era a sua vida antes disso? Até minha adolescência, eu tinha uma vida boa, mas eu não sabia. Tinha pais excelentes, enfim, uma família normal que todos desejam. Mas hoje eu vejo, que fui me “estragando” aos poucos. Aos 13 anos eu comecei a sair de casa e conhecer tudo o que o mundo oferece: más companhias, bebidas, drogas e mulheres. De lá pra cá, fui conhecendo pessoas do bem e do mal, comecei a sair com pessoas mais velhas do que eu e ter uma mentalidade mais de adulto mesmo sendo adolescente ainda. Quando eu comecei a usar drogas, eu pedia dinheiro pro meu pai, dizendo que ia sair para comer, mas na verdade era para usar droga ou beber e isso foi me afetando cada dia mais; foi tomando posse de mim e foi aí que eu comecei a me afundar mais. Logo depois, comecei a trabalhar com meus pais, mas recebia o salário na sexta e gastava tudo naquele dia mesmo. Sábado e domingo eu já ficava sem um tostão no bolso. De semana eu pedia mais dinheiro pro meu pai, dizendo a mesma coisa, que ia sair pra comer com os amigos, mas na verdade era pra usar droga e beber. Muitas vezes chegava tarde em casa, ou nem dormia. Eu “varava” a noite toda acordado e ia trabalhar no outro dia. Eu gastava todo o meu dinheiro com isso; as vezes deixava até de pagar minhas contas, e assim o tempo foi passando. Hoje percebo que Deus sempre me chamava, mas eu não escutava . Foi aí que certo dia, Ele me mandou a Shayra, minha namorada. Como você conheceu a Shayra? Eu conheci a Shayra na lanchonete do pai dela, onde ela trabalhava. Eu ia com meus colegas lá e então a gente começou a conversar. Quando os pais dela ficaram sabendo de nós, eles não gostaram nenhum pouco, pois ela tinha 14 anos e na época eu tinha 18. Nos afastamos um pouco, mas o tempo foi passando e o sentimento persistia, então, os pais dela quiseram que eu fosse conversar com eles. O pai dela não aceitava nosso namoro, por eu usar brinco, ter tatuagem, ser maior de idade e ser conhecido e mal falado na cidade, já que nossa cidade é pequena. No começo tudo estava bem, mas aí eu comecei a sair com os meus amigos e deixar ela em casa, além disso, eu continuava usando drogas. Ela me chamava para ir a missa com ela, mas eu dizia que não estava a fim, pois eu não acreditava em Deus, e só depois de muita insistência eu acabei indo. E muitas vezes ia depois de passar a noite toda na farra, sem dormir, ou quando não ia, mentia pra ela, dizendo que não tinha conseguido acordar para ir, mas na verdade, eu nem tinha ido dormir ainda. Foi aí que eu tive uma discussão com os pais dela e eles não permitiram mais o nosso namoro. Depois foram só recaídas, chorava muito pensando nas coisas que tinha feito e mesmo assim mantínhamos o contato. Foi ela que me levou para conhecer o pessoal do grupo de jovens da paróquia. Foi lá que eu pude conhecer jovens de Deus, mas mesmo assim eu tinha recaídas e não conseguia largar o mundo ainda. Esses jovens te apoiaram na decisão de fazer o Acamp’s? Sim, o pessoal do grupo me motivou bastante. Sou muito grato, me deram forças quando caía, eles sempre me ajudaram. E você já tinha feito alguma experiência assim antes? Não, nunca tinha feito, pois antes eu não era da Igreja, e fazia pouco tempo que havia começado a frequentar grupo de jovens. Qual foi sua primeira impressão do Acamp’s? Nossa, eu fui de Araraquara até Itapecerica da Serra (cidade onde aconteceu o Acamp’s em 2015), pensando: “O que será que Deus tem para mim?”, ou seja, eu estava bem ansioso. Na época, eu tinha um grupo no whatsapp de colegas e me perguntaram o eu ia fazer no fim de semana e eu respondi que ia para um retiro. Um dos colegas me respondeu: “O que adianta ir no retiro e voltar a mesma coisa?” Eu não respondi, mas isso ficou na minha cabeça. Foi ali que eu decidi ser melhor. Bom, chegamos lá de madrugada, pois nos perdemos no caminho (risos) e tínhamos que acordar cedo no outro dia. Mas acordei disposto, feliz, alegre e deixei Deus tomar conta do meu dia. No começo eu estava tímido, porque eu cheguei sem conhecer quase ninguém e fiquei na minha, só esperando Deus, já que todo mundo falava Dele. Esperei Ele tocar o meu coração e ver o que Ele ia fazer. Houve algum momento que te marcou bastante? Sim, na sexta à noite, teve um momento de oração muito forte, foi um dos momentos mais valiosos para mim.