Comunhão de Bens: “Arrependimento por todas as vezes que fui infiel”
Meu nome é Witallo Bispo, tenho 21 anos e sou vocacionado Shalom na Missão Maceió. Estou na Obra Shalom há 6 anos. A minha experiência com a comunhão de bens sempre foi um exercício de sair de mim e de me mortificar. Nela, eu percebia o quanto era apegado às coisas materiais. Sempre foi uma dificuldade para mim, desde o tempo que iniciei na obra. Muitas vezes cheguei a enxergá-la como algo impossível, pois não entendia bem a sua necessidade, nem o que de fato significava ou para que servia, e eu nem entendia quando diziam “ficar 15% mais pobre”. Assim, segui na maioria das vezes na infidelidade, dando a comunhão de bens apenas quando sobrava, sem compreender a importância que ela tem. Mas a minha visão mudou. Lembro-me do meu primeiro dia de experiência na célula com a Comunidade de Aliança: a formação era muito propícia, pois estávamos na semana da unidade e o tema era sobre os laços espirituais e a comunhão de bens. A pregadora dizia: “Deus nos criou numa família espiritual, e os laços que nos unem são mais fortes do que os de sangue. Fomos escolhidos por Deus.” Aquilo me ajudou a compreender a dimensão do “somos uma família”. Ela ainda partilhou uma experiência pessoal da época do seu postulantado, onde se viu necessitada, ela que havia feito planos de ser fiel a sua comunhão de bens, se viu na necessidade daquele dinheiro para o sustento da sua familia. Quando ela apresentou isso à comunidade, recebeu auxílio. Foi fiel à comunhão de bens e, ao mesmo tempo, assistida pela própria comunidade diante das dificuldades. E esse gesto alcançou a sua família, a ponto de seu irmão ingressar também na comunidade tempos depois. Isso foi muito marcante para mim. Depois da formação, meus irmãos de missão também partilharam suas experiências. Fui muito tocado pela simplicidade e pela forma como testemunhavam quantas vezes foram assistidos, sustentados e até salvos porque outros irmãos foram fiéis à comunhão de bens. E não apenas os irmãos locais, mas também missões em outros países, onde pessoas são alcançadas por Deus porque, aqui, alguém foi fiel e contribuiu. Esse gesto se torna sustento de missões. Naquele momento, senti um grande arrependimento por todas as vezes em que fui infiel e não dei a devida importância à comunhão de bens, hoje compreendo a importância, e dou prioridade a ela, mesmo que falte, mas eu preciso ser fiel, um “dar de graça o dom recebido de Deus”, até porque é Ele mesmo quem providencia.