Moysés Azevedo: hoje o Senhor quer ficar na tua casa
O fundador da Comunidade Católica Shalom, Moysés Azevedo, pregou nesta quinta-feira (21), na Canção Nova, em Cachoeira Paulista. Confira pregação completa Jesus está presente no meio de nós, mas não só no meio, Ele está dentro de nós, agindo por meio de nós. Esse é o mistério pascal. O Senhor está presente no rito da Eucaristia. Qual a frase do sacerdote durante o rito? “Eis o mistério da fé”. Qual é o mistério? A resposta é que, por meio da Eucaristia, Deus Poderoso entra no nosso tempo e nos une à Paixão de Cristo, à Morte e Ressurreição de Jesus. Por isso, no momento da Eucaristia, Ele está tão vivo quanto quando estava na Galileia, quando se encontrou com Zaqueu. Naquele dia, o Senhor encontrou Zaqueu e esteve na casa dele. Retomemos essa passagem, que se encontra em Lucas 19,1-10: “Jesus entrou em Jericó e ia atravessando a cidade. Havia aí um homem muito rico chamado Zaqueu, chefe dos recebedores de impostos. Ele procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, porque era de baixa estatura. Ele correu adiante, subiu a um sicômoro para o ver, quando ele passasse por ali. Chegando Jesus àquele lugar e levantando os olhos, viu-o e disse-lhe: ‘Zaqueu, desce depressa, porque é preciso que eu fique hoje em tua casa’. Ele desceu a toda a pressa e recebeu-o alegremente. Vendo isto, todos murmuravam e diziam: ‘Ele vai hospedar-se em casa de um pecador…’ Zaqueu, entretanto, de pé diante do Senhor, disse-lhe: ‘Senhor, vou dar a metade dos meus bens aos pobres e, se tiver defraudado alguém, restituirei o quádruplo’. Disse-lhe Jesus: ‘Hoje, entrou a salvação nesta casa, porquanto também este é filho de Abraão. Pois o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido’.” “Zaqueu desce depressa, hoje preciso ficar em tua casa.” Muito interessante essa passagem do Evangelho que trata da ida de Jesus a Jericó. Mas quem é Zaqueu? Segundo a leitura, vemos que ele era chefe dos cobradores de impostos, um pecador da pior espécie para os judeus, tido como ladrão e corrupto, um homem de pequena estatura. Evidência disso vemos no fato de que, para ver Jesus, teve de subir numa árvore. Seu povo não via nele valor, não via nele nada de bom, chamando-o de ladrão; mas Jesus o chama pelo nome. Essa atitude de Cristo reflete a atitude de Deus para conosco. As pessoas, muitas vezes, sabem dos nossos erros, dos nossos pecados, mas Deus conhece todas as coisas e vê mesmo nossos erros obscuros. Ele sabe quem é você. Ele sabe quem nós somos. Ele sabe da nossa natureza frágil, débil e pecadora. Sim, porque eu sou pecador, você é pecador. Quem é pecador aqui diga eu! Quem é? Eu também. Todos nós somos pecadores, mas às vezes achamos: “É, eu sou pecador, mas não sou assim tão pecador. Eu sou pecador, mas não roubo, não mato. Não, eu não sou tão pecador”. São Francisco de Assis dizia uma coisa muito impressionante. Ele dizia: “Eu, sem um segundo da graça de Deus, sou capaz de cometer o pior pecado que eu abomino em outra pessoa”. Todos nós somos pecadores e somos capazes de realizar coisas muito piores do que podemos imaginar, porque é a nossa natureza ferida, é o nosso pecado. O Papa Francisco também, e é muito impressionante o Papa Francisco! Porque quando ele vai visitar os presídios e vai conversar com aquele preso, com aquele homem que cometeu delitos gravíssimos, e aquele homem então começa a contar a história dele, os delitos que ele cometeu, e diz o Papa Francisco: “Eu sempre fico olhando para ele e pensando comigo: porque não sou eu que estou aí no lugar dele? porque eu sou capaz até de pior. Sem a graça de Deus eu sou capaz de fazer pior do que este homem”. Sim, uma das coisas indispensáveis para a sadia vida cristã é reconhecer a fragilidade, a debilidade da nossa natureza humana e não nos sentirmos superiores a ninguém. Ninguém, ninguém! Porque somos capazes de fazer pior do que muitas vezes nos nossos juízos nós condenamos os outros. E Jesus tem essa capacidade de olhar para nós e não nos olhar a partir do nosso pecado, como Ele fez com Mateus. Ele não disse para Mateus: “Ei ladrão, Eu vou entrar na tua casa hoje”. Não, Jesus não fez isso. “Ei cobrador de impostos”, como às vezes fazemos, “aquela dali? Aquela dali é uma adultera uma prostituta. Aquele outro ali é um cachaceiro”. Vamos substituindo o nome das pessoas às vezes pela fragilidade e a fraqueza da pessoa, e às vezes até nós nos substituímos. Olhamos para nós mesmos e não conseguimos ver muitas vezes a não ser a nossa fragilidade e o nosso pecado e nos definimos assim, pela nossa fragilidade e pelo nosso pecado, mas Jesus não faz assim conosco! Jesus não nos olha e ao nos olhar já vê o nosso pecado. Não! Ele tem um olhar de amor e de misericórdia sobre nós. Quando Jesus olha para você, a primeira coisa que Ele vê não é o seu pecado, como Ele fez com Mateus. Ele tem um olhar amoroso, misericordioso e de esperança sobre você. O olhar de Jesus é um olhar de salvação. Ele nos escolhe e nos ama gratuitamente, apesar de toda a nossa fraqueza, de todo o nosso pecado, de toda a nossa debilidade. Quando Jesus olha para você, Ele não coloca em você a etiqueta do seu pecado. Ele olha para você e diz o seu nome, e o diz amorosamente, ternamente, misericordiosamente. É assim que Jesus faz. Ele nos chama para Ele, independente da fraqueza, do pecado e da debilidade que nós carregamos. Ele nos chama para Ele porque Ele quer se encontrar conosco. Ele quer que a Sua misericórdia se derrame sobre a nossa miséria. Nós estamos vivendo e o Papa proclamou um Ano Jubilar, um Jubileu da Misericórdia, e o que é a misericórdia a não ser,