Celibato: é chegado o tempo!

A missionária da Comunidade de Vida Andressa Gabrielly relata como se deu o discernimento e a escuta da vontade divina sobre seu estado de vida. Em missão em Itapipoca, Gaby fará seus primeiros votos no Celibato em 22 de julho, dia de Santa Maria Madalena. Confira: Em junho de 2023, no dia do Sagrado Coração de Jesus, tive minha primeira experiência com o celibato, quando na minha oração brotava em meu coração um grande desejo de ser toda de Deus. Por providência, nesse dia vivemos na Casa de Formação a missa de Renovação dos Votos no Celibato de uma das formadoras. Durante a Missa fiquei me imaginando ali, e me emocionei do começo ao fim de todo aquela celebração. Não partilhei nada com ninguém, nem na Formação Pessoal, pois achava que era coisa da minha cabeça, estava emocionada e etc… Sem falar que isso nem passava por minha cabeça antes, pois sempre sonhei em ter uma família. Em agosto desse mesmo ano, na minha formação pessoal foi proclamado Os 2, 16: “Agora, sou eu que vou seduzi-la, vou levá-la ao deserto e falarei ao seu coração”. Minha formadora pessoal foi tendo o entendimento de que o Senhor me introduzia em um caminho esponsal e me dava uma nova intimidade com Ele. Após a oração partilhei com ela os movimentos do meu coração, mas que tinha muito medo, que ainda era cedo pra isso, e ela me disse: “Não cale a voz de Deus, deixe Ele falar.” Em 2024 fui enviada para Itapipoca e troquei de formadora pessoal. Não partilhei nada disso na primeira formação, eu tinha dito para Deus que só ia falar se Ele falasse primeiro à nova formadora. Então, na segunda formação enquanto ela rezava, Deus deu a passagem de Is 56: “os eunucos que observam meus sábados, que escolhem o que me agrada e ficam firmes na minha aliança, eu lhes darei na minha casa, dentro de minhas muralhas, um lugar e um nome que valem mais do que os filhos e filhas”. Após a oração, fiquei caladinha e ela partilhou: “essa passagem Deus me deu quando me chamou ao celibato”. Então partilhei o movimento de Deus desde o ano anterior e fui partilhando também do desejo do meu coração e dos medos que trazia. A partir desses medos, entramos em um autêntico caminho de cura interior, em que fui descobrindo traumas e feridas que geravam esses medos. Durante o caminho de cura, fui descobrindo a partir da minha história que não me sentia amada por Deus, fui tendo algumas crises, dúvidas da voz de Deus, se o meu lugar realmente era aqui, até que depois de um tempo de muito choro e oração fui vendo o cuidado de Deus em cada dor, em cada situação que a ausência paterna tinha gerado em mim. E o maior fruto do ano de 2024 foi ter me reconhecido uma filha muito amada por Deus. E ao me reconhecer amada por Deus, voltei acreditar na voz que me chamou e me elegeu. Em março de 2025, fiz o retiro de candidatos ao Celibato e lá eu disse: “essa já é a minha vida, eu sou celibatária!”. E ao sair de lá comecei o caminho fechado, fazendo os retiros pessoais, sendo bem auxiliada na formação pessoal, até que estava tudo muito bom pra ser verdade… Começou a surgir apaixonamentos, dúvidas, o medo novamente tomou conta de mim, minhas fraquezas e limitações estavam ainda muito latentes. Eu me via muito limitada diante de um chamado tão grande. Então, novamente estagnei no caminho, não queria mais, tinha medo de ser infiel e muitas vozes surgiram. Em fevereiro de 2026, no acompanhamento comunitário, uma frase me fez abrir os olhos: “você nunca vai estar pronta totalmente para dar essa resposta”. Então, fiz um retiro pessoal colocando os meus medos, fraquezas e limitações diante do altar do Senhor e, naquele silêncio, na capela, Ele me disse: “A aliança comigo te fará resistir a toda e qualquer tentação, não tenhas medo. É chegado o tempo”. Partilhei os frutos do retiro pessoal na formação pessoal e no acompanhamento comunitário, e juntas discernimos que era tempo. No dia 21 de abril, pedi à Comunidade para fazer os meus Primeiros Votos no Celibato, e no dia 16 de maio, a Comunidade acolheu o meu pedido. Não tinha dia melhor para receber esse discernimento, pois justamente nesse final de semana a minha mãe tinha vindo me visitar. O Senhor preparou tudo, não tardou nada e esperou o melhor momento para me desposar por inteiro. Não precisei de muitas explicações para minha mãe, ela acolheu tudo a partir da minha alegria e da alegria dos meus irmãos. Quando pensei que Deus já tinha feito tudo, e que já não podia mais me surpreender, Ele, juntamente com minha amiga do céu Santa Maria Madalena, decidem escolher o dia 22 de julho para que eu fizesse meus Primeiros Votos no Celibato. Esse é o dia de Santa Maria Madalena, dia em que meu celibato é confiado à sua intercessão.   Andressa Gabrielly

“Buscar viver em estado de graça”

Percebi pela dor a urgência de nós vivermos pelo Espírito e obedecermos às inspirações do próprio Deus, buscando uma vida na graça, uma conversão sincera, este caminho estreito do qual nos falou o Evangelho de ontem.  Tudo começou na sexta-feira… Eu estava na fila da confissão, arrependida, com um forte desejo de me confessar.  Havia um “empecilho”: a fila estava imensa e eu tinha um compromisso logo em seguida. Comecei, então, a pedir a Deus que desse tempo, mas cheguei atrasada para a fila, então, por mais que Deus quisesse colaborar, foi negligente o horário que eu cheguei na fila. Então, com uma fila imensa, o tempo foi passando, fui me preparando e continuei com o desejo grande de confissão. Porém o meu compromisso se aproximava e a fila ainda estava muito longa. Dentro do meu coração, era uma guerra. Eu fico ou eu vou para esse compromisso? Eu preciso muito ficar, mas o compromisso também era muito importante e ele poderia ter sido alterado diante da urgência da minha alma. Mas, depois de desobedecer à inspiração de Deus, eu decidi ir para o meu compromisso e desistir da confissão, marcando a minha confissão para a quarta-feira da semana seguinte.  Confesso que fiquei com aquele sentimento de que queria muito ter vivido da graça, mas não foi tão suficiente essa experiência, para me fazer escolher primeiro a graça do que a mim mesma. Passou o final de semana. Na segunda-feira, eu estava na Santa Missa e surgiu um Sacerdote que se sentou para a fila da confissão e não tinha quase ninguém, tinha duas pessoas no máximo para se confessar. Naquele momento, eu pensei: “eu acho que vou antecipar minha confissão, não vou deixar para a quarta-feira, vou me confessar hoje”. Aproveitando também a visita da Virgem de Fátima, que também colocou no meu coração a necessidade de rezar, de fazer penitência, de viver uma vida mais na graça, atenta aos movimentos da graça. Mas eu escolhi o caminho largo mesmo, que é um caminho do orgulho, caminho em que a gente escolhe, tem preferências. “Com esse Padre eu não costumo me confessar e eu já marquei com o meu confessor, então, é melhor deixar para a quarta-feira mesmo”… e aquela luta foi crescendo dentro de mim durante a Santa Missa, por alguns instantes. Não foi uma longa luta.  Ali eu percebi que eu não estava totalmente necessitada, meu coração não estava tão necessitado, nem tão arrependido assim. Não existia uma urgência tão grande pela graça que estava sendo me dada. Mais forte ainda era o meu comodismo, as minhas preferências, a minha falta de urgência mesmo por escolher a Deus naquele momento. Por que eu estou partilhando isso?  Ao rezar ontem com isso, eu lembrava de Santo Agostinho que diz: “eu temo a graça que passa”. No mesmo dia, à noite, eu acabei tomando uma medicação errada e tive uma crise alérgica. Tive uma reação muito intensa, uma das mais intensas que eu já tive. Foi inchaço no rosto e a garganta fechando… Fui tendo realmente o sentimento de que eu poderia, naquele momento, não sobreviver.  Fiquei em estado grave, eu fui levada às pressas para o hospital e no caminho, a pessoa que me conduzia corria muito para poder evitar qualquer fatalidade. À medida que ela corria, eu entendia que nós, cristãos, precisamos correr para Deus, ter uma urgência em conversão, urgência em usufruir de todas as graças que a igreja nos dá. Com a mesma forma que a gente corre muitas vezes para os nossos compromissos, para as nossas urgências, para os nossos planos, nós deveríamos correr ainda mais para Deus. A nossa vivência de estado de graça comporta muitas outras almas. Há um mistério do corpo de Cristo: se um membro está adoecido pelo pecado, todo o corpo padece. Então, é preciso buscar a santidade, buscar a conversão, buscar viver em estado de graça, ainda mais quando isso é possível. Quantas pessoas querem se confessar, muitas vezes, e não tem possibilidade? Em contrapartida, tendo ali tantos Sacerdotes à disposição ao passar os dias, eu escolhi a mim mesma, às minhas coisas. Ao chegar no hospital, à medida que eu ia piorando, eu ia pedindo perdão a Deus, lamentando não ter recebido o sacramento, pensando que talvez eu não tivesse mais a oportunidade de tê-lo. Fui me comprometendo com o Senhor, no desejo de, cada vez mais, me lançar naquilo que a Igreja nos dá, como remédio, como salvação, que é essa própria experiência de Sacramento. Preciso buscar mesmo com urgência este caminho. E eu fiquei a me perguntar por que, embora eu estivesse calma, eu estava vivendo uma calma diferente. Outras vezes em que a alergia foi mais amena, eu não tive tanta calma quanto nessa ocasião. Naquele momento, eu não estava preocupada com a morte física, mas pensando no quanto eu perco a oportunidade de viver uma conversão da alma, de buscar viver em estado de graça.  Fiquei me perguntando o quanto eu tenho medo de estar distante de Deus para sempre, o quanto eu me perco mais nas correrias desta vida, de coisas até que são lícitas e necessárias, mas que podem pôr em xeque uma vida eterna com Deus, porque se aqui nesta terra, quando nós vivemos tão para nós, tão envoltos nos nossos problemas, na nossa vidinha, nas nossas coisas, nos nossos apegos, se torna insuportável às vezes de viver. Imagine viver isso até o fim dos tempos, viver uma eternidade distante de Deus e numa cidade construída por mim, não na cidade de Deus.  Deus te abençoe! Que todos juntos busquemos hoje viver uma vida em estado de graça. Ananda Vasconcelos

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