Uma alegria muito grande nesta vida é encontrar o nosso lugar, descobrir aquela parte da nossa identidade que estava escondida, descansar o coração naquilo que é eterno. Alegria ainda maior é, depois dessa descoberta, se entregar sem medo a Ele, deixando-se conduzir sem amarras. Elayne Alves de Araújo, consagrada de vida da Comunidade Católica Shalom, deixou tudo em 2008 para viver essa alegria cheia de sentido. Natural de Fortaleza (CE), ela conheceu a Comunidade ainda criança em um Seminário de Vida no Espírito Santo para crianças, no Renascerzinho. Lá teve o primeiro encontro com Deus. Caminhando no Shalom, Elayne aderiu à vontade de Deus e deu o sim que hoje frutifica na missão de Brasília. “Três aspectos para mim foram essenciais na descoberta do chamado: identificação com o Carisma na forma de rezar, radicalidade evangélica e o ser missionária”, lembra. Em 2016, como secretária vocacional da Comunidade em Brasília, Elayne pode contemplar a Obra que Deus fez na vida de 157 vocacionados que, assim como ela, trilharam um caminho de discernimento e escuta da doce voz do Amado. Muitos deles aderiram ao Carisma Shalom na feliz coincidência do Ano Jubilar da Misericórdia. “Foi uma experiência muito boa de tocar no chamado, na eleição de Deus na vida dos irmãos. Isso também foi renovando o meu chamado, a minha vocação: poder acompanhar cada descoberta, cada pessoa que foi se encontrando com o Carisma”, conta Elayne. O selo da Obra Nova Maria Rocha Lima tem 19 anos. Em 2016, ela participou do ano de vocacional pela segunda vez e foi enviada como jovem em missão para Teresina (PI). Numa cidade com jovens sedentos por Deus, Maria espera a resposta da carta enviada pedindo admissão no Shalom, mas praticamente vive como Comunidade de Vida. “Um irmão da Comunidade de Aliança daqui me falou uma vez: ‘A pessoa já sabe quando vai ingressar’. E é verdade. Estou bem tranquila, porque sei que estou na vontade de Deus”. O primeiro ano de vocacional de Maria foi repleto de confirmações – ela já não se sentia mais confortável em viver como Obra. Mas uma crise vocacional fez com que a jovem não quisesse mais seguir a vontade de Deus por um tempo. Nesse período difícil, quem a ajudou foi a acompanhadora. “Minha acompanhadora foi a voz de Deus pra mim. Ela disse para fazer mais um ano de vocacional. No segundo ano eu tinha plena certeza da vontade de Deus, nada me fez desistir”. Durante os dois anos de discernimento, Maria recebeu a graça de amadurecer humana e espiritualmente. Ficou na dúvida em saber se era da Comunidade de Vida ou Aliança, mas ao olhar para a própria história e se aprofundar no Carisma, percebeu que o Shalom fazia mesmo parte da identidade dela. O fazer memória de Maria permitiu que ela encontrasse sinais da vocação Shalom desde a infância: um missionário da Comunidade Canção Nova profetizou que ela entregaria a vida a Deus e seria missionária – à época a mãe de Maria pensou que a filha seria freira. Em 2011, a convite do padrinho sacerdote, Maria e a mãe conheceram a Diaconia, sede do Shalom no Ceará, em uma viagem de férias. Era o mês de janeiro e o lugar estava com poucos missionários. Durante a visita, um consagrado se aproximou e apresentou a Diaconia a eles. Maria se perdeu do grupo e, perambulando sozinha pelo lugar, viu um ícone que chamou bastante atenção dela, o Obra Nova. Em 2014, depois de ter o encontro pessoal com Deus no Acamp’s, a jovem resolveu conhecer o Shalom da Asa Sul. Logo que entrou viu o mesmo ícone da Diaconia. Deus estava falando algo a ela. “Deus despertou minha vocação. A semente começou a crescer. Sentia alguma coisa forte no meu coração”. Hoje, em Teresina, com o apostolado na lanchonete e o ministério do pastoreio jovem, Maria segue o caminho da paz: perder tudo para ganhar tudo. Distancia não é impedimento Ronildo Garcia da Silva tem 24 anos. Nascido em Várzea Grande, cidade vizinha a Cuiabá (MT), o jovem conheceu o Shalom em 2015 e sentiu algo diferente. No mesmo ano passou a caminhar na Obra Shalom e, ao se aprofundar na espiritualidade da Comunidade, começou a perceber o chamado de Deus: “A Obra Shalom de Cuiabá ia apresentar um flash mob e me convidou para participar. Até então eu não fazia parte da Obra. Eu aceitei ir porque foi convite de uma amiga – mas com muito medo porque sou bastante tímido. Após a apresentação, na qual eu não senti vergonha alguma, senti uma paz muito grande e uma alegria imensa. Pensei: ‘Senhor, que alegria é essa que invade meu coração?’. Era a alegria de estar em casa, de encontrar o meu lugar”. Caminhando no grupo de oração, Ronildo foi percebendo que Deus queria algo a mais. Por enquanto a missão de Cuiabá não tem consagrados, que acompanham todo o percurso vocacional dos aspirantes à Comunidade. Por isso, Ronildo, com a boa inquietação de saber qual a vontade de Deus, mandou um e-mail para a Diaconia e em 2016 começou a ser acompanhado pelos consagrados de lá. “Fomos acompanhados por ligação ou via Skype. Rezamos normalmente como os vocacionados presenciais. A nossa formação foi mandada por e-mail. Fazemos a nossa comunhão de bens e também o retiro pessoal”, explica Ronildo, que ganhou a companhia de mais duas jovens de Cuiabá no vocacional à distância. Em meio às atividades do ministério de dança, às tarefas cotidianas e à oração diária, o rapaz foi reconhecendo a voz de Deus. Os retiros – de aprofundamento e final –, feitos em Brasília, proporcionaram a grande identificação com a Comunidade de Vida. “O caminho vocacional foi bem difícil. Tive que aprender a silenciar, a esperar, a entender que nada é como eu quero, mas sim como Deus quer. Caí muitas vezes e, com a ajuda de Deus, me levantei, continuei a caminhar. Foi difícil olhar para as minhas misérias e ainda é difícil saber que Deus me