Formação

Dia dos Pais: 6 lições de São José para quem deseja ser um bom pai

Neste Dia dos Pais, o ComShalom apresenta 6 lições de São José que podem transformar a forma de viver a paternidade. Confira e descubra por que ser pai é muito mais do que uma função: é uma missão.

comshalom
São José

Vivemos em uma época marcada por profundas transformações nas estruturas familiares e sociais. Se, por um lado, assistimos à queda de um modelo ultrapassado de paternidade distante e autoritária, por outro, deparamos-nos com um cenário de incerteza em que muitos homens enfrentam a crise de não saberem como exercer seu papel. Diante desse dilema, surge uma questão urgente: qual é a verdadeira essência e o valor da missão paterna para o ser humano e para o mundo?

> Inscreva-se no nosso canal e receba atualizações diretamente no seu WhatsApp

Exercer essa missão em sua plenitude exige nos voltarmos para a contribuição das ciências humanas, mas sobretudo, exige um olhar atento para o modelo perfeito de paternidade que encontramos em São José. Ninguém uniu de forma tão harmônica a docilidade a voz de Deus e a obediência, autoridade e a ternura, o trabalho e a oração, a proteção e o silêncio respeitoso, o provimento material e a liderança espiritual quanto o carpinteiro de Nazaré.

A importância da paternidade na formação humana dos filhos

Durante décadas, as teorias do desenvolvimento infantil concentraram suas atenções quase exclusivamente na relação entre a mãe e a criança. O pai era visto, muitas vezes, como uma figura periférica, responsável principalmente pelo provimento material do lar ou como um recurso secundário de disciplina. No entanto, a psicologia contemporânea e a neurociência ampliaram essa visão, demonstrando que a função paterna desempenha um papel único, insubstituível e estruturante no psiquismo e na saúde emocional do ser humano.

Na psicologia do desenvolvimento, o pai é frequentemente compreendido como o “terceiro elemento” na dinâmica familiar. Nos primeiros meses de vida, a relação entre a mãe e o bebê tende a ser simbiótica, que é um estado de dependência absoluta necessário para a sobrevivência e para o estabelecimento da segurança primária. Contudo, para que a criança cresça e se reconheça como um indivíduo autônomo, essa fusão precisa ser gradualmente desfeita.

É aqui que a figura paterna intervém de forma decisiva. Ao se posicionar como um outro afetuoso e significativo, o pai introduz a alteridade. Ele sinaliza para a criança que o mundo não se resume ao vínculo com a mãe e que existem outros afetos, regras e possibilidades fora daquela relação inicial. Esse movimento é o pilar do processo de individuação: sem ele, a criança corre o risco de permanecer fixa em dependências emocionais ou de ter dificuldades para construir sua própria identidade.

Autoridade benevolente

Enquanto o vínculo materno tende a priorizar o acolhimento e a proteção imediata, o estilo de interação paterna, em termos gerais, encoraja a exploração e a abertura para o ambiente externo. Estudos mostram que os pais tendem a brincar de maneira mais física, dinâmica e desafiadora com seus filhos. Essa forma de interagir cumpre funções psicológicas cruciais, como estímulo à resiliência, autoconfiança, coragem, determinação, etc.

Outro aspecto central da função paterna é o estabelecimento de contornos e limites. Na ausência de regras e de uma autoridade amorosa, o mundo infantil torna-se um ambiente caótico e gerador de ansiedade. O pai que exerce uma autoridade firme, mas benevolente, ensina à criança que o desejo individual encontra limites na realidade e no direito do outro. Essa capacidade de dizer “não” com afeto e coerência pavimenta o caminho para a autorregulação emocional. Crianças que contam com a presença ativa e regradora de um pai tendem a apresentar: maior tolerância às frustrações do dia a dia; menores índices de comportamentos impulsivos, agressivos ou de risco na adolescência; melhor adaptação ao ambiente escolar e social, compreendendo o valor do respeito mútuo.

Por fim, é preciso superar a ideia de que o pai expressa seu papel apenas pela firmeza ou pela norma. A validação afetiva paterna tem um impacto profundo na autoestima dos filhos. O olhar de aprovação do pai, o tempo dedicado ao escutar, o abraço e o elogio sincero comunicam à criança que ela é digna de amor e respeito. O pai não é um mero auxiliar da mãe, mas tem um papel importante na estrutura emocional do filho. Ele oferece o equilíbrio perfeito entre o abrigo e o horizonte: o abrigo que protege contra as intempéries e o horizonte que convida a caminhar com os próprios pés.

A dimensão espiritual da paternidade

A paternidade não se encerra na biologia nem nas exigências do desenvolvimento psíquico; ela é, em essência, uma vocação. O pai humano é chamado a ser, dentro da dinâmica familiar, um sinal visível da paternidade de Deus.

Antes mesmo de compreender conceitos teológicos sobre a fé, a criança experimenta e concebe a ideia de Deus através da figura de seu pai terreno. É a partir das atitudes, do tom de voz, da coerência e do amor do pai que a criança molda suas primeiras impressões intuitivas sobre como Deus Pai se relaciona com seus filhos e com o mundo. Assim, o exercício da paternidade carrega uma responsabilidade sagrada: o pai é o primeiro “espelho” onde a alma do filho busca enxergar o rosto de Deus.

Na perspectiva espiritual, ser pai é responder a um chamado divino para participar do próprio ato criador de Deus. O pai não “possui” os filhos como bens, mas os recebe com a missão de guardá-los, educá-los e devolvê-los maduros ao mundo e ao céu. Esse papel confere ao homem uma espécie de sacerdócio no lar, uma liderança espiritual que não se impõe pelo domínio ou pela força coercitiva, mas pelo exemplo, pela oração e pelo serviço sacrificial. O pai vive sua liderança pelo exemplo, onde ensina a virtude não por discursos morais, mas pela vida orante, pela coerência, pela honestidade no trabalho, pelo respeito à esposa e pela busca sincera de correção dos próprios defeitos.

Esvaziamento e gratuidade

A dimensão espiritual da paternidade exige do homem um constante esvaziamento de si mesmo (kenosis), pois, grande parte da doação paterna ocorre no anonimato do cotidiano: nas noites mal dormidas, nas renúncias pessoais para garantir o bem-estar da família, na disciplina diária do trabalho e na capacidade de absorver as tensões sem repassá-las aos mais frágeis.

Esse sacrifício silencioso, longe de ser um peso estéril, é o que confere à paternidade o seu valor redentor. Ao renunciar ao seu egocentrismo em favor da vida de seus filhos, o pai imita o próprio amor de Deus, que se doa sem esperar retribuição. É no amor que se entrega no silêncio do dia a dia que o pai cumpre a sua missão mais elevada: gerar homens e mulheres livres, maduros, capazes de conhecer, amar e de servir a Deus e ao próximo.

O Papa Francisco na Carta Apostólica Patris Corde apresenta São José como o pai que amou “com coração de pai“, um carpinteiro de Nazaré, de mãos endurecidas pelo trabalho e coração amolecido pelo amor e pelos sonhos; ouvinte atento e silencioso dos mensageiros de Deus, os anjos através da humilde via dos sonhos. Não são suas palavras mas é sua vida que nos aponta características de um pai que verdadeiramente ama com o coração de pai.

1) Obediência

Ao final de cada intervenção divina por meio dos sonhos que tem José como protagonista, o Evangelho observa que ele se levanta, toma consigo o Menino e sua mãe e faz o que Deus lhe ordenou (cf. Mt 1, 24; 2, 14.21), pronunciando em todas as circunstâncias da sua vida o seu «fiat», assim como Maria. Foi ao longo da vida oculta em Nazaré, na escola de José, que Jesus aprendeu a fazer a vontade do Pai.

2) Acolhimento

A vida espiritual que José nos mostra, não é um caminho que explica, mas um caminho que acolhe. Na nossa vida, muitas vezes acontecem coisas, cujo significado não entendemos. E a nossa primeira reação, frequentemente, é de desilusão e revolta. José, no entanto, deixa de lado os seus raciocínios para dar lugar ao que acontece e, por mais misterioso que possa aparecer a seus olhos, acolhe-o, assume a sua responsabilidade e reconcilia-se com a própria história. Se não nos reconciliarmos com a nossa história, não conseguiremos dar nem mais um passo, porque ficaremos sempre reféns das nossas expectativas e consequentes desilusões. (Cf. Patris Corde, 4)

3) Respeito

A paternidade, que renuncia à tentação de decidir a vida dos filhos, sempre abre espaços para o inédito. Cada filho traz sempre consigo um mistério, algo de inédito que só pode ser revelado com a ajuda de um pai que respeite a sua liberdade. (Cf. Patris Corde, 7).

4) Silêncio

Nas Escrituras, não há uma única palavra registrada dita por São José. No entanto, seu silêncio está longe de ser passividade ou omissão; trata-se de um silêncio ativo, caracterizado pela escuta profunda e pela ação imediata. O silêncio de José reflete a capacidade de ouvir o outro e de interpretar os sinais do tempo. Um pai que escuta mais do que fala, cria um ambiente de acolhimento, segurança e proximidade para com os filhos.

5) Trabalho

Como carpinteiro, José transmitiu a Jesus não apenas um ofício, mas o sentido humano da criação e do esforço diário. Na oficina de Nazaré, o trabalho de José não se resumia ao sustento material; era uma ferramenta pedagógica e espiritual. Ao ver o pai manejar o ferro e a madeira com paciência, honestidade e capricho, o filho assimila o valor do esforço, a resiliência diante dos erros e o respeito pelos outros.

6) Pai na sombra

Ser a Umbra Patris (a sombra do Pai). No livro de Jan Dobraczyński que inspirou o Papa Francisco, José é retratado como a sombra de Deus Pai na Terra. Uma sombra acompanha, protege, dá contorno, mas não substitui a luz. A grande virtude de São José foi saber quando estar presente e quando se retirar.

Resgatar o coração de pai

Não se nasce pai, se torna Pai (Cf. Patris Corde, 7), diante desse chamado que Deus faz aos homens, o amor do Pai das misericórdias nos convida a coragem criativa para recomeçar, sem medo das próprias imperfeições, cooperando e confiando na graça divina.

Jesus chama o Pai de Abbá, papai, revelando uma intimidade com Ele que modifica a forma como na história os homens olharam para Deus. Para Jesus, Deus é Abbá, porque Ele, Jesus, é o Filho. Jesus nos diz que Deus não é somente o Criador, o Todo-Poderoso, o Altíssimo: é Papai, a pessoa que todo filho precisa ter para se sentir seguro, para poder se abrir ao mundo com a confiança necessária.

Ser pai é ser guardião do futuro e da esperança. Que cada homem, inspirado pela sabedoria da ciência e pela vida de São José, possa assumir com alegria sua missão em seu lar, descobrindo que, ao doar a vida pelos seus filhos, encontra o verdadeiro e mais profundo sentido de sua própria humanidade.

José Felipe Barbosa Júnior
Responsável pela animação do estado de vida do Matrimônio na Comunidade Católica Shalom

Veja também

O que os pais das Sagradas Escrituras ensinam aos seus filhos?

Qual a missão do pai?

11 músicas para você rezar no dia dos pais

Especial Dia dos Pais: o amor do Pai não decepciona

O Louvor dos Pais: reze esta oração e renove seu chamado a paternidade

Reze a Novena de São José


Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião da Comunidade Shalom. É proibido inserir comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem os direitos dos outros. Os editores podem retirar sem aviso prévio os comentários que não cumprirem os critérios estabelecidos neste aviso ou que estejam fora do tema.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *