A noite não é o fim, é um processo.
Ela antecede a aurora,
que rompe com raios suaves e firmes
o ventre da escuridão.
Traz consigo o perfume do orvalho
e ensina a amar
aqueles que a acolhem
e dela colhem
os frutos escondidos.
Ó Noite, chegas
depressa e sorrateira.
Tu não me assustas,
conheço tua face nua.
Revelas mais do que trevas;
Tu és, na verdade, esperada.
Vens e reviras pela enxada
as minhas profundezas.
Preparas a terra
para ser fecundada.
Ó Noite, tu não me assustas.
Vem, podes entrar.
Traz contigo o silêncio
e sussurra
a verdade profunda.
Ah, Noite…
Não virias sem ser enviada
a mando do Amado
para a amada.
Trazes cartas de amor secretas,
de um Amor que não nega
os espinhos que a rosa carrega.
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