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Série Santas Virgens Mártires: Santa Luzia

Neste quinto capítulo, conheça a história da padroeira dos olhos, que é um grande exemplo de como a castidade é a mais bela expressão da santidade. A personagem de hoje nos mostra como levou Jesus, Luz do Mundo, até as últimas consequências.

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Você já ouviu falar que somos peregrinos nesta terra? Certamente esta é uma expressão conhecida pelos que costumam acompanhar as mensagens do Papa ou ler os documentos da Igreja. E significa que não viveremos nesta terra para sempre, mas estamos de passagem, numa caminhada constante e rumo ao céu, onde o Senhor estabelecerá, por Sua graça, a nossa morada definitiva, junto a Ele.

Por isso, antes de sua ascensão, Jesus anunciou que não era ainda a hora de estabelecer o Seu Reino glorioso a todos os homens e que, a partir de então, vivemos no tempo do Espírito e do testemunho, mas também em uma época marcada pela provação e pelos combates contra o mal (cf. CIC, 672). Tais palavras foram mais que comprovadas nestes quase dois mil anos de existência da Igreja, durante os quais não nos faltaram provações e perseguições, mas que foram todas vencidas pela graça do Espírito Santo, força testemunhada pela perseverança de tantos fiéis, principalmente, pelos mártires. Esses testemunhos santos foram, sem dúvida, um grande auxílio para a transmissão da fé desde os primórdios da Igreja, com os apóstolos e os primeiros mártires, para que a força da Ressurreição de Cristo chegasse até nós.

E a história da nossa santa virgem mártir de hoje começa exatamente com um testemunho. Na semana passada, falamos a respeito de Santa Águeda, uma heroína da fé e da castidade martirizada no ano de 251. Hoje, vamos continuar a história desta santa por meio da vida de Luzia ou Lucia (no original em italiano), cujo nome significa “aquela que é cheia de luz”. 

Luzia era uma jovem italiana nascida em Siracusa, no fim do século III, e que, como Águeda, também sonhava secretamente em consagrar a sua vida ao Senhor por meio de um voto perpétuo de castidade. Entretanto, com a morte prematura do pai, sua mãe, Eutíquia, desejava que a filha se casasse com um jovem pagão. Luzia adiou o compromisso o quanto pôde, confiando que a graça divina viria em seu auxílio, para confirmar o bom propósito de sua consagração a Deus. 

Finalmente, no ano de 301, mãe e filha partiram em peregrinação para a cidade de Catânia, a fim de visitar o túmulo de Santa Águeda, cuja fama de santidade havia se espalhado por toda a Itália durante os 50 anos que transcorreram de seu martírio. Eutíquia sofria de uma hemorragia constante, que nenhum tratamento médico havia resolvido, embora tivesse gasto uma fortuna tentando a cura. As duas chegaram à cidade no dia 5 de fevereiro, data precisa da morte de Águeda, e participaram da celebração eucarística realizada em frente ao túmulo da virgem mártir.

Luzia, então, propôs à sua mãe que tocasse na sepultura de Águeda em um ato de fé, para alcançar a cura milagrosa, enquanto secretamente rezava para que Eutíquia desistisse da ideia do seu casamento e consentisse com a sua consagração ao Senhor. Nesse instante, a jovem teve uma visão de Santa Águeda, que lhe dizia, como em um sonho: “Luzia, minha irmã e virgem do Senhor, porque pedir a mim o que você mesma pode fazer? A sua fé serviu de grande benefício para a sua mãe, que ficou curada. Como para mim a cidade de Catânia é cheia de graça, assim para você será preservada a cidade de Siracusa, porque Nosso Senhor Jesus Cristo apreciou seu desejo de manter a virgindade”. 

No retorno para casa, Luzia revelou o que tinha acontecido para sua mãe, confessou o seu desejo de consagração a Deus e também pediu que ela entregasse seu dote aos pobres. Entretanto, o jovem a quem ela estava prometida irritou-se com o fim do compromisso de casamento e denunciou-a ao prefeito de Siracusa, Pascasio, por ser cristã. O culto cristão havia sido proibido por ordens do imperador Diocleciano, pois todos os habitantes de Roma deveriam cultuar apenas o seu imperador como uma figura divina.

Luzia foi presa e levada a julgamento diante do prefeito e, mesmo sob ameaças, permaneceu fiel à fé, dizendo: “Sou a serva do Eterno Deus, que disse: ‘Quando forem levados diante dos reis e dos príncipes, não se preocupem o que devem dizer, porque não serão vocês a falar, mas o Espírito Santo falará por vocês’”. Perguntada a respeito de sua crença no poder do Espírito, ela sabiamente respondeu: “O Apóstolo disse: ‘Os castos são santuários de Deus e o Espírito Santo mora neles’”. 

Irritado com a firme decisão de Luzia, o prefeito ordenou que fosse levada a um prostíbulo, entretanto, os soldados não conseguiam movê-la, mesmo estando de pés e mãos atados.  Então, Pascasio ordenou que fosse queimada, mas seu corpo novamente nada sofreu, o que aumentou a ira do governante, que mandou decapitá-la à espada. Luzia morreu no dia 13 de dezembro de 304.  

Há relatos de que, durante o julgamento, o inquisidor teria se apaixonado pela jovem, por causa dos seus olhos, por isso, mandou que os arrancassem e enviassem a ele em uma bandeja, fato que a fez se tornar a santa protetora da visão, muito solicitada principalmente pelos que sofrem de alguma enfermidade nos olhos.

Nunca nos esqueçamos de que um autêntico testemunho de fidelidade ao Senhor é capaz de arrastar muitos para a santidade, como ocorreu com Santa Águeda em relação à Santa Luzia e, a partir delas, com tantos outros cristãos. A castidade, por sua vez, é a mais bela expressão da santidade, por isso, quem é verdadeiramente casto sempre leva os outros para Deus, pois é capaz de enxergá-Lo já nesta vida pelos olhos da fé, enquanto caminha confiante para o encontro definitivo com o Senhor, na certeza de que os puros de coração verão a Deus. 

Peçamos que, pela intercessão desta santa virgem mártir, sejam os nossos olhos espirituais iluminados pela luz do Espírito Santo, para que não andemos nas trevas do pecado, mas sigamos com passos firmes a nossa peregrinação por esta terra rumo ao céu, e que a cada dia tenhamos todo o nosso ser unificado por esta mesma graça do Espírito, que é o Purificador das almas, para que também nos tornemos testemunhos de santidade para todos aqueles que ainda jazem na escuridão. 

Santa Luzia, rogai por nós! 

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