Missionário Shalom: há 27 anos levando o Carisma a todos os povos

Criado em 1998 pela Comunidade Católica Shalom, o Missionário Shalom (MSH) chega aos 27 anos com a proposta de evangelizar por meio da arte, da música e do testemunho de vida, alcançando diferentes públicos dentro e fora do país. A iniciativa nasceu da necessidade de comunicar o carisma de maneira criativa e acessível ao homem contemporâneo, atendendo ao apelo do Evangelho pela evangelização. Origem e identidade da missão Desde o início, o grupo assumiu o compromisso de levar a experiência com Deus a quem vive distante da fé e da Igreja, ultrapassando não apenas fronteiras geográficas, mas também culturais e existenciais, com objetivo central de expressar o Carisma Shalom, anunciar a paz e despertar a fé por meio da música. Ao longo das últimas décadas, o Missionário se consolidou como um dos principais instrumentos de evangelização da Comunidade, especialmente entre os jovens. Leia também: Shows animam a juventude no início do CJS 2025 Para muitos, o primeiro contato com a vocação consagrada acontece justamente através do Missionário. A formação itinerante, o contato com diferentes realidades e a rotina de evangelização direta criam um ambiente onde identidade, missão e vocação se tornam processos concretos. Ao longo de 27 anos, o grupo passou por fases e formações distintas, mantendo, porém, a mesma raiz missionária: servir à Igreja e anunciar Cristo com criatividade, obediência e vida ofertada. Missão, estudo e amadurecimento Há 17 anos no MSH, Gustavo Osterno, consagrado da Comunidade de Vida e seminarista, afirma que o chamado amadureceu em meio a desafios pessoais e familiares, mas também em meio ao ritmo da missão e da rotina do Missionário Shalom. Ele reconhece que o processo vocacional o levou a escolhas que exigiram confiança e renúncia, “em cada viagem eu aproveito para estudar e dar o meu melhor, sem deixar para trás o que preciso cumprir. É uma vida intensa, mas coerente com aquilo que Deus me pede hoje”, destaca.  Florescer mesmo em tempos de inverno Keciane Lima, consagrada da Comunidade de Vida e celibatária, enfatizaa missão  evangelização do grupo, a qual rompe resistências culturais e geográficas, com as apresentações em todo o Brasil, “vemos frutos concretos. O carisma alcança, independentemente do lugar.” Desde que soube desse congresso em Curitiba, Keci, como é conhecida, trouxe no coração a certeza de que traria muitos frutos. “Acho que no Sul, em especial, a Comunidade tem desmistificado uma crença de que o pessoal é mais fechado e vemos um CJS desse, um show desse,  e cara não tem como. Shalom é isso, é alegria, é testemunhar a felicidade de pertencer a Deus em qualquer lugar do mundo. O carisma se expande no Sul, no nordeste, nos outros países, onde for. Meu coração está muito grato a Deus porque eu sei que daqui muitos frutos virão para a comunidade, para a igreja, para a obra, se Deus quiser”, detalha.  Vocação, um chamado de Deus O Missionário Shalom carrega uma missão de evangelização, mas também e uma vocação, um carisma na sua composição, ele descreve seu percurso vocacional como um caminho de perdas, superação e reencontro com sua identidade. “Acredito que lembrando, de uma frase de Santa Teresinha, que a perfeição consiste em fazer a vontade de Deus e fazer a vontade de Deus é ser aquilo que Ele quer que nós sejamos. Existe uma inquietação, ela precisa ser levada adiante, não dá pra ficar com a inquietação guardada, você precisa descobrir realmente o que Deus quer de você, porque você só vai estar plenamente feliz, plenamente completo, com sua identidade preenchida, quando você descobre qual é a vontade de Deus. E dentro desse caminho tem vários percalços. Idas, vindas, voltas, idas, mas é uma pedagogia que Deus tem para cada um. Mas quando cada um de nós tem esse tesouro no meu coração”, afirma.  Um instrumento de Deus O integrante mais recente do MSH é Francisco Martins, ou simplesmente, Chico, conta um pouco sobre seu primeiro ano como consagrado conciliando viagens, evangelização e contato direto com a juventude. “Foi um ano totalmente consagrado a Deus. Sou um instrumento, e nasci para ser missionário. Antes eu cuidava dos jovens de Salvador; hoje, Deus me confia jovens do mundo inteiro. É uma responsabilidade e uma graça que ultrapassa qualquer expectativa.” Carisma, juventude e horizonte missionário O Missionário Shalom continua vinculado à sua missão fundacional: evangelizar com criatividade, comunicar a paz e inserir a juventude em processos vocacionais e missionários, atuando como ponte entre o primeiro anúncio e a descoberta de um chamado mais profundo. A presença do grupo em eventos, missões e iniciativas internacionais reforça sua identidade evangelizadora e sua relevância dentro da trajetória do carisma.

A marca que permanece

Algumas marcas se perdem com o tempo, outras atravessam gerações. Há pegadas que o vento apaga, mas existem sinais que ficam gravados no coração e nunca desaparecem. Vivemos numa época em que muitos querem deixar sua marca por meio de números, conquistas e imagens bem construídas, mas o mês missionário nos lembra de algo maior: a única marca que realmente importa é aquela que nasce do amor, uma marca que não carrega o nosso nome, mas revela a presença de Deus por meio da nossa vida. Essa marca não precisa de palco nem de aplausos, porque nasce no cotidiano — na paciência de quem ensina, na escuta atenta que consola, no abraço que devolve coragem, no olhar que lembra ao outro que ele vale a pena. É assim que compreendo a missão que carrego como professor. A sala de aula não é apenas um lugar de fórmulas e conceitos, mas um espaço de encontros. Cada aluno carrega um mundo dentro de si, e muitas vezes é preciso mais sensibilidade do que palavras para entrar nesse mundo com respeito e cuidado. A missão se revela nesses detalhes. Ser missionário não é, necessariamente, atravessar oceanos, mas aprender a atravessar as distâncias que existem entre as pessoas que estão ao nosso redor. E como há distâncias! Há jovens que carregam feridas, que vivem cercados de barulho e, ao mesmo tempo, mergulhados em solidão; há quem precise de alguém que simplesmente os veja. Acredito que a marca que podemos deixar começa assim: com presença. LEIA TAMBÉM | Nascemos para a missão: um convite ao envio missionário A educação é uma missão que transforma tanto quem ensina quanto quem aprende. Já vi alunos encontrarem sentido nas pequenas vitórias, descobrirem força em meio ao fracasso, se levantarem depois de quedas que pareciam definitivas. Nesses momentos, percebo que a missão não se limita ao conteúdo programado, pois ensinar também é acompanhar, provocar reflexões, abrir horizontes, plantar esperança. Às vezes, a lição mais importante não está no quadro, mas no silêncio de quem acredita no outro quando ele mesmo já não acredita em si. Deixar uma marca verdadeira não tem nada a ver com ser lembrado, mas com permitir que Cristo seja lembrado. Não é sobre o reconhecimento que recebemos, mas sobre o bem que fica quando já não estivermos presentes. Num mundo que muda tão rápido, onde tantas coisas são descartáveis, é urgente viver de forma que nossos gestos carreguem peso de eternidade — não pelo tamanho, mas pelo amor com que são feitos. E quando penso no futuro, imagino que muito do que fiz será esquecido. Minhas palavras, meus projetos, meus títulos perderão importância, mas talvez um sorriso que ofereci num dia difícil, uma palavra de incentivo, uma paciência inesperada permaneça. Talvez um jovem que pensei não estar ouvindo tenha levado para a vida um gesto meu, e isso o tenha ajudado a encontrar força para seguir. É assim que vejo a missão: uma semente pequena, muitas vezes invisível, que floresce quando menos esperamos. Por isso, não quero me preocupar em “deixar a minha marca”. Quero ser instrumento para que Deus deixe a Dele. Quero que cada encontro, cada aluno, cada conversa traga um pouco de luz. Quero que as pessoas sintam alívio e esperança depois de cruzar o meu caminho. No fim, é isso que ficará: não o que construímos para nós, mas o que ajudamos os outros a construir; não o que acumulamos, mas o amor que demos; não os resultados que conquistamos, mas as vidas que tocamos. A missão não é uma tarefa reservada a alguns, mas um chamado para todos. E é justamente na simplicidade que ela se torna mais poderosa. Uma vida vivida com amor, sem pressa de aparecer, sem medo de se gastar, deixa marcas que o tempo não apaga. Quando tudo for silêncio e o mundo seguir sem saber quem fomos, essas marcas ainda estarão lá, naqueles que um dia se sentiram amados, fortalecidos, lembrados. Essa é a marca que permanece. Anderson Luis Barbosa da Costa Comunidade de Aliança Missão Rio de Janeiro

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