Presentes ausentes
Lembro-me vivamente do dia em que decidi não mais dar presentes de Natal. Estava no centro da cidade – em 1976 não existiam shoppings em Fortaleza – e trazia na bolsa uma boa quantia em dinheiro – também não se usava cartões de crédito na época – o suficiente para comprar cerca de 60 presentes, porque era obrigatório dar-se presentes para tooooodo mundo. Era a maior preocupação do Natal. Não esquecer ninguém. Estava na Quatro e Quatrocentos, uma das duas lojas de departamento da cidade, uma espécie de Lojas Americanas. De repente, lista de presentes nas mãos, dei-me conta do quanto era absurdo tudo o que via. Filas, gente disputando lugar junto aos balcões, suando por todos os poros – ...